A Salvação de um Uchiha
25 Capítulo vinte e quatro
_ Você enganou a gente direitinho. — Observei Obito, enquanto ele olhava para o seu mestre sem entender exatamente o que estava acontecendo.
Madara queria ver seu discípulo, entender o porquê ele não seria revivido por ele, já que era esse o plano.
Não falei, apenas os deixei conversando por longas horas. Pensei que eles iriam lutar, mas nem mesmo isso aconteceu.
Foi uma conversa tão pacífica que nem mesmo compreendia exatamente o que estava acontecendo.
Até que ele se virou para mim e proferiu essas palavras.
Sim, enganei todos, principalmente ele.
Eu podia ressuscitar pessoas com a ajuda de Frosh... Recuperar aqueles que já se foram e dar uma nova chance, uma salvação para seus infortúnios.
Será que papai ficaria feliz de saber que posso trazer a mamãe de volta? Espero que sim, mas não sei se ele concordaria com minhas palavras.
Mas eu ainda não contei que a mulher que ele tanto amava, que tanto desejava ter... Estava do outro lado da porta, só esperando para ser reapresentada.
Acabar com uma guerra nunca foi tão fácil, era só trazer aquilo que eles mais desejavam.
Mas sei que sou uma intervenção do tempo e nenhum deles tinham a capacidade de voltar no tempo e transcrever a realidade sem ter consequências.
Porém, mesmo trazendo alguém a vida, com suas memórias, com a verdadeira idade que deveria ter, ou contando o que estava acontecendo.
Isso não faria a pessoa em questão amar a outra, não existia obrigação ou algo relacionado a isso.
Rin poderia até mesmo ir atrás de Kakashi e se declarar, ou acabar realmente gostando de Obito, ou nem mesmo isso.
Não dependia de mim, não poderia mudar os sentimentos alheios.
Mas Kaguya não iria surgir nessa realidade, no meu mundo, e Zetsu seria eliminado, por mim ou por outro.
_ Sim. — Sorri. _ Mas não acho que eu tenha feito algo de errado, ou você acha?
_ Eu não sei, apenas que você é apenas uma garotinha e está destruindo os nossos planos.
_ Planos esses que só existem em sua cabeça, ele não vai se concretizar como você quer.
_ O plano da lua, é...
_ Um plano, nada além disso e não irá ultrapassar isso, não irei deixar. — Levantei-me. _ Uchiha Obito, você não precisa mais concretizar o plano, você pode ter aquilo que sempre desejou.
Se não fosse pela máscara, poderia saber seus pensamentos apenas por suas feições.
_ Mas mesmo sendo concretizado, não garanto que ela irá te dar o amor que tanto anseia, isso eu não posso fazer. — Fui até a porta e lá estava ela, a mulher que praticamente fez a guerra acontecer.
_ Rin! — Levantou-se, indo até ela.
Não foi um grito.
Foi... um sussurro desesperado, daqueles que carregam anos.
Fiquei parada ao lado da porta, observando.
O tempo... parecia ter parado só para ele.
Rin não correu imediatamente.
Ela apenas ficou ali, parada, olhando para Obito como se estivesse tentando reconhecer algo muito distante... algo que já foi importante, mas que agora precisava ser reconstruído.
_ Obito...? — A voz dela saiu baixa, incerta.
Ele parou a poucos passos dela.
O corpo tremia.
Ele não estava vendo uma garotinha, e sim, uma mulher...
_ Eu... — Tentou falar, mas as palavras não vinham. _ Eu te trouxe de volta... eu... eu fiz tudo por você...
Mentira.
Ele não fez tudo por ela.
Ele fez tudo pela "ideia" dela.
E agora... a realidade estava bem na frente dele.
Rin deu mais um passo.
Lento.
Cauteloso.
_ Eu não lembro de tudo... — Confessou, levando a mão ao peito. _ Mas... eu sinto que você... sofreu muito.
Aquilo atingiu ele mais forte do que qualquer golpe.
Os ombros dele caíram.
Como se, pela primeira vez... o peso de tudo tivesse sido sentido de verdade.
_ Eu esperei... — Ele sussurrou. _ Esperei tanto...
O silêncio que se instalou não era apenas ausência de som; era algo denso, quase palpável, como se o próprio ar tivesse adquirido peso suficiente para pressionar meus pulmões a cada respiração.
Havia dor nele, uma dor silenciosa, arrastada, que não vinha de um ferimento visível, mas daquilo que não podia mais ser desfeito.
Era o tipo de silêncio que não acolhe, ele cobra. Ele lembra. Ele expõe.
Desviei o olhar, não por fraqueza, mas porque encarar aquilo por tempo demais significava aceitar tudo de uma vez só, e eu ainda não estava pronta para isso.
Porque, naquele instante, ficou claro de uma forma que não dava mais para negar: aquilo já não era mais sobre mim.
Não era sobre as escolhas que eu fiz, nem sobre os planos que tracei com tanta precisão, muito menos sobre a guerra que passei tanto tempo tentando evitar ou controlar.
Era sobre o que veio depois.
Sobre o que ficou.
Sobre tudo aquilo que ninguém consegue impedir depois que certas decisões são tomadas.
Consequências.
Sempre foram elas, desde o início, mesmo quando eu fingia que estava no controle.
Madara observava tudo em silêncio.
Pela primeira vez... sem interferir.
Sem manipular.
Sem controlar.
Apenas... vendo.
_ Então é isso que você fez... — Murmurou, mais para si do que para mim.
_ Eu dei escolhas.
Ele soltou um pequeno riso.
_ Escolhas... são mais perigosas do que qualquer guerra.
_ Exatamente.
Nos encaramos por um segundo.
E ele entendeu.
Deixei-os ali.
Porque aquela história... não precisava de mais ninguém.
───※ ·❆· ※───
A noite caiu de forma quase gentil, como se o mundo tivesse decidido, por algumas horas, poupar a todos de mais uma tragédia.
Havia uma quietude incomum no ar, uma sensação rara de estabilidade, como se, pela primeira vez em muito tempo, nada estivesse prestes a desmoronar.
Naruto e Sasuke dormiam, exaustos do treinamento e protegidos por uma paz que eles ainda não sabiam o quanto era frágil.
A respiração deles era tranquila, leve, e aquele som deveria ter sido suficiente para me acalmar.
Mas nunca é.
Nunca foi.
Saí sem fazer barulho e me sentei do lado de fora, permitindo que o frio da noite tocasse minha pele como uma tentativa falha de me ancorar no presente.
O vento passava devagar entre as árvores, carregando consigo o sussurro das folhas, como se a própria floresta observasse, esperando.
Inclinei levemente a cabeça para trás e fechei os olhos, buscando, por um instante, apenas existir naquele silêncio sem precisar pensar, sem precisar prever, sem precisar carregar o peso de tudo.
E foi exatamente nesse espaço de quase tranquilidade que aquilo aconteceu.
Não como um som, nem como um toque.
Mas como uma invasão.
Veio sem pedir permissão, atravessando minha mente com a familiar brutalidade de algo que eu nunca consegui controlar de verdade.
Não era uma lembrança, nem um pensamento, era mais profundo, mais cruel. Era o futuro se impondo sobre mim, ignorando qualquer tentativa de resistência, como se o tempo estivesse me obrigando a olhar, a sentir, a entender.
E, no instante em que começou...
Eu soube que não teria escolha a não ser ver até o fim
Não foi como antes.
Não foi fragmentado.
Foi claro.
Doloroso.
Inescapável.
Itachi.
Ele estava de pé no meio da floresta, exatamente onde tudo começou e, de alguma forma, nunca terminou de verdade.
O lugar era inconfundível, não importava quanto tempo passasse ou quantas realidades eu atravessasse, aquela clareira carregava algo que nem o tempo ousava apagar.
Foi ali que nos casamos, não com cerimônia grandiosa, mas com promessas sussurradas e olhares que diziam mais do que qualquer palavra poderia alcançar. Promessas que, em algum ponto, o mundo decidiu quebrar.
O chakra dele estava diferente.
Mais estável. Mais forte. Limpo.
Curado.
Aquilo, por si só, já deveria ter sido suficiente para me paralisar, para me fazer questionar, para me manter distante.
Mas não foi isso que me fez levantar. Não foi a recuperação dele, nem o fato de que eu mais uma vez interferi no curso natural das coisas.
Foi o olhar.
Mesmo de costas, eu conseguia sentir. Havia algo na forma como ele permanecia imóvel, como se estivesse preso entre o presente e algo que não conseguia nomear.
Ele não estava apenas ali... ele estava procurando. Não com os olhos, mas com algo mais profundo.
Como se uma parte dele se recusasse a aceitar a ausência. Como se, mesmo sem entender, ele soubesse que havia algo, alguém, que não deveria ter desaparecido.
Abri os olhos no mesmo instante, sem permitir que a dúvida criasse raízes. Não havia espaço para hesitação quando se tratava dele.
O espaço diante de mim cedeu como sempre fazia, dobrando-se à minha vontade, rasgando a realidade com a facilidade de quem já não pertence completamente a ela. O portal se formou em silêncio, distorcendo o ar ao redor como uma ferida aberta entre dois pontos do tempo.
E eu atravessei.
Do outro lado, o ar da floresta me envolveu imediatamente, frio e úmido, carregado com o peso de tudo que aquele lugar já testemunhou.
O cheiro da terra, das folhas, da madeira... tudo estava exatamente como eu lembrava, e ainda assim parecia mais denso, como se as memórias ali tivessem se acumulado ao longo dos anos, recusando-se a desaparecer.
Ele estava ali.
De costas.
Imóvel.
Mas não era uma imobilidade vazia.
Era tensão.
Era espera.
Era reconhecimento antes mesmo da confirmação.
Como se o corpo dele tivesse percebido algo que a mente ainda tentava negar.
Como se, no fundo... ele soubesse que eu estava ali.
_ Você sempre demorou para aparecer.
A voz dele...
Calma.
Baixa.
Mas... quebrada.
Dei um passo à frente.
_ E você sempre soube quando eu estava chegando.
Ele virou.
E por um segundo...
O mundo inteiro pareceu parar.
Os olhos dele se arregalaram.
Não em choque.
Mas em algo pior.
Esperança.
_ Eu... — Respirou fundo. _ Então não foi um sonho...
Engoli seco.
_ Não.
Ele deu um passo.
Depois outro.
Como se tivesse medo de que eu desaparecesse.
_ Eu pensei... que tinha morrido... — Murmurou. _ E que você... estava me esperando...
Meu peito apertou.
_ Ainda não.
Silêncio.
Pesado.
Carregado.
_ Você está... viva... — Disse, quase incrédulo.
_ Sempre estive.
Os olhos dele... mudaram.
A dor veio.
Forte.
_ Então por que...? — Travou. _ Por que você não voltou?
Fechei os olhos por um segundo.
_ Porque eu precisava terminar isso.
_ Sozinha? — Havia uma pontada de mágoa ali. _ Como sempre...
Aquilo... doeu.
Mas não desviei.
_ Não existe mais guerra, Itachi.
Ele ficou imóvel.
_ O quê?
_ Acabou. — Dei mais um passo. _ Ninguém mais precisa morrer. Ninguém mais precisa escolher lados.
A respiração dele falhou.
_ Isso... não é possível...
_ É.
Ele riu.
Fraco.
Descrente.
_ Você está dizendo... que tudo aquilo... — Passou a mão pelo rosto _ Foi em vão?
_ Não. — Respondi firme. _ Foi necessário. Mas não precisa continuar sendo.
Silêncio.
O vento passou entre nós.
_ Sasuke? — Perguntou, quase com medo da resposta.
_ Está vivo.
Os olhos dele fecharam.
E dessa vez... ele não segurou.
O ar saiu pesado dos pulmões.
Como se... finalmente pudesse respirar depois de anos.
_ Naruto?
_ Também.
Ele abriu os olhos de novo.
E então...
Algo quebrou.
De verdade.
_ Então... — A voz dele falhou. _ Eu posso parar?
Meu coração apertou.
_ Pode.
Ele ficou me olhando.
Longo.
Profundo.
Como se estivesse tentando memorizar cada detalhe.
_ Eu queria... — Começou, mas parou.
_ O quê?
Ele desviou o olhar por um segundo.
Raro.
_ Uma vida. — Disse baixo. _ Com você.
O silêncio que se seguiu... foi diferente.
Não era pesado.
Era... dolorosamente sincero.
Aproximei-me mais.
_ Ainda pode ter.
Ele me encarou de novo.
_ Depois de tudo isso?
_ Justamente por causa disso.
Estendi a mão.
_ Vem comigo.
Ele hesitou.
Não por medo.
Mas porque... aquilo parecia bom demais.
_ Para onde?
_ Para acabar com o que ainda resta.
Os olhos dele se estreitaram levemente.
_ Danzo.
Assenti.
_ A única ameaça que ainda existe.
Ele segurou minha mão, e dessa vez não houve hesitação, dúvida ou aquele espaço silencioso que costumava existir entre nós.
Os dedos dele se entrelaçaram aos meus com firmeza, como se estivesse se ancorando em algo que finalmente fazia sentido, como se, ao me tocar, ele tivesse encontrado uma resposta que nem sabia que procurava.
E eu não soltei. Não dessa vez. Não depois de tudo que fomos forçados a perder.
O espaço se abriu novamente diante de nós, obedecendo ao meu comando com aquela familiar distorção que rasgava a realidade sem fazer som algum.
O ar se curvou, a luz vacilou por um instante, e então já não estávamos mais na floresta.
Atravessamos.
O gabinete estava mergulhado em um silêncio denso, daqueles que carregam mais peso do que qualquer grito.
O cheiro de madeira antiga e pergaminhos preenchia o ambiente, e a luz suave que entrava pela janela parecia quase deslocada diante da presença que acabávamos de trazer para aquele lugar.
Hiruzen Sarutobi levantou o olhar lentamente, como alguém que já viu de tudo... mas ainda assim não estava preparado para aquilo.
Por um segundo, um único segundo que pareceu se estender além do tempo, ele não reagiu.
Não houve surpresa imediata, nem palavras, nem qualquer movimento brusco.
Apenas... observou.
Os olhos dele passaram por mim primeiro, analisando, absorvendo, como se tentasse entender o que eu havia feito dessa vez. Mas então, inevitavelmente, eles se moveram para o lado.
Para ele.
Para o homem que, até pouco tempo atrás, carregava o peso de uma vila inteira nas sombras, que deveria estar morto em todos os sentidos possíveis... e que agora estava ali, de pé, ao meu lado.
O ar no ambiente mudou.
Não de forma brusca, mas inevitável.
Como se a própria realidade estivesse tentando se ajustar ao que não deveria ser possível.
A mão de Itachi apertou a minha com um pouco mais de força, quase imperceptível, mas eu senti. Não era medo. Não era insegurança.
Era... decisão.
Inclinei levemente a cabeça, mantendo o olhar fixo no Hokage, sem desviar, sem suavizar o impacto daquilo que eu trazia.
_ Acabou. — Minha voz saiu calma, firme, mas carregada de algo muito maior do que aquelas poucas sílabas podiam conter. _ Não existe mais guerra. Não existe mais ameaça iminente. Não existe mais motivo para viver nas sombras.
O silêncio que se seguiu não era vazio.
Era pesado de compreensão.
De consequências.
De tudo que ainda precisava ser dito... e de tudo que já não podia mais ser desfeito.
_ Eu imaginei que isso aconteceria. — Falou cansado.
Soltei a mão de Itachi.
_ Então, por que ainda está aqui?
Dei um passo à frente.
_ Porque ainda existe uma ameaça.
Os olhos dele se estreitaram.
_ Quem?
_ Danzo Shimura.
O ar na sala mudou.
Instantaneamente.
_ Você tem provas? — A voz dele ficou mais firme.
Sorri de leve.
_ Sim.
E mais do que isso...
Tenho o passado inteiro.
_ Ele manipulou tudo. O massacre. Os experimentos. As decisões nas Sombras.
Itachi ficou ao meu lado.
Silencioso.
Mas presente.
_ E agora. — Continuei. _ Não existe mais motivo para manter isso escondido.
Sarutobi fechou os olhos por um momento.
Como se estivesse... cansado.
De tudo.
_ Então vamos acabar com isso de uma vez.
Olhei para Itachi.
E, pela primeira vez...
Não havia guerra entre nós.
Só... escolha.
E, talvez...
Um futuro.
_ Kagehime, princesa das sombras, e a melhor combatente. — Itachi ficou me olhando, enquanto me ajoelhava para meu mestre. _ Foi classificada como uma renegada, uma traidora por levar não apenas Sasuke, mas Naruto.
_ Hokage...
_ Mas, por ter feito tudo perfeitamente nas sombras como seu treino pede, revogo seus crimes e ordeno que mate Danzo. — Quase ri. _ E elimine qualquer ameaça que sobrar.
_ Sim, mestre. — Respirei fundo, aceitando minha última ordem, depois disso, viveria uma vida inteira de paz e não iria mais passar por isso.
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