Notas iniciais
Essa é minha primeira fic em muito tempo. Espero que gostem :)

Na pequena cidade de Little Wings, no sul do Alabama, o sol brilha forte. O céu tem uma coloração azul intensa e não se vê uma nuvem. Podem olhar a oeste, leste e sul, andar durante horas a fio para encontrar uma nuvem. Mas a chuva vem sem nuvens. E sem aviso.

É um domingo de manhã. As ruas estão desertas. Há pouca movimentação dentro das casas, que não são muitas. As lojas estão fechadas, exceto pelo armazém municipal e por uma pequena livraria, a única num raio de trezentos quilômetros. Somente o som dos sinos da igreja quebra o silêncio quase sepulcral que existe neste lugar.

A luz passa por entre os vitrais coloridos do prédio clerical, uma construção simples de madeira escura, mas com uma beleza notável. A única porta está aberta, acolhendo aqueles que por ela passam com suas roupas simples. Se acomodando nos bancos de madeira, o povo de Little Wings olha para o púlpito com ansiedade, esperando o Padre Martin Brown e seu sermão. O pouco ruído que se formou na entrada agora já não existe, e foi novamente substituído pelo silêncio. Um silêncio absoluto.

Depois de quinze minutos exatos ainda estão todos sentados, exceto por Tom Rutherson, maior produtor de trigo do condado. Ele olha exasperado para o relógio em seu pulso, como se estivesse atrasado para algo importante. Sua esposa ainda está sentada, ao lado de seus dois filhos, um leque em sua mão espantando o calor de 98,8° Fahrenheit.

Mais dois minutos, e um pequeno burburinho quebra o tão sagrado silêncio. Todos na Igreja conversam com seu vizinho de banco, não fofocas como é costume em alguns lugares, mas se perguntam onde estará o Padre Martin, o tão pontual clérigo de Little Wings. A esta altura, Tom Rutherson está à porta, abrindo-a de forma descuidada e ligeira. Ninguém presta atenção nele, exceto talvez o pequeno Jorge W. Grayar, filho do prefeito Luccas Grayar. Assim que a porta se abre, a luz penetra o ambiente, clareando e cegando por alguns segundos os fiéis que ali estão. Todos se viram em direção a Tom, que anda apressado para fora, antes de sumir por uma esquina. Poucos batimentos depois, um som se espalha pela cidade: como fruto de um violão mal afinado, o som é desagradável aos ouvidos de todos.

Os fiéis saem apressados do prédio, os chapéus das senhoras voando de suas cabeças. O som se intensifica, vindo de algum lugar do abundante azul do céu sem nuvens. Todos erguem suas cabeças para o alto, procurando por algo inexistente, mas que causa incômodo. E então, lá no alto, surge um pequeno ponto, quase invisível, mas que vai ficando maior, e maior. Ele está descendo, e conforme desce sua forma fica mais definida: um balão usado por meteorologistas para medira quantidade de chuva em certa região.

Antes que alguém possa tecer um comentário sobre a aparência do objeto, o som começa a ficar cada vez mais forte, e agora, no meio do som, um sussurro se projeta timidamente, indecifrável. Menos de duas respirações e um último som é seguido por um estrondo: gotas escarlates saem de algum lugar do balão.

Gritando, as pessoas tentam proteger as crianças de serem atingidas, embora elas falhem miseravelmente. Todos estão encharcados de sangue, o cheiro de morte pairando no ar. Um grito vindo do balão e um estouro. O corpo nu e sem vida de Martin Brown cai no chão com um estrondo. Seu pescoço está cortado.

Em seu peito, costurado com fios de cobre, letras e números sem qualquer significado aparente.

“D E T 2 8 2 4”

Notas finais
E aí,o que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.