A Saga das Lendas - Prólogo
4 Ameaças e Aniquilação
É difícil aceitar que estou sendo perseguido sem saber o motivo, mas acho que se eu disser que me sinto um criminoso por isso, ficará um ar constrangedor pra mim. A mulher sabe meu sobrenome. Um sobrenome que eu não tinha conhecimento. Nunca descobri meu sobrenome, embora eu tenha gostado desse. Mas agora graças a isso estou sendo caçado por um bando de vampiras, se é que não são coisa pior.
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Mulheres com vestes demasiadamente pequenas e olhares sedentos de sangue saltavam de árvore em árvore, acompanhando os movimentos de Kaiser que carregava Yukki em seus braços.
— Yukki, não solte de mim, por favor! — Tão logo termina de falar, e uma delas surge em sua frente, o obrigando a pousar, e ao fazer isso, se vê cercado por dezenas delas. Ele deixa Yukki em pé ao seu lado e, banhando seus punhos com densas chamas, prepara-se para o combate, mas é pego por trás pelo pescoço, e com uma grande força, o joga contra uma grossa árvore. Ao se dar conta, vê que se tratava da mulher que conhecera na aldeia.
— Flamvell Kaiser, aí está você... Perseguir você é bem difícil, mas aqui estamos. — Cinco delas cercam Yukki, que ajoelhava pondo as mãos na cabeça, com medo. — Você poderia se render, garoto... Precisamos eliminar você pra evitar um grande problema para nós e nosso mestre. Se as pessoas certas souberem de você, poderão prejudicar nossos negócios.
— Quem são vocês?!
— Somos uma espécie de Súccubus. Eu me chamo Liak, a rainha das Súccubus de batalha, e nossa tarefa era eliminar o filho do grande rei do país do fogo que, por sorte, veio ao nosso encontro. Agora, sem mais delongas, lhe darei duas opções: venha conosco e talvez, apenas talvez, deixaremos essa insolente viver; ou reaja, e limparei o sangue imundo dela nesse chão com a sua cara. Se você a valoriza tanto quanto quero matá-lo, então fará a escolha certa.
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Uma pressão incrível nasceu em minha mente. Uma escolha em que um vive e o outro morre. Não tenho todo o tempo do mundo. Em algum momento, ela pode decidir matar nós dois. Ela me quer, significa que se eu me entregar, ninguém mais sairá ferido, e ela poderá encontrar outra pessoa que a instrua como viver. Mas... Será que essas são realmente as únicas escolhas...? Um grande calafrio está correndo pelo meu corpo agora. Uma corrente de ar frio estranha paira sobre o lugar, mas me dá uma sensação familiar. Será que... é possível?
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Uma poderosa energia desperta a atenção de Liak em direção a Yukki, enquanto a mesma libera uma pesada onda de energia branco-azulado, congelando as súccubos que a cercavam. Com seu cabelo se auto colorindo deste mesmo tom. Liak se assusta.
— O que é isso? — Kaiser aproveita a distração de Liak, e concentra uma poderosa chama em seu punho esquerdo, golpeando-a no estômago, afastando-a e retomando sua postura.
— Parece que eu não tenho mais com o que me preocupar. Acho que quem corre perigo de vida aqui agora é você.
— Kaiser! — Yukki, em um tom poderoso e firme, o chama. — Não abaixe a sua guarda. Ela pode ser mais forte do que aparenta... Deixarei essa daí com você. Contento-me com a tropa.
— Sem problemas! — Ele avança contra Liak, buscando acertar seu rosto com seus punhos em chamas, mas a mesma consegue se desviar com um pouco de dificuldade. Liak conjura, de sua manga, várias estacas negras afiadas, que perfuram as mãos e tórax de Kaiser. A dor é terrível, o fazendo cuspir uma grande quantidade de sangue. — Merda... Ela tinha razão. Mas... Como ela sabia?
— Talvez ela tenha mais noção de batalha do que você, garoto. Eu sou uma Súccubos, por quantas batalhas você acha que passei? Isso aqui não é nada para mim. — Yukki entra na frente, buscando golpear Liak, que se afasta com um salto.
— Kaiser, recomponha-se! Anda!
O rapaz desmaia aos poucos, até se ver em um mundo completamente escuro.
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— Eu... Morri? — Kaiser não conseguia se mexer. Não sentia nenhuma parte de seu corpo, a não ser seu rosto. Um mundo com um escuro que parecia interminável, sem paredes, sem chão, sem luz. Até que surge, de repente, uma poderosa chama. Forte e de um tamanho que, só de estar perto, sentia que iria o engolir em fração de segundos. Mas dessa mesma chama, surge uma voz. Uma voz poderosa e autoritária, com um poder que jamais achava que poderia existir.
— Garoto... Você quer lutar?
— Lutar...? Pelo quê? Eu já estou morto.
— Estou lhe dando uma segunda chance de sobreviver. Você precisa do meu poder. Você, ao menos agora, precisa de mim.
— Eu não preciso de nada, seja lá quem você for. Eu falhei com alguém.
— Você pode protegê-la. Ela precisa de você mais do que nunca neste momento. Ela está te esperando acordar.
— Yukki... Me esperando?
— Sim... Você pode salvá-la. Você ainda não falhou. Falhará se não aceitar a chance que estou lhe dando. Me responda... Você aceita o meu poder, garoto?
— Se for... Pra... Ser... Assim, eu... Eu... Aceito.
— Quero ouvir sua vontade, Kaiser. Mostre-me que deseja.
— Eu aceito...
— Qual a sua escolha, Kaiser?
— Eu aceito... Eu aceito... Eu... Aceito!
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O local onde Kaiser estava explode com uma poderosa onda de energia, arremessando Liak e suas outras companheiras contra as árvores em volta. Yukki cobre o rosto, tentando ver o que acontecia e se mantendo de pé com dificuldade. Uma poderosa onda de ar afasta a grande poeira que antes havia se levantado. São as asas vermelhas de energia densa que estavam nas costas de Kaiser, com o resto de seu corpo coberto pela mesma. Seu cabelo, de castanho, tornou-se vermelho-sangue, assim como seus olhos. Sua voz, antes fraca, agora se torna duas vozes completamente opostas falando ao mesmo tempo.
— Eu vou acabar com você! — Suas mãos e tórax estavam recuperados completamente, como se nada houvesse o tocado. Kaiser avança, de forma quase não vista, contra Liak, e investe um poderoso soco, no qual ela defende com os dois braços, como resultado quebrando-os e sendo arremessada contra outra árvore, que agora se quebra ao meio e tomba. Liak mal consegue levantar, e ordena que todas as outras avancem contra ele. Kaiser então reage, criando um redemoinho de fogo completamente sobrecarregado ao seu redor, fazendo todas virarem cinzas em apenas alguns segundos. Lina treme e fica imóvel, enquanto Kaiser lança uma esfera, cuja qual era do tamanho de seu corpo, pulverizando o corpo da Súccubos, sem deixar rastros. Logo após, Kaiser cai de costas no chão, sem possibilidade de se mexer e dolorido. Yukki corre até ele, quase caindo.
— Kaiser... Bem?
Voltou ao normal, assim como a última vez.
— Yukki... Você está bem? — A pobre garota acena que sim com a cabeça, com um sorriso de alívio. Kaiser tenta se levantar, mas acaba por ficar de joelhos.
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E mais uma vez salvo por um surto de poder. Na verdade, dessa vez dois. Não sei mais o que está acontecendo... Aquela vontade de destruir, aquela empolgação, euforia... O que era aquilo? Aquela voz, que fez eu me sentir tão... Pequeno?
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