A Semente da Verdade
1 Único
Era uma vez um país mágico e nele moravam inúmeros seres fantásticos, desde pequenos bichinhos falantes até brinquedos vivos. Esse país chamava-se Elísia.
Elísia era governado por uma rainha muito bondosa, a Fada-Rainha Angícia. Ela era amada por todos os seus súditos e todas as noites havia festas em seu palácio. Mas ela já estava sentido que seu reinado estava acabando e precisava escolher logo sua sucessora. Só havia eu problema: como decidir quem iria cuidar do reino quando ela se fosse?
Angícia, a Fada-Rainha, tinha um jardim muito famoso por sua diversidade e beleza. Era o Jardim Amarílis! Um dia, passeando pelo magnífico jardim, Angícia teve uma idéia: deixarei que minhas amadas flores decidam quem será a próxima rainha. No mesmo dia, mensageiros viajaram por todos os lugares, convocando todas as meninas do reino para o Grande Baile que a Fada-Rainha estava oferecendo a elas. Imediatamente, muitas de suas pequenas súditas tomaram o caminho para o palácio.
A Fada-Rainha aguardou todas as crianças chegarem para lhes contar a grande novidade. “Crianças”, disse ela com uma voz determinada enquanto pegava um saco de sementes, “o tempo do meu reinado está acabando e preciso escolher a minha sucessora. E ela será uma de vocês! Para isso, tenho uma tarefa muito simples: Quero que levem as sementes para casa e as cultivem. Aquela que me trouxer a flor mais bela e bem cuidada, ao fim de um ano, será a próxima rainha”. Então, foi entregue uma semente a cada criança.
Todas viviam em uma grande expectativa de ser escolhida. Mas, existia uma garota que estava especialmente empenhada nessa missão, seu nome era Mahira. Ela era uma Bonequinha de Porcelana e neta da Jardineira mais famosa de Elísia. Ela sabia que conseguiria cultivar a flor mais formosa do reino.
Quando chegou a casa, encheu um vaso com terra fértil. Depois, com mil cuidados, colocou a sementinha nela. Cuidadosamente, regou-a. Depois, adubou, para que ela pudesse crescer com vigor. Estava muito ansiosa para vê-la brotar, crescer e florescer.
Os dias se passaram, depois semanas... Mas nada acontecia! A sementinha simplesmente não germinava! Mahira começou a se preocupar. Decidiu pôr terra em um vaso maior. Na sua inocência, mudou a semente para esse vaso. Esperou mais algum tempo, mas nada acontecia com a sementinha e Mahira se desesperava.
Por mais que se esforçasse, a sementinha não brotava. A bonequinha fez de tudo: adubou mais a terra, colocou o vasinho no sol, regou a semente com água de fada... Tudo! Mas seus esforços de nada valeram.
No fim do inverno completava-se um ano. O tempo que a Fada-Rainha Angícia tinha dado para que todas as meninas voltassem a sua presença trazendo a mais formosa flor. A tristeza se apoderou de Mahira e ela redobrou seus esforços para fazer a pequena semente brotar.
Chegou a Primavera e, com ela, o Grande Baile da Fada-Rainha. Todas as crianças começaram a se preparar para irem ter com a Majestade. No dia aprazado, todos correram ao palácio, acalentando a esperança de serem eleitas.
Mahira estava envergonhada com o seu vaso vazio. Pensou que todas as outras meninas iriam escarnecer dela porque não tinha sabido cultivar uma flor.
Ao palácio chegavam inúmeras meninas carregando vasos com flores de todas as cores. Até as duas irmãs que eram vizinhas de Mahira exibiam, orgulhosas, as belíssimas flores de seus vasos. “Não creio que você não conseguiu cultivar uma florzinha sequer! Veja como as nossas são formosas”, disseram as vizinhas. “Já cultivei muitas flores melhores que as suas!”, retorquiu Mahira.
Mahira estava tão triste que decidiu não ir ao Baile. Sua avó a viu chorando na frente de casa, com seu vasinho do lado, e correu para consolá-la. “Fizeste o melhor que pudeste minha pequena. A tua dedicação foi extrema, mas a sementinha não brotou. Não te envergonhe, bebê. Diz a verdade para a Fada-Rainha. Talvez seja a lição que ela deseja ensina-lhe: algumas vezes, a verdade não é tão bonita como a flor, mas precisamos encara com coragem para vencer grandes desafios.” Animada com as palavras da avó, a menina pegou o vaso com a sementinha e correu para o Palácio.
Quando Mahira chegou ao baile, grupos e grupos de meninas apresentavam suas flores esplendidas à Fada-Rainha. Embora cada flor fosse mais formosa do que a anterior, a Fada-Rainha Angícia não esboçará sequer um sorriso. Notando isso, Mahira foi ficando mais para trás que podia, até que ficou em ultimo lugar e decidiu ir embora. “Se a Fada-Rainha não se alegrou com nenhuma dessas flores belas, que dirá de minha pobre sementinha?”, pensou a pobre boneca. Mas, como é característica das fadas, Angícia viu a pequenina fugindo de seu baile e a chamou.
“Minha pequena boneca de porcelana, o que tens a me apresentar? Por que você me trouxe um vasinho apenas com terra?”, disse a Fada-Rainha com muito carinho. Mahira caiu de joelhos e começou a chorar. “Minha rainha. Trouxe comigo a sementinha que a minha senhora me entregou há um ano. Cuidei dela com extremo carinho e devoção, mas ela não germinou. Pus na melhor terra que tinha em casa, reguei-a com água de fada e a tratei com todos os cuidados, mas nada aconteceu! Esperei um ano inteiro... Estou envergonhada e peço perdão.”
Quando a Fada-Rainha Angícia escutou estas palavras, abraçou Mahira e exclamou eufórica: “Encontrei! Encontrei uma menina digna de ser a próxima Rainha! Não te envergonhes, Boneca. Levanta a cabeça, pois serás a próxima Rainha de Elísia! E vocês — disse a Fada-Rainha, se dirigindo as outras crianças – Prestem atenção: Hoje, o valor que prevaleceu foi a verdade. Vou lhes explicar: eu havia queimado todas as sementes antes de entregá-las à vocês. Nenhuma poderia germinar, jamais. Portanto, entre todas as crianças, você foi a única a cultivar a semente da verdade.” A Fada-Rainha Angícia saiu acompanhada de Mahira e começou a educá-la para seu futuro cargo como Rainha de Elísia.
Dez anos se passaram. A Fada-Rainha Angícia passou sua coroa para Mahira, transformando-a em Boneca-Rainha Mahira. Durante muitas décadas, ambas foram lembradas como as Rainhas mais sabias e amadas que reinaram aquelas terras mágicas.
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