A Seleção-Novo Mundo
15 Capitulo 15
Notas iniciais
A luz do sol me acordou... E o frio também. Eu estava com a cabeça sob o peito de Damien, e sua respiração estava profunda e constante. Olhei para baixo e vi que o lençol só cobria meu corpo nu até a minha cintura. Puxei o lençol para cima e me aconcheguei mais perto de Damien, me deliciando com seu calor.
A noite de ontem foi até que boa, mas um tanto estranha. Não estranha do tipo “puxa, nos vimos os corpos um do outro, transamos”, foi mais “compartilhamos um sentimento mutuo”. Eu realmente senti algo muito sentimentalista por ele ontem, mas foi um momento, e anos serão precisos para eu esquecer. Damien foi gentil, mas não o bastante para chegar a ser meloso, ele só foi compreensivo, exatamente como deveria ser.
E eu também decidi que iria ser mais boazinha com ele. Eu decidi que vou dar uma chance a ele, pois não custa tentar amar alguém, quem sabe podemos até nos divertir com isso? Podemos até nunca sermos o perfeito casal, mas podemos vir a ser bons companheiros.
Ele se mexeu em baixo de mim e pigarreou. Virei o olhar para ele, que parecia tão relaxado, tão puro tão bom... , então ele abriu os olhos azuis, que estavam sem foco, até que seu olhar se focou no meu e deu um sorriso torto.
– Você estava me olhando dormir? – ele disse com a voz sonolenta, as bochechas meio amassadas por causa do travesseiro.
– Estava. Sorte sua que você não baba. – eu disse dando um sorriso zombeteiro. Ele franziu o cenho, e inclinou a cabeça um pouco pra trás, criando um pouquinho de papo.
– Isso é assustador!
– Isso é romântico!
Ele pigarreou novamente e se sentou na cama. Puxei os lençóis até os meus seios e me sentei também, olhando para as partes de Damien que estavam protegidas por um short de dormir. Quando foi que ele o colocou?
– Que foi? – perguntei já sentindo meu rosto corar. Ele encarou a cama e cruzou os braços junto ao peito e me olhou novamente, lambendo os lábios.
– Lauren, qual é a sua?
– Como?
– Estávamos em uma relação de ódio até onde a noite.
– Eu decidi que vou parar de ser ranzinza. Não é bom para mim, não é bom para você... Não faz bem para ninguém. – eu disse tentando soar o mais clara possível, eu estava confiante em minhas palavras e não iria amarelar em dizer nada. Damien continuava me fitando como se eu estivesse “falando grego”.
– Então isso quer dizer que...? – ele perguntou.
– Que vamos tentar construir uma relação de amor e ódio. – eu disse. Damien olhou desconfiado por um tempo então se acabou em risadas.
– E como foi que isso surgiu? Eu sou tão bom na cama assim? – ele perguntou ainda rindo. Eu provavelmente estava com o rosto totalmente vermelho, então dei um tapa em sua coxa para ele parar de rir de mim, já estava ficando sem graça. Ele se calou, tentando reprimir os risos.
– Isso pode ser bom para nós dois. Podemos até nos divertir um com o outro – Damien me olhou maliciosamente -, não só do jeito que você está pensando. Quero dizer que nós podemos nos dar bem um com o outro se tentarmos. Veja só, estamos conversando normalmente até agora e eu ainda não te dei um tapa e você ainda não começou a falar que nem um maníaco. – eu disse. As palavras saíram da minha garganta como se fossem um osso de frango entalado na garganta, quase tão libertador como se o osso tivesse saído, eu senti o ar mais leve. Damien ponderou por um bom tempo e franziu o cenho.
– Eu falo como um maníaco quando estou bravo? – ele disse parecendo tão confuso com isso que me fez ter dó.
– A maior parte do tempo... Você tem que parar com isso, isso me assusta. – também não quis comentar que eu achava que ele era bipolar, manipulador, um possível psicopata...
– Isso vai para a lista de ano novo. Ser menos maníaco.
– Assim está bom. – eu disse sorrindo, e até rindo um pouco. Apertei o lençol contra o peito e pulei da cama, olhando em volta atrás de um robe. Damien se debruçou na cama e tateou o chão ao seu lado, então jogou um robe em minha direção, que eu peguei com a mão livre. Olhei pra Damien que estava me encarando, mostrando sinal nenhum que iria virar o rosto para me dar alguma privacidade enquanto eu colo meu robe.
– Que foi? – perguntou com o sorriso zombeteiro. Olhei sinicamente para ele e soltei o lençol, deixando ele cair no chão. Passei o robe pelos braços e então o fechei, fazendo um laço bem apertado.
– Pelos menos eu não tenho vergonha. – eu disse, cruzando os braços. Damien arqueou as sobrancelhas, lambendo os lábios. Levantou da cama e caminhou até mim. Olhou em meus olhos então abaixou o short, levantou e as mãos para o alto e deu um suspiro.
– ÁH como é boa essa liberdade! Há, e sobre nossa relação de amor e ódio... Espero que tenha mais amor, se é que me entende! – ele disse então foi rindo até o banheiro.
ﻼ
– Em nome das aparências, você poderia colocar um pedaço de torta na minha boca como se fossemos excelentes casados?- Damien pediu, enquanto cortava uma fatia de uma torta de cereja.
Estávamos nos jardins do fundo, sentados a uma mesinha sob uma tenda branca que havia sido montada. Forrest, Elijah, Kyla e Kendra também estavam lá, em mesas diferentes.
O rei, a rainha e suas damas de companhia e Eva também estavam lá, mas em outra tenda. Como era sábado não havia compromissos para se fazer, de modo que tínhamos o dia inteiro para fazer o que quiséssemos então a rainha nos pediu para que tomássemos o “brunch” com ela hoje.
Loras e os outros familiares das princesas haviam deixado o palácio pela madrugada, mas ainda continuavam no Sul. Aparentemente eles estavam em algum hotel luxuoso enquanto os recém casacos aproveitavam um pouco da lua de mel.
– Mas é claro meu precioso! – eu disse, enfiando o pedaço inteiro de torta dentro de sua boca. Damien tossiu um pouco, mas fez de tudo para tentar mastigar e engolir o pedaço. Pegou o guardanapo e limpou a boca, me fuzilando com os olhos.
– Amor e ódio. – eu o lembrei, bebericando um pouco do meu champagne. Há champagne, nos enchem dele e ainda reclamam que terei problema no fígado.
– Não começa durona.
– Nem me fale maníaco. – eu disse. Ele estendeu a taça e eu encostei-me a ela com a minha, brindando a sei lá o que.
– Licença, Lauren? – Kyla disse, chegando timidamente atrás de Damien. Damien virou na cadeira para vê-la e apoiou o braço no encosto.
– Olá minha querida cunhada. – ele disse. Kyla corou.
– Olá, querido cunhado.
– Oi, Kyla. – eu disse e lhe dei um sorriso.
– Lauren, nós podemos conversar em particular por um momento? É coisa rápida. – ela disse. Estava pensando em recusar, mas algo em sua expressão me preocupou. O que deveria ser? Olhei para Damien e ele deu de ombros.
– Claro, vamos! – disse enquanto me levantava. Kyla colocou uma mão sobre meu ombro e me dirigiu para fora da tenda, e só parou quando estávamos bem afastadas, a poucos metros do penhasco. Ele ficou fazendo nós nos dedos, uma cara preocupada.
– Kyla o que está acontecendo? Por que você não fala?
– Eu estou tentando achar as palavras certas, espere. – ela disse, se virando para o penhasco, fitando o horizonte azul. Fiquei atrás dela, com os braços cruzados. Ele suspirou e então se virou para mim.
– Lauren eu... Minha noite de núpcias saiu errado. Eu não sangrei então Forrest pensa que eu não era mais virgem, acho que você notou como ele está estranho comigo hoje. – ela disse praticamente toda tingida de vermelho de vergonha. Blah, então era para isso?
Agora eu pensei sobre eu com Damien. Quando estava me trocando no quarto eu realmente havia notado uma manchinha vermelha no lençol, mas isso era normal, e Damien também não havia comentado nada.
– Não, eu nem olhei para ele hoje para dizer a verdade. – disse. Na verdade eu havia visto quando ele tinha chegado à tenda, e sim, ele estava com um cara meio ranzinza, mas isso eu pensei que fosse por uma noite mal dormida ou pela noite não ter sido tão satisfatória, então nem comentei nada.
– Lauren, ele está pensando em dizer para a rainha! O que eu faço? – ela disse, com seu desespero exalando. Engoli em seco e olhei para os lados, tentando pensar em alguma coisa.
– Mas Kyla, você era virgem mesmo?
Ela me olhou ofendida, seus grandes olhos azuis maiores do que nunca.
– Eu venho fazendo um voto de castidade desde os meus dez anos de idade! Eu não sei como isso foi acontecer.
– Calma! Vai ver ele não se rompe de primeira, talvez ele se rompa na segunda vez. – eu disse sacudindo as mãos a sua frente, tentando evitar com que ela ficasse mais furiosa.
– Talvez, mas eu duvido que ele vá tentar a sorte. Ele está bravo comigo.
– Bom Kyla, eu não posso fazer muita coisa, mas eu vou falar com o Damien, e quem sabe ele convença o Forrest de que ele está errado. – eu disse, mordendo os lábios. Kyla estava tão vermelha que quase gritei para que ela parasse de ficar vermelha se não iria explodir. Pelos céus, essa gente me dá nos nervos.
– Você faria isso?
– Sim!
– Ótimo, então vamos voltar. – ela disse. Seguimos caminho de volta para a tenda, e quando chegamos Kyla voltou para a mesinha onde estava sentada com Forrest. Forrest comia silenciosamente, olhando para o prato. Fui até a mesa onde estava com Damien, e me sentei. Damien arqueou a sobrancelha, dando uma garfada no quiche que estava a sua frente.
– O que foi? – ele perguntou com a boca cheia, enquanto eu fitava enjoada o quiche.
– Precisamos comer tudo o que trazem? Se continuarmos assim vamos sair rolando pelos lugares. – eu disse, fazendo uma cara enjoada. Damien riu.
– Mas é serio o que ela queria?
– Ela quer que você convença o Forrest de que ela era virgem. – eu disse. Damien engasgou com a comida e tossiu, então colocou um guardanapo na frente da boca.
– Você está bem?
– Estou. Você só me pegou de surpresa. Mas então, ela espera que eu fale exatamente o que para ele? Se ele, alias, se nós tivermos algum desentendimento com vocês a primeira pessoa que deve ser contada é a minha mãe, a rainha. Meus pensamentos são inválidos comparados ao dela.
Encostei a cabeça no encosto da cadeira e bufei. Olhei para a rainha, que tinha seus olhos fixos em algo. Segui seu olhar e encontrei Eva, que estava no meio do jardim brincando com um cachorrinho. No final das contas faz sentido, a rainha é a mais experiente de todas nós. Não que o rei não fosse experiente, mas certamente seria mais confortável ter esse tipo de conversa com uma mulher.
– E você? – Damien disse enquanto dava um gole d’água. O que têm eu?
– Eu o que?
– Você era virgem?
– Você não notou mesmo? – disse, franzindo o cenho.
– Não... Você sabe, eu estava bêbado, não me lembro de muito. Mas você era?
– Era! – eu disse um pouco ofendida. Ele ficou em silencio por um momento.
– Isso muda as coisas. Doeu? A primeira vez geralmente dói.
– Não quero falar sobre isso. – eu disse, cruzando os braços. No mesmo momento Kyla e Forrest estavam em uma pura discutição, e parecia que Forrest estava prestes a socar alguma coisa. Elijah, apaguisador como sempre, pôs uma mão no ombro de Forrest e pediu para que ele se retirasse. Forrest fuzilou Kyla com os olhos e saiu, indo em direção ao palácio.
– Parece que eles estão com problemas. – Damien sussurrou. Virei-me para ele, o fuzilando.
– Pelo menos ele se importa. – joguei o guardanapo em cima do prato e sai da mesa, seguindo Forrest.
Babaca! Eu só queria que fosse um momento romântico, que nós dois lembraríamos, mas ele tem a cara de pau de me dizer que não se lembra? Que não se lembra de uma noite que eu sempre estive ansiosa para ter. Quer dizer que ele também não se lembra das promessas que me fez ontem à noite? Totalmente uma relação de amor e ódio, mas até agora, mais ódio.
Os guardas abriram passagem para Forrest e logo para mim. Quando chegamos lá dentro Forrest deu um soco na parede, e sua mão começou a sangrar.
– É melhor você parar... – murmurei. Forrest olhou para mim como se eu fosse uma assombração.
– O que você faz aqui? – ele disse como se fosse uma acusação.
– Também não estou em um mar de rosas.
– O que aconteceu? – ele quis saber. Sacudi a cabeça.
– Não é importante. – é extremamente importante.
– Entendo. Bom, levando em consideração que Kyla foi conversar com você hoje eu acho que você já está a par da situação. – Forrest disse em deboche. Estreitei os olhos.
– Você não pode culpá-la. E se ela fosse ou não virgem você não se casou com ela por isso, pois isso não tinha na fixa de inscrição dela! Puxa vocês são tão felizes juntos, e vão brigar por um motivo tão besta como esse?
– Talvez você tenha razão, mas isso não muda o fato de que ela mentiu.
– Isso é um assunto delicado Forrest, e você têm que pensar com calma antes que faça algo de que se arrependa. – eu disse, me sentando na cadeira próxima as escadas. Forrest colocou as mãos no bolso do casaco.
– Você também, Damien gosta muito de você.
– Talvez. – eu disse e me levantei. Fui até Forrest e dei um beijo seco em sua bochecha e então corri para as escadas. Quando cheguei ao andar das noivas fui barrada por dois guardas.
– Minha princesa, você deve se retirar daqui agora. Estamos mudando as suas coisas para o seu novo quarto. – disse um oficial como de costume muito loiro e de olhos extremamente verdes.
– Novo quarto? – eu franzi o cenho. Ele assentiu.
– Você irá dividir um novo quarto com o seu marido. O seu é muito pequeno para couber todas as coisas do príncipe. – outro oficial igualzinho ao outro disse. Assenti com a cabeça. Queria dormir então me dirigi para o corredor dos príncipes.
O corredor estava tranqüilo e sossegado, algumas camareiras estavam lá arrumando o quarto. Entrei no quarto de Damien e suspirei de alivio ao ver que já estava arrumado. Andei até a cama e me atirei em cima dela, me sentindo leve.
Pensei em Kyla e Forrest naquele momento, e fiquei frustrada. Olhei em volta da cama, tentando achar a tal da manchinha vermelha, mas não a encontrei, percebendo que a roupa de cama fora trocada. Franzi o cenho. Abri a porta e corri em meio ao corredor.
– O que aconteceu com meus lençóis? – perguntei para a camareira que limpava o quarto de Elijah. Ela fez uma reverencia para mim.
– Seus lençóis serão levados para a rainha para provar a sua virtude. – a camareira disse e depois pediu licença, fazendo outra reverencia quando voltou para o quarto de Elijah. Olhei para o quarto de Forrest, que parecia estar intacto desde que fora usado mais cedo. Isso queria dizer que as camareiras ainda não tinham ido recolher “as provas”.
Corri para o quarto de Damien e fechei a porta atrás de mim. Fui até o banheiro e procurei alguma lamina, qualquer que fosse. Acabei me contentando com a lâmina de barbear de Damien então voltei para o corredor.
Caminhei sem chamar muita atenção até o quarto de Forrest, aproveitando as risadinhas altas das camareiras para abrir e fechar a porta do quarto. O quarto estava bem bagunçado, e até havia algumas garrafas de vinho no chão, sem duvida uma noite bem agitada. O quarto não era muito diferente do de Damien, talvez com menos móveis. Fui até a enorme cama, que estava toda bagunçada, e o edredom estava jogado ao lado da cama. Peguei o edredom e o coloquei sobre a cama, então peguei a lamina e fiz uma pequena ruga na palma da minha mão.
1... 2... 3... Já! Cravei a lamina na palma da minha mão e fiz uma careta de dor, tentando reprimir o impulso de gritar de dor. Deixei as gotas de sangue cair no edredom e quando estava bom o suficiente dei umas batidinhas em cima, para que ficasse com um aspecto de “sangue pisado”. Joguei o edredom no chão novamente, de modo que o sangue ficasse para cima.
Caminhei até a porta novamente, com a mão toda ensangüentada apertada fortemente ao meu peito. Fechei a porta e corri de volto ao quarto de Damien. Olhei para o corte, estava feio. Fui até o banhei e liguei a torneira da pia e logo coloquei a mão em baixo, dando um gritinho de dor, a ardência do machucado era horrível.
Ouvi a porta do quarto bater e logo alguém estava batendo a porta do banheiro.
– Lauren, é você? – Damien disse do outro lado da porta.
– Oi, só um minuto.
– Eu posso entrar? Tropecei no caminho e ralei o tornozelo. – ele disse com a voz meio cortada, devia estar sentindo dor. Achei estranho mas não poderia recusar. Ainda estava com a mão em baixo d’água e o corte ainda sangrava, provavelmente eu havia cortado muito fundo.
– Está bem, pode entrar. – eu disse. Damien entrou no banheiro e arregalou os olhos ao ver a pia – antes branca – tingida de sangue.
– Pelos céus, Lauren, o que aconteceu? – ele disse, abrindo um pequeno armário ao lado do espelho. Retirou uma caixinha branca de primeiro socorros.
– Eu estava procurando uma coisa em suas gavetas então sem querer eu me cortei com a sua lamina. – murmurei. Ele fechou a pia e pegou delicadamente minha mão ferida.
– Me deixe dar uma olhada. – examinou cuidadosamente minha mão e franziu o cenho – Lauren, este corte está muito profundo, nunca ira parar de sangrar enquanto você não levar um ponto nisso! — Damien disse com seus olhos cor do céu aflitos. Fiz uma cara de deboche. Kyla você me paga!
Damien me levou para a área hospitalar que ficava no andar subsolo do Palácio. Em minha opinião, aquilo estava mais para um hospital. Damien me levou para uma sala branca e estéril, com uma placa escrita “ferimentos nível 2”. Me sentei na primeira maca ali dentro e logo fui atendida por um enfermeira de pele muito escura e de cabelo afro. Provavelmente do Centro.
– Então o que temos aqui, Vossa Alteza? – a enfermeira falou com seu sotaque centrista romântico. Damien passou a mão nos cabelos.
– Ela disse que se cortou com uma lamina enquanto procurava alguma coisa na gaveta. – ele disse. A enfermeira sorriu e então pegou minha mão, pedindo licença.
– Eu vejo, está bem profundo esse corte. Vou precisar dar um ponto nisso daqui – ela notou minha cara de espanto e então esfregou a mão em meu ombro – relaxe, na mão não dói nada!
E não doeu mesmo, ou quase não doeu. Segurei na mão de Damien o tempo todo, e me lembrei sobre o seu tornozelo.
– Damien, acho melhor você ver o seu tornozelo, pode ter machucado.
– Sim querida. Vou dar uma olhada nele assim que ela acabar com você. – Damien disse, me fazendo corar com o “querida”. Agora estávamos em amor.
– Pronto! – a enfermeira disse com entusiasmo. Dei uma olhada na minha mão, que agora estava atada a uma atadura, ainda doía um pouco.
– Tome esses analgésicos se sentir dor. – me passou um frasco (o mesmo frasco dos soníferos) e se virou para Damien – E, por favor, me espere na ala de ferimentos nível 1, já estou indo para lá. – a enfermeira disse e Damien assentiu e logo se retirou da sala. A enfermeira olhou para mim, meio assustada.
– Minha princesa, eu sei o que você fez, e sim, acho muito bom o que você fez por sua amiga, mas não repta isso novamente. Não faça alguma coisa do tipo nunca mais, se alguém um dia a pegar fazendo tal coisa pode gerar muitos problemas para você! – ela disse. Olhei para as minhas mãos.
– Como você sabe que fui eu?
– Porque os lençóis são trazidos para cá, a fim de analisarmos se o DNA bate com o de vocês. E você tem sorte por hoje ter sido o meu turno, eu a livrei disso. Agora se me der licença, preciso cuidar do seu marido. – ela disse e saiu, me deixando sozinha.
Então tomarei mais cuidado da próxima vez, pensei.
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