A Sereia
17 Capítulo 17
Notas iniciais
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* * *
Acordei entre as colchas de minha cama no dia seguinte. Yen não estava comigo. Ainda era muito cedo, mas a sensação recente de perda que apertava dentro do peito dizia que ele já havia partido. Partido para sempre. Sem despedidas dolorosas, como se algo pudesse ser mais doloroso do que a própria partida. E naquele instante eu percebi que queria meu mundo de volta.
Jade passara a tarde de sábado em meu chalé. Estava frio e ela parecia estar com disposição para preparar uma grande panela de sopa. Depois de comermos, nos sentamos em frente à lareira da sala, com Bela.
-Você parece triste – Comentou Jade certa hora, me fitando de esguelha.
-Não estou triste – Eu menti, observando o fogo trepidar dentro da lareira.
-Parece que está – Jade puxou Bela para seu colo e afagou o bichano sem desviar a atenção de mim. – Pode admitir, Claire. Eu também estou sentindo falta dele.
-Dele quem? – Indaguei, de mau humor.
Ela riu baixinho e se afundou no sofá.
-Não podemos sentir falta dele, Jade – Comentei, dura. – Porque ele não vai voltar.
-Mas também é bom sentir saudades às vezes – Retrucou ela.
-Não desse jeito – Murmurei mais para mim do que para ela.
-Eu sinto saudades da minha mãe às vezes – Falou minha amiga, para minha surpresa. Jade nunca havia comentado comigo nada sobre sua família, principalmente, sobre sua mãe. – Ela morreu quando eu tinha dez anos. Uma doença no coração – Reparei seus olhos, mas não havia vestígio de lágrimas neles. Ela estava lembrando da mãe com saudade, não com tristeza. – Você não acha que é o mesmo tipo de saudade? Eu digo entre você e o Yen?
-Talvez – Eu sorri, com sinceridade.
-Bem, eu acho que é – Ela bocejou, sonolenta. – Porque mesmo que eu queira, mamãe não vai voltar pra mim – Seus olhos se fecharam e sua cabeça pendeu para o lado, deitando numa almofada. – De qualquer forma, você se parece muito com ela. E eu sempre terei você.
Eu boquiabri, mas não havia nada a ser dito. Eu tinha acabado de descobrir o motivo pelo qual Jade escolhera a mim, escolhera ter minha amizade dentre todas as pessoas da cidade.
-Claro que sim, querida – Murmurei para ela. Levantei e a cobri com a manta do sofá. Antes de subir para meu quarto, beijei sua testa com carinho. – Eu sempre estarei com você.
Notas finais
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