A Saga do Matador de Dragões
3 Minha Familía
Notas iniciais
Os títulos desse e do capítulo anterior podem soar desanimadores, bem, são mesmo, sou horrível com títulos.
Entre uma série de movimentos a outra a porta da sala fora aberta e de lá surgiu Enzo.
Enzo estava nos seus trinta e cinco anos, mas já parecia ter quarenta, o rosto era comprido e um pouco pequeno de largura, seu nariz tinha uma cicatriz atravessada nele e seus olhos eram de um azul muito claro. As sobrancelhas eram grossas e castanhas, igualmente como o cabelo que chegava até os ombros num emaranhado de fios, assim também era a sua barba que chegava quase a clavícula. Enzo tinha um porte largo, era musculoso e de estatura alta, na maioria dos dias vestia roupas de tonalidade escura, mas o casaco que vestia no dia já havia se tornado de um cinza claro pelos anos de uso ao sol.– Bom dia Enzo – cumprimentou Maxbal. – Ira embora ao menos depois do jantar, certo?– Bom dia garoto, mas não. Irei embora depois do almoço mesmo – falou soltando uma gargalhada contagiante e antes que percebesse Maxbal sorria junto dele. – É cedo da manha e já está suado desse jeito filho? Não devia treinar tanto assim, aproveite a vida, você é jovem. Eu já sou um velho de quase quarenta e aproveito ainda. – Falou, rindo um pouco mais.– Quero estar pronto, você sabe disto. – Responde Maxbal em tom sério.– Sim eu sei. Você vai atrás do dragão e tudo mais. Só não sei se o achará, esse ano já está chegando ao fim e nunca teve uma noticia de criaturas sobrenaturais por ai criando rebuliço. Um mago ou outro fez algo próximo disto, mas é tudo. Desde o dragão branco em Meio-Dia surgiu tudo isso do nada, num passe de mágica, mas eu acho que é o fim, os monstros que apareceram nos três anos seguintes já foram todos mortos, afugentados ou simplesmente esquecidos. Já dizem por ai que não foi dragão nenhum em Meio-Dia.– Eu o acharei. Terei minha vingança e ponto, já entramos nessa discussão antes, já entrei mais vezes do que posso contar nessa discussão com a minha tia e ela não leva a nada. – Disse encerrando o assunto.Enzo levantou as mãos e moveu os lábios como se dissesse: Tudo bem. – Tudo bem. – Falou o mercenário. – Mas, como sempre, gostaria de um duelo?– Mas é claro – responde imediatamente Maxbal com um sorriso se abrindo no rosto que chegava de orelha a orelha.– Um segundo. – Disse Enzo voltando para dentro da porta, dela saiu alguns instantes depois com uma espada curta em mãos. Fechou a porta e se pós em posição para o combate. – Pode vir garoto.E ele foi. Maxbal avançou tão rapidamente quanto podia, desferiu uma estocada visando o abdômen de Enzo que com um giro saiu do alcance do golpe e logo atacou também. Seu movimento fora de pronto defendido e o rapaz atacou novamente e um segundo depois se defendeu ou se desviou e se seguiu naquele ritmo até que Bianca surgiu à porta.– Você dois, parem já com isso! – Ela disse com a voz autoritária e os dois pararam. – Eu estava dormindo, como sempre faço todas as manhas e vocês dois insistem em me acordar com o som dessa luta desgraçada.Bianca franziu o cenho então. Os cabelos encaracolados cor de mel caiam pelas suas costas e um pouco sobre os ombros, ela mordia o lábio inferior também como sempre fazia naquela situação e olhava para os dois com reprovação nos olhos castanhos. Ela era magra, muito magra, quase uma vareta, ela vestia uma camisola, mas era quase possível ver por baixo a pele branca sobre as costelas.– Tudo bem meu amor, nunca mais faremos isso. – Diz Enzo.– Você também sempre diz isso! – Ela se vira e deixa a sala, Enzo logo vai atrás para melhorar a sua situação.E eu vou comprar a comida para o maldito do almoço. Pensa Maxbal já se vestindo.***Cinco minutos depois ele já tinha se vestido. Colocou uma calça marrom escurecido, uma camisa de algodão branca e suas botas da sorte. Era um par de botas negras novas, havia ganhado há três meses, ainda na primavera e as calçou poucas vezes, mas nas vezes que o fez teve um dia excelente e com isso declarou que elas eram suas botas da sorte. Pegou por último uma saca de madeira de sua tia e saiu da casa.Fora de sua moradia já estava ao pé de uma trilha que ia por mais cinco metros adiantes até se encontrar com uma estrada de terra do vilarejo em que morava. Mais e mais daqueles pés de trilhas havia na porta das demais casas do vilarejo, essas que ficavam todas numa margem da estrada e em nenhum outro lugar mais. No todo existiam cinquenta casas naquele vilarejo e em torno de duzentos e cinquenta moradores, ouviu alguém falar o número exato alguns dias atrás, mas já não se lembrava mais.Andou alguns passos até chegar à estrada e olhou de relance sua casa, ela era retangular vendo da posição que estava, um grande retângulo azul com uma porta e três janelas, no lado direito existia uma outra janela e nos fundos uma porta e uma pequena área com uma outra janela ao lado, um pouco até demais de janelas lhe parecia daquela forma, mas não era bem assim.Cada casa tinha uma distância de seis a oito metros uma da outra e ficavam todas ou tão perto disso que não faz diferença a cinco metros do começo da estrada. O resto do solo era grama e nos dias chuvosos muita lama e possas repugnantes d’água que abrigavam insetos causadores da peste negra, ou talvez não fossem eles já que ouviram dizer que era outra coisa que causava a peste e eles nunca tiveram nenhum caso da doença na vila embora não fosse possível acabar com as possas d’água com insetos.
Maxbal andou até chegar à entrada da vila, sendo que ele morava a duas casas do fim dela. Ali estava o portão de madeira que na hora estava fechado, todos os moradores da vila haviam vivenciado o ataque do dragão ou eram parentes daqueles que o fizeram, metade das pessoas que vieram nos carroções, sendo que homens vieram nos últimos haviam resolvido fundar vilazinhas naquela região e tantos e tantos quilômetros da cidadela onde ocorreu o ataque, aquela vila era uma das quinze que foram erguidas na região e com receio do perigo, tanto que resolveram ir morar longe do resto da civilização eles construíram muralhas de madeira com dois metros de altura em todas as vilas, algo que é incomum sendo que eles não estavam tão longe de tudo assim.Maxbal logo virou-se para a direita, onde estava uma casa de dois andares, uma das poucas que existiam na vila, era a casa do açougueiro e vendedor de também demais especiarias e alimentos que não plantavam nos campos a norte da vila, o tio Jon.A casa era quadrada, no andar debaixo ficava uma porta dupla agora aberta e em cima havia uma varanda e uma outra porta e janela agora abertas. Maxbal entrou no estabelecimento que estava vazio, fora o açougueiro Jon que estava atrás de um balcão a dois metros da entrada. Para lá do balcão existiam duas estantes de especiarias e uma especial de carnes, mais atrás uma escadaria que levava ao andar de cima. Jon tinha cabelos encaracolados que caiam sobre a testa, quase alcançando os olhos e uma barba rasa de uma semana sem ser aparada. Assim que Maxbal chegou ele levantou os olhos para ele e abriu um sorriso amarelado.– Garoto, estava pensando em você. Quase todos já compraram seus mantimentos até ontem e já estou quase sem nada e como sempre você é um dos últimos a vir comprar. Diga-me, o que precisa? – Perguntou ele com a voz eloquente de sempre.– Carne. O suficiente para três pessoas em duas refeições e duas pessoas em outras duas refeições. – Respondeu.– O mercenário já vai ir embora hoje então – disse Jon, como quase todos na vila ninguém gostava de Enzo. – Muito bem, tenho o que deseja, vai custar...Antes que ele pudesse responder Maxbal já colocou um cobre e cinco centavos sobre a mesa.– Eu sei Jon, eu sei.Jon fez uma careta e recolheu o dinheiro, logo já o guardando atrás do balcão. Depois disto voltou com a carne que Maxbal colocou na saca.– Muito obrigado garoto– Não a de que. – Respondeu ele.Maxbal saiu do estabelecimento e já ia voltar para casa quando viu que o portão estava aberto. Não resistiu e espiou por ele para a majestosa vista que tinha a sua frente. A sua esquerda estava o começo da floresta, atrás da vila, para o norte as plantações dos moradores dali e a direita um riacho que refletia a luminosa luz do sol. A estrada de terra continuava para o sul, por quilômetros até que se perdia de vista. Pelo caminho mais estrada se ligavam a ela, era as estradas das demais vilas e uma dessas vilas era a de Elena, uma moça ruiva de sua idade que ele achava que estava destinada a ser a sua amada, não que um dia ele tivesse tido a coragem de falar com ela.O rapaz virou-se para o norte e voltou a caminhar de volta a sua casa e daquela vez, pensando na sua talvez predestinada amada.***Maxbal chegou a sua casa e sua tia já estava de pé e agora de bom humor, claro que pela influência de Enzo como costumava acontecer. Bianca fez o almoço em trinta minutos e neste mesmo período de tempo os três o desgostaram. Após aquilo Enzo acabou por mudar de ideia e resolveu ficar até a manha seguinte, em pouco tempo o casal estava mais uma vez enfurnado dentro do quarto e Maxbal resolveu sair um pouco.Caminhou para fora de sua vila, virou-se para a direção da vila em que morava Elena e voltou a andar. Não estava na estrada de terra, caminhava ligeiramente ao lado dela e em pouco tempo isso se tornou alguns metros. A vila onde morava Elena era a mais próxima da cidadela de Eldest mais ao sul enquanto a de Max era a mais afastada, portanto foi um trajeto médio até estar próximo da vila. Quando finalmente chegou ele parou e ficou observando os muros de madeira da vila. O telhado de algumas casas que podia ser visto dali de fora e logo voltou-se para uma árvore com um balanço onde uma vez vira Elena. Ele tinha onze anos na época e com apenas aquele vislumbre ficou perdidamente apaixonado por ela, ou ao menos ele achava que aquilo era amor. Teve uma vontade de enormidade indescritível de entrar na vila, ir até a casa dela e beijá-la. Teve vontade de fazer qualquer coisa parecida, mas é claro que não o fez. A sua experiência com mulheres não passava de um beijo, além de sequer saber o que fazer quando vê uma a sua frente. Assim voltou-se para a vila onde morava e voltou a caminhar.***O jantar chegou mais rápido do que ele imaginara. Logo comia um ensopado de legumes e carne e ria de uma piada ou outra de Enzo assim como sua tia. Era isso que mais apreciava em Enzo, sua tia tivera outros namorados que levou para sua casa naqueles seis anos, mas nenhum chegou perto de fazer tão bem a ela quanto Enzo, ela ria freneticamente a cada piada que ele soltava que eram muitas e era notável que ela o amava, Bianca tinha perdido praticamente tudo da mesma forma que Max, mas enfim ela conseguia obter tudo de volta. Afora isso Enzo também vinha a ser um bom tio para ele, e era dessa forma que ele o via. Sua tia ele via mais como uma avó, uma segunda mãe. E eles eram tudo que ele tinha, sua família e ele os amava.***Na manha seguinte Enzo foi embora cedo, na verdade não era tão cedo, mas pareceu que foi muito, mas muito cedo para Maxbal que acordou aquele dia muito tarde, muito mais que de costume. Agora ele estava tenso, tivera o sonho da história de Artur, repetidas e repetidas vezes enquanto dormia e parecia que aquilo fora a causa de sua profunda e longa soneca.Saiu para caminhar uma hora antes do meio dia com às vezes fazia. Ficou uma hora fora e quando voltou a sua tia não estava de pé com o almoço pronto como acontecia sempre. Ele desesperou-se então. Seria isso que o sonho lhe avisara?– Tia! Bianca! – Gritou.Foi até o quarto dela e a encontrou ainda deitada. Aquilo amenizou o que sentia, ela apenas tinha estado muito cansada e precisava de mais sono. A chamou mais uma vez e quando ela não respondeu o medo voltou a ele.Mexeu no corpo inerte dela que agora já estava frio. Tentou reanima-la como sabia que poderia acontecer, pediu apelo aos vizinhos. Estava desesperado dizendo a si mesmo que aquilo não era real, mas enfim viu que ela estava realmente morta. Mas entretanto não chorou como se podia esperar e simplesmente superou num segundo que percebeu aquilo e isso foi o pior de tudo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor