A Senhora das Trevas

7 A clareira dos Trolls‏


Notas iniciais
Oi galera! Tudo bem? Me perdoem, pela demora em postar o capitulo

O sol já havia ido embora, quando Lûmia e Gandalf, chegaram à clareira. Eles haviam atravessado boa parte da Floresta Negra, e pretendiam chegar a Valfenda em poucos dias. Lûmia havia levado poucos utensílios que lhe pertenciam do palácio. Alguns vestidos, capas, e armaduras feita de Mithril. A adaga dada a ela pelo jovem elfo loiro estava na bainha, amarrada a cintura, e no peito reluzia prendida por um cordão, uma runa.


– Ganhamos caminho hoje minha senhora. Amanha, seguiremos viagem pela trilha dos elfos. — disse Gandalf. Ascendendo uma fogueira, e pegando algo dentro de seu bolso.


Lûmia olhou para ele, assentindo a decisão, ela sentou-se na grama, e passou a olhar as estrelas, a admirar seu brilho, a ouvir o barulho da Floresta, a suavidade do vento, a corrente do rio. Felicidade. Fora isso que sentira o desejo imenso de mergulhar naquele vasto mundo, de ver aquilo que a mente por si só, não conseguia imaginar sozinha, ter a vida que sempre imaginou para si, agora podia ter. Podia agora saber quem era conhecer seu passado, e decidir quem seria ela no futuro.


– Milthrandir, uma vez, disse-me que havia coisas, que eu não deveria saber. Que coisas eram essa? — perguntou Lûmia, ainda olhando para as estrelas.


– O passado minha senhora, é por muitas vezes, obscuro, o deixar para depois, serve para que nos preparemos para algo maior. — disse Gandalf.


– Compreendo, tenho de me preparar para algo maior. — disse Lûmia, que agora não se importava mais em ter pressa, já que a vida lhe daria o tempo certo para tudo.


°°°


Começou com um barulho denso, a fogueira já havia se apagado quando Lûmia sentiu a falta de Gandalf. A clareira estava inquieta, passos pesados rodeavam o local, os animais haviam se escondido, e Lûmia ficou atenta. Olhava para todos os lados em busca da fonte do barulho, nada. Levantou-se lentamente, e notou uma imensa pegada perto de onde Gandalf estava deitado. Gigantes, pensou ela. Tentou as pressas, recordar-se das táticas de defesa contra Gigantes, fogo, cordas, espadas, armadilha!


Lûmia percebeu os passos se afastando, e seguiu atrás dos ruídos, árvores tinham sido arrancadas, para dar espaço, para algo grande, muito grande.


– Amarrem-no junto com os pôneis. — disse uma voz meio falhada. A sombra projetada no chão trazia a mente uma criatura, semelhante aos gigantes, eram estas, sedentas por ouro, cavernas escuras, e carne humana.


Lûmia conseguiu escalar uma árvore, para ter uma visão melhor de seus inimigos. Ao olhar para chão, quis soltar uma leve risada. Eram três trolls desajeitados. Os trolls tinham uma estatura mediana para um parente de gigante, tinham grandes olhos, e olfato aguçado. Na clareira feita por eles, havia uma pequena fogueira, com um cilindro feito de madeira, com um caldeirão preso por uma haste de ferro. Próximo aos trolls havia um pequeno celeiro, com os pôneis que Lûmia e Gandalf trouxeram, e junto aos animais, estava Gandalf, amarrado pelos braços e com a boca tampada por uma maçã.


– Estou farto de pôneis, não tem carne nenhuma. — resmungou um dos trolls.


– Ora Bert, cale-se. — disse o troll mais velho, dando um peteleco no nariz de Bert. — Hoje temos um convidado para o jantar, irá incrementar o ensopado. — disse o troll mais velho, soltando uma gargalhada.


Lûmia traçou um plano para salvar Gandalf. Ela iria atrair a atenção dos trolls, enquanto eles caíam em sua armadilha, era perfeito.


– Vai funcionar. — disse Lûmia confiante, ela segurou-se em um galho maior para ter apoio e descer da árvore. Ao soltar o galho, seu pé escorregou, e Lûmia tentou segurar-se em um galho, mas a mão estava cheia de musgo, e desprendeu-se, fazendo-a cair rapidamente no chão. O barulho, fora tão ensurdecedor, que os trolls perceberam, e viraram-se para ela.


Lûmia levantou-se o mais rápido que pode, e tirando as folhas secas do corpo, percebeu três sombras lhe rodeando. Ao olhar para cima, ela ficou estática, trolls capitam movimento, pensou ela, mas o pensar saíra alto demais.


– Ela pensa que somos gigantes. — disse Bert. Olhando para Lûmia, com agua na boca.


– PEGUEM-NA. — Gritou o troll mais velho, avançando em direção a Lûmia. Ela percebeu os movimentos de ataque, e sacou uma de suas adagas, girou para trás, e golpeou o troll mais velho na barriga, ele gemeu de dor e ela teve tempo para apoiar-se em um galho e subir em cima da cabeça de Bert, e furar um de seus olhos. Ele gritou em fúria, e caiu no chão, segurando o olho em sua mão. Lûmia pulou de cima de Bert, e correu para em direção à clareira, esquivou-se de galhos que apareciam em sua frente, e avistou ao longe o acampamento, apressou o passo, mas algo passou raspando por ela, porém, não havia tempo de parar para ver oque era, continuou correndo e uma sombra surgiu ao seu lado, golpeando-a na cabeça. Lûmia estremeceu pela pancada, e caiu na grama molhada pela neblina.


°°°


– Lurrghhhhhhhhia — disse Gandalf. — Luurghhhhhiaa. — murmurou ele novamente. Sua boca estava tampada, e os poucos ruídos que conseguia falar, nada mais pareciam do que bravejos de um duende ranzinza. — Luuuuuuurghhhhhiiaa!!!- Tentou gritar Gandalf.


– An? Oque? — disse Lûmia, acordando com o susto. — Gandalf? — disse ela, olhando para seu companheiro de viagem. Ele estava amarrado em um tronco, com a boca tampada, seria hilário, se não estivessem em perigo.


Gandalf olhou para ela, como um pedido de socorro, as mãos de Lûmia estavam amarradas e seria difícil chegar ate Gandalf, sem alertar mais uma vez os trolls. Os dois mais novos pareciam impacientes pela demora em comer, Bert, assuava o nariz, em um grande pedaço de pano. Enquanto o do meio vigiava a clareira.


–Pra que temos de cozinha-los? — questionou o do meio. — São mais gostosos frescos. Já comi muitos anões, ela fede a anão, mas não parece uma. — disse ele, olhando friamente para Lûmia, e serrando os lábios.


– É! Vamos comê-los agora. — disse Bert. Os dois trolls avançaram para cima de Gandalf e Lûmia, mas o mais velho entrou na frente deles e deu um peteleco nos dois.


– Estou profundamente ofendido. — disse o mais velho. — Vocês não valorizam quem esta cozinhando. — choramingou ele. Os trolls voltaram-se a se sentar.


Lûmia tentava pegar a adaga para cortar as cordas. Mas as mãos foram muito bem amarradas, não havia escapatória, eles iriam morrer assados, ou cozidos.


– Psiu. — cochichou uma voz perto de Lûmia. Ela contorceu-se com dificuldade, para ver quem era, mas a pouca claridade da fogueira, não a ajudava a distinguir quem poderia ser.


A voz misteriosa se aproxima de Lûmia, e cuidadosamente serra-lhe as cordas, ela respira aliviada, mas o desconhecido lhe puxa para trás, longe da visão dos trolls. Lûmia tentou libertar-se das mãos fortes que lhe seguravam, poderia gritar, mas atrairia a atenção dos trolls, oque complicaria muito mais, travou os braços entorno das mãos que a levavam mais adentro da floresta, e em um rápido movimento jogou-se contra o desconhecido, e os dois caíram no chão. Ela levantou-se e sacou a adaga. Estava repleta de musgo, e folhas, empoeirada pela sujeira da fogueira, e pronta para atacar.


– Quem é você? Revele-se!- disse ela, olhando o ser misterioso, levantar-se do chão, e virando-se para ela. O desconhecido usava uma capa escura, que cobria seu rosto, poderia ser um ladrão, um sequestrador, mas ela não teria piedade. O ser misterioso soltou uma pequena risada, e tirou a capa de cima do rosto, e revelou um... lindo elfo loiro.


Lûmia arregalou os olhos, aquele era o jovem elfo loiro que havia acompanhado o grande Rei Oropher. Ela observou seus traços, ele era alto, detinha grandes olhos azuis claros, e o rosto límpido, como se nunca tivesse conhecido um ano sequer que já tivesse vivido. As roupas eram de um verde escuro talvez, a escuridão era muita, para a pouca claridade que havia. Tinha músculos torneados por todo o corpo, as mãos fortes seguravam agora um arco, e enquanto os olhos de Lûmia acompanhavam todos os cantos de seu corpo, ele a interrompeu.


– Com licença. — disse ele. — Vejo que a senhorita, não é muito gentil com aqueles que a salvam de trolls. — respondeu o jovem elfo, colocando o arco nas costas.


– Desculpe-me senhor, mas normalmente quando sou salva, sou colocada em cima de cavalos, e não carregada floresta adentro. — respondeu Lûmia cruzando os braços.


– Preferia ter ficado presa? — perguntou o jovem elfo. — Um simples obrigado, não causaria mal algum. — resmungou ele.


– Obrigada. — disse Lûmia rapidamente. Ela voltou a analisar o jovem elfo novamente, estava encantada, seus olhos prendiam-se nele, enquanto Lûmia tentava em vão voltar ao foco.


– Que coisa!- resmungou ela.


O jovem elfo a olhou curioso, talvez ele soubesse que ela estava lhe olhando, e achava engraçado. — Acho que estamos perdendo tempo aqui parados. Você me disse que seu amigo esta em perigo, temos que ajuda-lo. — disse o jovem elfo. Sacando seu arco.


Lûmia apontou a adaga para ele, e o encurralou num tronco de árvore. — Eu nunca lhe disse nada senhor, como sabe que não estava sozinha? Quem é o senhor? — perguntou-lhe Lûmia. A lâmina estava afiada, e um simples deslize do elfo, ela escorregaria ate seu pescoço.


– Isso não interessa agora. Mas, vim seguindo o passo de vocês dois, desde que entraram na Floresta Negra. — disse o jovem elfo, olhando firme para Lûmia.


Ela o analisou, não tinha tempo a perder, teria de confiar no elfo.
– Escute aqui elfo, se eu desconfiar de que você é algum tipo de encrenqueiro, eu matarei você rapidamente. — disse ela, deixando o passar.


Eles traçaram um plano, iriam atrair a atenção dos trolls para as armadilhas, e poderiam resgatar Gandalf enquanto os trolls estavam presos. Lûmia andou cuidadosamente ate a clareira onde estavam os trolls, observou o troll do meio vigiando o local, e pensou em algo para atraí-lo primeiro.


°°°


Um barulho de galhos se quebrando ecoou no ar, os trolls levantaram-se e caminharam em direção ao barulho. Outro barulho surgiu do outro lado da clareira, os trolls se dividiram, e cada um caminhou em uma direção, deixando o caminho ate Gandalf livre.


– AQUI!- gritou Lûmia no fim da clareira, os trolls correram em direção a ela. Eles esmagavam árvores pequenas, e derrubavam muitas pelo caminho, gritavam e bravejavam um ao outro para que a pegassem.


– COMO ESCAPOU RATINHA?- gritou o troll do meio, tentando agarrá-la com as mãos.


Lûmia deu um salto, apoiando em uma rocha, e caiu em meio a umas folhas secas, viu os trolls vindo atrás dela, e esquivou-se de troncos que eram lançados contra ela. Ela correu mais rápido, e os trolls seguiram atrás dela, primeiro Bert tropeçou em uma de suas armadilhas, e caiu dentro de um foço antigo, ficando com os dois pés entalados. Ele gritava para que os irmãos fossem ajuda-lo, mas eles já estavam longe, seguindo Lûmia.


O jovem elfo fugia do troll mais velho, ele subia rapidamente em árvores, e disparava flechas contra o troll, que gemia de dor. Ele deslizou por debaixo de um tronco, e viu o troll sobrevoar a árvore caída, ao pisar na armadilha, e ficar pendurado de cabeça para baixo. O troll mais velho contorcia-se dentro da armadilha apertada, e rosnava para o jovem elfo. Ele saiu em disparada, de volta a clareira, para ajudar Lûmia, atravessou as árvores caídas, e ouviu gritos ao longe. Saiu correndo indo em busca do som, passou como um raio por cima da cabeça de Bert, e chegou próximo à clareira.


Lûmia gritava desesperadamente, o troll do meio a pendurava de ponta cabeça, e estava pronto para engoli-la, quando uma flecha passou raspando em sua boca. Ele soltou Lûmia no chão, que por pouco não caiu em cima da fogueira, ela rolou para o lado, esquivando-se das pisadas que o troll tentava lhe dar. O jovem elfo passou por cima da fogueira, e atirou uma flecha dentro da boca do troll, que gemeu de dor e saiu em disparada para dentro da Floresta.


O jovem elfo, ajudou Lûmia a se levantar, e ela tirou as folhas de sua roupa. — Você está bem? — perguntou-lhe ele. Olhando para as lágrimas de espanto que escorriam pelo rosto, ele as enxugou, e sorriu para ela, tudo estava bem agora. Lûmia olhou para o jovem elfo, e retribuiu o sorriso, o gesto dele, tinha a feito arrepiar-se, oque a fez corar, e virar-se rapidamente.


– Lurghhhia?- disse Gandalf, olhando a cena do casal. Lûmia virou para ele, e soltou uma risada, pegou a adaga, e soltou as cordas de Gandalf, e tirou a maçã de sua boca.


– Como esta Milthrandir? — perguntou-lhe Lûmia, ajudando-o a se levantar.


– Ora como estou? Eu estou ótimo. Foi só um contratempo. — respondeu Gandalf. — Meu cajado... meu ca...Ah! Aqui esta!- disse ele, tirando o cajado de dentro da túnica cinza.


– Você estava o tempo todo com o cajado? — questionou Lûmia enfurecida.


– Algo maior minha senhora, algo maior. — respondeu Gandalf, mancando em direção à clareira onde estavam antes do contratempo.


°°°


O dia já estava amanhecendo, e Lûmia e Gandalf já haviam arrumados as coisas para seguirem viagem. Não comentaram muito sobre a noite passada, pois sempre riam, ao se lembrarem de Gandalf. O jovem elfo ajudou nas arrumações e ele e Lûmia conversaram bastante.


– Minha Senhora, onde estão os outros pôneis? — perguntou-lhe Gandalf.
Lûmia soltou uma risada, e viu Gandalf adentrar mais uma vez a Floresta, atrás dos pôneis, deixando ela e o jovem elfo a sós.


– Para onde estão indo? — perguntou o jovem elfo.


– Para Valfenda. — respondeu ela, colocando mais gravetos na fogueira.


– E a senhora é de lá? — perguntou o jovem elfo.


– Na verdade não sei de onde sou. Fui criada pelos anões, e estou indo para Valfenda, em busca de respostas. — disse Lûmia, voltando o olhar para a Floresta.


Ele assentiu a resposta, e ficaram a esquentar-se na fogueira. Após alguns minutos, Gandalf retornou com os pôneis, e providenciaram terminar de arrumá-los.


– Descansaremos perto do anoitecer minha senhora. — disse Gandalf. Subindo em seu cavalo.


O jovem elfo, ajudou-a a subir no cavalo, e a prender os pôneis no laço, olhou para ela, que espirrava sem parar pelos pêlos que subiam.


– Obrigado. — disse Lûmia, olhando gentilmente para ele. — Por ter nos salvo. — disse ela


Ele sorriu. — Foi apenas um contratempo. — respondeu ele.

O cavalo de Gandalf saiu em disparada, e Lûmia emitiu um som, que fez o dela andar calmamente. O jovem elfo já havia virado as costas, e estava entrando na Floresta, segurando em suas mãos o lenço que Lûmia lhe dera.


– Senhor elfo! — gritou ela, ao longe.
Ele virou-se para Lûmia, e acenou como um adeus. — Não perguntei seu nome! — gritou ela. Fazendo os pôneis pararem.


O jovem elfo, esboçou um sorriso de canto. E olhou dentro dos olhos de Lûmia. — Meu nome é Thranduill. — gritou ele, que agora via o sorriso de Lûmia, virando- se de costas, e apressando o passo do cavalo.


°°°


Ela sussurrou seu nome, jamais o esqueceria, e enquanto pensava em seu nome, via ao longe, o sol, indicando seu novo caminho.