A Senhora das Máquinas

2 1º Capítulo - Segundo Encontro?


Notas iniciais
Oi oi pessoas *-* Não houve comentários ainda :'( Mas sei que alguns leitores estão na etapa "teste", por isso não vou reclamar demais, só pedir que quem estiver lendo deixe algum comentário, ok? Hehe e.e Mava ~

Já faz três semanas. Ainda estava em Illona, no mesmo hotel, indo todas as noites ao mesmo cabará. Mas as coisas mudaram um pouco. Concluí que aquela caixa estava ligada a minha tia, de alguma forma, e ainda não sabia porquê. O primeiro código dizia respeito ao seu nascimento, e eu temia que o segundo fosse sobre seu óbito... Tentava não pensar demais nisso para não enlouquecer, no entanto, com o passar do tempo, eu realmente suspeitava que não houvesse esperanças.

Minha tia me ligou ontem a noite. Ela estava com a voz rouca, e parecia estar enfrentando o segundo dia de ressaca.

– Gabriel, meu filho, onde você está? — ela perguntou entre uma tossida e outra.

Ouvi-la falando com tal esforço me fez sentir extremamente culpado. Com remorso. O pior sobrinho do mundo. Por isso, tentei falar com ela:

– Hum... Em Illona. Tia, a senhora não parece bem. Eu posso voltar para Denvi se você quiser...

Mas ela me interrompeu.

– Não! — cof cof, e tossiu de novo. Esperei alguns segundos na linha. — Se eu pedi para que você terminasse o que comecei, então cumpra. Não vá me decepcionar.

Respirei fundo.

– Jamais.

– Ótimo — ela falou. — Só liguei para você saber que continuo viva. Morrendo, e me sentindo morta, mas viva. Ella me deixa informada sobre as coisas.

– Ella? — perguntei. — A senhora arrumou uma amig... — balancei a cabeça. — Claro que não. Você fez outro robô?

Ouvi uma risada macabra do outro lado da linha.

– Fiz. Ando entediada.

Por Deus, nem á beira da morta essa mulher dá valor aos humanos?

– Sei o que está pensando. Não pense. Você sabe que ainda sei ler pensamentos. Estou velha, mas esperta.

– A mesma de sempre — sorri ao dizer. — E posso saber com que capacidade física você fez um robô? A senhora precisa de repouso...

E ela me interrompe novamente.

– Não me chame de senhora. Eu ainda tenho amor próprio — tia Evans retrucou.

– Desculpe. O que quer que eu faça? Você nem me deixa cuidar de você! — reclamei.

– Ah, Gabriel! Você não tem que gastar sua beleza e força comigo! Eu já disse que estou bem. Nem só porque você está morrendo, quer dizer que não esteja bem — ela riu, tossindo em seguida. — E Ella não me custou nada. Só pedi a um mecânico que arrumasse as tralhas maquinárias do porão e trouxesse-nas aqui para mim. Depois, só tive de movimentar os braços.

– Hum... Vou fingir que acredito. Mas só porque você é muito teimosa.

– Tudo bem, agora vou te deixar em paz. Preciso resolver umas coisas, de qualquer forma. Espero que se divirta. Não se preocupe comigo — ela pediu, impedindo minha tentativa de um "boa noite" descente ao desligar na minha cara.

Tia Evans...

***

– Então, já sabe? — Rana perguntou.

– Saber o que? — massageei as têmporas, tentando me livrar daquela horrível dor de cabeça. Mas Rana continuava me importunando a respeito dos escritos na caixa. Queria que ela soubesse o quanto eu desejo jogar aquela coisa preta e metálica e pesada pela janela de meu quarto. — Não. Não entendo direito. Talvez deva entregá-la ao FBI.

– Você andou vendo aqueles filmes antigos de novo, não é? Sabe o que o FBI se tornou depois da Terceira Guerra. Uma espécie de seita.

– Eu diria liga de super heróis — falei.

– Ninguém sabe o que restou deles. Na verdade, ninguém sabe o que restou direito das forças armadas e de inteligência dos Estados Unidos.

– Ó, Velha América, que saudade faz nos sentirmos poderosos — me diverti enquanto engolia as panquecas de café da manhã.

Rana tirou o avental e sumiu pela cozinha, deixando-me á mercê de um bêbado. Um bêbado tão bêbado que, mesmo estando a uns dez metros de mim, fazia com que a cerveja parecesse estar dançando na minha frente, implorando para ser bebida.

É. Não sou bom com eufemismos.

– Tome isso — Rana pôs um comprimido na minha frente repentinamente.

– Remédio para dor de cabeça?

– Não, não. Veneno em pílula. Mas também é ótimo para resolver dor de cabeça. Você nem mesmo vai sentir que tem cabeça — ela sorriu sarcasticamente.

– Obrigado — agradeci e tomei. — Então, quando vai me deixar levá-la para sair? Você não tem que, tipo, ser um guarda-costas, sabe. A beleza feminina está na fragilidade, na bondade.

Rana ficou brava. Ops, a peguei de surpresa.

– Ela merece algo melhor — Rana falou. Ela definitivamente queria jogar facas em mim.

– Eu ainda não provei meu valor? — implorei.

Ela se virou para mim e pôs as mãos na cintura.

– Se ela aceitar, tudo bem. Mas não pense que eu não vou saber de tudo. Eu sempre sei de tudo. E ouça — ela se aproximou de mim, a três palmos do meu rosto, e fuzilou-me com os olhos — se levá-la para a cama no primeiro encontro, juro que vai ser seu último primeiro encontro.

– Então no segundo encontro? — perguntei. Pus os pés para fora da cadeira no caso de precisar correr. Tive de segurar o riso enquanto via Rana ficar furiosa.

Três, dois, um.

Ela se virou para mim com a faca de cortar pães na mão.

– Ah, meu Deus — me enrolei na jaqueta e bati a porta da "cafeteria". — Belas panquecas!

Notas finais
PS: é uma cafeteria de dia e um cabaré a noite. Mava ~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.