Antes de tudo acontecer:Paraíso dos Deuses.

Queria parar de me sentir entediada enquanto observava os mortais desse mundo ninja.

As emoções que estava esperando não vieram, já que queria me sentir viva, mas em um sentido bom.

Porém, ver essas pessoas atrapalhando nas conquistas alheias, se apaixonando ou fazendo mais guerra que sou capaz de contar nos meus dedos, não era o que queria.

Queria algo a mais na minha vida imortal, não queria mais olhar, queria viver... Talvez se eu não fosse uma Deusa, tudo poderia ser diferente, não é?

Talvez, pudesse salvar aquele garoto de se destruir para salvar seu irmão do ódio de seu clã.

Claro, tinha muitas outras coisas envolvidas, mas isso não era o caso no momento.

Afinal, qual era o nome do clã? Uzumaki? Não, era outro com a mesma inicial... Não vou me lembrar agora, mas sei que queria pelo menos saber dos seus pensamentos íntimos.

— Seu pescoço não dói de tanto olhar para eles, minha criança? — Sugou a fumaça do cachimbo para os seus pulmões.

Fazendo que a fumaça esbranquiçada a fizesse sumir, me impedindo de observar sua beleza encantadora.

Mesmo sendo a Deusa da Sabedoria e amasse observar os humanos, ela odiava o que eles estavam fazendo com a sabedoria que ela os deu.

Entretanto, ela nunca parava de observa-los com aqueles olhos negros que não havia nenhuma bordinha branca.

Era uma das minhas companhias neste mundo que os humanos chamavam de Paraíso ou Inferno.

— Estava imaginando coisas que não podem ser concretizadas. — Suspirei, me encolhendo ainda mais no divã. _ Já imaginou ter tudo que eles tem?

— Imaginar não machuca, mas não, nunca quis ser igual a eles. — Sentou-se no sofá ao lado.

Estávamos em uma das salas que podíamos observar qualquer lugar daquele mundo, mas quando estava aqui, sempre via apenas um lugar.

Konoha, era o lugar onde aquele garoto nasceu e que me fez entender o motivo dele querer proteger tanto a sua vila, mesmo que para isso tenha que virar um nukenin.

Suas ideias foram de certa forma erradas, mas para o garoto ter aquela ordem e ainda tê-la concretizado, teve que engolir muitas vezes o seu sentimento.

Para o bem de sua vila e do seu irmão, ele escolheu aniquilar seu clã... Um pensamento triste.

— Mas por que a pergunta?

Arrumou o vestido na sua pele negra retinta, fazendo que o movimento fosse fluido e enigmático, enquanto a fumaça nublava os meus pensamentos.

— O Céu de Todos não está sendo bom para você? — Neguei.

Onde morávamos não tinha um nome certo, apenas vivendo e sentindo poderia colocar um nome nesse lugar.

Porém, poderia ser qualquer coisa, até uma cor.

Entretanto, nós, os Deuses, chamávamos esse lugar de "O Céu de Todos" ou "Reino Deles".

— Queria ter sentimentos. — Suspirei, mexendo nas minhas unhas leitosas. _ Queria sentir dor, alegria e principalmente o amor.

— Você não pensa que está apaixonada por um humano, não é? — Não estava me ridicularizando. _ Ou pensa que está?

— Sabe, oneesan. — Semicerrou os olhos. _ Sempre mexo em seus futuros e faço acontecer coisas horríveis em suas pequenas e insignificantes vidas, mas sempre me pego os invejando.

— Ainda não me respondeu. — Sorriu.

— Não sei, talvez. — Riu. _ Não ria, ainda estou triste por fazer tantas coisas com aquele homem.

— Você se arrepende de ter feito isso? — Concordei. _ Você sente inveja deles por sentir esses sentimentos ou por ser humanos?

— Os dois? — Fiz uma pergunta retórica.

— Sentir inveja lhe torna uma pessoa mais humana, Deusa das Tragédias. — Bufei, me levantando para ir embora.

Odiava esse nome, mas era meu e era a minha função nas vidas alheias que sempre observava.

Porém, antes de dar um passo se quer, minha irmã puxou-me para me sentar ao seu lado, rindo de algo que não sabia o que era.

Mesmo sendo uma das minhas irmãs, éramos diferentes de muitos modos, não apenas na aparência, mas em nossos poderes.

— Perdoe-me, irmãzinha. — Beliscou minha bochecha. _ Esqueci que você quer ser chamada de Deusa do Futuro, ou a Deusa da Salvação.

— Oneesan! — Empurrei sua mão. _ Está me fazendo sentir vergonha.

— Pensei que não sentisse. — Zombou, apertando meu nariz. _ São muitos nomes que acabo esquecendo qual deles é o certo, pequena menina.

Pequena menina... Um dos apelidos carinhosos que meus irmãos me puseram.

Contudo, ainda não sei o motivo desse apelido e mesmo se soubesse, ainda me sentiria a Deusa mais errada desse lugar cheio de "monstros" de roupas brancas.

— Tantos rótulos, mas nenhum corresponde exatamente quem sou, apenas me chame de Sukui, Chie-san. — Sorriu e concordou.

— Então, Sukui, quantas vezes irá ver o passado? — Dizia sobre a bola de cristal no meio da sala que passava com o nascimento de Konoha.

— Acho esse lugar intrigante. — Ou apenas gosto de rever tudo que aconteceu para que me arrependa ainda mais.

— Lembro que na época que realmente estava sendo construída, falei que não iria durar muito.

Acenei, fazendo meus cabelos longos e negros ficassem na frente dos meus olhos vermelhos.

— Também me lembro que falei que aquele homem... — Madara. _ Não ficaria feliz em saber que não seria o Hokage daquele lugar.

— Vamos trocar de cargo? — Juntei nossas mãos. _ Você previu tudo que eu tentava não ver.

— Gosto do meu posto, irmãzinha. — Piscou.

— Chata. — Dou a língua e antes que a pudesse ouvi-la, um grito ecoou pela a sala, nos fazendo observar quem era o dito cujo.

— Irmãzinha! — Era o Deus da Reprodução – ou do amor. _ Nosso irmão mais velho está a chamando em seu quarto. — Deitou-se no meu divã como se tivesse morrido.

Suspirei e tentei me lembrar se cometi algum deslize nesse meio tempo que não parava de pensar, mas nada me veio na mente.

— Vá, antes que ele a puna por algo, como fez com o nossa irmã. — A Deusa da Guerra.

— Quem deveria ser punido não foi. — Sussurrei, mas ela escutou.

— Kaguya era considerada uma Deusa na Terra, mas não era uma, como nós. — Mesmo assim...

Levantei-me e dessa vez não fui impedida por suas mãos, apenas saio da sala que poderia ter qualquer coisa que imaginassemos, até as paredes poderiam virar nuvens.

Desço os degraus, me direcionando para o bosque, que dava na casa do meu irmão.

Porém, o nosso reino era um lugar cheio de vida e que os nossos superiores – irmãos mais velhos – cuidavam como se não pudesse deixar morrer.

Mesmo sendo meus irmãos, ainda me sentia estranha e sempre os via como meus superiores.

Deveria mudar esses pensamentos...

Continuei caminhando pelo bosque que me fazia relaxar e observar ao redor, como se pudesse ver um tigre ou um pavão.

Sempre que saio da sala, esse lugar mudava um pouco e era sempre interessante ver as mudanças.

Como agora que tinha Sakuras em plena floração, fazendo que o cheiro fosse tão bom que me sentisse um pouquinho feliz... Isso era felicidade, não é?

Parei no meio do caminho, estendendo a mão para a pétala rosa caísse na minha mão.

— Sukui? — Fechei a mão. _ Você veio mais rápido que imaginei. — O olhei, sorrindo para ele.

Mesmo sendo o nosso irmão mais velho e alguns o chamassem de Deus da Vida, ele era o segundo irmão que mais conversava depois da Chie-san.

— Jin-kun. — Faço uma reverência para irritá-lo. _ Envelheceu mais um pouco ou os cabelos brancos é a nova tendência?

Revirou os olhos e caminhou até mim, fazendo que seus cabelos longos e brancos fizesse um lindo movimento devido ao vento.

— Será que é a idade? — Cruzei os braços. _ Coitado de você, oniisan.

— Pequena, você sabe quem de nós é o mais velho. — Ofereceu o braço e aceitei. _ É o Shin-kun. — Íamos em direção de sua casa.

Mesmo sabendo quem era o verdadeiro irmão mais velho, não queria acabar com seus pensamentos de ser o mais novo.

— Claro. — Sorri. _ Mas, irmão, como o Deus da Morte pode ser o mais velho se primeiro deve ter vida para alguém morrer?

— Não dê uma de Sabedoria logo hoje. — Ri e parei de importuna-lo.

Apertei seu braço e continuei observando as Sakuras, tentando saber se um dia poderia ve-las no mundo humano.

Talvez o cheiro fosse mais doce ou citirico que aqui, ou o ar fosse mais quente ou frio...

— Shin está dormindo. — Já podia ver sua casa. _ Então vamos caminhar devagar. — Mesmo sendo "irmãos", não éramos irmãos.

Considerávamos uns aos outros como irmãos, claro, alguns não. Como Vida e Morte.

Porém, não éramos proibidos de gostar uns dos outros, afinal, não éramos feito de sangue e carne.

Contudo, Shin e Jin foram criados no mesmo dia, mas com alguns minutos de diferença.

Entretanto, antes de se amarem como dois inseparaveis, eles sempre se odiaram por serem completos opostos.

Mas com a minha ajuda, fiz que os dois vissem que o Deus Supremo – consideramos o nosso pai – só queria brincar com eles e bom, quando descobriram que estavam sendo usados.

Descobriram que toda aquela intriga de vida e morte era apenas um jeito de chamar atenção um do outro.

E posso dizer que o casamento dos dois foi lindo, até mesmo a Deusa da Guerra chorou e posso dizer que é raro esse acontecimento.

— Sukui! — Um homem moreno saiu correndo da casa em que deveríamos entrar.

Queria correr para bem longe desse irmão grudento, mas sou impedida pelo seu marido e tive que caminhar até ele, sendo abraçada em seguida.

Meus ossos estalaram e a casa de tijolos com algumas trepadeiras ficou deformada em minha visão.

— Como está a minha irmãzinha preferida? — Me girou no ar.

— Se você a soltar, ela poderá responder. — Revirou os olhos.

— Desculpe-me. — Sorriu, me deixando no chão e coçou a nuca.

— Vou bem. — Estalei a coluna. _ Mas o que vocês querem comigo?

Morte puxou meu braço e me lembrei que ele deveria estar dormindo, mas agora estava me conduzindo para a sua casa.

O que me fez olhar para a Vida, que dava de ombros, como se não tivesse falado para andar devagar.

Suspirei, entrando na casa que tinha cores diferentes, mas que se uniam com perfeição.

Passamos da sala de jantar e da biblioteca, entrando na sala de estar que era aconchegante e até mesmo tinha um divã apenas para mim.

Porém, tive que me sentar ao lado de Shin-kun em um sofá.

— Você o chamou de velho hoje também? — Sussurrou e concordei. _ Isso, não podemos deixar que ele pense que é o mais novo de nós.

Era mais nova dos dois – de muitos outros – devido ter nascido um dia depois de seus nascimentos.

— Sukui. — Sentou-se a nossa frente. _ O nosso pai mandou uma mensagem a dando uma missão. — Pisquei algumas vezes.

— Ele não me quer mais? — Apertei a mão da Morte. _ Fiz algo de errado? — Discordou.

— É uma missão que você vai gostar. — Mordi os lábios. _ Ele quer que você refaça os destinos daquele mundo que você tanto preza.

— Mas... — Não sabia o que falar. _ Mas, tudo já aconteceu, o que vou fazer lá? — O mundo já estava em paz.

— Papai quer que você volte no tempo e vigie o Clã Uchiha, usando seus poderes para mudar tudo que você desejar. — Neguei.

— E se eu não quiser mudar nada? — Apenas o futuro de uma pessoa...

— Pensei que quisesse. — Arrumou seus cabelos. _ Shin escutou você conversando com a Sabedoria.

— Será que escutei errado? — Neguei novamente. _ Então o que foi?

— Irmãos, vocês sabem o que isso significa? — Discordaram. _ Mesmo sabendo de tudo que vai acontecer, não terei mais nada naquele mundo, apenas meu poder de ver o futuro.

— Não é o suficiente? — O sol entrou pela a janela, fazendo que todos fossem banhados por ele.

Queria que eles entendessem que não teria minhas memórias de qualquer Deus aqui, seria um ser humano e não uma Deusa.

Mas sei que eles apenas queriam me ver feliz pela primeira vez, mesmo sabendo que não nos veríamos por bastante tempo, ou até mesmo... Nunca mais nos veríamos.

— Irmã, você pode dizer não. — Sei que não podia. _ Papai vai entender. — Não entenderia.

— Shin, não complique a minha vida. — Suspirou. _ Irmã, você ficará no plano espiritual, apenas esperando a data certa para ser concebida.

Tento dizer algo, mas não deixou espaço para nenhuma palavra sair de minha boca.

— Ele não aceita não como resposta. — Olhei para Shin-kun que pedia desculpas baixinho, dizendo que não sabia desse detalhe.

— Ficar no plano espiritual é o cúmulo do absurdo, odeio aquele lugar. — Faço beicinho.

— Pequena, você está brava por causa do plano espiritual? — Morte parecia surpreso. _ Pensei que não queria ir.

— Meu amor, ela quer ir, apenas não quer ficar no plano espiritual. — Zombou, queria agarrar naqueles cabelos até que ele ficasse careca.

Porém, as conversas iam e viam, mas meu destino já estava traçado e não poderia mudar, mesmo sendo a irmã dessa Deusa.

Poderia mudar tudo, mas será que conseguiria salvar aquele homem de seu destino?

Itachi, posso salvá-lo... Mas você quer isso?