Notas iniciais
Hey Little Kat's (só para vocês saberem o meu drama, até esqueci como se escrevia Little Kat's e tive que ir no meu perfil ver com era :v), desculpem-me pela demora desse capítulo. Motivos? Bloqueio de escritor e falta de criatividade. Me desculpem mesmo. Agora, aproveitem o capítulo!

Depois da morte de Taylor (eu havia finalmente descoberto o nome da filha de Afrodite), todos do acampamento ficaram agitados. Os campistas de Ares adentraram na floresta para tentar achar o manticore que tinha causado toda a confusão. Os filhos de Afrodite passaram o resto do dia no chalé, de luto pela morte da irmã. Como nenhum trabalho fora designado para mim, decidi ver como estavam Liza e Raphael.

Encontrei Liza saindo do chalé dela. Ela vestia uma roupa preta com sapatos pretos e uma bolsinha...bem, dá pra imaginar qual a cor dela. O clima dentro do chalé deve estar bem pesado...

—Ei. — me aproximei dela. Seus olhos azuis tinham um tom triste e melancólico. Liza tinha perdido duas irmãs desde o final da primeira missão; Tess, que foi morta por um touro mecânico na última batalha do acampamento e agora Taylor, pelo manticore. — Como você está?

—É, eu estou bem. — algumas lágrimas caíram e ela as enxugou com um lenço branco. — Obrigada por perguntar.

—Amigas servem para isso, não é? — Liza deu um sorriso e me abraçou.

—Ah, quero lhe dar uma coisa. — ela me soltou e abriu a bolsinha preta. Ela procurou e tirou de lá um colar com um pingente de lobo. — Toma, era da minha tia. Ela me deu quando eu fiz sete anos. Ela me disse que, durante uma parte difícil de sua vida, esse colar a ajudou de uma maneira que ela nunca conseguiu explicar. Sarah, talvez isso te ajude na missão.

Liza abriu a minha mão, colocou o colar sobre ela e a fechou.

—Liza, eu não...

—Sarah, talvez o que vocês irão enfrentar nessa missão seja difícil. — interrompeu-me. — Quero que você volte. Uma das únicas amigas que tenho é você. Depois da morte de Tess, é meio difícil eu falar com minhas irmãs. Tenho medo de alguma delas morrerem, assim como Taylor.

Ela abaixou a cabeça e enxugou mais algumas lágrimas antes de erguê-la novamente.

—Obrigada Liza. — agradeci. — Você viu o Raphael? Eu queria falar com ele.

Liza me examinou um pouco com os olhos antes de me responder.

—Eu acho que ele foi para o píer. Soube que ele vai para lá de vez em quando para pensar.

Agradeci mais uma vez a Liza, recebi mais uma examinada dela e sai.

Encontrei Raphael no píer conversando com Coryn.

—Você tem certeza de que é filho de Hefesto? — perguntou Raphael. Me escondi atrás de uma árvore próxima para ouvir a conversa. Eu era muito curiosa.

—Tenho Rapha! Uma bigorda apareceu em cima da minha cabeça. — respondeu Coryn. — O que eu faço agora?

—Calma cara, você só está nervoso. Que tal você ir até Quíron e conversar sobre isso com ele? Eu ainda estou meio triste por causa da morte da minha irmã. — ele era um bom mentiroso. Dei um sorrisinho com o pensamento.

—Ok. — Coryn deu um tapinha no ombro de Raphael e começou a sair do píer. Me escondi atrás da árvore para ele não me ver enquanto passava por ela. Suspirei aliviada por ele não ter me visto...

—Ótimo esconderijo, Sarah! — Coryn não me viu, mas Raphael sim. Meu coração acelerou e minhas mãos suaram de nervoso. Respirei fundo, fechei os olhos e me encostei na árvore tentando me acalmar. Quando abri os olhos, Raphael estava na minha frente com um sorriso no rosto.

—Se assustou, Sarah? — perguntou ele com uma risadinha.

—O que você acha?

—Bem, eu acho que você se desesperou porque ouviu a minha linda voz, o que é um sinal de que você gosta de mim.

Revirei os olhos e cruzei os braços.

—Raphael, eu não gosto de você. — Olhei bem nos olhos dele quando disse aquilo. E era totalmente verdade. Eu não sentia nada por ele.

—E eu já te superei. Já conversamos sobre isso. — era incrível como aquelas palavras não me convenciam.

—Tá, olha, eu vim aqui para ver como você estava. — falei.

Ele ergueu as sobrancelhas e reprimiu um sorriso.

—Desde quando você se importa com o meu estar?

—Desde quando a sua irmã morreu.

—Ela não é minha irmã.

—Não precisa ser do mesmo sobrenome. Os dois tem o sangue divino de Afrodite.

—Sempre inteligente não é, Sarah Grace?

Revirei os olhos e Raphael deu uma risadinha.

—Vou considerar que você está bem. — falei. — Acho melhor eu ir agora. Tenho que acertar algumas coisas com Katy sobre a missão...

—Vocês irão amanhã de manhã, não é? — perguntou ele.

—Sim. — respondi.

—Então nos vemos no jantar, Sarah.

De repente ele se inclinou e deu um beijo em minha bochecha. Fiquei abismada com o ato de carinho. Raphael, por fim, deu um sorriso ao ver a minha cara e se afastou.

Agora é oficial. Eu não gosto mesmo do Raphael.

Enquanto eu ia até o chalé 6 encontrar Katy, ouvi uma voz vindo da floresta.

"Venha"

Não tinha ninguém por perto e eu não conseguia distinguir se a voz era masculina ou feminina. Era como se ela estivesse me chamando...na verdade estava. E eu não conseguia aguentar. Olhei para os lados -não havia ninguém- e entrei na floresta, que por algum motivo desconhecido estava enevoada. Da última vez que estive ali não parecia ter tantas árvores mas ok.

Depois de um tempo andando na névoa fria, um brilho apareceu atrás de uma árvore. Pude ver uma silhueta humana sentada na grama. Peguei Graecus (minha espada de lâmina azul entregada pelas mãos de Héstia, deusa do lar, a pedido de meu pai Zeus, na minha última missão) e me aproximei um pouco da árvore em que a silhueta estava.

Respirei fundo e me preparei para enfrentar a pessoa atrás da árvore.

Quando vi quem era, fiquei surpresa.

Era uma senhora idosa com a perna ferida e ensanguentada. Ela choramingava baixinho com a cabeça nos joelhos. A velhinha ainda não tinha me visto. Fui rápida e coloquei Graecus -que se transformou de volta em caneta- no meu bolso.

—Senhora? — a chamei de um jeito delicado, me aproximando. Ela tinha longos cabelos brancos e usava um manto marrom. A senhora levantou a cabeça e me olhou. Suas íris verdes acinzentadas me fizeram estremecer.

—O-olá minha querida. — cumprimentou ela com a voz fraca e rouca. Ela olhou ao redor por alguns segundos antes de falar novamente. — Você a matou?

—Quem? — perguntei confusa. Eu não tinha visto ninguém enquanto estava vindo. Será que ela estava falando a verdade?

—Quem não. O quê! — corrigiu-me ela. — Aquela coisa que me atacou não era humana.

Aquilo só me deixou mais confusa ainda. Será que ela não sabia sobre os monstros, sobre o território onde estava, sobre o que a havia atacado?

—Como a senhora chegou aqui? — perguntei. Ela não era um monstro. Se fosse já teria me atacado e monstros não atravessam a fron...esquece. Acabei de lembrar do manticore...haha.

—Eu...eu não me lembro. — respondeu. — Só lembro daquele monstro me atacando.

—Ok. Venha, vamos tirar você daqui. — quando eu a coloquei no colo, quase cai com o seu peso. Pensei que ela seria mais leve.

Já carregaram uma velhinha desconhecida no colo, em meio a uma floresta, envolta pela neblina com medo de ser atacada por um monstro? Aconselho a vocês não fazerem isso.

Eu mal havia chegado havia chegado na metade do caminho quando ouvi um barulho. Parecia ser uma águia.

—Ela está vindo! É o monstro! — disse a velhinha.

Ela? O monstro é fêmea?

Me virei para olhar qual era a criatura.

Dissipando a névoa com as suas asas, estava uma criatura com bico e penas meio cinzentas. Parecia um enorme pombo, só que com uma estrutura mais humana; uma harpia.

Corri para atrás de uma árvore e coloquei a velhinha encostada nela. Peguei Graecus e sai para enfrentar a harpia. Bem, quase isso.

Corri para atrás de outra árvore, me protegendo do fogo que saia pelo bico da harpia. DESDE QUANDO HARPIAS SOLTAM FOGO PELO BICO!?

Eu não tinha nada para me defender do fogo. Minhas mãos tremiam enquanto eu segurava a espada. Eu estava nervosa. Nunca havia enfrentado uma harpia. Bom, agora está na hora de aprender.

Sem eu perceber, a harpia aparece do meu lado e fere o meu braço com as suas garras afiadas. A dor que eu senti não me afetou muito. Talvez eu devo ter me acostumado com a dor mais do que pretendia.

Mas eu não era o alvo da harpia.

Era a velhinha.

Em um movimento rápido, a harpia saiu do meu lado e voou até a velhinha, que se encolheu e abraçou a árvore em que eu deixei.

Tentei atacar a harpia mas ela deu um golpe em minha mão, fazendo-me soltar a espada e cair para trás. A harpia nem ligou para mim e se virou novamente para a velhinha.

Eu podia ter levantado e ido buscar Graecus, que estava à três árvores depois de mim, mas decidi me arriscar. Segurei bem firme na cauda da harpia e a puxei com força para mim. A harpia caiu em cima de mim e arranhou a minha bochecha esquerda. Não liguei para a dor e, sem nenhum outro plano, mordia a asa dela. Tinha gosto de galinha crua, sendo que eu nunca comi galinha cura.

—Sua cretina! — disse a harpia. A sua voz era fina e irritante, o que me fez dar um sorrisinho. Empurrei a harpia para uma árvore próxima e ela bateu com a cabeça no tronco com força. Levantei-me e peguei Graecus no lugar onde ela havia caído.

A harpia ainda não havia levantado. Fui até ela e acertei um golpe no seu pescoço. Mas quando eu a acertei, a harpia evaporou em fumaça branca. Não era só a harpia que havia sumido, a névoa que estava na floresta desapareceu.

—Parece que você passou no teste. — disse uma voz atrás de mim.

Me virei para ver quem era. Meus olhos pararam, primeiramente, na árvore em que a velhinha estava mas ela havia sumido também, só tinha o manto que a cobria na grama.

A mulher que falou comigo estava a poucos centímetros do manto da velhinha. Ela usava um longo vestido preto com uma capa roxa com capuz. Seus cabelos castanhos escuros estavam soltos exceto por uma trança fina de cor prata no meio do castanho.

—Quem é você? — perguntei.

Ela se aproximou um pouco. Ela tinha uma aura fraca, quase desaparecendo mas não por completo.

—Sou Hécate, deusa da magia. — respondeu ela.

Eu não sabia muito sobre Hécate. As únicas coisas que eu sabia era que...bem, eu não sabia nada sobre Hécate.

—É uma honra conhecê-la...

—Ah, por favor! Eu que devo a honra em conhecê-la, filha de Zeus. — interrompeu-me Hécate. Ela segurou as minhas mãos e me olhou nos olhos. Seus olhos tinham uma cor mel profundo. Seu olhar era calmo e pacífico. — Você é ainda mais bonita de perto.

Estranho, muito estranho...

—Por que você veio? — perguntei.

Hécate deu uma risadinha.

—Não é óbvio? Vocês irão à uma missão amanhã e o mínimo que eu podia fazer era oferecer a minha ajuda a vocês.

Tá, agora está muito estranho. Não sei se era comum os deuses oferecerem ajuda, mas eu queria aceitar a ajuda de Hécate.

—Você que fez tudo isso? — perguntei, me referindo a harpia, as árvores em excesso, a névoa e a velhinha.

—Sim, e se você quiser pode aprender também. — disse ela.

—Não, obrigada. Acho que essa coisa de magia não é para mim. — agradeci.

—É uma pena. Você seria uma ótima feiticeira. — ela mexeu em uma pequena mecha do meu cabelo. — Saiba que se precisar de ajuda na missão, é só me chamar.

E ela desapareceu em uma névoa prata, me deixando sozinha na floresta.

Por que Hécate viria até mim só para oferecer ajuda? Talvez os deuses façam isso às vezes mas é estranho. Possivelmente, Hécate pode estar envolvida com Hades. Mas ela parecia ser confiável pelo seu jeito doce e estranho. E por que ela queria me ensinar a fazer magia? A única "mágica" que eu conseguia fazer era mudar o tempo e nem isso eu sabia como fazer direito!

Quando sai da floresta, percebi que eu tinha passado boa parte do tempo lá porque estava de noite. Era hora do jantar, provavelmente.

Fui até o Pavilhão onde todos estavam reunidos. Enquanto eu ia até a mesa de Zeus, vários olhares me acompanhavam, mas só um me chamou a atenção. O olhar de preocupação e espanto de Katy me invadiu no instante em que a vi. Não sei se ela estava com aquele olhar por causa de Graecus -que eu ainda não tinha transformado em uma caneta- ou por causa dos arranhões no rosto e nos braços (a queimadura havia desaparecido), mas reparei que todos estavam com o mesmo olhar.

Quando me sentei ao lado de Jason, percebi que ele estava boquiaberto.

—Sarah, onde você estava? Procuramos você por todo o acampamento. — disse ele, sussurrando para os outros não ouvirem.

—Eu estava na floresta.

—Procuramos você por toda a floresta, Sarah. Você não estava lá. — disse ele, seriamente. — Perguntamos a todos se tinham te visto...Você sumiu completamente...

—Eu estava com Hécate. — revelei interrompendo-o.

Percebemos que os campistas haviam parado de conversar para prestar atenção no nosso "papo em família".

—Depois conversarmos sobre isso. — disse Jason.

O resto do jantar foi tranquilo. Bom, quanto a isso...Teve uma hora que Quíron, do nada, saiu galopando rapidamente para a Casa Grande e deu o jantar como encerrado.

O dia não podia ser mais estranho...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.