Com a minha chegada no corpo de Melanie, pude ver o medo e a repulsa pelo desconhecido nos olhos de cada pessoa que nas cavernas também estavam. Jeb deixou bem claras suas ordens, mas eu sabia muito bem que muitos não gostariam de acatá-las totalmente e que eu não estava totalmente segura.

Houve um olhar, no meio de tantos que me chamou a atenção, o olhar de um homem louro, de olhos verdes, alto e com uma fisionomia familiar. Sim era ele, Jared estava diante de mim. Pude sentir o amor de Melanie por minhas veias e pude sentir que não era apenas ela que estava feliz em vê-lo.

-Jared! Jared! As palavras foram de Melanie, comecei a andar em sua direção, involuntariamente, mas ele veio ao meu encontro, com uma expressão de nojo e ódio, penso que Melanie provavelmente não percebeu como ele estava ao ver o corpo da amada sendo conduzido por uma alma. Ele me deu um soco. Eu estava fraca, com fome, com sede, aquele soco foi demais para mim, findei por desmaiar.

-Ora Jared, vá com calma.

-Com calma? Você trás o corpo dela, com um parasita e ainda me pede calma?

-É a minha sobrinha Jared, eu não poderia deixá-la morrer.

-Se você se preocupa tanto, deveria tê-la deixado morrer, ninguém tem como definir como deve ser horrível ficar preso na sua própria mente.

-Creio que nem você que está acostumado a tomar decisões difíceis, seria capaz de fazer tal atitude.

-Você não pode afirmar isso.

-Jared, precisa aceitar, eu não vou matar a minha sobrinha.

-Não é mais a sua sobrinha.

E Jared saiu de perto de Jeb e se postou ao meu lado. Olhou para mim com jeito de nojo. Pude ver ele se aproximando por que fiquei oscilando entre acordar e desmaiar. Ele me pegou no colo e me carregou, para onde eu não sei, por que acabei desmaiando novamente. Acordei em um ambiente que poderia se chamar de "quarto". Fui capaz de ver alguém do de fora. No entanto não consegui identificar quem era.

-Acordou parasita?

-Quem...?

-Não importa.

-Jared...? Perguntamos eu e Melanie.

-Não ouse falar o meu nome sua alma nojenta. Você não é ela e não é ninguém para mim.

Aquelas palavras me magoaram e muito.

-Agora coma. Ele me passou uma bandeja de comida.

Apenas não olhei em seus olhos e assenti com a cabeça.

-Jared!

A voz de Kyle foi inconfundível.

-Não saia daqui. Falou Jared indo para o lado de fora da caverna.

-O que você quer Kyle?

-Você sabe tanto quanto eu que essa coisa deve morrer.

-As ordens de Jeb são claras e concretas.

-Se fizermos juntos, conseguiremos nos livras do corpo, tão facilmente que o Jeb nunca descobrirá.

-Kyle já chega, vá embora e leve seus cachorrinhos. Falou olhando para Aaron, Brandt e Ian.

-Não! Viemos para matar a ameaça.

-Não tem ameaça, vá embora antes que a coisa piore para você.

-Cai na real irmão, você está em desvantagem, somos quatro então...

E foi quando ouvi o som de alguém ter levado um soco.

-Não! Jared! Sai do “quarto”

-Vá para dentro! Jared tinha sangue na mão e Kyle o nariz sangrando.

-Seu filho de uma...argh peguem ele!

-Não!

Gritei incapaz de conter a mim e conter a Melanie.

-Por favor é a mim que você quer e não ele, pode me levar se quiser.

-Desgraçada! Kyle deu-me um soco no rosto.

“Oh meu Deus Wanderer! Você tem que lutar!”

“Não consigo Melanie...não é da minha natureza”

-Fique longe dela! Gritou Jared, pulando em cima de kyle, no entanto Aaron o conteve dando um soco em seu estomago, enquanto Brandt o segurava.

-Ian rápido mate-a!

Ian o rapaz um pouco mais novo que Kyle, que eu nem havia notado a presença, estava agora tentando me matar. Louro de olhos verdes, um corpo bem delineado, nossa...mas não era hora de me deixar levar pelos devaneios da carne, principalmente pelo homem que estava me sufocando. Olhei bem em seus olhos, sem poder conter as lágrimas.

“Wanderer, bate nele, lute!”

“Estou sem forças, ele é mais forte...”

“Pelo nosso filho!”

De imediato, lancei minhas unhas em seu rosto, causando a ele vários arranhões, chutei suas partes íntimas, fazendo com que ele se curvar-se de dor, no entanto isso foi momentâneo, ele logo apertou mais e mais meu pescoço, me fazendo começar a agonizar por falta do ar, as lágrimas não paravam de escorrer, até que eu por fim lhe disse:

-Por...favor...

Ele me olhou bem nos olhos, dando então uma brecha em sua determinação, em seu olhar pude ver dor, arrependimento e uma tremenda confusão de o que fazer. Suas mãos começaram a afrouxar o meu pescoço e foi quando ouvimos um tiro que perdemos nossa conexão.

-Parece que está havendo uma festa em minha própria casa e nem mesmo eu sabia.

-Ainda dá tempo de participar, basta querer. Falou Kyle.

-Mas o que é isso? Não precisa se incomodar, por que isso tudo acaba agora! Gritou Jeb com indignação.

-Jeb...

-Calado! Ou vou dar um tiro em você de tanta raiva que estou sentindo. Desobedeceram minhas ordens e isso me chateia! Vocês dois Aaron e Brandt soltem o Jared agora, imediatamente, ou também levaram um tiro!

Jeb então olhou para mim e viu meu rosto e meu pescoço, ambos machucados. Olhou que Ian era o mais próximo de mim e juntou alguns pontos.

-Ian, até mesmo você?

Ian baixou o olhar, como uma criança que estava levando uma bronca e que sabia que estava errada.

-Oh minha criança, veja só você, toda machucada por culpa desses idiotas.

-Tudo bem...

-Não diga que está bem, esses animais acabaram com você.

-Jeb, pode deixar comigo. Falou Jared.

-Dá para ver que você não dá conta. Jeb então, percebeu o quão fraca eu estava e resolveu me carregar. Comecei a sentir enjoo enquanto ele me carregava.

-Por favor me coloque no chão...

-O que foi querida?

-Por favor.

Quando desci de seus braços me curvei e vomitei.

-Está doente? Falou Jeb, com um ar de preocupação.

-Não...

“Diga a ele, diga!”

“Quieta!”

-Tem certeza?

-Tenho, só preciso descansar um pouco...

-Então venha querida. Novamente fui para seus braços. E findei adormecendo.

Quando acordei, estava de volta ao meu “quarto”.

-Bem vinda de volta. Falou Jeb.

“Wanderer, é o tio Jeb, ele apenas está sendo gentil, se você não responde-lo ele ficará chateado”.

-Obrigada.

-Trouxe um chá para você se sentir melhor.

-Não é preciso...

-Sim é necessário, agora como uma boa menina, você deve tomar o chá.

“E se estiver envenenado?”

“Tio Jeb, jamais faria algo para machucar uma pessoa boa”.

“Como pode saber?”.

“Apenas sei, pode tomar”.

-Querida...?

-Sim?

-Me pareceu até que você estava falando com alguém.

Não falei nada.

-Bem, tome o chá e se sentirá melhor.

-Obrigada.

Tio Jeb saiu do meu “quarto” com a expressão pensativa e confusa. O que será que ele estava pensando?