A Seleção de Bella Miller
6 As aparências enganam
Notas iniciais

Ouço vários sussurros, meus olhos tentam-se a abrir e uma enorme claridade o invade, fecho-o instantaneamente.
—Por favor, senhorita, acorde —diziam em uníssono.
Abro os olhos e três mulheres me recebem com gemidos abafados. Olho em volta sem entender nada. Onde estou? E quem são essas?
Oh, claro. Passo mentalmente as lembranças das últimas semanas em minha velha e explorada mente. Eu sou Bella, eu fui selecionada para a seleção, eu perdi exatamente tudo e agora estou aqui para conquistar o coração de alguém a quem não amo. Emocionante, não?
—Senhorita, por favor levante-se estamos super atrasadas—disse-me uma delas.
—Hmm, atrasada para que? —digo grogue.
—Oh, senhorita, hoje serão as entrevistas—exclama outra, dando pulinhos de alegria. Bem se caso eu ficar, tenho que pelo menos decorar o nome de cada uma.
—Oh, havia me esquecido, quantas horas ainda me resta? —pergunto saindo da cama e encarando-as.
—Menos de 30 minutos, nós estamos a esperando despertar cerca de 2 horas.
—2 horas—Gritei—E porque raios não me acordaram?
Caramba! Não gosto da ideia de pessoas ficarem assim, invadindo minha privacidade...
—Desculpe-nos senhorita, nós tentamos... mas você não despertava—uma delas tomou frente, ela era muito bonita, olhos claros e pele escura.
—Não, tudo bem, desculpem-me se fui muito grosseira—levo a mão no rosto, exausta.
—Senhorita, não se preocupe com isso nós preparamos um banho relaxante para a senhora e garanto que será a mais linda de todas na entrevista—diz a terceira que até poucas horas atrás permanecia calada.
—Bom, me chamem de Anna ou Bella, como preferirem, mas por favor, sem formalidades. —digo com um sorriso meigo.
Elas me encaram encantadas e logo em seguida me levam para o banho e para me arrumar para a entrevista. Elas são muito gentis e em pouco minutos me levam a loucura, elas são...são energizadas. Parece que o castelo não é como eu imaginei, será que o príncipe também não é o que imaginava. As aparências enganam.
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Saio do meu quarto, ou é assim que posso chamá-lo? Aliás ele não é meu. Caminho em direção ao corredor principal. Há muitas garotas, todas bem formosas, com vestido chamativos e alguns até Sexys, realmente agradeço pelo meu visual simples.
—Uou, Bella, você está linda—surpreende-me Maria.
—Digo o mesmo, Maria—Maria tem demonstrado ser um pessoa legal e por incrível que parece estou me considerando como sua amiga, minha única amiga
—Você acha? Eu estou em dúvida. —ela analisa o vestido, meio perturbada.
—Não se preocupe, o príncipe seria um idiota se não aceitasse você. E olhe em volta acho que estamos indo para o reveion—digo rindo, e ela me acompanha. Mas logo em seguida somos repreendidas por Marlee, que está radiante esta manhã. Sentiu a ironia?
—Meninas, por favor—ela acena em nossa direção, e instantaneamente paramos de rir. —Vejo que todas estão presentes, então daremos iniciação as entrevistas e depois partiremos para o café da manhã, acompanhados da família real.
Ela repassa as regras e lições de como devemos ter respeito á família real. Depois de uma eternidade ela nos dirige para um salão gigantesco, realmente lindo. Sua decoração é azul turquesa, e o piso é inteiramente de porcelana pura. Nunca vi nada parecido. Há três fileiras com cadeiras realmente confortáveis, aonde nos sentamos.
Marlee sai e logo em seguida volta com Austin. Ele está lindo, com uma calça social preta e camisa de linho branca.
Ele se senta perto da janela, um pouco longe de onde estamos. Nesse momento Marlee vai até nós e pede para que a primeira da fila se apresente ao príncipe. Assim uma garota morena com olhos de carvão levantasse e vai em direção ao príncipe, que dá um dos sorrisos mais calorosos que já vi. A conversa é rápida, e logo em seguida ela volta com um sorriso de orelha a orelha, isso se repete várias e várias vezes, as meninas se levantam, vão em direção ao príncipe, que lhes dá um sorriso colegial, e tem uma breve conversa e depois tudo volta ao normal e a sua repetição.
Tremo, quando chega a minha vez. Minhas mãos estão espontaneamente suadas, suspiro tentando aliviar todo esse tremor desconhecido. Porque está tão nervosa assim? Sua tola! —requisito a mim mesma.
—Olá—digo fazendo uma reverencia e sentando, como as outras garotas fizeram. Opa, perai. —Err... Olá, Majestade—corrijo-me e sou recompensada com um sorriso tímido, mas sincero.
—Olá, Bella, por favor sem formalidades—ele passa ambas as mãos as coxas. Caramba! Ele também está nervoso. —Me fale sobre você —percebo que seus olhos brilham com cautela. Hmm, ele está curioso...curioso sobre mim? Não há muito o que saber sobre mim.
—Me diga, o que exatamente quer saber? —pergunto, olhando-o nos olhos.
—Tudo. O que você fazia antes da seleção? O que gosta de fazer? Sua cor favorita? Hmm... e sobre a música talvez? —ele diz, e suas bochechas ligeiramente o enganam demostrando um tom avermelhado.
Suspiro. Ok. Ele quer saber coisas simples, então as respostas serão simples.
—Bem, antes da seleção eu estudava de manhã e à tarde trabalha na lanchonete da cidade, e, hum... de noite eu tocava. —digo avaliando sua expressão.
—Uau, quanta coisa, você tinha tempo para curtir? —ele pergunta e eu ligeiramente coro.
—Sim, eu me divertia muito fazendo essas coisas...quer dizer trabalhar não é tão chato—digo, levantando os ombros.
Desde criança sempre foi assim. Meu pai se metia em alguns bicos e quando recebia algum salario sempre ia para a bebida. Os pais de Eliseu me alimentaram até eu crescer e saber me sustentar. Foi fácil arranjar um emprego na melhor lanchonete de Dover. Basta você ter seios fartos e corpinho de Barbie. O salario era ótimo, eu precisava de dinheiro, então aguentar cantadas baratas foi fácil.
—Bom. Então a convido para passar um dia no escritório de papai—ele diz e por um momento penso que ele não está brincando. Olho-o com uma expressão ilegível. E ele logo sorri, um sorriso que alcança seus olhos. Oh, ele está brincando! —me diga o que toca?
—Eu toco vários instrumentos, mas o mais especial é o piano, quando estou tocando é como se eu me trancasse dentro de minha própria bolha, e é lá que consigo esquecer todos os problemas—dou de ombros— e seguir em frente.
Levanto minha cabeça e olho para um príncipe de queixo caído. Ele se aproxima ligeiramente, ficando muito próximo a mim, seu perfume vai se aproximando e eu penso em gritar ou meter um soco em sua cara. Mas infelizmente, antes que eu colocasse minhas ideias em pratica, ele sussurra ternamente em meu ouvido:
—Seria estranho se eu dissesse que sinto o mesmo?
Encaro-o surpreendida. Austin, Austin toca? Realmente, talvez ele não seja quem eu pensava que fosse.
—Hmm, que instrumento toca? —pergunto ainda surpreendida.
Ele hesita, mais depois de um bom tempo o faz.
—Violoncelo! —ele solta.
Encaro-o admirada. Violoncelo é um dos maiores e poderosos instrumentos musicais. Realmente estou muito perplexa.
—Oh—são as únicas palavras que consigo soltar.
—Eu sei, não é tão...tão digno assim....mais eu realmente sou apaixonado por ele, quando o toco é como você descreveu, formo minha própria bolha, onde não se habita problemas, castelo, coroa...—Okay, agora estou ainda mais chocada. Como assim? O príncipe não gosta dessa vida?
—Oh, Majes...Austin! Eu acho Violoncelo um instrumento musical realmente maravilhoso, bem para confessar eu já tentei toca-lo—digo corando—mais bem, digamos que sou um completo desastre, acho que me saio melhor tocando o piano.
—Bem, não seja por isso—Ele sorri, um sorriso cafajeste—eu poderia te ensinar a tocar, se assim desejar? —seus olhos fervem.
Ignoro a forma pervertida que ele me encara. O príncipe parece ser um cara legal, ele é tímido e adora música clássica pelo que vi. E, oh.... é tão bonito. Quem sabe eu possa passar mais alguns dias na seleção...?
—Eu adoraria—digo sorrindo.
—Com prazer, senhorita Miller. Posso pegá-la as 15 horas?
—Acredito que sim—digo virando a cabeça, procurando por Marlee, eu realmente não sei se ela tem algo amanhã para as selecionadas.
—Não se preocupe, Bella, essa hora acredito que você já esteja sem afazeres—ele diz como se aquilo fosse claro.
—Ok, muito obrigado. Austin. —Me levanto.
—Por favor, nos vemos amanhã. —ele se levanta e planta um suave e terno beijo entre minhas mãos estendidas.
—Amanhã?
—Amanhã.
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