Notas iniciais
Desculpem não ter postado sexta. Sai nesse dia e no sábado e no domingo também. Já segunda o fanfiction não funcionava no meu pc, não sei por quê. Que azar kkk mas, está aí. Vou postar dois hoje para compensar, bjs!

No momento em que o vejo abro um sorriso fraco, não quero parecer feliz ou satisfeita, porque não estou. Estou apenas curiosa e aliviada por ele ter vindo, eu não aguentaria esperar mais. Robert continua parado na mesma posição, apenas me encarando. Solto um suspiro e cruzo os braços como se quisesse dizer “Então, quando começará a falar?”. Ele parece entender o recado e sorri e transfere o peso do corpo para o pé esquerdo.

- Você é bem curiosa. – começa ele.

- Você também é, admita. Caso contrário não teria vindo até aqui. – retruco.

- Tudo bem. – ele responde levantando as mãos. – O que quer saber?

Como se ele não soubesse o que eu quero saber.

- Sobre você e sua irmã. – respondo.

- É complicado. Está pronta? – ele pergunta.

Seu tom me parece muito desafiador. Não gosto disso. Mas, balanço positivamente a cabeça. Sinto um frio imenso na barriga, ansiosa para o que me aguarda a seguir. Como ele pode ter uma irmã? Um grande mistério a ser revelado a partir de agora.

- Eu e Tiffany somos realmente irmãos. E atualmente somos apenas nós dois de filhos. – ele começa. – Há sete anos nós tínhamos um irmão, Riley. Era o irmão mais velho e tinha dezenove anos quando desapareceu. Nossa família estava devastada, minha mãe chorava todos os dias e meu pai começou a beber. Tiffany não era deste jeito, era uma garota nerd e tinha apenas dois amigos. Ela adorava o irmão e resolveu se tornar popular para ocupar o tempo e esquecê-lo. Depois de quase um ano de seu desaparecimento, minha mãe insistia em espalhar cartazes com a foto de Riley impressa. Eu e a minha irmã não tínhamos mais esperanças e meu pai muito menos, estava se matando de tanto beber.

Robert parou. Se pudesse, acho que estaria chorando. Ele olhou para os lados e abaixou a cabeça.

- Até que em um belo dia eu estava saindo de um bar com alguns amigos, eles moravam em Seattle, mas eu não, então caminhava sozinho até o ponto de ônibus. Quando, de repente, alguém estava sentado ao meu lado. Era Riley. Eu quase morri de susto e até imaginei que estava vendo um fantasma, pois a polícia alegava que as chances de ele estar morto eram muito grandes. Riley sorriu para mim. Seu sorriso era o mesmo. Mas, seus olhos... sua pele... sua voz... não eram de Riley. Eu continuei calado, sem demonstrar nenhuma reação. Ele se virou para frente e disse “Semana que vem fará um ano”. Logo pensei que ele estava falando do seu desaparecimento, mas não era. Era da sua transformação como vampiro.

Robert levantou a cabeça para me encarar. Seu olhar era frio e triste, não poderia imaginar outra expressão dele. Se eu tivesse um irmão e acontecesse o mesmo e eu fosse humana... não, eu não poderia imaginar a dor. Sempre vivi em um mundo em que vampiros não são seres tão maus, pelo menos na minha família.

- O que você disse? – sussurrei, minha voz estava rouca.

- Nada. Eu apenas o encarei. – ele respondeu. – Sei que meu olhar estava confuso e até mesmo assustado, tanto que ele colocou seu braço sob meu ombro e eu notei como estava gelado, continuamos assim durante um bom tempo. O ônibus passou e eu não me movi, pensei que estava sonhando. Mas, depois de alguns minutos eu saberia que não estava. Ele disse “Preciso da sua ajuda” e eu respondi “Qualquer coisa”. Riley sorriu e me abraçou. Logo senti seus dentes sob meu pescoço, afincando-se cada vez mais até eu sentir o veneno se espalhar por todo meu corpo. A dor era imensa. Não sei como fui capaz de suportar.

Ele parou novamente. Não sei se estou conseguindo acompanhar tudo isso. É uma história e tanta. Mas, ainda quero ouvir. Eu preciso.

- Continue. – digo.

- Tudo queimava. Eu gritava o nome de Riley, pedindo para ele fazer parar, mas não havia resposta, era como se eu tivesse realmente sonhado com ele. Não me lembro de ter visto muitos rostos. Apenas um, que eu me lembro até hoje. O rosto de uma mulher ruiva, de cabelos cacheados. Não lembro exatamente das feições do seu rosto, mas se um dia a visse a reconheceria na hora. – Robert encara o nada, como se estivesse buscando momentos em sua mente. – Eu só a vi por alguns segundos e logo desmaiei. Quando acordei estava deitado em um colchão, num depósito cheio de outros vampiros. Todos me encaravam curiosos. Minha garganta estava seca, como se eu não bebesse água há meses. Alguém tocou meu ombro. Era Riley novamente. Ele me ofereceu uma garrafa com um líquido vermelho escuro. Pensei que fosso um suco e abri a garrafa apressadamente. Quando senti o líquido passar pela minha língua e descer pela garganta percebi que não era suco, era sangue. Era tudo muito estranho, mas meu “novo eu” ansiava por aquilo e não hesitei.

Eu sei de quem ele está falando. Minha mãe me contou essa história. Riley e Victoria. Só pode ser esse Riley, que queria matar minha mãe junto com sua companheira. Mas, do jeito que Robert fala dele parece ser impossível. Tudo parece coincidência demais. O irmão de Robert vira um vampiro, na mesma época do Riley da história da minha mãe, e Robert fala dele como se não existisse mais, exatamente como minha mãe disse. Engulo em seco, mas o vampiro ao meu lado não perece perceber, perdido em seus pensamentos.

- Depois, Riley me chamou para conversar em um lugar reservado e me contou tudo. Que foi transformado em vampiro por uma mulher, que estava apaixonada por ele e fez isso por amor e ele disse que também estava apaixonado por ela. Também disse que me transformou porque queria que eu estivesse com ele por toda a eternidade, junto com Tiffany. Quando perguntei da mamãe e do papai ele disse que eles mereciam uma vida tranquila e essa nova vida não oferecia isso. Contei como Tiffany estava e ele disse que já sabia, pois estava nos observando há meses e que ela seria transformada depois que ele terminasse de fazer algo com os outros vampiros. Eu nunca soube o que era. Riley não voltou para me contar.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu posso chorar e sei que Robert desejaria poder também. Ele dá um soco na árvore e cobre as mãos com o rosto. Estou chocada demais para falar algo. Apenas fico parada na sua frente, observando suas tentativas loucas de chorar. Ele soca a árvore várias vezes, que parece bem resistente, até uma rachadura se formar em sua mão direita e antes que ele possa dar outro soco eu vou até ele e seguro seu braço. Robert me encara e eu não sei o que fazer.

- Tiffany é uma vampira. Ela tem o dom de persuasão. Você acredita que ela é humana e que ela tem um coração pulsando em seu peito. Mas não, ela é uma vampira como eu. Renesmee, eu a transformei e me odeio por isso.

- Mas...

- Eu não queria dar essa vida a ela. Somos irmãos gêmeos e eu queria que ela tivesse uma vida melhor que a minha. Não gosto de ser vampiro. – ele diz nervoso. – Só que eu me senti tão frustrado quando soube da morte de Riley que não aguentei. Eu precisava de alguém e eu só tinha Tiffany.

- Como você soube da morte dele? – perguntei.

Mamãe me disse que quando minha família matou todos aqueles vampiros eles foram queimados para não se reconstruírem e tudo que poderia sobrar de Riley eram a cinzas.

- Ele sumiu. Ninguém nunca mais soube dele, nem de nenhum dos outros vampiros. – ele diz.

- Mas, ele pode ter fugido com a mulher por quem se apaixonara. – digo hesitante.

- Ele nunca me deixaria, nem Tiffany. Eu sei que não. – ele responde com tanta certeza que não o subestimo. Riley era irmão dele e ele deveria conhecê-lo.

Robert começa a andar apressadamente, me deixando sozinha na floresta. Não saio de lá. Encosto-me numa árvore, tentando encaixar o irmão de Robert na história contada pela minha mãe. É o mesmo garoto. Não pode ser apenas coincidência. Preciso confirmar as minhas suspeitas. E pelo o que eu sei. Meu pai e Seth mataram o irmão de Robert, um vampiro desesperado e carente que sente falta do irmão. Não culpo meu pai e Seth, Riley tentou matar minha mãe. Mas, alguma coisa me parece muito estranha nessa história toda.

Resolvo sair da entrada da floresta e caminho até a porta lateral do colégio. Quando chegar em casa, descobrirei se Robert estava falando do mesmo Riley da história da minha mãe.

Notas finais
Achei esse capítulo muito legal, espero que tenham gostado também! :)