Notas iniciais

-Ichigo\'s POV-

Depois disso, continuamos nos encontrando. Encontrávamos-nos quase todos os dias; Quando não era um \"encontro\", mesmo, nos víamos nas partidas.

Eu estava amando cada vez mais aquela baixinha.

\"Perfeita, simplesmente perfeita\", era isso que eu pensava.

Muitas pessoas podem achar que éramos muito jovens, mas eu achava que já tinha idade suficiente para saber o que queria da vida.

E uma dessas coisas, era passar o resto de minha vida ao lado de Rukia.

Apenas falei sobre isso com ela precisos 5 meses e 3 semana depois. Mas já tinha começado a pensar desde o nosso 3º mês de namoro.

Nós estávamos namorando, mas o pai de Rukia, Byakuya, não sabia. Apesar disso, eu tinha confiança de que o amor prevaleceria; Que eu conseguiria o que queria, não importasse como.

-Heey, Rukia... – O ruivo acariciava os cabelos escuros da amada, que estava com a cabeça apoiada em seu ombro.

-Hm? – Ela levantou o rosto e olhou-o nos olhos.

-Te amo... – A morena sorriu.

-Também te amo...

-Sabe, eu estava pensando... – Não sabia como falar. Simplesmente não tinha como falar.

-O que? – A baixinha continuou olhando, agora com uma expressão preocupada, esperando o que o amado ia dizer.

-Sabe... O que você... – O ruivo corou e desviou o olhar – Como você imagina que vá ser o seu futuro?

A baixinha demorou um pouco a responder, então sorriu e falou com simplicidade.

-Eu estarei trabalhando como Capitã de algum esquadrão, terei pelo menos um filho e estarei casada!

-Hm... Casada com quem? – Ichigo tinha certeza de que a baixinha sabia aonde ele queria chegar, mas ela continuou a responder ingenuamente.

-Com um homem que eu ame e que me ame também! – Ichigo continuou com o olhar baixo, e então perguntou em um murmúrio.

-E esse homem poderia ser eu?

Rukia sorriu, com simplicidade.

-Claro! Afinal, eu te amo, e você me ama, não? – Ichigo levantou o olhar, ainda corado, e sorriu pequenamente ao ver o belo sorriso da amada. Era essa uma de suas características que tanto amava: sua simplicidade. Aproximou-se lentamente de seus lábios rosados, e deu-lhe um selinho. Rukia de repente ficou com uma expressão pensativa, preocupada.

-O que foi?

Ela hesitou um pouco, e então respondeu, ainda com o semblante preocupado.

-Você vai ter que falar com o meu pai...

-Tudo bem! – O ruivo sorriu – Se é assim, vou falar com o \"seu velho\" amanhã, tá? – Rukia suspirou, aliviada, e sorriu também.

-Tá certo...

*********

Estava muito nervoso. Estalava os dedos o tempo todo, batia levemente o pé no chão ritmicamente.

Estava na sala da casa da baixinha, e, diga-se de passagem, era gigante. Mas é claro, esperava o que? Ela era filha de um Capitão, o melhor emprego do país, não dava para esperar menos.

Ajoelhado, sozinho naquela imensa sala sem objetos, Ichigo se sentia cada vez mais nervoso. De repente, ouviu a porta se abrir e olhou.

Surgia aos poucos uma figura alta e esguia, imponente, com o olhar frio e penetrante. Mais conhecido como Kuchiki Byakuya. No canto, ajoelhada no chão e abrindo a porta, estava Rukia, de cabeça baixa, com um belo kimono azul-claro.

Ichigo inspirou profundamente e esperou Byakuya se sentar. O moreno se sentou à sua frente, também sobre os joelhos. Logo, a baixinha deslizou para o lado do pai, ainda com a cabeça baixa e na mesma posição que os outros dois. Pegou uma bandeja e começou a servir chá.

-Então... – A voz de Byakuya era fria e não transmitia sentimentos. Parecia uma máquina. – O que deseja aqui, senhor..?

-Kurosaki. Kurosaki Ichigo. Eu vim aqui para... – Ichigo olhou rapidamente para a baixinha, mas ela continuava com a cabeça baixa, demonstrando respeito aos homens. Serviu o chá para os dois homens da sala, e continuou de cabeça abaixada. Era um costume de seu país, as mulheres dificilmente chegavam a altos cargos, e eram tratadas como serviçais pelos homens. Ichigo não concordava com tal atitude, mas era como tradição. – Para pedir a mão de sua filha em casamento.

Ichigo esperou que Byakuya ao menos arregalasse um pouco os olhos, mas o moreno continuou do mesmo modo.

-Você quer se casar com a minha Rukia?

-Sim, senhor – Ichigo suava frio, mas continuava com uma expressão calma.

-... – Byakuya mexeu um pouco a xícara o chá, esperando-o esfriar. – Quantos anos você tem, Kurosaki?

-16 – Byakuya continuou olhando o chá durante um tempo, então olhou novamente para o ruivo.

-O que fazes da vida?

-Sou um Shinigami Daik-

-Um Shinigami Daikou? – A voz de Byakuya foi mais fria do que das outras vezes que Ichigo ouvira.

-Sim.

-Oh... – Byakuya estreitou seu olhar – Você quer que eu permita que a minha filha, minha primogênita, se case com um... [i]Shinigami Daikou[/i]? – Ao pronunciar novamente o emprego de Ichigo, a voz do moreno soou com desprezo. Ichigo engoliu em seco.

-Sim, senhor... Mas eu sou o melhor daqui, e-

-Oh, você é o melhor Shinigami Daikou? – Agora era ironia. Rukia estava desconfortável com aquela situação, dava para o ruivo perceber – Pois bem, senhor Kurosaki... Eu também sou o melhor. Mas sou o melhor Capitão. – Byakuya se levantou e se virou na direção da porta. Virou o rosto e passou a olhar Ichigo de cima. — E não vou permitir que a minha filha se case com um... – Byakuya indicou, com a cabeça, a postura de Ichigo, que estava relaxada, e suas mãos em constante movimento. – Homem de tão pouca classe. Ela se casará com um Capitão e honrará o nome da família. Passe bem. – Byakuya se virou completamente e estava indo embora, mas antes se virou mais uma vez e olhou a morena – Rukia, não se encontre mais com esse homem – Dito isso, foi embora.

Ichigo permaneceu como estava, estático. Seus olhos estavam arregalados.

Aquilo não podia ser verdade. Não recebera permissão de se casar com a baixinha apenas por seu emprego?

Emprego esse que juntou os dois, na verdade.

Olhou para a baixinha. Sua cabeça estava ainda mais abaixada, os cabelos na frente dos olhos, as mãos fechadas sobre as coxas, tremendo. Ichigo engatinhou até a amada e levantou seu rosto, com delicadeza. Viu várias lágrimas rolando pelo rosto de Rukia, e sentiu uma pontada em seu coração.

Abraçou-a fortemente e sussurrou em seu ouvido.

-Eu não vou desistir de você por causa disso, meu amor... – Rukia afundou a cabeça em seu peito e começou a soluçar.

-V-Vamos ter que deixar de... nos ver? – Ichigo sentia a baixinha tremendo levemente, e apertou o abraço.

-Claro que não, claro que não... – O ruivo afagou suavemente suas madeixas negras – Podemos continuar nos encontrando, mas... O seu pai não poderá saber, tá...? – Sentiu-a fazer que sim com a cabeça, e beijou o topo da mesma. Apesar de ter dito tudo isso com tanta calma, na verdade estava nervoso e triste. Mas tinha que ser forte para ajudar a baixinha. – Eu te amo... Eu não vou lhe deixar... Tá...?

-E-eu tam...bém... te amo... – Balbuciou a morena, com a voz embargada.

Droga, estava tão confiante. Isso não devia ter acontecido. Agora, teriam de se encontrar às escondidas, como se fossem criminosos?

Bom, essa era a única solução que os dois viam no momento.