A Sangue Frio
3 Análise da Cena do Crime
Notas iniciais
Depois da saída de Grissom da cena do crime, Sara calçou as luvas e pôs-se a examinar a cena do crime. A primeira coisa que lhe chamara a atenção foi um livro na mesinha de cabeceira, ao lado da cama da vítima. Colocou o marcador, fotografou e pegou-o para vê-lo mais atentamente.
— Um Estudo em Vermelho de Arthur Conan Doyle – ela leu o título em voz alta para si – Bem apropriado um livro de mistério em uma cena de crime. Esse caso seria realmente digno de Sherlock Holmes. Guardou o livro na embalagem de evidências.
Ao lado do livro havia um cinzeiro sujo, mas não havia bitucas de cigarro. O assassino fora esperto. Novamente usou o marcador de evidência, fotografou e guardou-o no local apropriado.
Dirigiu-se para a porta do quarto. Analisou-a bem. Não havia sido forçada. Realizou os procedimentos necessários. Ao lado da porta estava um armário com uma das gavetas aberta e todo seu conteúdo jogado no chão. Marcou e fotografou. Sob uma análise ocular parecia que não havia digital. Se faltava alguma coisa não sabia dizer. Só alguém que morava na casa ou algum amigo íntimo da vítima poderia dar-lhe essa informação. Outro aspecto chamou-lhe a atenção. A janela do quarto estava aberta. Quem em sã consciência deixaria a janela aberta numa época em que faz frio? Documentou mais essa evidência.
Guardou as evidências na maleta e saiu do quarto. Na enorme sala de estar, encontrou-se com os demais membros da equipe. Todos já haviam terminado suas averiguações.
— Já terminaram? – Sara inquiriu os companheiros.
— Terminamos – responderam em uníssono.
— Então vamos levar as evidências para o laboratório – sugeriu Sara.
— Onde está o Grissom? – indagou Greg, o qual não vira o supervisor sair.
— Ele já está no Departamento interrogando um suspeito. Nós o encontramos na cena do crime – redarguiu Sara.
Antes de saírem pediram ao mordomo que nada fosse movido de lugar ou limpo porque poderiam ter a necessidade de voltar à cena do crime e analisar novamente. Ele concordou.
Seguiram animados para o Laboratório. Ao chegar no Departamento, Sara interpelou à secretária Juddy, onde estava Grissom. A jovem e eficiente secretária informou-lhe que o supervisor se encontrava na sala de interrogatórios. Os outros peritos se dirigiram à sala de convivência, à espera de seu chefe para reportar as descobertas.
Sara saiu à procura de Grissom. Ao aproximar-se da porta da sala de interrogatório, pôde ouvir uma voz masculina, a mesma do homem da cena do crime, pedir a Grissom:
— Senhor Grissom, sei que o senhor ainda me considera um suspeito, no entanto, quero saber quem matou meu amigo. Gostaria que meus amigos e eu participássemos das investigações.
Grissom ponderou o pedido. Seria uma boa ideia? Bem, pelo menos poderia ficar de olho no legista arrogante.
_ Tudo bem. Vocês podem participar. Mas sob o meu comando. Vocês estão fora de sua jurisdição.
Todo o grupo assentiu. A batida na porta chamou a atenção de Grissom.
— Entre! – ele autorizou.
A porta foi aberta e Sara entrou.
— Com licença Grissom, o pessoal já está na sala de convivência à sua espera para relatar o que encontramos.
— Tudo bem Sara – ele respondeu lançando-lhe o típico meio sorriso e para o restante do grupo que estava na sala apenas disse – Vamos! Vejamos o que a cena do crime tem para nos contar.
A sala de convivência do Laboratório de Criminalística de Las Vegas nunca esteve tão cheia. Doze pessoas se se apertavam nos poucos assentos que ali havia. Os integrantes do laboratório de Las Vegas, olhavam intrigados para os visitantes. Quem seriam aquelas pessoas?
Grissom levantou-se e fez as apresentações. Um a um o supervisor disse o nome sem equivocar-se.
— Esta é a equipe do 11º Departamento de Polícia de Nova York. Eles nos auxiliarão na resolução desse caso.
Apresentou também seu time. Henry como bom cavalheiro, levantou-se e beijou o dorso da mão das belas mulheres do Departamento, revelando-lhes o quão encantado se sentia em conhecê-las, deixando certa pessoa enciumada.
— Muito bem, o que temos? – Grissom perguntou aos seus subordinados.
Quem primeiro falou foi Sara.
— No quarto da vítima encontrei um livro de Conan Doyle, um cinzeiro sujo, uma gaveta com o conteúdo todo espalhado e a janela do quarto aberta.
— Um livro do Conan Doyle?
— Sim. Por quê? – perguntou Sara com curiosidade.
— Esse era o autor preferido dele. Richard gostava tanto de mistérios que acabou sendo o protagonista de um – comentou Morgan tristemente.
Um alarme soou em sua mente. Algo que a perita morena falou lhe fez recordar um fato. Franziu o cenho recapitulando exatamente cada palavra ditas por Sara.
— Você disse que a gaveta aberta? – ele indagou, olhando para Sara.
Sara assentiu.
— Posso ver a foto? – ele inquiriu novamente.
Sara pegou a foto que estava no arquivo e mostrou-a. Após analisá-la Henry comentou:
— Como eu imaginava. Era neste lugar que Richard guardava uma enorme soma de dinheiro. Alguém a pegou.
— E porque ele guardaria uma fortuna na gaveta de um armário? – questionou Warrick – seria mais seguro em um banco.
— Seria mais seguro, no entanto Richard não confiava em bancos. Confiava apenas em si mesmo.
— Alguma digital? – interpelou Jo Martinez.
— Nenhuma – retrucou Sara.
— E quanto às portas? – indagou Grissom.
— Nenhuma porta externa foi forçada – respondeu Nick Stokes.
— Nem a do quarto – completou Sara.
— Isso corrobora com minha teoria inicial de que o assassino é alguém que conhece a vítima – comentou Henry Morgan.
— Você sabe que isso não o isenta da lista de suspeitos, não é? – formulou Grissom.
— Sei bem – ele respondeu a contragosto.
— Muito bem, se isso é tudo, é hora de falar com nossa ilustre visita: a vítima – arrematou Grissom.
— Eu vou com você! – solicitou Henry – Sou legista e quero saber de todos os detalhes.
— Eu também! – completou Lucas – sou assistente de legista.Também tenho que conhecer os detalhes.
— Quanto a nós, nos resta falar com os moradores da casa. Enquanto este homicídio não for resolvido, todos são suspeitos — comentou Catherine.
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