Notas iniciais
Segundo capítulo pronto. Boa leitura a todos !

Faz uma semana desde que descobri aquela garota. Então fico pensando se ela tem um nome. Ela não sabe falar, o que torna a descoberta mais difícil, mas não é assim ao ensiná-la o significado das palavras. A pronúncia está bastante imperfeita, mas também é assim com um bebê, certo? Você formula as palavras em gestos e sons pausados, enquanto eles vão tentando imitar até que sai um som esperançoso de sua boca, dando uma grande satisfação a quem está ali a horas tentando algum resultado.

É difícil dizer se ela realmente tem dificuldade de falar ou se a forma de sua linguagem é diferente de onde ela veio. A palavra mais fácil de ensiná-la está sendo "ar", e mesmo assim, faz três horas e nada. Há uma mistura de tom fanhoso e suave, o que torna o timbre abstrato, confundindo uma palavra com uma reação constrangedora.

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— Bom, por hoje terminamos. — Kaiser dá um sorriso e se dirige ao terraço. Ainda era de manhã, mas é sempre bom respirar o ar puro das 6h. A jovem já sabia arrumar sua própria refeição, e lá estava ela comendo um bife bem assado com arroz e alface. Ela tinha um gosto estranho pra sabor, considerando sua paixão pelo azeite. Era algo que ela colocava em qualquer prato salgado que comia independente da qualidade. Também penteava seu cabelo com bastante frequência, descobrira que era algo relaxante de se fazer quando se está tensa ao errar inúmeras vezes a mesma palavra. Também se sentia bem com calça e blusa de manga, algo não muito comum nos dias de hoje, uma vez que o normal é usarem roupas soltas e folgadas.

Kaiser então sai do terraço e vai até ela:

— Está na hora de decidirmos um nome para você. — Ela encara Kaiser curiosa para entender o que o termo significa. Costumava se esquecer que a coitada ainda não sabia nem o alfabeto. — Sei que não me entende, mas, e se daqui pra frente eu te chamasse de... Yukki? — Ela não mudava sua curiosidade, então Kaiser decide simplificar as coisas, apontando seu dedo indicador em direção a ela repetidas vezes, para ela entender o que aquilo indicava. Ela acena com a cabeça, confirmando o entendimento.

Dias como esse viraram rotina para ambos, ao ponto de se acostumarem a alguns gestos e os entenderem, mesmo que Yukki não soubesse ainda se expressar tão bem. Mas nada é tão bom que possa durar.

Algo brilha no céu, e assim como quando Yukki caiu, era algo que cegava os olhos, mas dessa vez se tratava de um brilho vermelho-sangue, que caiu na floresta abaixo da montanha. Kaiser se direciona ao local, mas Yukki o agarra pela blusa. Ela o olha em súplica, e então ele entende.

— Você quer ir também? — Ela confirma com a cabeça, então ele a pega e salta entre os antigos escombros na base da montanha, e vai ao local. Lá, em uma pequena cratera, alguém se levanta.

Um homem de aproximadamente 1,80 m, cabelos longos e negros, assim como seus olhos. Usava uma espécie de balandrau vermelho com detalhes dourados e sapatos pretos. Kaiser coloca Yukki atrás de si. O desconhecido os vê e não demora a falar.

— Eu vim para eliminar você.

— Não sei quem você é, mas não vou deixa-lo me derrotar assim tão fácil. — Kaiser responde e monta sua postura de batalha, mas o homem responde.

— Eu não me referi a você. — Aponta seu dedo para Yukki. Ela se assusta. Kaiser se enfurece.

— Até parece que vou deixar você fazer isso! — Kaiser envolve seu punho com uma forte chama, corre com grande potência contra seu inimigo e tenta acertá-lo, mas o mesmo segura o soco flamejante com uma das mãos, e joga-o violentamente contra o chão, assim, começa a caminhar lentamente até Yukki. Kaiser rapidamente levanta e tenta acertá-lo da mesma forma pelas costas, mas o homem desvia com seu braço e o acerta no peito com um poderoso soco envolto de uma energia vermelha-escarlate, fazendo-o voar até a montanha.

— Agora sim, ele não vai mais atrapalhar... — Da manga do braço esquerdo, o homem saca uma grande espada de lâmina negra e bainha dourada. — Esta espada aqui é feita para matar indivíduos da sua raça. Com ela, você nunca mais poderá reencarnar ou ter alguma chance de sobreviver. — Yukki não saía de seu lugar, paralisada pela maldade que o desconhecido emanava. Ele levanta sua espada, mas com um grito, Kaiser avança com o punho mais concentrado do que antes.

— Eu vou acabar com você!!! — Tenta acertar seu inimigo, mas o mesmo se defende com sua espada, parando o ataque e o empurra para o lado, Kaiser então, por desespero, envolve seu corpo com uma grande e densa quantidade de chamas, e grita — Flame Wolf!!! — Correndo contra o desconhecido, suas chamas tomam o formato de um lobo, e, com sua velocidade aumentada em dobro, Kaiser acerta o rosto de seu inimigo. Para sua surpresa, o mesmo não sai do lugar. Ao contrário, em seu rosto se vê uma grande ira. As veias de trás de seus olhos começam a aparecer e seu rosto vai tomando um aspecto agressivo. Kaiser é pego pelo pescoço e atingido a queima-roupa com uma poderosa esfera negra da mão do inimigo, o que resulta em uma poderosa explosão, então o mesmo lança Kaiser violentamente ao chão, ali, ficava pisoteando suas costas.

— Você, seu verme, me irrita!!!

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Isso foi... Inesperado. Uma técnica própria, que até então causava um nocaute inevitável, foi parada por um mero rosto enfurecido e que me invalidou ali no chão. Será que eu realmente tenho forças para proteger alguém? Ali, não houve proteção, apenas contra-ataque. Nada mais. Ali eu reagi, mas não protegi. E agora, ela está exposta, enquanto estou sendo golpeado várias vezes. Logo agora que ela tinha recebido um nome. Sinceramente, não sinto mais nada. O ataque dele fez meu corpo inteiro ficar dormente.

Mas então eu ouço uma voz.

"Solte-o, agora..."

Espera... Não, é impossível.

"Solte-o, agora!"

É realmente isso? Ela está...

" Eu mandei você soltar!!" E então, um grito... Era realmente ela. Então eu abro os olhos, e lá está ela, de pé contra aquele que a caça. Mas algo está diferente... Ela... Como?

Yukki começa a falar. Aquilo era surpreendente. Seu cabelo estava se tornando branco-azulado, desde as raízes até as pontas, assim como seus olhos. A aura que ela emanava era fria, congelando o chão em que pisava, assim como as folhas, galhos e pedras próximos de si.

— Eu vou acabar com você! — Yukki diz calma, mas firme, repetindo o que eu havia falado.

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E, como uma pluma, se move quase invisível, arrastando uma nuvem de poeira consigo, iniciando uma sequência de ataques quase não acompanháveis para os olhos de Kaiser. O desconhecido demonstrava certa dificuldade em conter seus movimentos, uma vez que ela estava completamente ofensiva, e ele, por sua vez, estava apenas na defensiva. Yukki pousa, congelando os pés do inimigo, que por um pouco não recebe uma mão fria e perfurante no peito. Ele então se afasta. Com isso, Yukki fecha os olhos, liberando uma quantidade dobrada de energia fria em seu corpo. — Ryozickt Vandare Galenik! — Logo, de sua mão esquerda, é criada uma luz forte e em seguida uma rajada branca de grande escala, atingindo o inimigo em cheio, congelando-o que estava próximo, inclusive ele. Logo que a técnica terminou, lá estava ele, imóvel e congelado. Em pouco tempo, o mesmo se desfaz da camada de gelo que o limitava, ficando ofegante. Seu esgotamento era notável.

— Você... Vai me pagar... — O homem toca no chão, e desaparece em um grande símbolo vermelho criado abaixo de si, que o desfaz em pequenas partículas de luz da mesma cor.

Kaiser perde lentamente a consciência, e a última coisa que vê é Yukki se aproximando de seu corpo imóvel.