A Senhora dos Desertos
1 Prólogo
Notas iniciais
Ela o puxou escadas acima, passando por corredores, portas e salas, até chegarem ao alto de uma das torres. A porta abriu-se, revelando um quarto rico em sedas, cetins e decoração em vermelho e dourado. O coração do rapaz estava quase saindo do peito quando repetiu a pergunta pela décima vez:
– Ele... ele realmente não está aqui?
A moça sorriu e fechou a porta.
– Pela última vez, Bastian. Não, ele não está. Saiu para uma caçada nas florestas, provavelmente retornará daqui uns dois ou três dias, até lá... — As mãos desataram o nó do vestido azul e o mesmo escorregou pela pele pálida, caindo no chão.
A jovem lançou-se, nua, sobre ele e o beijou. Um beijo doce como mel, o mesmo beijo que Bastian recebera havia mais ou menos uma semana, quando ela desceu até o ourives para pegar as encomendas do pai. Depois de fazer isso, mandou que as aias voltassem ao castelo e se esgueirou por trás do açougue, onde beijaram-se e fizeram promessas de amor um ao outro.
As mãos dela desceram até os calções dele, onde desengataram o nó e a peça de lã caiu para o chão de pedra fria. Em seguida tirou a túnica de couro e sentiu os seios da jovem comprimidos contra seu peito. O membro enrijeceu e, em alguns segundos, os dois já estavam na cama.
Já havia feito aquilo diversas vezes. Ainda lembrava-se da primeira vez. Sempre que passava pela frente do bordel, as prostitutas de peitos enormes mexiam com ele e então sentia o membro endurecer. Elas também o notavam pressionando os calções de lã, e riam. Houve uma vez que as ouviu falando algo sobre banhar-se no rio. Ele as seguiu e observou-as banhando-se, até que uma delas o viu e gritou para que ele saísse, caso contrário perderia o pequeno filhote de cobra que tinha entre as pernas.
Então conseguiu algumas moedas de uma velha senhora por apanhar suas galinhas que haviam fugido. Não pensou duas vezes, correu para o bordel e gastou todas lá. Essa fora sua primeira vez, mas com a jovem que agora encontrava-se na sua frente, tudo era diferente, tudo era perfeito. Ele não só a desejava, ele a amava. Amava seus seios, amava seu nariz, amava seus cabelos negros, amava sua boca, seu sorriso, e amava principalmente os olhos verdes, sempre cheios de amor e alegria.
Depois que terminaram, Bastian adormeceu. Um sono sem sonhos, apenas escuridão.
Acordou com um sobressalto, não sabia onde estava, então, ao vê-la na janela, nua, olhando para o verde lá de fora, lembrou-se de tudo.
– Está tudo tão calmo. — Ela disse, voltando-se para ele e suspirando. — Há tanto tempo não vejo dias como esse, sem barulhos de flechas zunindo, aço contra aço, ou então o barulho insuportável de Garlan e seus amigos correndo pelos corredores do castelo. — Aproximou-se da cama e recolheu o vestido, voltando a trajá-lo. — Na verdade, acho que na idade de Garlan, meninos já não se interessam tanto por brincar. Acho que meu pai deveria levá-lo a um bordel e torná-lo homem.
Bastian riu.
– Acha mesmo que ele nunca fodeu alguma prostituta? Por Deus, Melina, seu irmão já tem dezesseis anos, com certeza já se esgueirou até um bordel, e pode ter certeza que não foi só uma vez. — Levantou-se e abraçou-a enquanto ela penteava os cabelos e colocava a tiara na cabeça. — Sabe, às vezes eu te vejo com essa tiara de esmeraldas e imagino-te sentada no trono, com a coroa de Padock repousando em sua cabeça.
Os olhos de Melina iluminaram-se.
– Acha mesmo que eu...?
– Você é filha do rei, um dia se tornará rainha, isso é certo... Mas espero que esse dia nunca chegue, pois quando ele chegar, você encontrará um lorde rico e casará com ele, ou então algum duque galês.
A jovem virou-se para ele e beijou-o antes de dizer:
– Nunca te esquecerei, você será meu rei, governará todo o Padock e, um dia, todas as terras de Albion ao meu lado. Nossa história será lembrada em lendas e canções, nós dois seremos os maiores reis que já pisaram na Terra, entendido? — Bastian baixou os olhos e mordeu o lábio inferior. Melina levantou a cabeça dele. — Entendido?
Ele mostrou um sorriso fraco:
– Entendido. — Mas sabia que não estava. Ele era apenas o "filho do açougueiro", como o rei fazia questão de lembrar todas as vezes que via Melina olhando para ele.
– Agora...
Antes que a jovem pudesse completar a frase, as portas do quarto abriram-se com um estrondo, e um homem alto, de cabelos castanhos, acompanhado de dois guardas, adentrou no recinto, jogando Bastian para longe de Melina.
– Pai?! — A jovem ficou sem reação. — Você disse que voltaria...
– Cale-se, Melina, com você me entendo depois. — Rugiu o rei, voltando-se para Bastian. — Seu bastardozinho de merda, eu jurei que da próxima vez que encontrasse você perto de minha filha, o mataria. E você, Melina? Você é filha de um rei, tem sangue real em suas veias, pode casar-se com quem quiser, por que insiste em encontrar-se com o filho do açougueiro?!
– Eu o amo, e quero me casar com ele, quero-o ao meu lado quando eu governar Padock! Quero-o ao meu lado quando governar toda a Albion! — Gritou desesperada.
– Bah! — Rugiu o homem em deboche. — Você, governar toda a Albion?! No que depender de mim, não governará nem mesmo Padock! — O rei aproximou-se da filha, pronto para estapeá-la, quando Bastian atirou-se sobre ele, mordendo sua orelha. — AHH, GUARDAS!
Os guardas apontaram as lanças na direção de Bastian e do rei.
– NÃO! Não se aproximem deles, ou juro que vocês perderão as cabeças! — Gritou Melina, apontando para os dois, que hesitaram.
– Não a ouçam, me ajudem, imbecis! — O rei jogou-se contra a parede, fazendo Bastian soltar-lhe. — JÁ CHEGA! — Urrou, agarrando o jovem pelos cabelos e pondo-o de joelhos. — Isso já foi longe demais! — Desembainhou a espada e apontou-a para a nuca de Bastian. — É isso que penso sobre seu amor, Melina!
A espada atravessou a garganta do jovem, trinta centímetros de lâmina saindo pela boca, e os gritos de horror da jovem Melina encheram a noite.
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