A Seleção - Interativa vagas abertas
2 Anabelle, Inglaterra
Notas iniciais

Sábado, 15:37
Uma das ótimas coisas na província da Inglaterra era o frio, eu amava o frio, e hoje era um dos dias de outono bem frio eu estava deitada no sofá quando Matt entrou pela janela gritando e sacudindo uma sacola de plástico, ele vestia pelo menos 3 camadas de roupa pelo frio que fazia la fora entrou e tirou seu gorro deixando seus cabelos loiros totalmente bagunçado e se jogou no sofá ao meu lado, ele era meu melhor amigo, ele era alto, ou pelo menos bem maior que eu, tinha olhos azuis e cabelos loiros bem cheios e tinha o sorriso mais aconchegante do mundo, ele trabalha em uma biblioteca e já leu praticamente todos os livros de lá o que me surpreende muito –pela velocidade que lê e por que a biblioteca é, praticamente, minha casa 3 vezes–
– Eai Pequena- ele abriu os braços e sorriu, eu o abracei mas logo o soltei por que sua pele estava congelando
– Ta tão frio la fora? E o que você trouxe ai? E por que você insiste em subir pela janela? Eu moro no 3 andar e elevadores ainda existem matt–eu disse e ele riu, revirou os olhos e
começou a remexer a sacola que tinha em mão tirando as coisas de dentro
– Sim, e esse aqui é o nosso filme de hoje – ele sorriu e me entregou– E trouxe um livro pra você – ele tirou um livro velho e meio empoeirado, mas pude ler um nome já quase gasto “John Green” e a capa tinha umas estrelas já quase apagadas eu sorri e dei um beijo em sua bochecha, eu adorava quando ele trazia livros pra mim
–Vai colocando o filme eu já volto – fui até o quarto e deixei o livro na cabeceira, onde também estava a carta. Eu não queria ser da realeza, não queira, então resolvi so ignorar aquela carta, pensei em jogar ela fora mas por hora deixaria ela ali
Voltei a sala e deitei no colo do Matt que começou o filme, ficamos vendo, quase nunca prestávamos atenção, ficávamos comentando as cenas e rindo, do jeito que sempre fazíamos, não sei o que seria de mim sem o Matt, eu o amo –como um irmão claro–
Umas horas depois Matt foi embora, tinha falado pra ele ficar mas ele disse que tinha coisas para resolver na biblioteca então nem cheguei a insistir, sabia como a biblioteca era importante pra ele, então fui pro quarto e fiquei olhando a carta. Patético, eu da realeza?
Um barulho invadiu a casa, um barulho de alguém batendo na porta, talvez o Matt tivesse voltado, me esgueirei pela sala de estar até a porta de entrada e abri
– Onde ta sua cartinha irmãzinha? –Melissa disse sorrindo e entrou na casa me empurrando, posso dizer que era a ultima pessoa que eu esperava ver
– Você não é minha irmã –olhei pra ela, tinha quase certeza que estava vermelha, de raiva, mas ao mesmo tempo estava com medo, percebi que seu cabelo estava mais curto, deixando sua aparência de um modo mais jovem, seus olhos azuis me fuzilavam e ela começou a se aproximar, segurou a gola do meu vestido e soltou uma risada
– Sabe quem me mandou aqui né? Sua querida mamãe. E você sabe do que eu sou capaz você sabe que eu posso arruinar a sua vida quando eu quiser– ela me soltou e examinou a sala– Como você vive em um lugar assim, imundo – ela cuspiu no chão e me olhou, esperando alguma reação, mas eu estava gélida, parada, toda aquela raiva foi substituída por medo, senti que ia cair, mas ainda estava lá, olhando pra ela que agora mexia em minhas coisas a procura da carta, aparentemente
– Só vou te pedir uma coisa e depois te deixar em paz, pedir não, mandar, ou eu acabo com aquilo que você chama de amigo, com o negocio dele e com o sue também–
– Você não se atreveria–
– Será? Ah irmã, nem parece que você viveu metade da sua vidinha medíocre comigo– ela gargalhou– E eu sei que você vai preencher essa ficha logo que eu sair daqui, por que quer proteger seu amigo, por que ele é tudo pra você não é? Eu sei que é. – Ela se levantou e colocou seu casaco sobre seus largos ombros e saiu da casa me deixando sozinha na sala que agora já estava escura, eu simplesmente desabei literalmente, me joguei no chão e chorei, chorei por muitas horas, como eles podiam fazer isso? me abandonar e depois querer tirar o que me resta? E o pior e que eu sabia que ela era capaz, Melissa era a vadia mais manipuladora que existia
Depois de cair a ficha de tudo que havia acontecido ali, mais algumas horas de pensamentos vagos me levantei e fui até o quarto pegar a carta, eu realmente não tinha escolha peguei a folha de papel e a examinei eu não queria ser uma princesa. Provavelmente eu nem iria ser sorteada de qualquer jeito então fui preenchendo, eu era fraca, estava fazendo isso por medo, não medo da melissa mas medo de perder tudo que tinha. As perguntas eram bem simples altura, nome, idade, peso e coisas como essa, também escrevi sobre os idiomas que sabia, essa ficha era totalmente ridícula, como alguém encontraria o provável amor verdadeiro e futura esposa de alguém olhando fichas tão superficiais? Respirei mais fundo uma vez e fui e puxei meu cobertor, indo em direção a escada de emergências que dava para os fundos do prédio
O ar estava completamente gélido, de modo que eu conseguia ver o vapor quando respirava, me sentei na grama molhada, mas pouco me importava. Em noites como essa eu gostava de simplesmente olhar a lua, desde que eu era criança eu amava isso, só ficar lá parada não pensando em nada, era como se por um momento todos os meus problemas sumissem, quando eu era criança e as coisas ficavam ruins, eu fazia isso, meus pais sempre foram extremamente frios e calculista e quando eles me abandonaram, eu passava as noites vendo a lua
Sexta 11:30
Sabe quando você é criança dorme no sofá vendo desenhos e de manha na sua cama? Eu nunca tinha passado por isso antes já que meus pais me odeiam mas foi exatamente isso que aconteceu comigo durante a noite, mas eu sabia que Matt tinha passado, era a única explicação.
Me virei pra escrivaninha e vi minha carta lá, a vida continua eu tinha que a entregar logo, mas em cima dela havia um papel escrito “precisamos falar, biblioteca, 11h ml” realmente não fazia idéia do que seria, olhei pro relógio de parede antigo que tinha em meu quarto e vi que estava marcando 11 e meia então vesti um vestido florido que estava jogado no chão e um par de sapatilhas brancas, peguei o Lord, meu cachorro, pra aproveitar e passear com ela, ótimo duas coisas em uma!Fui correndo até a biblioteca, esbarrei em algumas pessoas no caminho pela pressa mas tentei me manter focada em chegar lá
–Annabelle bom ter uma ótima explicação pra seu atraso– Matt disse segurando o riso
–Babaca– eu ri e ele se abaixou para fazer carinho no Lord –Então o que queria falar? É que eu to um pouco atrasada e.. –
–Carta da seleção preenchida, na sua mesa, vai mesmo se inscrever nisso? – ele me interrompeu e se levantou, me olhando com uma cara realmente seria
–Sim. Não é ridículo, é uma tradição– falei tentando parecer seria –Ta não é por isso, mas eu tenho os meus motivos–
–Claro, você nem acha a seleção ridícula e disse por três anos seguidos que nunca ia se inscrever– ele bufou e desviou o olhar– agora serio que motivos?
–Motivos, motivos pessoas tem motivos eu tenho vários motivos– suspirei –Não quero falar sobre isso, quer ir comigo entregar essa carta? – tentei fazer o melhor sorriso que pude e levantei a carta
–Não. Não vou te apoiar nisso Anna, Você sabe que eu não gosto dessas coisas– então ele se virou e entrou na biblioteca. Eu não entendi se aquilo foi realmente uma discussão, ou se ele estava muito magoado, eu me senti mal mas tinha que fazer isso pelo bem dele, quando terminassem de anunciar eu contaria pra ele tudo o que aconteceu, sobre a Melissa e meus pais me obrigando a isso, sobre as ameaças. Mas por enquanto eu so podia esperar que ele não parasse de falar comigo, Por que eu realmente não sei o que faria se ele fizesse isso, mesmo que fosse por só por até os resultados eu não agüentaria
Lord atrapalhou meus pensamentos me puxando, e como ela era quase do meu tamanho realmente foi uma boa tática para conseguir minha atenção, fui andando com ela até o correio onde estavam milhões de meninas super paparicadas e maquiadas, bem, eu não me importava, não queria entrar mesmo. Tirei a foto e fui pra casa, onde comecei a ler o livro que tinha ganhado um dia antes, as vezes isso ajudaria a me distrair
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