A Seleção - Versão Schreave
1 Capítulo 9
Notas iniciais
Acordei para o café da manhã ainda lutando comigo mesmo quanto à minha decisão em deixar América ficar, mas além de eu admirar sua coragem, eu havia feito à promessa de que a deixaria entre as últimas da Elite por causa do dinheiro que iria ajudar sua família. E não só por ser o herdeiro do trono, mas todo homem deve de forma alguma voltar atrás com sua palavra. Contudo o que mais me intrigava era que sua imagem não saía da minha cabeça, mesmo havendo outras vinte garotas nas quais eu deveria pensar.
Após atravessar o sinuoso labirinto de corredores cheguei à sala de jantar, meus pais já estavam lá, o que não é muito bom devido a obsessão por pontualidade do meu pai.
— Bom dia querido, dormiu bem? – perguntou minha mãe com a delicadeza de sempre
— Está atrasado, isso é um defeito incalculável quando se é rei. – engoli em seco ao perceber o tom de ordem na voz dele. Meu pai sempre foi uma pessoa rígida, mas esses últimos meses ele estava pior e com isso outras coisas também pioravam, senti involuntariamente os músculos das costas contraírem, contudo manti-me firme não queria que as garotas ao chegassem percebessem o clima tenso.
— Sim senhor. E sim mãe, dormi bem. A senhora deve ter tido um ótimo sono, porque está radiante nessa manhã, na realidade sempre. – disse próximo ao ouvido dela. O sorriso discreto dela era a única coisa que valia a pena na convivência com meu pai. Não que eu o odiasse, mas difícil é um diminutivo comparado ao que vivemos com ele.
No mesmo momento a porta rompeu com aquela mistura de vozes femininas que davam uma alegria maior ao ambiente. Procurei América e não foi difícil encontrar seu cabelo flamejante, ela estava simples e de cabeça baixa certamente envergonhada. De vez em quando conversava com algumas selecionadas e pude ouvir a palavra “encontro” várias vezes. Minha única esperança é que América consiga ser discreta o suficiente e não comentar sobre como nosso encontro foi maravilhoso.
— Eu gosto da loira. – resmungou meu pai, ele se referia a Marlee. Era impossível negar sua beleza e simpatia, mas quando comparada à América – um hábito terrível que eu havia adquirido – ela era tão... comum.
— Ela é boa. – limitei-me a responder.
— Ah, quando terminamos o café quero que me encontre na Biblioteca em quinze minutos, e não se atrase. – e então veio o caos. O ruído dos guardas foi o suficiente para sabermos o que estava acontecendo, minha preocupação era com as selecionadas nós já estávamos acostumados com as rotinas de ataques ao palácio. A Seleção era o momento perfeito, as câmera mostrariam ao povo tudo por causa da transmissão ao vivo, haviam várias garotas que eram Propriedade de Illéa que poderiam ser machucadas e sequestradas. Se não conseguissem levar nada, ao menos conseguiriam expor sua opinião e realizar um protesto com sucesso. Uma guarda correu em nossa direção.
— Eles invadiram a propriedade, Majestade, mas conseguimos conter o avanço. Seria bom se as senhoritas saíssem, mas estamos muito próximos da porta...
— Entendido, Markson. – disse meu pai cortando o militar. Nós corremos para descermos as persianas de metal que impediriam objetos nocivos entrarem no palácio. Pela minha vista periférica pude ver América se levantando e ajudando-nos a descer as janelas, logo outras meninas a viram e fizeram o mesmo. Meu peito encheu-se de algo parecido com orgulho além de sua coragem, ela tinha uma característica muito rara: ela sabia liderar, algo que é essencial para uma rainha quando o rei está distante. Travei minha persiana, quando algum objeto, parecido com um tijolo, atingiu a janela ao lado da que América havia travado, ao correr para se afastar acabou batendo em uma das cadeiras e caiu feio. Toda admiração se foi dando lugar à preocupação.
— Você está ferida? – por sua reação ela pareceu surpresa por eu estar ali.
— Não, estou bem. – e então levantei-a de onde estava.
— Para o fundo da sala. Agora! – falei com um tom de ordem esperando que ela percebesse a urgência e outras meninas também fossem, ela foi com rapidez. Deparei-me com outras meninas que estavam paralisadas em pontos da sala o que me deixou um pouco frustrado. Porque todas não são como você América? Quando todas estavam no fundo da sala, havia umas chorando, abraçando umas às outras e até uma menina desmaiada. Apenas América parecia firme e ajudava outras selecionadas a fazerem o mesmo. Procurei meus pais, quando vi que ele estava conversando com um soldado e tinha um braço na minha mãe firmemente – isso era algo que eu não podia reclamar ele a protegia com muito cuidado – então fui ao encontro das meninas perguntando de uma em uma como estavam.
América foi a última, ela roía as unhas e olhava fixamente para um jarro de flores, o que me fez dar um leve sorriso de canto. Roer as unhas era pouco em comparação de como as outras meninas estavam. Pus-me ao seu lado e comecei a observar as flores, eu precisava dizer algo, nós dois precisávamos, mas penso que devido à ontem, algo fazia com que essa necessidade tivesse se transformado em vergonha. Respirei fundo na tentativa de começar uma conversa.
— Tudo bem com você?
— Sim. – sussurrou. Você podia começar um conversa e cooperar América, pensei e engoli as palavras antes que dissesse isso.
— Você não parece bem. – foi o melhor que consegui fazer.
— O que vai acontecer com as criadas? – perguntou como quem tira um peso das costas. Sua pergunta me surpreendeu, em meio todo aquele caos ela se preocupava com as criadas, e não consigo mesma?
— As criadas? – perguntei, ainda absorvendo as pergunta. Mas América encarou-me firmemente com seus belos olhos, mostrando que era exatamente aquilo que perguntava. Talvez ela tenha levado minha pergunta para um sentido errado, estava apenas surpreso.
-Sim, as criadas. – ainda estava preso em seus olhos e percebi que suas bochechas estavam ficando vermelhas e seus olhos turvos, América queria chorar? Um sentimento de culpa e chateação comigo mesmo, América era uma Cinco apenas um degrau acima de ser uma Seis, e na província dela Cincos e Seis eram muito próximos.
— Elas devem estar escondidas. Também têm onde se esperar o fim dos ataques. Os guardas avisam rapidamente todo mundo. Elas vão ficar bem – disse tentando parecer o mais tranquilizador possível – Costumávamos ter um sistema de alarmes, mas na última invasão os rebeldes o destruíram completamente. Estamos tentando consertar, mas... – de repente todo aquele cansaço veio como um peso nas minhas costas e a minha tentativa de parecer encorajador acabou saindo em um longo suspiro. América abaixou a cabeça como se sentasse absorver a notícia. Ela era forte, mais forte que qualquer menina daquela sala, ela seria uma ótima rainha assim como a minha mãe. Mas essa hipótese estava bem longe por enquanto.
— América... – seu nome simplesmente saiu como se quisesse ser dito. Ela levantou o rosto e esperou que eu falasse algo – Elas estão bem. Os rebeldes agiram devagar, e todo mundo aqui sabe o que fazer em casos de emergência. – ela apenas concordou. Tinha feito o máximo que podia para tentar diminuir a tensão após o encontro de ontem, eu devia ir ver como estão as coisas. Quando ia saindo ouvi meu nome tão alto quanto um sussurro. Um leve bem-estar surgiu quando a ouvi chamar pelo meu nome.
— Sobre a noite passada. Eu quero explicar. Quando foram nos preparar para a viagem, um homem disse que eu jamais poderia rejeitar você. Não importa o que pedisse em hipótese alguma. – a informação desceu queimando, e me deixou tão atônito que fiquei quase sem palavras.
— O que?
— Pelo que ele me disse parecia que você ia pedir algumas coisas. E você mesmo me contou que não conviveu com muitas mulheres. Depois dos dezoito anos... E você dispensou as câmeras. Fiquei com medo de que chegasse perto demais. – eu não podia acreditar, eu não sabia se sentia ódio, vergonha, repulsa a mim mesmo, se saía daquela sala e expulsava aquele homem que havia falado aqui do palácio.
— Disseram isso a todas?
— Não sei. Não conheço muitas meninas que precisam desse tipo de aviso. Elas provavelmente esperam atacar – disse ela olhando para as meninas da sala. Sua sinceridade me fez dar uma risada sarcástica, que fez com que quebrasse o clima entre nós.
— Mas você não é como elas, até mesmo porque não teve receio de me dar uma joelhada bem ali, certo?
— Eu acertei a sua coxa.
— Por favor. Um homem não precisa de tanto tempo para se recuperar de uma joelhada na coxa. – e então ela deu aquela risada calorosa que eu não podia deixar de acompanhar. E então um objeto entrou pela janela e fez com que toda aquela descontração acabasse e nos lembrássemos de onde realmente estávamos.
— E então como é ter que lidar com uma sala cheia de mulheres em pranto?
— Nada no mundo poderia ser mais confuso! – cochichei finalmente feliz de ela estar mantendo um dialogo. – Não tenho a menor ideia de como fazê-las parar! – América sorriu secretamente como se estivesse tendo um pensamento engraçado o qual não queria compartilhar.
— Você pode tentar por a mão no ombro delas e dizer que vai ficar tudo bem. Quando choram as mulheres sempre querem que você resolva o problema. Elas só querem ser consoladas.
— Sério? – falei meio que surpreso com o raciocínio simples.
— Sim.
— Não pode ser tão simples.
- Eu disse “nem sempre”, e não “nunca”. Mas provavelmente funcionaria com várias garotas aqui.
— Não tenho tanta certeza. Duas delas já perguntaram se eu as deixaria ir embora quando isso chegasse ao fim. – o que em parte me deixou aliviado pois não seria tão difícil eliminar mais duas, e em parte me preocupou. E se uma delas fosse a pessoa certa?
— Pensei que não tínhamos permissão para fazer isso. – falou surpresa. — O que você vai fazer?
— O que posso fazer? Não vou manter ninguém aqui contra a própria vontade. – podia parecer clichê, antiquados, mas mesmo que eu não soubesse como era amar alguém. Queria saber o que era isso, e queria que fosse recíproco.
— Talvez elas mudem de ideia
— Talvez — disse pensativo, percebendo que não me importava tanto com elas — E você? Já está suficientemente assustada para sair? — fiz o máximo para soar brincalhão, mas aquilo realmente perturbava minha mente, eu realmente gostava da América. E mesmo que talvez ela amasse outro tinha esperança de que ainda fosse possível algo entre nós.
— Para ser sincera, pensei que me mandaria embora depois do café.
— Para ser sincero, também pensei. – nem queria começar a lembrar-me da raiva que eu fiquei na noite anterior, mas ela não havia respondido minha temerosa pergunta. — Você não respondeu. Quer sair? – ela olhou para o horizonte como se tivesse perdida, e pareceu pensar por um bom tempo na hipótese, então deu um leve sorriso.
— Enquanto você não me enxotar, vou ficando aqui...
— Bom. Você precisa me passar mais dicas, como essa da mão no ombro. – sorri quase demonstrando o alívio que senti, ao ouvir aquilo. Mas num rápido segundo o que haviam dito à ela, voltou a ser uma preocupação. — America, você poderia me fazer um favor? – Ela assentiu sem pestanejar. — Para todos os efeitos, passamos muito tempo juntos na tarde de ontem. Se alguma garota perguntar, você poderia explicar que eu não... que eu jamais...
— Claro. E sinto muito mesmo pelo que aconteceu. – ela cortou-me, o que foi ótimo, pois não tive que terminar toda àquela vergonhosa conversa.
— Eu devia saber que se uma das garotas fosse desobedecer a uma ordem seria você. – falei, e mesmo que supostamente isso não fosse correto, eu estava feliz por sua desobediência e firmeza nos seus princípios.
E então outra saraivada de objetos de todo tipo adentraram a sala de jantar, fazendo que todos se assustassem e várias selecionadas gritassem América sem perceber tocou levemente meu braço e retirou-o, mas de uma forma súbita senti uma enorme vontade de protegê-la, mas não poderia fazer isso, se não haveria uma injustiça com as outras.
— Quem são eles? O que querem?
— Quem? Os rebeldes?
Confirmou com a cabeça.
— Depende de quem responde. E de que grupo você fala — eu não deveria compartilhar aquela informação, mas tinha uma boa impressão de que ela conseguiria guardar aquilo.
— Quer dizer que há mais de um grupo? – confirmei com a cabeça — Quantos grupos existem?
— Basicamente dois: os nortistas e os sulistas. Os nortistas atacam com muito mais frequência. Estão mais perto de nós. Vivem no chuvoso território de Likely, perto de Bellingham. Ninguém quer morar lá, quase tudo são ruínas. Eles se estabeleceram ali como puderam, embora eu ache que vivem migrando. Essa é uma teoria minha que ninguém escuta. Mas é raro que consigam invadir a propriedade. Quando conseguem, os resultados são... quase modestos. Acho que este ataque de agora é obra dos nortistas. – O que era ótimo, não poderíamos ficar na sala se fosse um ataque sulista, ou os estragos seriam horríveis, como a morte de várias selecionadas e até mesmo da família real.
— Por quê? O que os faz diferentes dos sulistas? – A curiosidade de América era um aspecto interessante, contudo as informações sobre os sulistas às vezes eram confidenciais até para mim. Mas ninguém estava perto o suficiente para ouvir.
— Os ataques dos sulistas são muito mais... letais. – falei finalmente achando a palavra certa.
— Letais? – pude sentir um leve tremor na sua voz.
— Eles vêm apenas uma ou duas vezes por ano, acho. Todos tentam evitar que eu saiba as estatísticas, mas não sou idiota: quando eles vêm, pessoas morrem. O problema é que os dois grupos parecem iguais para nós: esfarrapados, constituídos na maior parte de homens esguios, mas fortes, sem insígnias que possamos distinguir. Por isso, não sabemos quem está por trás do ataque antes do fim. – dizer tudo aquilo para América foi um bom desabafo, eu não tinha amigos, e mesmo estando rodeado por um monte de gente eu era... só.
— Ainda não entendi. O que eles querem? – isso ainda era um mistério e ao mesmo tempo óbvio para todos nós.
— Os sulistas querem nos derrubar. Não sei o motivo, mas imagino que estejam insatisfeitos, cansados de viver às margens da sociedade. Quer dizer, eles nem são Oito, em tese, porque não têm nenhuma participação nas relações sociais. Os nortistas ainda são um mistério. Meu pai diz que querem apenas nos incomodar, perturbar o governo, mas não penso assim.- era isso que todos diziam, mas era óbvio demais. Eles tinham forças para já tê-lo feito — Tenho outra teoria quanto a isso também — concluiu.
— Posso saber qual é? – eu já me perguntava por que ela perguntava tanto, mas manter aquela conversa era melhor que sair falando com outras meninas, e América, sua presença era agradável. Contudo tinha medo de que ele risse da minha resposta como meu pai e os outros assessores riram uma vez. Falei em seu ouvido novamente, nunca se sabe se mais alguém está ouvindo. — Acho que eles estão à procura de alguma coisa.
— De quê?
— Isso eu não sei. Mas é a mesma coisa sempre que os nortistas são expulsos: os guardas são derrotados, feridos ou amarrados, mas nunca assassinados. É como se os rebeldes não quisessem ser seguidos. No entanto, sequestram algumas pessoas de vez em quando, o que é preocupante. E os quartos – bem, aqueles em que conseguem entrar – ficam uma bagunça. Todas as gavetas arrancadas, prateleiras reviradas, tapetes jogados longe. Muita quebradeira. Você não acreditaria se eu lhe dissesse o número de câmeras que tive de substituir ao longo dos anos.
— Câmeras?
— Sim... – e no mesmo momento que eu havia terminado de falar percebi que havia me exposto de mais. Era algo muito pessoal, e era uma paixão que muitas pessoas não davam valor. Podia sentir que eu ficava vermelho, o que era extremamente ridículo para mim — Gosto de fotografia. Mas, apesar de tudo isso, eles acabam não levando muita coisa consigo. Meu pai acha minha ideia inútil. O que um bando de bárbaros analfabetos procuraria? Ainda assim, deve haver alguma coisa. – ela estava processando toda aquela ideia, outra coisa que eu gostava em América, ela me dava crédito em coisas que ninguém dava, e não apenas concordava, ela opinava. E eu não queria uma estátua como esposa. — Você acha tolice?
— Não, não é tolice. É confuso, mas não tolice. – e então sorrimos. Foi quando fui levado a pensar, sei que somos apenas amigas, mas se não fossemos seriamos ótimos reis e rainhas. E mesmo que fosse outra pessoa a ser minha esposa, penso que gostaria que América fosse às festas do palácio conversasse comigo, e eu tinha cada vez mais certeza de que ela não poderia, nem iria embora tão cedo. Percebendo que nos dois estávamos em pensamento distante pigarreei. — Suponho que eu deveria ver como estão as outras garotas.
— Sim, imagino que muitas delas estão se perguntando por que está demorando tanto. – e sorriu então. Se nós seríamos apenas amigos, eu nunca perderia essa amizade.
— E então, parceira, alguma sugestão de quem deve ser a próxima?
— Está vendo aquela loira ali, de rosa? É Marlee. Um doce. Ela é muito gentil e adora filmes. Vá. – sorri pensando que ela só poderia ser muito boa, pois todo mundo insistia nela.
— Minha querida, você está melhor? – ela levantou a cabeça e sorriu, outra coisa que ainda me intrigava, porque todas aceitavam “querida” e América não?
— Sim, Majestade. – e toda essa formalidade? Pare de comparar todas com a América Maxon, ela não quer nada com você.
— Sua amiga ali disse que você amava filmes. – falei numa tentativa de puxar conversa e descobri que sou péssimo nisso.
— Oh, América! – ela falou com um sorriso de admiração. Então era assim? Todos sentiam a mesma admiração por ela como eu? – Ela é uma ótima amiga senhor, e sim eu amo filmes de todo tipo. – e riu.
— Sim, ela é ótima mesmo. – quando percebi que ia começar a devanear, concentrei-me de novo, não queria dizer à alguém tudo que pensava sobre ela, principalmente quando eu deveria gostar desse alguém. – Está livre essa semana?
— Sim, é claro, aonde vamos?! – ri de toda sua empolgação e ela percebendo, enrubesceu – Desculpe senhor, estou sim.
Saindo dali, fui falando garota por garota com a frase já feita: “Está bem minha querida?”, quando terminei fui para perto dos meus pais lutando contra a vontade voltar onde América estava. Mas ela agora conversava com Marlee, foi quando pude observa-la melhor. Em meio ao ataque vários grampos do seu coque haviam caído de modo que seu cabelo estava solto, ele ia até cintura – no meio das costas – e era de um ruivo cor de fogo. Quando sorria tinha covinhas no bochecha, do mesmo jeito que eu, contudo sua risada era mais bonita que a minha. E seus olhos nunca ficavam parados, ela parecia observar tudo.
- Maxon. – quase levei um susto ao ouvir meu pai.
- Senhor?
- O ataque já terminou vamos. – e quando saí fui direto para meu quarto, teria que enfrentar meu pai na biblioteca em menos de quinze minutos, e havia algumas informações e decisões que eu deveria e ia tomar.
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