Capítulo 2

Após isso, eu tive minhas outras aulas e depois do almoço, fomos liberados e eu estava agora esperando o ônibus aparecer em frente ao portão da escola.

Meus pais prefeririam me buscar ou mandar nosso motorista me buscar, mas isso só faria as pessoas ficarem grudadas por causa do interesse nas minhas coisas e eu odeio isso, então eu implorei para que eles me deixassem ir embora de ônibus.

Quando o ônibus chegou, eu me preparei para subir e pagar a passagem.

Procurei um assento mais no fundo e do lado da janela, apoiei meu cotovelo na janela e meu rosto sobre a palma da minha mão e fiquei olhando para o lado de fora, recebendo o maravilhoso vento na minha cara e fazendo meu cabelo literalmente voar.

Alguém sentou ao meu lado e eu olhei para ver quem era.

Havia um homem de meia-idade, com calça jeans folgada, camiseta laranja, usando um boné estranho na cabeça e uma tatuagem que significava algo como “protetor” em uma língua diferente que estranhamente eu consegui entender.

Ele deve ter notado que eu estava olhando a tatuagem, então eu voltei minha atenção para o lado de fora do ônibus.

A viagem passou bem rápido e quando cheguei perto de casa, desci do ônibus e andei calmamente até a enorme última casa do bairro.

Bem, eu digo enorme… Porque é enorme. Ela tem pelo menos dez quartos, quatro andares (que tem escadas, já que meu pai queria pôr elevador, mas minha mãe não deixou), uma piscina gigante nos fundos e um quintal gigante que era protegido por dois labradores também grandes.

Abri o portão de casa e me surpreendi quando Rex — um dos labradores; ele tem pelo negro e olhos também negros que me lembravam de Nico — pulou em cima de mim, como se sentisse minha falta.

“Ok, menino”, eu disse termianando de trancar o portão e me ajoelhar na grama para fazer carinho nele. “Eu acabei de chegar, preciso trocar de roupa e me preparar para mais tarde, ok?”.

“Mais tarde?”, ouvi a voz de minha mãe se aproximando.

Eu me levantei e olhei para ela, com um sorriso no rosto. Minha mãe usava um avental azul (já que ela sempre fazia questão de cozinhar, não deixar uma cozinheira fazer isso por ela) e um vestido florido e seu cabelo loiro estava preso em um coque. Ela enxugava a mão no avental.

“Boa tarde mãe”, disse eu. “Eu tenho um novo parceiro para domingo, no evento escolar. Marcamos de nos encontrar no Starbucks perto da escola para falar sobre domingo”, expliquei e ela sorriu ainda mais.

“Preciso comemorar seu primeiro amigo?”, perguntou ela com um tom brincalhão e eu só pude rir.

“Ah mãe, ele é só um colega. Depois do evento escolar, nem sei mais se vamos nos falar ainda”.

“Vem, preparei bolo de chocolate com amoras.”

Eu quase tive a vontade de sair correndo e quebrar a porta de casa só pelo bolo delicioso de minha mãe.

“Ótimo que você gostou da ideia.”

Eu a segui até a cozinha. Lá estava em cima da mesa de dezesseis lugares: um delicioso bolo gigantesco de chocolate e amora.

“Tome um banho e troque de roupa para poder comer.”

Eu deixei meus ombros caírem e suspirei. “Ok.”

Subi para o terceiro andar, diretamente e entrei no banheiro do meu quarto. Separei uma roupa e entrei no box para tomar banho. Assim que o terminei, pûs saia jeans na altura do joelho, camiseta branca de mangá com a foto de um anime, tênis preto e amarrei meu cabelo para trás. Eu já ficaria pronta para sair assim que Nico chegasse, embora fosse só às sete e ainda são duas da tarde.

Desci as escadas e encontrei meu pai subindo em minha direção, mas ele parou para me dar um abraço bem apertado.

“Como foi a aula hoje?”, perguntou ele.

“Foi legal, pai” afirmei.

“Vai onde assim?”, ele me olhou de cima a baixo.

“Ela vai encontrar o amigo pro evento escolar mais tarde.”, minha mãe gritou lá da cozinha e eu e meu pai rimos.

“Ok. Vou estar no meu escritório. Qualquer coisa me chame, hein?”

“Ok, pai”, eu disse e continuei a descer.

Me sentei à mesa na cozinha e já tinha um pedaço de bolo em um prato me esperando. Eu aproveitei vários pedaços de bolo, até ouvir minha mãe dizer:

“Cuidado para não engordar.”

“Eu vou fazer exercícios duplos amanhã”, disse eu. Eu tinha ginástica todos os sábados para compensar os lanches que minha mãe fazia para mim nas sextas.

Minha mãe riu e depois saiu da cozinha enquanto eu terminava meu bolo.

A empregada da casa chegou. Ela se chama Merylin e tem cabelo ruivo e usa óculos sobre os olhos castanhos. Ela é uma pessoa bem legal, tanto é que quando terminei meu bolo, ela disse que lavaria por mim o prato.

Eu me dirigi até o banheiro do andar onde eu estava e escovei os dentes e depois sentei no sofá da sala e fiquei assistindo séries.

Não percebi o tempo passando tão depressa até que ouvi a campanhia tocar. Eu sabia que era Nico pelo horário, então abri a porta de casa e o vi do outro lado do portão, e ele tinha um Camaro vermelho conversível atrás dele

Nico deveria ter minha idade e já tinha um carro desses (embora meu pai fosse me dar um preto quando eu completasse dezesseis anos).

Rex e Ares — meu outro labrador; ele também tem pelo negro, porém olhos vermelhos que davam muito medo — começaram a rosnar perto do portão e Nico franziu o cenho para eles.

“Mãe, pai, Nico chegou”, eu gritei para dentro de casa e ouvi minha mãe dizer:

“Vai com Deus filha, volte antes das dez da noite.”

Eu fechei a porta de casa e ajeitei meu tênis e me aproximei do portão, porém os cachorros estavam quase atacando Nico. “Rex! Ares! Voltem já”, eu disse e eles obedeceram.

Quando abri a porta e saí e logo fechei, Nico perguntou:

“Você tem um cachorro chamado Ares?”

“Tenho, insisti para por, mas meu pai não queria até que eu consegui convencê-lo. Eu gosto de mitologia grega”, afirmei. “Mas isso te interessa?”.

“Acho que sim”, ele disse abrindo a porta do carro para mim. “As damas primeiro”.

Eu franzi o cenho e me sentei no banco, colocando o cinto de segurança. A voz da minha mãe sempre ecoava dizendo isso quando eu sentava em algum carro.

Nico fez o mesmo.

“Você tem idade para dirigir?”, perguntei.

“Eu tenho dezesseis anos, se você não sabe”, ele disse dando partida no carro.

“Uau. Achei que você tivesse catorze anos por aí.”

“Eu não sou uma criança.”

“Essa doeu”, eu disse olhando para o outro lado. “Então, sobre o que vai conversar?”

“Você saberá quando chegarmos lá”, ele me olhou com um sorriso no rosto, mas eu o ignorei e virei o meu rosto.

Quando chegamos ao Starbucks a dois bairros da minha escola, Nico fez o favor de abrir a porta para mim e puxar a cadeira para eu sentar. Eu não sabia o que ele estava pensando ao fazer isso, mas isso era cavalheirismo, então eu não disse nada.

“O que você vai querer?”, ele perguntou.

“Frappuccino de morango”, eu disse e ele se levantou para pedir.

“Um frappuccino de morango e outro de chocolate, por favor”, disse ele e o moço pediu nossos nomes. “Nico e Annah”.

Até ele pegar os frappuccinos e se sentar novamente à minha frente, eu permaneci em silêncio.

“Aqui”, ele me entregou o frappuccino.

“Obrigada”, afirmei.

“Qual música você vai querer cantar?”

“I’m Alive, de Becca. Primeira ending do anime Black Butler.”

Ele deu um sorriso.

“Ótimo. Um dia desses eu estava treinando essa música na minha guitarra. E eu conheço um garoto da escola que toca bateria”.

“Legal”, afirmei. Eu bebi tão depressa o frappuccino que minha testa doeu. Quando ele me perguntou o que havia acontecido e eu disse que meu cérebro congelou, ele começou a rir e acabei rindo com ele também.

Depois de uma hora conversando, eu disse à ele que precisava voltar e ele também disse que tinha algo para fazer e me ofereceu uma carona até em casa, mas eu neguei.

“Não precisa. Eu posso voltar de ônibus.”

“Mas eu te trouxe, eu tenho que te levar.”

“É sério, Nico. Antes de eu ir para lá, eu preciso ir resolver algumas coisas.”, bem eu tinha que fazer umas coisas para meus pais.

Os ombros dele caíram.

“Tem certeza?”

“Tenho, não se preocupa.”

Ele suspirou. “Então eu te vejo amanhã para o ensaio”.

Eu assenti e acenei para ele e esperei ele entrar no camaro e ir embora. Ele realmente era legal, pelo menos foi o que confirmei enquanto conversávamos.

“Finalmente eu te achei”, ouvi uma voz atrás de mim e me virei. Um homem alto, pálido como a de um albino, cabelo comprito preto e usava manto de seda preta e algo parecido como uma coroa de ouro trançado.

Meu coração disparou. Senti alguém me puxando por trás e colocando um lenço em meu nariz e quando respirei aquilo, percebi que era um remédio para dormir. E eu vi tudo preto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.