A Segunda Revolução
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Acordo. Enfim farei meu teste de aptidão, e saberei a qual facção pertenço. Sinto-me estranho, algo incomum: e se a facção a qual eu devo pertencer, não é a facção a qual quero pertencer? E se eu me tornar um sem-facção? Não posso deixar isso acontecer. Estou decidido, estou preparado.
Segundo algumas regras do nosso governo, não podemos nos preparar para nossos testes de aptidão, então, como todos a minha volta, não sei o que esperar. A única coisa que eu sei, por ter lido alguns livros, é que o teste é um tipo de simulação.
Chegamos no colégio de vidro, um grande prédio com várias luzes o cercando, feito de vidros, onde as pessoas de fora podem ver tudo, exceto os banheiros. O governo o construiu assim pois acha que se muitas pessoas nos observarem, não faremos gracinhas. Mas ele erraram, eu as faço o tempo todo.
Sento e logo em seguida escuto meu nome:
– Irwin South
Meu sangue gela, não me importo em escutar o nome dos outros. E parece que os outros também não. Todos olham para mim enquanto vou para o teste. Não sei o porque, se é pelo sobrenome um tanto incomum, se é pelo jeito com que vou até lá, ou se é pela minha aparência física, Minha mãe sempre disse que chamo a atenção por onde vou. Os membros da franqueza não costumam mentir. Acho que ela tem razão, um garoto loiro, com os olhos azuis, o cabelo bagunçado, e a roupa preta e branca bagunçada devem chamar a atenção.
Prossigo para a salas e entro, um membro da Abnegação me recebe:
–Sente-se Irwin. Então, está nervoso?
–Não, na verdade esse teste não tem muita importância para mim
–Não é?! Pois pra muitos garotos da sua idade tem... Gosta de alguma facção em especial?
–Gosto do modo de vida da Abnegação, se entregando aos outros, tentando sempre fazer o melhor ao próximo
–É realmente uma causa muito nobre... Mas vamos começar
Mal reparei, ela foi muito rápida, todos os dispositivos já estavam prontos:
–Você pode sentir um pouco de mal estar assim que entrar na simulação, caso isso ocorra, não se mova e a simulação será pausada para sua recuperação
–Tudo bem, obrigado.
Sinto uma forte sensação de ser puxado. Me vejo em um lugar, uma porta gigante, com 4 metros de altura e uns 2 de largura. Vejo uma mesa ao meu lado, um machado e uma chave.
–Escolha um objeto
Paro e penso “que é isso?”.
–Escolha um objeto
–Não vou escolher!
–ESCOLHA LOGO – grita a voz
Paro e me deito no chão
–Odeio quando temos teimosos com você, mas tudo bem
A mesa some e ouço patas, muitas patas. Vejo ao longe: touros enfurecidos vindo em minha direção. Dou a volta na porta, espero eles se aproximarem um pouco e começo a empurrar a porta. Ela balança. Empurro com mais força e ela começa a cair, como em câmera lenta. De repente, escuto um grito. Uma menina, olho para frente da porta, tem uma garota parada lá, a porta vai cair em cima dela, junto com os touros. Não posso deixa-la morrer.
Corro para frente da porta, e antes que ela caia na garotinha, a jogo para longe e sustento a porta em meu corpo. Os touros vem em minha direção e me atropelam. Estou em outra situação. Um velho sentado em um ônibus, não consigo ver seu rosto, pois o jornal está na frente dele. Ele aponta uma notícia na capa e me pergunta:
–Você conhece este homem?
Estranho... Que tipo de desafio é esse?
–Por favor, diga que conhece este homem! É o único jeito de me salvar, diga!
Eu tenho a sensação de conhecer o rosto na capa, mas não posso, sei que algo de ruim vai acontecer a mim se eu disser que sim. Sei que ele vai me fazer algo de muito mal. Não posso, não devo...
–Não, eu não conheço esse homem
–Certeza?! Garoto, não minta pra mim
–Nunca o vi na minha vida...
A simulação acaba, vejo uma cara de preocupação em que aplicou o teste em mim:
–Temo... temo que seus resultados sejam inconclusivos Irwin. Você é um Divergente.
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