A Saga das Lendas - Prólogo
8 O Demônio Obsidiana
Já haviam se passado exatamente 5 anos desde o início do meu treinamento. Yukki também teve a mesma atenção. A coitada ficava completamente perdida no que fazer no início, não sabendo o que o mestre queria que fizesse. Agora, ela consegue agir, falar e treinar como um combatente de verdade. Todo o tempo investido na sua educação valeu a pena. Um verdadeiro presente.
Yukki aprendeu a controlar suas habilidades com maestria, uma vez que, por alguma razão, a energia que eles usam são completamente compatíveis com a dela. Agora consegue reproduzir as mesmas técnicas que usou contra nossos dois últimos inimigos com perfeição. Também consegue reproduzir meus movimentos usando o fogo em sua própria versão, já até nomeou alguns movimentos. Um orgulho em pessoa. É exagero dizer que ela virou uma máquina de guerra?
Por outro lado, ainda é uma criança. Sua ingenuidade ainda toca o coração das pessoas do local. Tem um relacionamento muito forte com todos, divertindo crianças e ajudando adultos em tarefas que seriam muito difíceis para humanos normais, como carregamento de toneladas de madeira e dar sustento a um andaime frágil. Emana uma aura tranquilizante, ao ponto de independente do estado emocional, a pessoa que se aproxima sentirá uma incrível paz em seu coração, e voltará para casa pronta para enfrentar quaisquer males que abalam sua vida. Qualquer eremita sentiria inveja disso.
Depois do resultado do meu encontro inconveniente com Shaya, acabamos por iniciar um relacionamento. Demoramos para contar para Ashtar, mas o cara já sabia o que tinha acontecido e gargalhou quando viu minha testa virando um chuveiro de suor graças ao nervosismo e medo da situação. Ele abençoou nosso relacionamento e, mesmo Shaya sendo relativamente muito nova para mim, me pergunta se quero crias. Difícil responder quando o medo do pior ainda corre em suas veias.
Shaya tem a habilidade de hipersensibilidade, o que permite sentir com precisão os sentimentos das pessoas próximas sempre que ela quiser. Isso ajudou muito no meu treinamento. Em momentos que eu me sentia frustrado e insatisfeito com os resultados, ela sabia exatamente o que me dizer para me fazer levantar de novo, finalizando seu discurso motivacional com um selinho. Nada como uma cereja no bolo. E como se não bastasse, possui o mesmo domínio do gelo que Yukki, dando a capacidade de fazer complô em combate. Mesmo sendo bem magra, ela consegue entrar em combate com gente do triplo de seu tamanho, conseguindo nocauteá-los rapidamente sem qualquer esforço, mesmo não usando suas técnicas elementais. Vai dizer que isso não é incrível?
Nosso treinamento foi intensivo, mas parecia que Ashtar queria pegar mais pesado comigo. Talvez com medo de machucar sua filha e uma garota que mal sabia falar. Ele só começou a treinar Shaya quando a mesma implorou por semanas. Disse que queria acompanhar meu treinamento para podernos nos fortalecer juntos. O momento foi comovente, vocês tinham que ver. Para testar a decisão da filha, ele a forçou ao limite várias vezes, até julgar estar no mesmo nível que eu. A dedicação que demonstrou em noites sem dormir foi impressionante.
Vocês não fazem ideia de como Ashtar é impressionante. Depois que começou a nos treinar, ele desenferrujou as engrenagens e mostrou boa parte das habilidades dele. Vocês tem noção do que é ver um cara que era conhecido pela idade avançada levantar quatro pedras enormes de algumas toneladas em cada braço e com perfeito equilíbrio? Além das mesmas habilidades da filha mas em níveis muito superiores, ele provou ser dono de um reflexo tão impressionante, que era como se ele tivesse uma barreira ao redor do seu corpo. Seus músculos, antes meio retraídos, agora são dignos de serem expostos, mostrando o resultado de treinamento intensivo e participações em guerras. Alguns moradores disseram que em sua época de glória e apoio ao meu pai, ele derrotou dezenas de exércitos sozinho, e cada um desses exércitos haviam mais de cem mil homens. Também disseram que ele parou com os combates depois da morte do meu pai, pois cansou de ver seus companheiros morrerem, inclusive seu melhor amigo. Não o culpo, a guerra tira vidas que poderiam ser aproveitadas de forma melhor do que com uma espada na mão.
Meu treinamento se baseou em combate e resistência corpo-a-corpo e elemental, e para isso ele abusou bastante da minha regeneração. Também me ajudou a manipular uma parte do ser dentro de mim.Depois de alguns anos de treinamento, ele finalmente me contou o que era e que meu pai também herdou. A Fênix é a reencarnação do fogo e da fúria, e uma das três Bestas Sagradas. As outras duas irão se encontrar comigo naturalmente, pois tudo faz parte do destino. Em partes me sinto feliz por ser alguém capaz de fazer a diferença no mundo, mas também apreensivo que ele dependa de mim e dos outros para não ser destruído. Dá uma pressão psicológica que quanto mais se pensa nisso, mais forte fica.
Apesar de tudo, estamos em paz. Não houve ataques desde aqueles últimos. Uma vida tranquila tão sonhada por muitos e conquistada por quase ninguém. Sinto como se algo de ruim pudesse acontecer a qualquer momento e arruinar essa paz. Talvez seja apenas um medo momentâneo. Ou talvez... Oh não.
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Pegando todos de surpresa, a cor do céu se torna um forte vermelho, tornando a coloração das nuvens quase negra. Bolas de fogo começaram a cair do céu. Em questão de segundos, uma paz plena se transforma em um mar de desespero. As muralhas, que antes haviam sido construídas pelo esforço de todos e resistido aos ataques mais ferozes, agora cai com um único impacto, com suas enormes pedras voando e caindo em pessoas, esmagando seus corpos causando uma morte imperceptível para as vítimas. O fogo se alastra em segundos por todas as casas do lugar, envolvendo seus moradores em chamas que corriam desesperados pela vida.
Ashtar destruía várias pedras que ainda caíam do céu, salvando o máximo de pessoas que podia, recolhendo-as em sua casa. Mas tudo foi em vão, quando outra vem pela direção oposta e esmaga a casa com todos dentro, matando-os sem que percebessem. O impacto joga Ashtar para frente com violência. Ele levanta lentamente, frustrado ao ver que seus esforços não valeram de nada.
Pouquíssimos sobreviveram, pois tiveram a sorte de se esconder na caverna do sábio, aonde balançava pelo impacto das pedras em cima da montanha aonde se encontravam. Depois de alguns minutos que pareceram horas, a queda das pedras parou, mostrando finalmente o resultado do massacre. Corpos queimados, órgãos e membros espalhados pelo lugar. Uma visão agonizante e melancólica, causando choros desesperados e pesados daqueles que perderam ali as pessoas que conviviam e amavam. Bebês, crianças, maridos, esposas, pais, avós, animais. Um trauma cresceu em cada um, eles não irão superar isso. Shaya, Ashtar, Yukki e Kaiser fomos alguns dos poucos sobreviventes. Ashtar e Yukki choravam pelo rapaz que antes era respectivamente filho e irmão, agora com a cabeça esmaga por uma das pedras da muralha. A dor deles junto com a de todos fizeram Kaiser perder as forças e ficar de joelhos, caindo em um choro que nunca ira esquecer.
Pouco tempo depois de terminarem de recolher o que sobrou dos entes queridos, houve um tremor. Curto, mas forte, fazendo a maioria cair. Passou-se segundos, e aconteceu de novo. Após isso, as pedras caídas pelo lugar começam a se quebrar. Com estouros, algo sai dali. Criaturas humanóides, sem rosto e cabelo. Uma aparente pele de aspecto metálico de cor roxa, magros e rápidos. Assim que saíram, expeliram de suas mãos uma espécie de luz cor-de-rosa, transformando o restante dos sobreviventes em cinzas. Não parecia dolorido, pois o simples toque da luz tinha efeito instantâneo. Os que podem lutam, mas é em vão. Os únicos que sobrevivem são o sábio, o mestre, sua filha, Kaiser e Yukki. Eles se dividem e derrotam vários inimigos. Ashtar e Shaya usaram sua raiva e descontaram em todos que viam pela frente, destruindo seus corpos com apenas um soco. Yukki os congelava e destruída com chutes. Apesar de parecem de metal, Kaiser os torrava com ondas massivas de fogo. Em alguns minutos, todos os humanóides são derrotados, mas a sensação de derrota continuava em seus corações. Não demorou muito até verem que ainda não havia acabado. Os restos das criaturas começam a derreter e a se moverem por conta própria, todos indo de encontro em um ponto. Começaram a formar um corpo humanóide novamente, mas diferente. Este tinha um rosto, seguido de uma feição sorridente e malévola. Seu corpo agora é coberto de uma armadura negra, e sua pele roxa. No mesmo instante que seu corpo se completa, ele lança uma das rajadas de luz,agora três vezes maior que as anteriores, em direção a todos. O sábio direciona sua mão ao ataque, gerando um sinal de Ohm no ar, criando uma barreira que os protege. Os olhos negros da criatura encaram os protagonistas da situação, e lhes dão a ideia de convite para um combate que os farão chegar ao limite, e se apresenta com apenas uma frase, enquanto gera uma espada negra em sua mão, apontando para todos.
— Eu, Volkrav, o Demônio Obsidiana, os desafio!
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