A Seleção da Beauxbatons

3 O Ministério Francês


Hydra chegou em casa ao anoitecer, um pouco antes do jantar, Draco olhava animado para a sua coruja.

— Ela é bonita, qual é o nome? – Perguntou o irmãozinho.

— Lydra. – Respondeu Hydra dando um pouco de castanhas que tinha comprado para ela na loja, a coruja parecia agora mais acostumada com a menina.

— Que nome esquisito. – Riu Draco.
— É em homenagem a constelação de Lyra, só queria um pouco diferente. – Explicou Hydra.

Hydra teve seu jantar mais feliz naquela casa, apesar da tristeza de sua mãe que constantemente a lembrava como iria ser o último jantar em muito tempo naquela casa que Hydra teria (isso era o que a alegrava, por sinal), só de pensar em não ter que ver o rosto de Lúcio todos os dias a comida parecia lhe descer muito melhor.

— Que horas irão sair amanhã? – Perguntou Lúcio com a sua forma fria e distante de sempre de falar.

— Às oito da manhã iremos ao Ministério, você irá nos levar com Draco? – Perguntou Narcisa.

— Sim, irei confirmar o horário com o motorista.

— Hydra, eu não quero que você vá embora. – Disse Draco choroso, com os olhinhos cheios de lágrimas.

— Ei, não fica assim, eu já disse que nós vamos poder nos falar por coruja todos os dias se você quiser e temos os feriados...

Draco pareceu se conformar um pouco mais depois disso.

Hydra ficou lendo com Draco até os dois caírem no sono em seu quarto, ela passou a última noite naquela mansão abraçada ao seu pequeno irmão e seu último sentimento antes de dormir foi de uma pequena culpa por deixar o menino sozinho, apesar de saber que aquilo era necessário para ela e não importava para onde ela fosse, iria ter que se afastar dele de qualquer maneira.

Hydra foi acordada cedo pela mãe e viu que Draco já não estava mais ao seu lado.

— O que houve? – Perguntou ela ainda confusa de sono.

— Está na hora de se arrumar, vamos, não podemos chegar atrasados, essas chaves de portal são muito bem sincronizadas. – Disse Narcisa.

Hydra levantou ainda meio dopada de sono, seu quarto tinha duas portas na lateral direita, uma que dava ao seu closet e outra ao banheiro e no lado esquerdo sua pequena biblioteca particular que tinha sido recém construída, ela foi em direção ao banheiro ainda cambaleando.

— Use essa veste. – Disse Narcisa que havia ressurgido agora pronta para sair em seu quarto, fazendo uma veste azul de tecido leve sair voando do closet de Hydra até a cama – Lá deve estar mais quente do que aqui.

— Ok, mamãe. – Concordou Hydra.

— É tão bonita, parece comigo na sua idade. – Disse Narcisa orgulhosa vendo a filha depois de ficar pronta.

Hydra era uma mocinha de 11 anos, seus longos cabelos loiros claro batiam na cintura e seus olhos cinza davam um toque especial ao seu belo e delicado rosto, era alta para a sua idade, já tinha 1 metro e sessenta e sete centímetros e de fato lembrava um pouco sua mãe, apesar de muitos falarem que ela lembrava ainda mais eu pai (para o seu desgosto).

Hydra tomou um rápido café-da-manhã com a sua família e logo saíram para o Ministério (Dobby fez seu malão e a gaiola de Lydra flutuarem com um estalar de dedos e levou suas coisas até o carro que os esperava do lado de fora).

Durante toda a viagem Draco comentava com Hydra sobre a paisagem ou mostrava algum novo desenho que estava fazendo com uma pena e pergaminho enquanto Lúcio ignorava a existência dela e Narcisa parecia pronta para chorar a qualquer momento, finalmente, eles chegaram em Londres, em uma rua em que havia vários prédios de escritórios de mau aspecto, um bar e uma caçamba de lixo.

— Vamos, a entrada dos visitantes é por aqui. – Disse Lúcio, fazendo agora as coisas de Hydra flutuarem e os seguirem até uma cabine telefônica, aonde todos se espremeram para entrar juntos com um toque de sua varinha.

O aparelho de telefone pendia torto da parede, como se algum vândalo tivesse tentado arrancá-lo. Lúcio que parecia impaciente se esticou e pegou o telefone, digitando alguns números que Hydra não conseguiu ver quais.
Quando o disco voltou à posição inicial, ouviu-se uma voz tranquila de mulher, dentro da cabine, uma voz alta e clara como se houvesse uma mulher invisível ali ao lado deles.

— Bem-vindos ao Ministério da Magia. Por favor, informem seus nomes e o objetivo da visita.

— Lúcio, Narcisa, Draco e Hydra Malfoy, viagem autorizada por chave de portal. – Disse Lúcio.

— Obrigada. – disse a voz tranquila de mulher. – Visitante, por favor, apanhe o crachá e prenda-o ao peito de suas vestes. – Ouviu-se um clique e um rumorejo, e Hydra viu alguma coisa sair pela ranhura de metal por onde normalmente saem as moedas excedentes. Apanhou-a, era um quadrado prateado em que se lia "Hydra Malfoy, Reunião com Ministro da magia". Prendeu-a ao peito da veste e a voz feminina tornou a falar.

— Visitante ao Ministério, a senhorita deve se submeter a uma revista e apresentar sua varinha, para registro, à mesa da segurança, localizada ao fundo do Átrio.

O piso da cabine telefônica estremeceu e eles começaram a afundar lentamente. Hydra viu a calçada ir subindo pelas vidraças da cabine e, por fim, a escuridão se fechar sobre suas cabeças. Então não conseguiu ver mais nada, Draco parecia se divertir muito com tudo, apesar de já ter ido ao Ministério antes, assim como Hydra. Ela ouviu apenas um ruído abafado de trituração, enquanto a cabine continuava a entrar pela terra. Decorrido mais ou menos um minuto, uma claridade dourada brilhou na altura de seus pés e foi se ampliando.

— Ministério da Magia deseja um dia muito agradável. – Disse a voz feminina.

A porta da cabine telefônica se escancarou e os quatro saíram da cabine, com os pertences de Hydra ainda a seguindo. Estavam parados a um extremo de um saguão muito longo e suntuoso, com um soalho de madeira escuro e extremamente polido. O teto azul-pavão era entalhado com símbolos dourados que se moviam e se alternavam como um enorme quadro celeste de avisos. As paredes de cada lado eram forradas de painéis de madeira escura e lustrosa, e nelas haviam, engastadas, muitas lareiras douradas. Bruxos e bruxas emergiam de uma das lareiras à esquerda. Na parede da direita, iam se formando diante de cada lareira pequenas filas de pessoas que aguardavam o momento da partida.

No meio do saguão havia uma fonte. Um grupo de estátuas de ouro, maiores que o tamanho natural, estavam dispostas no centro de um espelho de água circular. A mais alta era de um bruxo de aparência aristocrática, com a varinha apontando para o ar. Agrupados a seu redor, havia uma bela bruxa, um centauro, um duende e um elfo doméstico. Os três últimos olhavam com adoração para o casal de bruxos. Das pontas de suas varinhas, saíam jorros de água cintilante, bem como da ponta da flecha do centauro, da ponta do chapéu do duende e de cada orelha do elfo doméstico.

— Parece o Dobby! – Exclamou Draco rindo.

— Venha Hydra, precisamos apresentar a sua varinha também. – Disse Narcisa enquanto Hydra seguia os pais de mãos dadas com o irmãozinho.

Eles andaram pela multidão até chegar a uma mesa à esquerda, sob a placa 'Segurança', um bruxo de vestes verdes que ergueu a cabeça quando a família se aproximou.

— Estamos aqui para usar a chave de portal, minha esposa e filha estão autorizadas a permanecerem com suas varinhas depois de registradas, assim como eu. – Disse Lúcio apresentando um pergaminho ao bruxo que analisava com cuidado.

— Muito bem, se eu puder ver as varinhas por favor...

O bruxo se aproximou e o bruxo ergueu uma longa vara dourada, fina e flexível como uma antena de carro, e correu-a pelo corpo de cada um deles, de alto a baixo, de frente e costas e depois pediu a varinha de cada um, começando pela de Lúcio.

— Núcleo de fibra de coração de dragão, cerca de 30 centímetros, em uso há... Uau! Mil e sessenta e seis anos? – Perguntou o bruxo surpreso.

— Sim. – Afirmou Lúcio friamente como quase sempre.

O Bruxo pegou um pedaço de pergaminho que saia do instrumento de segurança e guardou, devolvendo a varinha para Lúcio, fazendo o mesmo com a de Narcisa e finalmente chegando na de Hydra.

— Aproximadamente 33 centímetros, centro de fibra de coração de dragão, em uso há um dia, sem magia feita ainda. Correto?

— Correto. – Disse Hydra timidamente.

Os quatro se dirigiram aos elevadores depois da inspeção, junto com o mar de gente que também seguiam para lá. Muitas pessoas cumprimentavam seu pai que permanecia com a expressão pomposa e fria para a maioria, mas sorria quando era alguém importante. Draco admirava tudo e apertava forte a mão da irmã.

Eles entraram no elevador com os demais, muitas pessoas entraram junto. As grades tornaram a fechar com estrondo e o elevador subiu lentamente, as correntes se entrechocando, enquanto a mesma voz tranquila de mulher que Hydra ouvira na cabine telefônica tornava a falar:

"Nível sete, Departamento de Jogos e Esportes Mágicos, que inclui a Sede das Ligas Britânica e Irlandesa de quadribol, o Clube de Bexiga Oficial e a Seção de Patentes Absurdas."

As portas do elevador se abriram e algumas poucas pessoas saíram de lá.

"Nível seis, Departamento de Transportes Mágicos, que inclui a Autoridade da Rede de Flu, o Controle de Aferição de Vassouras, a Seção de Chaves de Portais e o Centro de Testes de Aparatação."

— Vamos – Disse Lúcio e eles os seguiram por um corredor extenso até a sala vinte e dois, aonde Lúcio entrou depois de bater na porta.

— Pois não? – Perguntou uma bruxa loira de vestes pretas, Hydra notou que a sala tinha algumas escrivaninhas e diversos objetos estranhos espalhados pela sala, algumas pessoas pareciam aguardar perto deles por algo, como se eles fossem se mexer magicamente ou algo.

— Minhas esposa e filha estão com uma viagem por chave de portal marcada para às oito, para Paris, Narcisa e Hydra Malfoy.

A bruxa conferiu em um pergaminho os seus nomes e acenou com a cabeça.

— Okay, bem na hora, peço que se despeçam aqui os que não forem e que as senhoras se posicionem perto da chave vinte e sete, aquele chapéu ali no canto – Disse a moça apontando para um belo chapéu de bruxa roxo e lilás.

Hydra abraçou Draco e quase chorou quando o menino desabou nos seus braços.

— Eu vou sentir saudades. – Disse ele.

— Eu também, eu também, mas eu juro que sempre podemos nos falar, okay? – Disse Hydra para o menininho que agora chorava.

— Okay...

— Eu te amo Draco! – Disse Hydra.

Lúcio deu um falso abraço em Hydra (provavelmente porque tinha gente olhando) e disse um frio tchau e logo depois se despediu de Narcisa que abraçava Draco.

Hydra tinha lágrimas nos olhos quando viu Draco e Lúcio saindo da sala, o menino ainda chorava e Lúcio parecia pronto para brigar com o menino por isso.

— Vamos. – Disse Narcisa, o malão de Hydra e a gaiola de Lydra (que dormir com a cabeça nas penas) ainda as seguiam enquanto elas se posicionaram perto do chapéu.

— Agora o que? – Perguntou Hydra, mas levou um susto antes que Narcisa pudesse responder, algumas pessoas desapareciam ao seu redor ao tocarem nos objetos na sua frente.

— Agora quando eu disser já você segura no chapéu, eu estarei segurando as suas coisas, lembre-se apenas de tentar se manter firme e não soltar ele de jeito nenhum – Disse Narcisa.

— Okay... – Respondeu Hydra com medo do que podia acontecer.

— AGORA! – Disse Narcisa depois de um tempo e Hydra imediatamente colocou a mão no chapéu.

Foi horrível, Hydra se sentiu puxada pelo umbigo e era como se tudo passasse muito rápido e girando ao seu redor, era mil vezes pior e durava mais tempo que uma viagem de flu, ela se sentia extremamente enjoada quando finalmente aterrissou, ou melhor, caiu de cara no chão em uma sala similar à que estava antes.

— Hydra, você está bem? – Perguntava sua mãe segurando sua mão.

— Sim, só, que diabos foi isso? – Perguntou Hydra levantando.

— Uma viagem por chave de portal, pode ser bem desagradável para quem não está acostumado.

— Com licença – Dizia uma jovem negra de cabelos cacheados em francês chegando perto delas – as senhoras são as Malfoy?

— O que ela está falando? – Perguntou Narcisa para Hydra.

— Está perguntando se somos as Malfoys. – Disse Hydra respondendo em afirmativa para a bruxa.

— Muito bem. – Disse a mulher – Bem-vindas ao Ministério da Magia da França, peço que sigam pelo corredor até o elevador e se encaminhem até o nível sete no departamento de Cooperação Internacional em Magia, à sua direita irá encontrar o setor de alunos estrangeiros da Beauxbatons, por favor se apresentem na sala vinte e dois para a entrevista de visto.

— Okay... – Disse Hydra passando todas as instruções para a mãe.

— Mas eu já passei por isso no Ministério da Inglaterra. – Reclamou Narcisa.

— Eu sei, mas é um novo processo ao chegar aqui. – Disse a bruxa para Hydra quando ela traduziu.

Hydra saiu com Narcisa (suas coisas flutuando atrás delas, Lydra agora parecia extremamente aborrecida com a viagem, dava bicadas na gaiola querendo se soltar) por um corredor mais brilhante e iluminado que o anterior, as janelas entre as salas e entre os vidros. Hydra se surpreendeu ao ver que estavam na verdade embaixo d'água!

— Ai meu Deus, como isso é possível? – Perguntou Narcisa ao ver o mesmo. – Como eles chegam até aqui para trabalhar?

— Eu li sobre isso, eles vem por lareiras ou então por uma entrada que os deixam em uma rua em Paris, é como uma mini viagem de chave de portal, é bem interessante, eu só tinha esquecido eu acho. – Disse Hydra se divertindo com tudo e pensando em como Draco provavelmente iria amar aquilo.

Belos elevadores com portas espelhadas se encontravam no fim do corredor, tudo era muito lindo e elegante, Hydra ficara encantada. As duas entraram no elevador quando esse chegou ao andar delas, tinham poucas pessoas no elevador, entre eles, tinha um rapazinho de vestes azuis escuras, magro e louro perguntou em Francês para qual nível elas queriam ir.

— Sétimo, por favor. – Respondeu Hydra.

— Bela coruja. – Disse o rapaz, vendo Lydra que agora parecia um pouco mais tranquila do que antes.

— Obrigada, o nome dela é Lydra. – Disse Hydra.

Narcisa não parecia estar gostando muito de Hydra estar conversando com o rapaz e parecia aliviada quando as duas desceram após ele anunciar que estavam no nível 7, em um corredor extremamente parecido com o anterior.

— Aonde é para irmos mesmo? – Perguntou Narcisa.

— À direita. – Disse Hydra, virando em um outro corredor aonde se lia uma grande placa.

"SETOR DE ALUNOS ESTRANGEIROS DA BEAUXBATONS"

Muitas pessoas andavam por ali, muitos jovens com seus pais parecendo assustados, alguns mais novos, outros mais velhos, alguns com o uniforme da escola e outros sem, conversando em muitas línguas e com as mais diversas aparências.

— Aqui mãe, sala vinte e dois. – Disse Hydra olhando para uma porta de vidro preto.

— Você tem que esperar ser chamada. – Disse uma menina que devia ter seus 16 anos em Francês, sentada em um banco na frente da sala junto com diversas outras pessoas.

— Obrigada. – Disse Hydra, informando a mãe e se sentando junto a ela.

— Meu nome é Magali, Magali Freitas, sou de Portugal e você? – Perguntou a menina de cabelos cacheados e castanhos e pele marrom que estava acompanhada de uma mulher muito parecida com ela que lia uma revista aonde as pessoas se mexiam na capa.

— Hydra Malfoy, da Inglaterra. – Respondeu Hydra.

— Primeiro ano, Hydra? Eu achei que tinha uma escola lá na Inglaterra, não tem?

— Tem, mas eu preferi vir para cá, – Respondeu Hydra- é meu primeiro ano sim e o seu?

— É meu sexto, fique calma, tem muitos alunos de fora na Beauxbatons, é um lugar muito bonito.

— Freitas, Magali – Chamou uma bruxa ruiva de vestes azuis marinha e vermelha na porta da sala.

— Bem, tenho que ir, boa sorte Hydra Malfoy. – Disse a menina se levantando com a mãe.