A Saga Acorde-me: Alvoreça-me
20 Capítulo 20 - A Verdadeira História
– Pronto. O pote está escondido. – Cassie disse – Blair, por favor, nunca se atreva a abri-lo. Isso causará danos a todos nós caso seja feito.
– Eu não abrirei. Sim, eu tenho vontade, mas não abrirei. – Blair disse – Porque eu não posso abrir, mesmo?
– Magia negra. Era o que minha mãe mas tinha, e eu precisei usar muita para colocar Winterbrook dentro deste pote. Essa magia pode penetrar o coração de quem ousar abri-lo e é muito difícil tirar magia negra de um coração puro. – Cassie concluiu – Não repetirei novamente. Não abra o pote.
Casa de Cotton...
– Eu sei que você gostou. – Travis afirmou – Mas precisamos resolver e eu preciso te explicar que eu e Grace nunca tivemos nada. Foi apenas eu tentando amenizar a situação.
– Eu estou farta de você. – Karine concluiu – Quer dizer, não é “farta” de não te amar mais, mas... eu estou farta de você querer me explicar isso várias e várias vezes. Eu já sei o que tenho que saber. Eu te amo, Travis.
– Eu também te amo.
Na sala...
– Está sendo cada vez mais difícil explicar para Eliza que Cassie não irá mais voltar... quer dizer, sim, ela irá, mas daqui a algum tempo. Eliza já onze anos e deveria entender as coisas com mais facilidade. – Ollie falou – Essa semana foi muito corrida para mim, e eu quase não trabalhei direito por causa dela. Amanhã irei matricula-la em uma escola daqui mesmo, e ela morará aqui. Já tem seis meses que estamos aqui, e eu fui em Nova York poucas vezes... Acho que devemos mesmo nos mudar.
– Olha só, já que Karine agora está ficando aqui, não tenho mais o quarto de hóspedes vago, mais podemos colocar uma cama para Eliza no quarto de Otavio, até tudo se ajeitar. – Cotton disse – E claro, você dorme comigo...
– Tentaremos dormir, não é mesmo? – Ollie perguntou dando um sorriso torto – Falando nisso, faz quase duas horas que Karine e Travis estão dentro do “nosso” quarto. Eu não quero nem ver a bagunça.
– Já arrumei tudo, Ollie. – Karine disse saindo do quarto – Eu não sou tão idiota de deixar tudo... sujo e bagunçado. Esses dias, ando sem fazer nada e estou limpando a casa para Cotton. Espero que seja disto que você esteja falando.
– Sim, é sobre isso, com certeza. Notei que a casa está limpa. – Ollie disse – Agora, deixe eu fazer uma pergunta... Você e Travis ainda estão juntos?
– Sim, Pai, nós estamos juntos. – Travis disse – Não é mesmo, Ka?
– Sim. Agora podemos ir para casa de Sophia? – Karine perguntou – Ela já ligou. Jantar Ação de Graças nos espera.
– Eu e Cotton já estamos indo, preciso tomar banho. Enquanto isso, vá ajudando Sophia. – Ollie disse – E não fiquem namorando demais.
Enquanto isso... Não muito longe dali...
– E agora? Você vai me contar a verdadeira história sobre a maldição de sua mãe? – Blair perguntou – Por favor, Cassie, eu estou escondendo esse pote e não irei contar a ninguém sobre ele. Eu preciso saber a verdade sobre Mary. Por favor.
– Seis anos depois que nasci, meu pai biológico, Don, pediu minha mãe em casamento. Eu era criança, e foi minha tia Jane quem me contou essa história. Logo, minha mãe infelizmente não aceitou casar-se com Don, e minha avó, Nolee, a obrigou. Então, minha mãe foi ficando cada vez pior, corrompida pelo mal, ela e Duvur começaram a ter um caso e minha mãe... engravidou. Ela chorou muito quando descobriu. Havia meses que ela não ficava mais com Don, e, quando meu pai descobriu que ela estava grávida de Duvur, um dos melhores amigos dele, meu pai simplesmente a jogou uma maldição causando o mal eterno... e destruindo o feto que minha mãe esperava. Depois, minha mãe prendeu eu e minha tia Jane dentro de algo muito escuro, e eu me lembro de acordar na cama na casa de tia Jane, e eu não tinha mais memórias de minha mãe. Depois, Jane me disse que depois da maldição do mal eterno, minha mãe ficou mesmo corrompida pelo mal, e começou a ficar cada vez mais velha, mais triste... porém, mais poderosa. Ela tentou me matar, certa vez, foi quando Don a jogou dentro do 3º Mundo, e Duvur foi junto, porque entrou naquele portal imenso que eu me lembro de ver. Logo depois, Don removeu as memórias dos cinco meses que aconteceu tudo isso... e eu não me lembrava porque eu não queria lembrar. Então, nos mudamos para a Austrália, lá, minha tia engravidou de Kristen e se casou, até ficar viúva, quando eu fui fazer faculdade em Nova York... foi naquela época que as lembranças estavam voltando. Eu consegui um emprego na empresa que seu pai trabalhava, e ele era meu chefe. Nós ficamos no mesmo dia que entrei na empresa. Ele estava sensível, muito triste e... – Cassie contou.
– Continua. Eu estou esperando a conclusão. Estou esperando porque você resolveu se aproximar do meu pai... e porque você se tornou a mentora de Travis. – Blair disse – Termine, Cassie. Termine o que você começou.
Cassie bufou. – Blair, estamos aqui, nessa escuridão... Eu não quero terminar esta história. Me deixe sair, por favor! – Cassie pediu.
– Você não sai daqui enquanto não me contar tudo! Tudo! – Blair disse – Eu necessito saber! Eu preciso de respostas!
– Vamos voltar... Nos dois anos que fiquei na Austrália com minha tia, enquanto eu tinha quinze a dezessete anos, eu estudei tudo que eu podia sobre a Irmandade. Eu aprendi a controlar meus poderes, e foi nessa época que minha tia me contou toda a verdade sobre minha mãe e porque eu não sabia quem ela era. Logo depois, minha tia me contou que ela era minha mentora... e estava tudo muito confuso para mim e eu fugi para Nova York com dez mil dólares no bolso. Eu tinha roubado um senhor com meus poderes... e o mal estava me corrompendo também. Quando eu cheguei em Nova York, eu estava prestes a querer destruir tudo que eu via pela frente então eu comecei a fazer faculdade... e me tornar uma pessoa normal novamente. Eu formei aos vinte anos e conheci seu pai, e mesmo antes de eu completar vinte e um, eu estava grávida de Eliza. Eu tenho trinta e dois anos, a idade que minha mãe tinha quando foi para o 3º Mundo e eu eu descobri quem era seu pai porque... Ok. Esta história já está ficando grande demais. – Cassie disse – O final é que depois que ganhei Eliza, retornei contato com minha tia, e Don. Eu não sabia que ele era meu pai, mas ele sabia quem eu era. Ele me treinou enquanto eu amamentava Eliza, e na noite da formatura de Travis algo realmente estranho aconteceu...
Casa de Sophia... Uma hora depois...
– Esses croissants estão ótimos! Parabéns, Sophia, você além de uma ótima mulher, guerreira, é uma ótima cozinheira. – Ollie disse – Mas estou preocupado com Blair. Ela está a onde, Travis? Não falou com ela?
– Cheguei! – Blair disse abrindo a porta – Eu ouvi que estavam perguntando a onde eu estava. E eu não irei contar.
– Blair, hoje é Ação de Graças. Como assim, não irá contar? – Sophia perguntou – Você deve isso a todos nós. Está desde cedo longe de casa... O que aconteceu?
– Vou para meu quarto dormir. – Blair disse – Chega por hoje.
Algum lugar perto dali... Uma hora antes...
– O que aconteceu no dia da formatura de Travis? – Blair perguntou.
– Eu estava em Nova York, sentada em minha mesa no escritório de seu pai, e ele, quieto, conversando no telefone. – Cassie concluiu – Era Olivia o xingando porque ele não iria até Winterbrook aquela noite. Seu pai me deu um beijo e falou que iria até o banco depositar uma quantia em dinheiro para você... e minha tia Jane chegou dizendo que já era minha hora. Ela me contou sobre Travis e naquele mesmo momento ela disse que a verdade viria a tona. E sim. A verdade veio. Naquela mesma noite, Sophia lhe contou que era sua mãe, e sofreu aquele acidente... mas... o que Jane me falou era algo pior. Minha mãe havia vendido a alma dela...
– Mas e daí? Vindo de sua mãe, isso não me parece estranho. – Blair disse – O que aconteceu, depois?
– Mas “vender a alma” não é a mesma coisa que você lê em livros e em seriados de televisão. Não é vender a sua própria alma. Minha mãe trocou a alma dela por algo que ela queria muito... Minha... morte em quatro anos. – Cassie disse – Ela disse que quando voltasse para cá... Ela iria querer recomeçar, mas acabou que eu e Kristen formos parar no 3º Mundo e minha mãe não conseguiu refazer o feitiço. Eu posso morrer a qualquer hora, Blair. Mas se eu morrer, o pote vai junto.
– Não vai não!
– Largue o pote! – Cassie disse – Quem é você?
– Meu nome é Grace Weeka. – Grace concluiu – E eu preciso chegar ao meu objetivo.
Continua...
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