-Ichigo\'s POV-

Aqueles foram os dias mais felizes da minha vida.

Entretanto... Logo chegou o dia mais triste.

Dia esse que eu nunca esquecerei.

Dia esse que acabou com a minha alegria.

Dia esse que acabou com o meu orgulho.

Dia esse que acabou com a minha vida.

Esperava ansiosamente pela baixinha.

Na noite anterior, ela não aparecera à noite. Mas hoje, eles iriam viajar juntos. Ela viria, com certeza.

Ao seu lado, um homem grande e de assustadores olhos azuis esperava impacientemente.

O homem era uma espécie de empresário, que organizava as partidas dos Shinigami Daikou. Atualmente, trabalhava com Ichigo.

-Vamos, Ichigo, cadê essa mulher? – Esbravejou o de cabelo azulado. – Se perder a viagem, nunca se tornará o melhor ShiniDai! – Grimmjow chamava a profissão de ShiniDai, para ficar mais fácil.

-Calma, Grimmjow! Daqui a pouco ela aparece! — Ichigo fechou o punho e abaixou a cabeça. Falou em baixo, mas audível tom de voz — Eu tenho certeza, ela vai vir, nós combinamos...!

-... – Grimmjow voltou a olhar o céu. Ichigo ficou a olhar o horizonte.

Logo, começou o crepúsculo.

-Ichigo, cadê ela? Vamos embora, daqui a pouco dá a hora! – Grimmjow já estava estressado.

-Eu... Vou ali falar com o Hana, já volto!

Saiu correndo, sem utilizar o shunpo. Enquanto corria, sentia uma profunda dor em seu coração. Teria ela o abandonado?

Não, não era possível. Eles se amavam.

Corria desesperado, sentindo o vento em seu rosto, como se tentasse lhe consolar. Logo, chegou ao bar, e gritou.

-Haana, tais aí?

A cabeça do baixinho apareceu pela porta.

-Só um instante, Kurosaki-san! Já apareço! – Em pouco tempo, veio o pequeno, enxugando as mãos com um pano. – Pois não?

-Você sabe onde está Rukia? – Hanatarou olhou-o, pensativo.

-Não... Pensando bem, não a vi nem ontem, nem hoje... – Logo, ele levantou o dedo, como quem tem uma idéia – Já sei! Vou perguntar para a Nanao-san, ela trabalha lá!

-Certo, eu espero... Mas não demore, tá?

-Hai!

Logo, Hanatarou saiu. Depois de alguns minutos, ele voltou com uma expressão indefinível, uma mescla de tristeza, medo e desapontamento.

-Kurosaki-san...

-O que foi, Hana?

-É que... Eu perguntei para a Nanao-san, e... – Os olhos do baixinho se encheram de lágrimas – Ela disse que Byakuya mandou-a a um convento, ontem de manhã!

-O QUE?? – Ichigo esbravejou, se inclinando sobre Hanatarou; Este se encolheu, com medo.

-Ela disse que... Byakuya descobriu que vocês se encontravam, e...- As lágrimas começaram a rolar pelo rosto do menor – D-Descobriram que... Ela está grávida, Kurosaki-san... Por isso, Byakuya mandou-a para longe daqui...

Ichigo arregalou os olhos, surpreso. Apoiou-se no balcão, com a cabeça baixa. Sentia seu coração acelerado, ofegava.

Não era possível que Byakuya fosse tão... Mesquinho. Tão cruel. Não aceitava, ao era possível tanta maldade.

E... Rukia, grávida...? Ela estava a esperar... Um fruto de seu amor?

Essa notícia seria ótima, se pudesse ao menos vê-la. Se pudesse abraçá-la. Beijá-la.

Encostou a cabeça no frio balcão.

Respirava cada vez com mais dificuldade. Ouviu, ao longe, a voz de seu amigo.

-Kurosaki-san?

Levantou o olhar e viu o baixinho se encolher.

Seus olhos, antes castanhos, agora estavam amarelados. Aos poucos, a parte branca de seu olho começou a ser consumida por um tom negro.

-Aquele Byakuya... — Sua voz saiu rouca e fraca, levemente tremida pelo controle. – Eu não acredito nisso... – Soltou um urro – MALDITO! – Quando se preparou para usar o shunpo, sentiu uma mão em seu ombro. Virou-se rapidamente, e quando ia atacar a pessoa, viu que era um velho conhecido seu. O homem possuía uma expressão séria, cabelos longos e castanhos, presos em um rabo de cavalo, e olhos negros e calmos. Possuía uma barba mal-feita, e olhava-o preocupado.

-Ichigo, se acalme... – O ruivo bateu no rosto do de cabelos longos, que caiu no chão.

-CALE A BOCA, SHUNSUI!

-Ichigo, — Shunsui se levantou, limpando o sangue escorria pelo canto de sua boca – Não adiantará nada você agir dessa maneira...

-CALE A BOCA! VOCÊ NÃO SABE DE NADA!

-Ichigo, se controle! – Shunsui segurou-o fortemente. Era mais velho e mais forte. Tratava Ichigo como um filho, pois cuidara do ruivo quando sua família morrera. – Byakuya é um Capitão! Não adianta enfrentá-lo!

-POIS EU IREI ACABAR COM AQUELE MALDITO, E SALVAR RUKIA DAQUELE LUGAR!

Shunsui suspirou.

-Ichigo... Pare... – O mais velho abraçou o ruivo – Já pensou na tristeza que causaria a Rukia, ao saber no que você se transformou? E no que você teria feito com o pai dela? – Ichigo parou – Porque, apesar de tudo, ele ainda é o pai dela, Ichigo... O pai é o primeiro homem da vida de uma mulher... – Ichigo abaixou a cabeça, encostando-a no ombro de Shunsui. Falou, com a voz embargada.

-O que eu faço... Shunsui...?

-Viaje... Provavelmente, Rukia só será solta quando aceitar se casar com outro homem... – Os olhos de Ichigo se encheram de lágrimas ao imaginar sua baixinha com outro homem – Viaje, esqueça-a, viva a sua vida... Vire o melhor Shinigami Daikou do mundo, e viva de sua glória...

-Eu não vou conseguir esquecê-la, Shunsui... – As lágrimas rolavam pelo rosto do ruivo.

-Ichigo... – O moreno enxugou as lágrimas do ruivo, com um sorriso triste – Eu também achei que não conseguiria esquecer Nanao... E não esqueci, até hoje... Mas... Acredite, é o melhor a se fazer...

-Certo... – Ichigo soluçou.

-Vou sentir saudades, filho...

-Eu também irei, velho... – Fechou os olhos, para não ver o rosto de Shunsui, e se retirou do local com um shunpo.

Apareceu na frente de uma igreja. A igreja onde trabalhava seu \"tio\", Ukitake. Ukitake ajudara Shunsui a cuidar de Ichigo, já que era o melhor amigo do moreno.

Entrou na grande construção, abrindo as duas portas. Estava vazia, a missa já havia acabado. Encontrou Ukitake no confessionário.

-Ukitake-san... – A voz de Ichigo saiu fraca e embargada. Já parara de chorar, agora só sentia a forte dor em seu coração.

-Ichigo! O que houve? – Notou o tom de preocupação na voz do amigo, e sussurrou.

-Ela foi levada...

-Como assim, Ichigo?

-Ela... Está grávida, Ukitake... Ela...

-Ichigo, espera! Quem é \"ela\"? – Ichigo se lembrou de que não contara sobre Rukia.

-Rukia... Kuchiki Rukia...

-A filha de Byakuya? – Sentiu a surpresa na voz do amigo.

-Sim... Ela... Nós estávamos namorando... Eu pedi sua mão à Byakuya... Ele me desprezou por não ser um Capitão... Proibiu-a de me ver...

-... – Ukitake ouvia atenciosamente.

-Mas nós continuamos a nos encontrar, escondidos... Mas ontem... Ele descobriu... E levou-a para longe... Para um convento... Mas... – Os olhos de Ichigo se encheram de lágrimas novamente – Ela está grávida, Ukitake-san...

-Grávida? – A voz de Ukitake foi de repreensão. Afinal, era padre. – Vocês... Mesmo sem se casar? Que irresponsável, Ichigo!

-Eu sei... – Ichigo abaixou a cabeça.

-Bom... Isso não interessa mais... Você tem que ajudá-la a cuidar do filho, Ichigo!

Ichigo levantou a cabeça novamente, exasperado.

-Como, Ukitake?? Eu nem sei em que convento ela está! – Ukitake passou um tempo em silêncio.

-Bom... Se é assim... Esqueça-a, Ichigo.

-Não dá, Ukitake-san... – O ruivo sentia uma dor ainda maior quando pensava em viver sem a baixinha.

-Dá sim, Ichigo... Se não conhece alguma maneira, invente uma... Se concentre na sua carreira, viva para vencer... É o melhor a se fazer...

-Certo... – Ichigo se levantou e esperou Ukitake sair. Assim que apareceu uma figura de longos cabelos brancos, o ruivo o abraçou.

-Vou sentir saudades... – Ukitake afagou os cabelos alaranjados.

-Também... Até mais, Ukitake-san... – E em um shunpo, partiu do local.

Dessa vez, reapareceu na colina. Grimmjow se levantou ao ver o ruivo chegar.

-Finalmente, Ichigo! Já está de noite! Vamos logo! Teve um atraso, ainda dá para a gente ir! Cadê a mulher?

-Ela não vem... Vamos!

-... – Grimmjow olhou-o sério, mas continuou — Certo. – Logo, partiram do local.

-Ichigo\'s POV-

Passaram muitos anos...

Fingi ter esquecido-a... E saí pelo mundo... De torneio a torneio, sempre a viajar...

Sou um grande Shinigami Daikou... Mas meu coração...

Continua a penar.

Nunca mais tive notícias de lá. Eu recebi uma ou duas cartas de Ukitake-san e Shunsui;

Mas desde a morte de Ukitake-san, que estava doente, Shunsui começou a beber muito. Agora, é um alcoólatra, um bêbado sem vida própria. Passa o dia no bar.

Então, não tenho mais notícias de Soul Society.

Notas finais

Ahh esse foi o epi mais triste que ja escrevi

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.