A Seleção da Beauxbatons
6 A Seleção
Depois de algumas horas conversando e admirando a paisagem, as meninas começaram a se preocupar com o que esperar da escola.
— Vocês já ouviram falar nas casas? – Perguntou Gisele para as meninas.
— Sim, são quatro pelo que li, qual vocês acham que vão ficar? – Perguntou Hydra.
— Lucttore, toda minha família é de lá – Disse Gabrielle. – e vocês?
— Eu queria a Lucttore ou a Noble – Disse Desiré – eu quero a que você for, claro. – Disse ela sorrindo para a amiga, Gabrielle.
— Eu quero a Noble, dizem que tem pessoas lindas lá. — Disse Gisele sorrindo.
— Eu me interessei pela Lucttore e a Sagesse. – Afirmou Hydra.
— Quem sabe nós todas não podemos ir para a mesma casa? – Disse Gabrielle.
— Isso seria bom... – Sorriu Hydra.
— Como é a seleção? – Perguntou Gisele, que estava sentada ao lado da Hydra e se ajeitava, olhando em um espelho de mão.
— É justamente um espelho, você olha nele e ele "reflete" a sua personalidade, assim escolhe a sua casa. – Disse Hydra.
— Até que você sabe bastante para uma bruxa estrangeira – Brincou Gabrielle.
— Eu li bastante, quis estar preparada. – Brincou Hydra.
Uma bruxa apareceu vendendo doces para as meninas, que compraram alguns caldeirões de chocolate, feijõezinhos de todos os sabores e sapos de chocolate.
— Essas coisas engordam tanto! – Reclamou Gisele.
— Nós só temos onze anos, está na hora de aproveitar os doces e se preocupar com engordar depois! – Disse Desiré rindo.
— O que seus pais acharam de você vir para França, Hydra? – Perguntou Gabrielle.
— Mamãe chorou praticamente do início ao fim, papai não se importou muito, não nos damos tão bem... – Disse Hydra parando um momento enquanto pensava em Lúcio e o quanto o temia. – Acho que quem mais me doeu deixar foi meu irmãozinho, ele vai ficar sozinho com meus pais naquela mansão...
— Mansão? Você é rica então? – Perguntou Gisele, deixando Hydra completamente vermelha.
— Dá para ver pelo seu jeito na verdade, mas não se preocupe, não ligamos para se você é rica ou não – Disse Gabrielle, lançando um olhar para Gisele que "deu os ombros".
— Minha família é rica sim, mas eu também não ligo para isso... – Garantiu Hydra.
Depois de algum tempo, a carruagem tremeu de novo e eles pareciam estar perdendo altitude.
— Estamos chegando, olhem, olhem o palácio! – Disse Hydra admirada com a vista.
No alto de uma montanha, um lindo palácio enorme e iluminado, repleto de jardins maravilhosos e fontes, além de um pequeno rio, parecia convidar as carruagens para descerem, era maravilhoso! Ainda mais lindo que Hydra poderia ter imaginado.
Eles foram descendo e chegando cada vez mais perto, até finalmente, com uma grande sacudida, pousaram em um gramado em frente ao palácio.
— ALUNOS DO PRIMEIRO ANO, PEGUEM SEUS PERTENCES E AGUARDEM PARA SAIR DA CARRUAGEM. – Disse uma voz ampliada magicamente dentro do compartimento.
Hydra, Gabrielle, Desiré e Gisele pegaram suas bagagens e aguardaram do lado de fora do compartimento, junto com dezenas de alunos, do lado de fora, ela via pela janela os alunos mais velhos entrando no palácio, todos parecendo felizes e animados de estarem ali.
— Quantos alunos a Beauxbatons tem? – Perguntou Desiré.
— Cerca de dois mil e quinhentos. – Disse um menino de cabelos negros e magrinho ao lado delas.
— É muita gente! – Exclamou Hydra.
— São pessoas vindas das mais diversas partes de Europa – Afirmou Gabrielle.
Finalmente, depois de todos os alunos terem sumido do gramado, a porta da carruagem se abriu e uma bruxa muito elegante, usando vestes verdes e o cabelo loiro preso, além de usar um chapéu de bruxa preto, as recebeu:
— Saiam, por favor – Disse a bruxa.
Os alunos desciam da carruagem meio desajeitados, Hydra notou que um outro grupo aguardava, pareciam mais de duzentos alunos, mas Hydra não sabia ao certo.
— Meu nome é Agnès Tellier – Disse a bruxa de modo imponente, olhando para os alunos que estavam aglomerados ao seu redor -, eu sou a vice-diretora da muito respeitosa Academia de Magia Beauxbatons, em poucos minutos, vocês irão passar pela seleção das casas, aonde poderão ir para Noble, Luccture, Sagasse ou Paxlitté, cada uma será falada melhor lá dentro, mas lembrem, suas casas são suas famílias aqui dentro, vocês devem a honrar, todo final de ano teremos a casa vencedora, a casa com maior número de conquistas ganhará e cada ação sua pode determinar isso.
Cada aluno ouvia interessado e assustado, todos parecendo querendo entrar no palácio o mais rápido possível.
— Muito bem, vamos todos, me sigam...
Os alunos seguiram a mulher, subindo por um caminho de pedras no meio de um lindo gramado até o palácio, fontes das mais diversas figuras que pareciam se mexer e jorrar água cercavam toda propriedade, tudo parecia ser feito com mágica e o clima era fresco e agradável.
O palácio era branco, parecia enorme, maior do que Hydra poderia imaginar, suas muitas janelas estavam iluminadas e refletiam a luz do sol, o telhado era de um azul claro e várias pequenas torres pareciam se destacar na construção.
Finalmente eles entraram por uma enorme porta de vidro e madeira para um Hall gigantesco, aonde uma escada que se "abria" para dois lados estava na sua frente.
— Esse é o Hall de entrada – Explicou a vice-diretora, pelas escadas se encontram a maioria das salas de aula e as salas comunais de suas casas, mas agora iremos para aquela porta ali na frente – disse ela apontando para uma porta dupla de vidro preto na frente da escada. –, ali se encontra o Salão de jantar, aonde todas as casas se encontram para fazer suas refeições e aonde será feita a seleção.
O coração de Hydra batia tão forte que parecia que iria pular do peito.
A professora se colocou na frente dos alunos, parou na frente da porta e se virou para eles.
— Quero que todos entrem calados e aguardem até serem chamados por nome e por favor, me sigam em duas filas.
Depois dos alunos se organizarem, a professora se virou para porta e com um gesto de varinha, fez com que as portas duplas se abrissem, lá dentro, uma grande sala toda em cristal e vidro os esperava, mais fontes enfeitavam o local, os alunos passavam por um corredor formado pelas mesas extremamente longas repletas de alunos, duas de um lado e duas de outro, Hydra notou que cada mesa tinha uma toalha de cada cor, a encostada na parede do lado esquerdo, era azul, ao seu lado vermelha, a encostada na parede do lado direita alaranjada e ao seu lado roxa. Todos os alunos pareciam olhar para eles e comentarem, alguns riam, outros sorriam e acenavam. Na frente do salão, no oposto da porta, uma grande mesa branca com diversos professores era ofuscada por um grande espelho que flutuava na frente da mesa, com uma cadeira azul com o símbolo da Beauxbatons na sua frente.
A professora parou em frente a cadeira e se virou para os alunos, que "frearam" assustados, alguns inclusive quase caindo em cima dos outros.
— Aguardem aqui, por favor.
A professora se retirou e uma mulher enorme, mais parecida com uma gigante que estava sentada no centro da mesa dos professores se levantou, para o cochicho de muitos alunos do primeiro ano. Hydra notou que com ela, todos os outros alunos da escola também se levantaram.
— Bem-vindos à Academia de Magia Beauxbatons, meu nome é Madame Maxime, eu sou a diretora da escola e tenho o prazer de receber cada um de vocês.
Uma chuva de aplausos tomou conta do salão, Hydra aplaudia ainda trêmula, sem saber o que esperar direito.
— Vocês irão passar pela seleção das casas, nós temos quatro prestigiosas casas e eu irei explicar um pouco mais sobre elas agora:
— A casa Noble foi fundada por Angelique Noble, tida como a mais bela dama da França. Angelique era de uma família rica e nobre da Europa, a família havia crescido e se tornado importante pela França devido a persistência e ambição de seus membros. Vários eram os pretendentes de Angelique, porém quem ela realmente queria era um jovem menino do sul da França com o qual conviveu enquanto lá morava. A família não o aceitava e se manteve persistente em seu desejo mantendo-a trancada em seu quarto, distante de quem ela realmente amava, desejando que ela mudasse de ideia e se cassasse com um nobre francês de fama. Também dona de grandes ambições e muita persistência, Angelique conseguiu que Leroy, seu amado, a socorresse, assim ambos fugiram e juntando persistência e lealdade alcançaram seus objetivos.
As qualidades prezadas pela casa Noble são: Beleza, Nobreza e Persistência.
Os alunos da mesa com a toalha azul aplaudiram fortemente depois dessa descrição.
— Também temos a casa Lucttore. A Lucttore fora fundada por Suzie Lucttore. Suzie fora conhecida por ser a líder da Brigada Anti-Inquisição, um grupo que defendia os direitos dos bruxos que eram perseguidos pela igreja na Europa durante aquela época, esta perseguição era intensa e ficou conhecida como inquisição. Obtivera o título de Ordem de Merlin, 1ª classe, durante o período de guerra entre França e Inglaterra, pela vitória dos flanques franceses contra bruxos ingleses. Uma mulher temida e ao mesmo tempo admirada por todos, a general esboçava coragem e ousadia pelo seu modo de falar e agir, além de ser uma notável dama. A Ambição e a audácia são pontos que Suzie considerava dignos para os pertencentes desta Casa.
O animal, o Centauro, apresenta a força e coragem dos Lucttores.
As qualidades prezadas pela casa Lucttore são: Ambição, ousadia e coragem.
Agora era a vez da casa com a toalha vermelha aplaudir fortemente, Hydra se interessou muito por essa casa, apesar de achar que ela tinha aspectos negativos também, assim como todas elas.
— Em seguida temos a casa Sagesse. A Sagesse fora fundada por Filinto Sagesse, um mito da literatura bruxa francesa. Um senhor muito avançado para seu tempo, Filinto fora um dos precursores da escrita bruxa e fundou a Biblioteca Nacional de Marsella, a primeira do mundo com livros totalmente bruxos. Sua atitude perspicaz mudou o rumo de muitas famílias bruxas na época, que viram em Filinto uma nova visão para o mundo da bruxaria. Filinto era dono de grande sabedoria e criatividade, vários dos livros presentes na biblioteca eram de sua autoria.
A Sagesse tem como principais características a perspicácia, a criatividade e a inteligência de seus membros. As pessoas dessa Casa são ativas e prontas para novos desafios. O animal, o Hipogrifo, apresenta os traços de sabedoria e esportividade significativos dos Sagesses.
As qualidades prezadas por Sagesse são: Sabedoria, preeminência e criatividade.
A mesa com a toalha roxa aplaudiu fortemente.
— E por último, porém não menos importante, temos a casa Paxlitté. A Paxllité fora fundada por Leroy Paxllité, um francês sulista, tido como homem de grande lealdade. Como funcionário do Ministério da Magia, Leroy subiu rapidamente de posto em seu cargo, tornando-se o Auror mais puro e justo de todos. Homem que possuía uma grande paixão, inicialmente impedida pelos pais da menina, filha primogênita de uma família francesa de grande ambição e riqueza, a família tentando impedir que o simples rapaz, recém curriculado para o corpo de aurores, se cassasse com está chegou ao ponto de oferecer-lhe dinheiro e riquezas para que se afastasse de Angelique. Porém ele se manteve leal ao amor e não vendeu seu amor, assim resgatando a jovem após um tempo de muitos planos e encontros furtivos, ambos alcançaram suas ambições com justiça e persistência.
Tidos como donos de coração puro e sentimento verdadeiro os membros desta casa são também pessoas de pensamento justo e leais. O animal, o Unicornio, apresenta a pureza e sinceridade dos Paxllités.
As qualidades prezadas pela casa Paxlitté são: Justiça, lealdade e pureza.
E agora os alunos da mesa com toalha alaranjada aplaudiam.
— A seleção é feita da seguinte forma, devo informar primeiro que ela é completamente indolor, na época da criação da escola, os quatro fundadores encantaram um espelho, transmitindo a ele as características que consideravam importantes para cada casa. É esse espelho que seleciona as casas dos alunos novos. Quando um aluno se posiciona de frente a ele, é como se sua personalidade estivesse sendo refletida. O ambiente ao seu redor faz com que ele se sinta acolhido e suas vestes mudam de cor, de acordo com a casa escolhida, a manga na parte dos pulsos, os laços das meninas, a barra da calça dos meninos e das meias das meninas irão mudar de cor de acordo com suas casas. Uma boa seleção para todos!
Madame Maxime foi aplaudida mais uma vez e se sentou e agora a professora Agnès voltara, trazendo um pergaminho enorme na mão.
— Quando eu chamar seu nome, por favor sentem na cadeira em frente ao espelho. Amélia Abrãao.
Uma menina ruiva e sardenta que tremia, saiu do meio dos alunos do primeiro ano, indo em direção à cadeira, aonde finalmente se sentou e ficou em frente ao espelho. Hydra esperava que algo acontecesse, alguém falasse algo, mas nada ocorreu, apenas a menina ficou olhando no espelho e viu os detalhes das suas vestes mudando de cor, para a cor roxa.
— Sagesse! – Anunciou a professora e a menina foi recebido com estrondosos aplausos pelos alunos dessa casa.
Hydra viu um a um os alunos irem fazer a seleção, até ouvir um nome conhecido.
— Gisele Beaumont – Anunciou a professora.
Hydra desejou boa-sorte para a menina que estava ao seu lado, ela mexeu em seus cabelos e se sentou na cadeira.
Sua seleção demorou mais do que a da maioria dos outros, Hydra viu quando suas vestes estavam ficando com detalhes azuis escuros, mas mudaram para o vermelho no final.
— Lucttore! – Anunciou a professora.
Gisele parecia um pouco decepcionada, mas foi se sentar na mesa da toalha vermelha, sendo recebida com entusiasmo e aplauso pelos alunos.
— Maria Benfica – Disse a professora.
A menina de cabelos castanhos e pele negra se sentou no espelho e suas vestes mudaram os detalhes para laranja.
— Paxlitté! – Anunciou a professora.
Mais dois meninos tinham sido escolhidos agora para Noble quando Gabrielle foi chamada.
— Gabrielle Bélanger – Disse a professora.
A seleção de Gabrielle também demorou um pouco, suas vestes primeiro ficaram um pouco alaranjadas antes de mudarem para o vermelho.
— Lucttore! – Anunciou a professora mais uma vez.
Gabrielle foi se sentar ao lado de Gisele, também sendo recebida com muito entusiasmo pelos alunos.
Chegou a vez de Desiré, a seleção dela foi rápida, logo suas vestes ficaram com os detalhes vermelhos e ela foi anunciada para a Lucttore, fazendo desejo de Hydra de ir para a casa aumentar, apesar de antes preferir a Sagesse. A seleção contava com alunos dos mais diversos sobrenomes, de muitos países, era muito divertido de se ver, até finalmente ouvir mais um nome conhecido:
— Hydra Malfoy – Anunciou a voz da professora finalmente.
Hydra foi andando devagar até a cadeira, ela ouviu alguns sussurros ao ouvirem se nome, mas não ligou, ela se sentou na cadeira, olhou no espelho e apenas se viu refletida, mas a imagem não era exatamente igual o tempo todo, sua expressão mudava mesmo sem ela se mexer, era como ver um gêmeo seu e não um reflexo, às vezes ela sorria, outras chorava, outras ficava séria, era como se vários aspectos seus estivessem sendo refletidos ali, Hydra via também pequenas cenas de sua vida, pequenas atitudes que teve, era muito esquisito. Ela teve vergonha que alguém mais visse aquelas cenas (especialmente as com seu pai), mas parecia que ninguém conseguia ver, ela lembrou que ela não conseguiu ver a de ninguém também, achou que o espelho não refletisse nada.
Hydra então notou suas vestes mudando de cor, os detalhes começaram a mudar para a cor roxa, mas logo depois parou e finalmente ficaram da cor vermelha, ela então sorriu alegremente.
— Lucttore! – Disse a professora.
Hydra foi recebida com aplausos e abraçou as meninas que estavam a esperando, ao todo foram 15 meninas e 18 meninos selecionados para a sua casa até o momento e olhava para cada um deles com entusiasmo, ela finalmente encontrara a sua casa, ali ela tinha um novo começo, ali ela podia ser quem ela quisesse ser, ali ela era livre, finalmente livre e ela achara que nunca tinha se sentido tão feliz antes...
Fale com o autor