A Saga Evolução
1 Prólogo - Escalão
Caminhava sozinho pela Broadway, o jovem “moderno”. Com suas calças negras e sapato Converse vermelho desfilava pela rua, que é famosa no mundo inteiro. Estava um tanto quanto surpreso ao perceber que estava ali. Há muito tempo não ia à cidade, era estranho, já que ele passava cada noite em uma cidade diferente. O letreiro reluzente, que anunciavam os famosos musicais da Broadway, cegava-o, impedindo também, de acompanhar as trajetórias dos meteoritos que rasgavam o céu.
Ele sentia seu corpo instável desde o momento que receberá uma carta que exigia sua presença no Escalão, ainda a guardava em seu bolso. Tinha medo, pois sabia o que estava a sua espera e mais medo por não saber o que aconteceria depois. A cada esquina ele tirava o envelope branco, que fora lacrado a fogo, e lia, tentando decifrar alguns enigmas.
Caminhava pensativo, e tragicamente quebrado em pedaços por não conseguiu decifrar as mensagens escondidas em cada palavra da carta, isso aumentava seu medo e fazia-o estremecer.
Os carros trafegavam em total calma. Um enorme congestionamento afetou o trânsito naquela noite. Pessoas iam e vinham rapidamente e nem ao menos olhavam um para o rosto do outro. Isso o preocupava, sabia que tudo o que estava acontecendo era causado pelo ser humano, ou melhor, pela ignorância do ser humano.
Continuava a andar. Um homem de uns quarenta anos vinha em sua direção com um jornal embaixo do braço. Ao longe podia se ver que era um exemplar do New York Times. O rosto robusto e firme com uma barba mal feita chamou sua atenção. O homem trajava uma espécie de capa que ia até seus pés e no momento em que ia passar ao lado do homem, eles acidentalmente esbarram seus ombros um no outro, brutalmente. O jornal que se segurava embaixo do ombro do homem, se desprendeu pendendo para o chão.
- Desculpe! – o homem disse rapidamente, antes que o garoto tomasse qualquer atitude, que simplesmente balançou a cabeça.
Os dois se inclinaram para pegar o jornal, mas o homem foi mais ágil e conseguiu pegar primeiro. Eles subiram com suas cabeças rentes uma para a outra e olhando no fundo dos olhos do homem, ele via suas pupilas tremerem descontroladamente. Ele se ergueu rapidamente, como se não tivesse acontecido nada e retomou sua caminhada, só que em maior velocidade. Não sabia bem o que estava acontecendo, não conhecia muito sobre o assunto, e tinha medo. Seus passos se alargavam cada vez mais nas calçadas da Broadway. Esbarrava em todos a sua frente, queria fugir. Foi então, que ele começou a perceber que muitos homens o observavam. Não tinha certeza se estavam junto com o homem que esbarrara, porém não tiraria a conclusão. Tinha medo de observar suas pupilas.
Precisava se esconder, o que não seria difícil naquela noite escura e com tanta gente andando na rua. Entrou em uma rua menos movimentada e sem preceder, continuou a andar. Em um relance de olhar percebeu os homens dobrando a esquina e vindo em sua direção.
O fim da rua estava próximo e ele se desesperava.
Parou no limite da rua, enfrente a uma lanchonete. Grudou na parede e ficou esperando. Ele não poderia tomar nenhuma atitude que o comprometesse.
O mesmo homem que esbarrou nele deu um breve sorriso, um sorriso de assassino psicótico. Entrou em pânico e sem saber o que fazer começou a correr em direção a eles. Sua respiração naquele instante, muitas vezes falhava. Olhou pro céu mais uma vez, e não via os meteoritos que rasgavam o céu. Ele ia fazer algo que poderia compromete-lo. Engoliu o ar seco, que desceu como uma lâmina na garganta e deu uma olhada para o chão. Seus pés seguiam firmes e quando ia dar um salto, precisamente em seu último passo, um orifício negro se fez no chão e ele se endireitou para dentro.
Lá dentro ele não via nada. Não parava de cair, e por dentro, o buraco parecia ser bem maior. Não sabia o que estava acontecendo, mas havia se livrado dos homens de preto.
Quando menos ele esperava se deparou cercado de água. Abriu os olhos e tudo era azul. Olhou pra baixo e não via o fundo. Tentava alcançar a superfície, mas não conseguia. Seu fôlego já não era suficiente e de tanto lutar alcançou o ar. Fechou os olhos e respirou fundo. Ao olhar em volta, não encontrou nada, a não ser água, que estava por toda parte. Estava no oceano e não fazia idéia de qual. Virou seu rosto para trás e viu uma árvore sem folhas e seca. Sua copa estava inteira fora da água.
Ok! Uma árvore no meio do oceano, com sua copa toda para fora da água. Ela deve ter um quilometro de altura. E devo estar no Triângulo das Bermudas, porque se ninguém a descobriu... E ele estava no Triângulo das Bermudas.
Lutava para flutuar na água e alcançar o ar, mas agora estava indo na direção da árvore.
Enfim chegou e em seu primeiro toque nela, sentiu um arrepio. Apoiou seu pé em um galho e subiu árvore acima. Sem saber o que fazer, continuou a subir. E no ponto mais alto da árvore ele se estendeu, ficou em pé e olhou ao redor. Não via nada, a não ser uma gaivota, que para sua surpresa vinha em sua direção. E como um jato em combate veio a toda velocidade com a certeza de que o acertaria, porém ele foi mais esperto. Evacuou o ombro e ela passou direto. Desequilibrou do galho e tentando apoiar seu pé, quebrou-o. Começou a cair com a cabeça voltada para os galhos foi então que estendeu a mão direita à frente na tentativa de tirar os galhos do seu caminho, mas no primeiro galho que encostou sentiu uma vibração e algo o fez desaparecer. Desta vez ele não se viu em uma cratera negra, mas no nada.
Apareceu em uma sala longa, toda branca com detalhes em dourado. Uma mesa cumprida toda entalhada em madeira se estendia ao longo da sala, e só havia duas cadeiras, uma em cada extremidade da mesa.
Ele respirou fundo e viu que havia uma fila enorme de pessoas. Eram diferentes culturas e roupas.
Todos se viraram para frente como uma linha de soldados prestes a fazer um juramento. Quatro homens se apresentaram em suas frentes, vestidos de ternos.
- Sejam Bem-Vindos! – uma frase que não fazia sentido algum naquele momento.
Os quatros se espalharam pela sala, se aproximado de cada um e sussurrando palavras encorajadoras que ele não podia ouvir, mas via a feição dos rostos mudarem.
Em toda sala, havia uma única porta, toda lacrada em aço. E ele não havia entrado por ela. As pessoas que já tinham ouvido as palavras encorajadoras se encaminhavam para a porta. Tinham três ou quatro, no momento em que a porta fora aberta por uma senha de sete dígitos, discada por um dos homens. Uma forte rajada de vento entrou na sala e as pessoas ao chegarem à porta, pulavam, e ele tinha certeza de que não era baixo. Um dos homens veio se aproximando dele.
- Chegou a minha vez? – sussurrou baixinho, olhando para o tornozelo para verificar se não estava preso a uma corda de bungee-jump e não estava.
- Jared, Jared... – começou a sussurrar o homem de terno.
Ele sabia o seu nome, e Jared sabia disso.
- Por que está tão apreensivo? Você já sabia que isso aconteceria, não é? – continuou a sussurrar.
- Eu sabia que isso ia acontecer, mas não precisava quase me afogar! – a última palavra de Jared soou pela sala.
- Você sabe quem é e o que faz aqui? Sabe de seu dever?
Respirou para responder.
- Sei quem sou, e sei o que faço aqui. Meu dever... é lógico que tenho conhecimento sobre isso. Eu sei que estaria aqui, porém tenho medo do que pode acontecer depois.
Ele olhou nos olhos de Jared fixamente.
- Você é corajoso. – disse, indo até seu ouvido – Receberá várias instruções, mas eu te adiantarei uma. – ainda não tão próximo de seu ouvido.
- Dê sua vida para aqueles que você irá proteger, porque as vidas deles valerão a sua, e as suas vidas juntas valem o destino da humanidade. – disse ao pé de seu ouvido, sussurrando tão baixo que o fazia tremer de medo. – Vá! – aumentou seu tom de voz.
Jared se endireitou para a porta de aço. Suas pernas sacolejaram quando viu o infinito abaixo de seus pés. Sabia que deveria pular, mas seu corpo não permitiu, foi quando o homem de terno o empurrou. Começou a rodopiar no ar, e ao olhar pra cima viu o homem olhando-o da porta com um breve sorriso. Ele começou a se desesperar, mas como um pássaro ele planou no ar.
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