A Rosa e a Aranha
3 O Veneno e o Espinho
Notas iniciais
Tinha algo errado com ele. Primeiro o estranho desejo de vê-la lutar, depois esse interesse estranho por ela e agora ele a observando escondido. Ele devia estar enlouquecendo.
“Ela é estranha. Sinto-me estranho perto dela, é como se ela representasse perigo eminente. Nunca me senti assim” – Pensou Albafica ao observa-la – “Ela me da, medo? Não acho que é outra coisa. Bizarro. Gostaria de saber mais sobre ela. Como por exemplo, porque tem interesse em suas rosas, de onde veio e qual sua ligação com o local onde estamos indo .”
–Não deveria observar os outros escondido – Disse Baghera que agora estava atrás de Albafica com a mão na cintura e batendo o pé no chão.-Responda! Por que diabo estava me observando cavaleiro.
Ela não pode deixar de observa-lo novamente. Ele estava mexendo com ela. Sentia-se segura? Não, é outra coisa.
–Qual o seu interesse em minhas rosas? –Ele sabia que ela não iria gostar nada de sua presunção, mas já que foi descoberto não conseguiu se conter.
–Então é por isso?!- Disse Baghera com um suspiro.- Gosto de rosas e não tenho medo do seu veneno, pois não me faz efeito nenhum.
–Não tem medo... Efeito nenhum... –Albafica estava pasmo. Nunca em sua vida havia encontrado outro alguém tão parecido com ele. Alguém que via suas rosas não como monstros, mas com beleza.Alguém no qual pude-se tocar. –Como sabe do meu veneno?
–Seu?! – “Do que ele tá falando?” Pensou Baghera consigo mesma.
–Sim. A maldição de peixes...
–Não sei sobre ela. Não sei nada sobre você, além do que o falastrão do Manigold diz.
–Meu sangue é envenenado, como minhas rosas, por isso não me aproximo de ninguém Posso mata-la com meu toque. –Disse Albafica com tom de pesar, se distanciando mais dela ainda, mesmo sabendo que talvez, só talvez la no fundo isso não seja verdade, pela primeira vez.
– O meu também é. Por isso mudei de nome.
–Seu nome ?!
–Sim. Bagheera é uma aranha da America Central, vegetariana e saltadora. Não é venenosa, mas é muito bonita.
–Talvez seja por isso a constelação de Aracne tenha te escolhido.
–Talvez. Fique tranquilo, não irei toca-lo. Mas posso pedir uma coisa?
–Depende.
–Quando voltarmos, posso entrar no seu jardim?
–kkkkkk – Pela primeira, Albafica ficou feliz em ter aceitado uma missão em conjunto. A garota em sua frente tinha tanta ânsia por ir ao seu jardim, que ele já imaginava seus olhos brilhantes e pidões por trás da mascara. — Tudo bem.
–Eu agradeço. Prometo deixar minhas aranhas longe do seu jardim.
–Antes de ir. Poderia me responder uma coisa?
–Claro. –Disse Baghera
–Qual seu nome verdadeiro?
–Dicéa¹
Após responder a pergunta de Albafica, a amazona não deixou de sorrir e voltar a observar a paisagem.
–Essa mulher está mexendo com minha cabeça. –Disse Albafica para o vento.
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