A Seleção-Novo Mundo
8 Capitulo 8
Notas iniciais
– Este é o seu quarto, Srta. Pierce, você gostou?- disse a pequena menininha que estava de mãos dadas comigo. E é claro que eu havia gostado. O quarto tinha um papel de parede dourado e branco, com varias flores penduradas em seus cantos. A gigantesca cama, com edredom dourado e altos dóceis, ficava do lado das paredes janelas, e perto da sacada havia uma mesinha com duas cadeiras, e do outro lado quarto tinha uma penteadeira enorme, e uma porta ao seu lado. Adentrei a porta e dei com um quarto azul, cheio de armários e um grande pufe rosa em formato de circulo no meio. Havia outra porta, e quando entrei descobri que era o banheiro, com uma imensa banheira dominando seu centro.
Voltei para o centro do meu quarto e me sentei em uma das duas poltronas que ficava no meio do aposento. Sentia-me tonta até, para falar a verdade. Acho que eu ainda não tinha me dado conta da grandiosidade disso tudo. Uma menina abriu o leque em suas mãos e começou a me abanar.
– Gostaria de água, Srta?
Fiz que sim com a cabeça e a menina estalou os dedos, e logo uma criada apareceu com uma bandeja, com uma taça de água nela. Ri muito disso tudo, quando me disseram que eu teria tudo num estalar de dedos, eles não estavam brincando.
– Isso é fantástico, obrigado a todos. Onde está a minha assistente?- comecei a procurar entre esses rostos tão jovens alguém que possuísse peitos. Brienne estava mordiscando alguns bolinhos que foram deixados na mesinha perto da varanda, quando ela notou que eu a observava, chupou os dedos e veio até mim.
– A Srta. gostou do quarto? Podemos mudar o que quiser. – Brienne disse, ajeitando a franja. Sacudi a cabeça e lha dei um sorriso amarelo.
– Está tudo lindo, mas o que eu queria mesmo agora é descansar. Isso seria possível?- estive muito cansada nessa ultima semana, e para ser franca, acho que não consegui dormi em nenhuma noite. A viagem de avião também foi estressante, e por mais que eu houvesse dormido a viagem inteira por causa do sonífero de Brienne, me sentia tão cansada como se não tivesse pregado os olhos esse tempo todo.
– Você pode agüentar mais duas horas acordada? Preciso que sua transformação seja concluída ainda hoje. – Brienne disse sentando se na poltrona a minha frente. Transformação?
– Que transformação?
– Vamos cuidar dos seus cabelos, unha, pele e tudo o mais que você quiser. E eu tenho que garantir que suas roupas já estejam prontas, não poderia deixar você andar pelo palácio com... Bom, isso o que você esta vestindo. – disse um pouco sem jeito. Senti-me constrangida e olhei para minhas roupas. Estava usando uma blusa regata branca, casaquinho bege e uma calça jeans azul. Não eram as melhores roupas, mas eram confortáveis e básicas.
– EU NÃO VOU CORTAR O MEU CABELO!- gritei com o homem que segurava a tesoura na mão, já pronto para cortar. Tinham me levado para o primeiro andar do palácio, onde em dias normais era o salão das mulheres, mas hoje virou um espaço para renovar as novas noivas. Estavam tentando me convencer a cortar o cabelo já havia meia hora, mas eu estava com todas as minhas forças e argumentos preparados para isso não acontecer.
– Você tem um cabelo imenso, o que é lindo, mas esta grande demais! Daqui a pouco vou ter que começar a olhar por onde eu ando para não tropeçar neles!- o homem ruivo com a tesoura na mão falou. Dei uma olhada no espelho. Meus cabelos realmente eram enormes, eles já estavam na minha cintura, e isso até que me incomodava às vezes, porque de vez em quando o cabelo entrava em minhas calças. Olhei para o homem com a tesoura em sinal de desistência.
– O quanto você pretende cortar?
– Bem pouco, bem nessa altura, — colou a palma da mão na linha da minha cintura. – e acho que vou deixar o corte reto, você tem maças do rosto maravilhosas, vou garantir que sempre as deixe a mostra. E meu nome é Galeso.
Enquanto Galeso cortava um palmo do meu cabelo, duas moças que Brienne as referiu como manicure e pedicure começaram a fazer minhas unhas. Eu devo dizer que tirei proveito da situação para tirar um cochilo, ou apenas descansar os olhos. Apenas tive que manter os olhos abertos na hora em que Galeso começou a secar meu cabelo e quando a manicure começou a me perguntar sobre que cor eu queria passar. Escolhi um branco discreto, que segundo elas, combinava com eu tom de pele.
– Então, o que achou? Graças aos céus o seu cabelo é muito liso, então não vamos precisar judiar dele passando escova e chapinhas!- disse dando uma sacudida no comprimento. Não havia mudado muito, só estava um palmo mais curto, como ele prometera.
– Eu vou encaracolar as pontas, e vamos dividir seu cabelo assim, — fez um meio rabo e prendeu. – então vamos encaracolar as pontas aqui também. E esse vai ser seu visual casual.
Quando eles finalmente acabaram com tudo – cabelos, unhas, depilação, esfoliação-, me senti uma porcelana viva, de tão lisa que estava me sentindo. Voltei para o para o meu quarto, mas antes de chegar ate a minha porta, reparei em uma discussão vinda de um dos quarto, e quem gritava era uma garota – provavelmente uma noiva- dizendo que não tinha soníferos demais para dormir. Olhei para Brienne, mas ela apenas estava com um ar pensativo e melancólico.
– O que tem esses soníferos?- perguntei. Os guardas abriam as portas e então adentrei o quarto, me sentando na cama. Como é gostosa...
– Eles são mais calmantes e ajudam a dormir, mas são um tanto viciosos. A rainha toma um monte deles por dia, por mais que o rei insiste que ela pare, ela continua a tomar. Nossa pobre rainha parece que está sempre flutuando pelos ares. Os médicos disseram que esses soníferos são originários de uma planta chamada cannabis, que tem efeito relaxante.
– Por que eles não param de fabricar se causa vício, e deixa as pessoas “voando pelos ares”?
– Porque como eu disse, causa vício. – Brienne pegou um frasco de sua bolsa e colocou o comprimido na língua e o engoliu a seco, fazendo uma cara de prazer depois de uns segundos.
Fiquei chocada. Como esse era o reino mais rico se metade de seus habitantes “vivem em outro mundo”? Pensei na rainha e tive pena, mas não dela, de seus filhos. Como poderiam ter crescido num mundo como esse com a mãe avoada que tem?
Dispensei todos no meu quarto e por mais que ainda fosse dia e eu ainda não tivesse almoçado, fui direto para a minha cama, fechando bem as grossas cortinas penduradas nos dóceis da cama. Brienne me disse que meu jantar seria servido no meu quarto hoje, e que amanha cedo ela iria me mostrar o resto do palácio e me dar algumas aulas de etiqueta. Só de pensar nessas futuras aulas de etiqueta, meus braços – que nem mais pelos tinham – se arrepiaram.
Não demorei a dormir, mas finalmente desde que eu cheguei ao Sul, pude me desfazer em lagrimas, que desciam silenciosas e até mesmo discretas, sem ter ninguém para me incomodar.
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