A Saga do Olimpo

3 Capítulo III - Mobilização


Prometeu e Phobos se encaram... Sempre se desgostaram, sempre foram inimigos. Talvez, essa fosse a hora do tão esperado acerto de contas entre os dois. Naturalmente, o desejo dos dois não era apenas isso, eles tinham ideais a proteger. A proteger com suas vidas.

- Vamos começar logo com isso, Prometeu? — fala Phobos.

- Quanto antes melhor.

- É bom que você esteja com pressa... Dessa forma eu te dou uma morte rápida, mas é necessária a sua cooperação. — ironiza Phobos.

Prometeu sorri igualmente irônico. Sob o escaldante Sol, os dois correm um ao encontro do outro, motivados por seus ideais. A rapidez de Prometeu sempre impressionou Phobos, e hoje não deixou de ser igual. Prometeu atinge Phobos com uma joelhada no abdômen, e antes que Phobos possa perceber, Prometeu chuta sua nuca, em um lugar onde Phobos fica desnorteado. Phobos anda alguns metros para trás, com o intuito de adquirir mais espaço.

- Ora, ora... Você não está cooperando, Prometeu... Seja um bom garoto. — brinca Phobos.

- Você tem bastante senso de humor... Mesmo próximo da perdição, você fica com suas gracinhas.

Phobos eleva seu cosmo de cor negra, suas pupilas douradas alcançam um brilho inimaginável, e encostando as palmas das mãos, Phobos invoca monstros alados. Totalmente negros, se assemelhavam a corvos, mas tinham aparência ainda mais sinistra. Os monstros eram enormes, e tinham tamanho de feras mitológicas como Minotauros ou Górgonas.Os monstros atacam Prometeu, que se surpreende com a velocidade deles. Após minutos de batalha, Prometeu é atingido no rosto com a explosão proposital de um dos monstros. Prometeu concentra cosmo nas mãos, socando um monstro o que abriu um buraco no mesmo. Mesmo assim, o buraco se fecha rapidamente.

- Hummm, entendi... — murmura Prometeu.

“Os monstros são feitos apenas de energia cósmica” pensava Prometeu. “Não importa o quanto eu ataque. Mesmo se um ataque vir do meu cosmo, esses monstros se alimentariam de minha energia igualmente cósmica. Ora, ora... Phobos está ficando cada vez mais competente. O único jeito de anular essa técnica é atacando Phobos diretamente.”

Prometeu põe seu plano em ação, mas antes que pudesse atingir Phobos, um dos monstros alados voou em direção de Prometeu o jogando para longe de Phobos, dessa forma todas as criaturas cósmicas foram, em linha reta, para cima de Prometeu. As criaturas rodearam o Titã e avançaram, atacando-o por todos os lados e explodindo assim que tocavam o corpo do guerreiro. Um grande estrondo ocorre devido ao ataque desferido contra Prometeu, que voa por cerca de 20 metros até cair na areia quente.

- Você é esperto, Prometeu. Percebeu rapidamente que minhas Harpias são feitas apenas de cosmo-energia. Embora você provavelmente pensou que as Harpias agiam por conta própria — discursava Phobos. – Esse foi seu erro. Eu controlo estas criaturas. Controlo cada movimento delas, e posso fazê-las explodir, causando um ataque cósmico bem poderoso.

- Eu te subestimei, pelo jeito, Phobos. Dessa vez será diferente.

Ambos os guerreiros elevam seu cosmo. Phobos cria dezenas de Harpias com o cosmo, enquanto Prometeu permanece parado, apenas continua com o cosmo elevado, ficando com uma aura poderosa ao redor dele. “A batalha será decidida aqui!” Pensavam ambos. Phobos olhava a aura poderosa de Prometeu, não se intimidou e guiou suas Harpias, a fim de derrotar seu arquiinimigo de uma vez por todas. Prometeu tentava se desviar das explosivas Harpias, e conseguia fazê-lo com maestria. Quando Prometeu percebeu que não poderá escapar do próximo e devastador ataque, usa uma de suas técnicas especiais.

Centenas de linhas de cosmo que se assemelham a teias prendem as Harpias que aos poucos vão diminuindo de tamanho até desaparecer.

- Merda! — pragueja Phobos.

- Agora é minha vez de atacar!

Prometeu rapidamente avança sobre Phobos e acerta um soco no seu rosto, após isso se segue uma seqüência de poderosos chutes e socos aplicados por Prometeu. Por fim, Prometeu chuta Phobos para cima, mas antes do Titã tentar atacar, ocorre uma explosão que atinge Prometeu a queima-roupa. O Titã cai de costas no chão, e Phobos limpa o sangue da sua boca com a mão.

- Você pensou que tinha sugado o cosmo, e conseqüentemente tudo, de todas as Harpias com sua técnica, mas novamente você estava errado. Antes de sua teia prender as Harpias, escondi uma delas embaixo da terra, esperando o momento propício para utilizá-la. E quando você se distraiu me jogando para cima, eu explodi a Harpia a alguns centímetros de você.

- Não fique falando tanto, espertalhão! Olhe mais o ambiente ao seu redor!-diz um confiante Prometeu.

Phobos se assusta, pois um turbilhão de cosmo se forma abaixo de seus pés, o engolindo por inteiro e girando violentamente. Enquanto Phobos caía lentamente no chão, Prometeu o ataca socando seu estômago e o lança a alguns metros adiante.

- Desgraçado... — Ares sorri, divertindo-se — Mas de qualquer jeito, se acha que me derrotará com esses ataques ridículos, tu te enganas, Prometeu. Vamos elevar um pouco o nível da luta, sim?

Phobos parece estar confiante, e eleva seu cosmo ameaçadoramente. Uma gota de suor cai pela têmpora do apreensivo Prometeu. O escaldante Sol banha as armaduras dos guerreiros ali postos, dando um brilho imponente e magnífico às proteções. Um perfeito contraste com a terrível batalha que realmente se iniciaria.

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Um caminho de pedra já podia ser visto meio enterrado pela areia, à frente dos atônitos jovens que vestiam uma espécie de reluzente armadura. Mais adiante, já era possível enxergar um longínquo ponto que indicava um templo.

Após horas que pareceram séculos e milênios para os jovens que andavam meio trêmulos, se desequilibrando em alguns momentos chegaram ao seu destino. Os jovens estavam surpresos e ao mesmo tempo irritados com eles mesmos. Afinal, se eles sempre se prepararam para uma eventual morte, e nunca desistiram, quão forte fosse o inimigo, ou quão pior fosse a integridade física deles, como poderiam estar tremendo como garotos assustadiços perante a um mero servo de Ares? Aquilo era inconcebível! Ridículo! Na iminência da verdadeira guerra, como podiam agir dessa forma infantil? Todo esse conflito interno estabelecia-se dentro de Hyoga, Shiryu, Shun e Ikki. Enfim, eles manteram a calma e seguiram determinantes ao Oráculo de Delfos que estava a alguns metros, lugar onde seria travada mais uma luta de vida e morte, e novamente com o objetivo de salvar a Deusa Athena, protetora da Terra, Deusa da Guerra e da Sabedoria.

Os Cavaleiros de Bronze levaram um choque ao ver um prédio destruído em várias partes, assemelhava-se à ruína de uma antiga civilização. Não se engane, Shun... Naturalmente já ouviste falar da frase: “As aparências enganam”. Os Cavaleiros lembraram-se rapidamente do alerta de Prometeu. Estavam cientes de que não podiam desconfiar da veracidade da informação do Titã.

Entraram no Templo. A surpresa dos Cavaleiros aumentou absurdamente ao darem-se conta de que a parte interna do Oráculo de Delfos era o extremo oposto da parte externa. Poderiam dizer facilmente que estavam sofrendo uma ilusão. Mas não era verdade. A magnitude do Salão Central era real. Para começar, tudo era banhado em ouro. O brilho dourado tomava conta do lugar e dava a impressão de estar no próprio Sol. Pilares com imagens esculpidas em sua superfície sustentavam o local, as imagens retratavam cenas históricas, como a habitual cavalgada de Apollo pela Terra, com sua carruagem imensa, cuja roda é o Sol que os humanos presenciam todo dia. Os cavalos que estavam atrelados à imensa biga eram gigantescos, tinham olhos e crina flamejantes, pêlo branco como neve e cascos dourados. Ao olhar para cima, era possível ver mais uma representação mitológica no teto (semelhante à Capela Sistina), onde Faetonte, filho de Apollo, estava sendo transpassado por um grande raio, enquanto cavalgava a biga do Deus do Sol muito próximo a Terra, causando o caos. A decoração do ambiente era impecável. Vasos ornamentais embelezavam o Salão Central, plantas nunca vistas antes por qualquer ser humano eram visíveis pelas janelas, se aquele Templo que ficava era de tamanha magnitude que se assemelhava ao paraíso, quem dirá o Olimpo? Mas não era tempo de admirar nada disso. Era tempo de lutar. Os Cavaleiros seguiram andando pelo Salão até chegarem próximos a um portão, onde uma voz os chamou:

- Vocês! São Cavaleiros de Athena, imagino. O que fazem no Oráculo Sagrado do Deus Apollo? Não têm noção do perigo que correm?

O homem que os chamara era loiro, seus olhos tinham um tom castanho claro e vestia uma roupa sacerdotal. Seu rosto deveria ser bonito, caso não fosse muito marcado de cicatrizes. Seu peito visível exibia uma enorme cicatriz. O homem baixou os olhos em direção à cicatriz, soltou um risinho que misturava ódio e desdém:

- Vocês perderam o poder da fala ao ver minhas horrendas e impuras cicatrizes?

- Você deveria honrar-se das suas cicatrizes, seu idiota! Elas são a prova de que você lutou com todas as suas forças em prol de um ideal! – berrou Ikki.

- Oooh... E quem seria você, adorador de cicatrizes?

- Sou Ikki de Fênix, um cavaleiro de Athena.

- Como imaginava, os cavaleiros de Athena... E quem são os outros?

- Sou Shun de Andrômeda.

- Sou Hyoga de Cisne.

- Sou Shiryu de Dragão.

- Excelente... Agora, deixe-me apresentar-me... Sou Faetonte, o infeliz que está representado no teto.

- Faetonte? – espanta-se Shun. – Mas você foi transpassado pelo Raio de Zeus! Como está vivo?

- É uma pergunta interessante, Andrômeda. Eu me faço essa pergunta todos os dias. Como será que sobrevivi àquilo? Embora, esse é um fato irrelevante... O que importa é que cada cicatriz em meu corpo será devolvida em dobro ao maldito que se intitula Soberano do Olimpo! Ele irá pagar por cada dia em que vivi miseravelmente! Depois de aquele raio ter me atingido, fui jogado ao solo de uma altura incrível. Eu caí, em coma, quase morto. Uma mulher loira, como eu, que me salvou. Ela era linda, eu me lembro bem... Sua beleza era divina.

“Enfim... Eu fiquei meses e talvez anos em um estado vegetativo. Aquela mulher ficou ao meu lado todo esse tempo. Quando acordei do coma, ela estava lá, ao meu lado. Toda aquela beleza penetradora revigorando cada célula do meu corpo, revirando cada átomo...”

“Aquela linda mulher ficava comigo o tempo todo em que mal podia me mover, ela estava sempre lá, empurrando minha cadeira de rodas, sob os olhares desaprovadores dos idiotas que achavam perda de tempo uma mulher de tamanha beleza me ajudar, podendo casar-se com um rico qualquer por aí. Isso foi há tanto tempo... Mais precisamente há alguns séculos atrás”.

“Incrível, não é? Eu não ter envelhecido quase nada em todos esses anos. Bem, vocês devem saber que, enquanto os humanos comuns vivem em média 60 anos, nós, semideuses, somos quase imortais. Semideuses vivem séculos e séculos. Embora morramos de velhice também... Mesmo sendo uns séculos depois dos humanos comuns”.

“Ouçam cavaleiros... A mulher que me salvou não era uma simples mulher. Aquela mulher era Arthemis, a Deusa da Lua. Eu era a pessoa escolhida por Arthemis, assim como Ikarus, que creio que vocês já devam ter conhecido. Eu me senti lisonjeado quando pude saber do plano de Apollo e Arthemis, e que eu era considerado uma peça importante, por ter ódio da ‘autoridade de Zeus’. Minha devoção a Arthemis chega a ser maior que a devoção a meu pai Apollo. Tanto que só estou aqui por pedido direto da Deusa da Lua”.

“Pois bem... Deixemos de delongas... Saibam primeiramente que não serei derrotado de jeito nenhum por vocês. Tenho motivos importantíssimos para continuar vivo! Irei destruir cada átomo do infeliz que quase destruiu minha vida! Devo tudo que tenho hoje a Arthemis-sama!! Morram Cavaleiros de Athena!!!”

Faetonte não hesitou um segundo ao atacar ferozmente os quatro cavaleiros de bronze, atingindo-os com labaredas de fogo. No momento em que os cavaleiros de bronze estavam no ar, Faetonte prendeu todos em um pilar de gelo, dentro do pilar, os cavaleiros estavam “amarrados” por camadas de gelo que saíram de dentro do próprio “caixão” de gelo.

- Irônico, não é? – comentou Faetonte. – Eu ataco com base no controle total do fogo e do gelo, um presente sarcástico de Apollo, depois de eu ter causado aquele caos na Terra, ora congelando-a, ora queimando-a, à medida que subia ou descia demais com a biga...

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A outrora alegre e iluminada Nova Iorque transformou-se no mais terrível dos Infernos. E o Diabo era um homem, que podia ser confundido com um empresário ricaço se não fosse seus quase 3 metros de altura, de terno preto Armani, com os cabelos bem arrumados, porte atlético, moreno e olhos negros. Olhando por cima, podia-se observar que a cidade de Nova Iorque foi divida em 23 grandes quadrados, delimitados por muros dourados de energia. O homem de terno observava, prazeroso, o inferno da janela do último andar do Empire States, arranha-céu que não fazia parte de nenhum dos 23 quadrantes.

O celular toca. O homem de terno atende, em uma voz sombria e sarcástica:

- Boa tarde, Sr. Presidente.

- Boa para você, apenas. Aqui está um caos.

- Ora, ora... Não me lembro de ter invadido a Casa Branca, caro presidente dos Estados Unidos da América.

- Não me refiro a isso, Ares. Ninguém do meu governo ficou satisfeito de você ter transformado uma das maiores metrópoles do mundo em um campo de batalha.

- Se você não conseguir silenciá-los, eu o farei. E do meu jeito, que você deve conhecer.

- Infelizmente, conheço. Não esqueci o fato de apenas um homem seu ter destruído facilmente a CIA.

- Hahahahaha. Sim, sim... Voltando ao assunto da ligação. Imagino que seu pessoal esteja precisando de um pequeno esclarecimento da situação deles. Mandarei um homem de total confiança minha para convencê-los.

Ares desliga e estala os dedos. Rapidamente um vulto encapuzado aparece ao seu lado.

- Pelo que ouvi da conversa, Ares-sama, devo ir à Casa Branca. – diz, ajoelhado, o homem encapuzado.

- Exato Deimos.

- Aliás, parece que já houve outro vencedor, dessa vez no quadrante 13.

- Sério? Interessante... Parece que há certos indivíduos bem fortes, a primeira vencedora apareceu na minha frente após 5 minutos de iniciada a batalha. Quem é o segundo vencedor?

- É um meio humano, meio semideus chamado Higan.

- Ótimo, agora vá para Washington.

- Sim, senhor.

Deimos rapidamente desapareceu.