A Second Chance

1 Don't Fall Asleep


Notas iniciais
Primeiro capítulo da fic yay ~
Não quero falar muito sobre a fic, pois quero que tirem suas próprias conclusões >w< Talvez um pouco confuso no início, mas logo, logo, espero que tudo fique mais claro owo
Bem, é só isso que eu queria dizer :>
Boa leitura ~

Pensei que já tivesse sentido dor antes, mas nada se comparava a o que eu sentia naquele momento. Depois de ficar 21 dias no hospital, 7 desacordada e 14 me recuperando, estava finalmente de volta a minha casa, no entanto ela estava vazia. Minha casa nunca foi um ambiente barulhento, mas aquele silêncio era completamente estranho para mim. De alguma forma o ar estava diferente, nem mesmo a casa parecia a mesma.

Olhei para o porta retrato e lá estava eu e meus pais, aquele objeto nunca me fez diferença alguma, mas agora me fazia sentir dor apenas por estar ali, naquela casa que deveria me pertencer. Todos os objetos espalhados naquele lugar me faziam lembrar de algo no passado, memórias não paravam de passar por minha cabeça, todas me sufocavam e deixavam-me ainda mais incomodada com aquele espaço.

Subi as escadas com pressa, na tentativa de encontrar algum cômodo que não continha nenhuma memória e meu quarto parecia ser meu único abrigo. Meus pais não entravam constantemente ali, afinal sempre deixei claro que não gostava quando entravam ou quando mexiam em algo. Soa bem egoísta...

Abri a porta lentamente evitando fazer qualquer barulho. Sei que meus tios haviam entrado ali para buscar roupas para mim, mas aparentemente estava intacto. Algumas memórias atravessaram minha mente, não eram muitas, eram toleráveis. Ao mesmo tempo que senti certo alivio, senti mais um aperto no coração. Aquele quarto não tinha tantas memórias quanto os outros locais da casa e talvez por esse fato eu sinta uma dor diferente... Eu não sei mais como realmente evitar essas dores...

Dei um passo à frente e olhei para mesa de estudos. Cadernos, livros, canetas, estojo, estavam todos ali. Andei em direção à mesa sem a menor ideia do que fazia. Ao tocar a mesa com a ponta dos dedos senti um frio percorrer meu corpo.

“Minha anima...”

Ouvi algo... Uma voz... Não, não era possível, não havia ninguém em casa. Eu estava realmente cansada, não é mesmo? Mas aquela voz era tão familiar...

Olhei para trás a fim de tirar minhas próprias dúvidas e como eu pensava não havia ninguém ali. Toquei mais uma vez a mesa, mas dessa vez nada de incomum aconteceu. Eu realmente estava imaginando coisas.

Deslizei minha mão pela mesa sentindo um pouco de pó sujar meus dedos. Algo estava diferente... Minha atenção parou sobre a gaveta um pouco aberta. Ao tocar a gaveta senti um choque em meus dedos, havia algo fora do normal. Abri com certo receio e ali encontrei algo que agora fazia toda dor que senti antes parecer apenas um pequeno corte...

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, era quente e ao mesmo tempo carregada de arrependimentos. Meu olho começava a arder, estava prestes a colocar para fora tudo que eu desejava guardar dentro de mim mesma.

Com a mão direita peguei o pano macio branco com listras cor de vinho e coloquei próximo ao meu rosto, seu cheiro ainda estava impregnado no pano. Meus olhos que antes já ameaçavam derramar litros de lágrimas começam a chorar...

-D-desculpe... – falei o mais baixo possível comigo mesma.

Todos os acontecimentos de 21 dias atrás passavam como um filme detalhado. Todas as palavras rudes que disse a aquele que sempre fora gentil comigo pareciam marteladas no meu estômago. E pensar que aquelas palavras fossem as últimas que eu diria a ele...

“Anima... Desista de sua vida humana e aceite-me...”

Ouvi a voz mais uma vez, soava como uma tentação... Desistir... Parecia algo tão simples, tão fácil...

-O que há de errado comigo? – perguntei a mim mesma.

Eu continuava a ouvir aquela voz. Talvez eu estivesse ouvindo coisas que já ouvi antes ou simplesmente estava entrando em algum tipo de depressão, não sei dizer ao certo, mas aquela voz parecia pertencer a alguém próximo...

O pano branco e vinho era nada mais e nada menos que um cachecol. Ele me emprestou há algumas semanas atrás e eu ainda não o devolvi, infelizmente não poderei devolvê-lo. Coloquei envolta do pescoço e olhei para meu reflexo no espelho, ele não combinava comigo...

“Minha anima, você finalmente realizou o pacto...”

Mais uma vez pude ouvir a voz e como se fosse por sua causa senti minhas pálpebras pesarem. Eu não estava com sono até aquele momento e aquela voz que antes parecia uma alucinação tornava-se ainda mais real.

As janelas e a porta fecharam-se com força deixando o quarto completamente escuro. Senti medo e um pouco de desespero... Aquilo não estava acontecendo... Não podia ser real...

“Adormeça.”

A voz que antes era fraca soou autoritária.

Corri até a porta e tentei virar a maçaneta como se minha vida dependesse disso, mas era impossível, ela não se movia de jeito algum.

Atrás de mim, ouvi um som completamente diferente de tudo que havia escutado antes. Hesitantemente virei minha cabeça para olhar a figura que se formava em meu quarto. Parecia ser um humano, mas estava tão escuro que eu não tinha certeza, a única coisa que eu podia reconhecer eram seus olhos. Eles brilhavam na escuridão, tingidos de amarelo. A figura aproximava-se de mim e logo estava bem a minha frente, mas eu tinha medo de olhar em seus olhos.

-Sabe por que humanos têm medo da escuridão? – disse em tom divertido próximo a meu ouvido esquerdo.

Ao ouvir a voz tão próxima a meu ouvido, finalmente percebi quem era o dono dela.

-Noah...?

Ouvi um riso baixo por sua parte.

-Surpresa?

-Como é que...

Por alguma razão não me aguentava mais em pé. Estava sentindo sono demais para fazer qualquer coisa. Ele estava tão próximo, a voz e o cheiro eram os mesmos, mas eu não conseguia ver seu rosto, afinal meus olhos haviam se fechado, mas eu tinha certeza de que aquele que estava naquele quarto escuro comigo naquele momento era ele: Noah. Aquele que deveria ter deixado aquele mundo por causa de meu egoísmo.

-Durma bem, Alyssa... – disse de maneira gentil.

Ouvi sua voz pela última vez antes de cair num sono profundo.

Notas finais
Comentários, sugestões, críticas, fiquem à vontade owo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.