A Rosa e O Escorpião
21 Meu Melhor Amigo
Notas iniciais
Estávamos Scorpius e eu na sala de estar, sentados um de frente para o outro. Luke esperava na calçada, Beatrice estava com ele conversando sobre sabe Deus o que, e meus pais haviam ido se deitar, deixando-nos resolver nossos assuntos.
Eu ia contar, juro que ia, mas simplesmente me escapou e eu realmente me esqueci de contar a Scorpius sobre Luke.
–Luke é... Um amigo, Scorp – comecei a dizer depois de alguns minutos tensos entre nós. – Eu o conheci no trabalho logo que comecei a trabalhar no Ministério da França, ele é um transferido daqui. Luke foi muito meu amigo quando precisei, na verdade era o único amigo que eu tinha.
Scorpius se virou para mim, seu olhar parecia desfocado quando me olhava, como se não estivesse realmente me olhando, mas pensando em algo e muito distante dali.
–Só que agora parece que são mais do que amigos, não é? Pelo jeito como ele nos olhou, ele lhe trouxe flores, Rose – a dor era perceptível em sua voz, eu odiava vê-lo assim, e me odiava ainda mais sabendo que era eu a causa de ele estar assim.
–Eu nunca tive nenhuma relação amorosa com ele, nem com ninguém – falei. – Uma vez e só uma, eu o beijei, mas não foi nada além disso...
Scorpius se levantou do sofá e ficou de frente para mim, mexendo impacientemente no cabelo, achei que se ele puxasse os fios loiros com um pouco mais de força os arrancaria.
–Nada além disso? Você o beijou Rose, um beijo pode significar muita coisa, e pelo visto a coisa toda aconteceu recentemente, ou ele não estaria aqui – ele estava gritando comigo, então eu me levantei, não iria aturar mais tais acusações gritantes contra mim, sendo que eu nada de errado havia feito.
–Scorpius Hyperion Malfoy, se está mesmo pensando que tenho que aturar esses gritos e essas loucuras suas, eu te digo que não tenho. Eu estava completamente descomprometida naquela época, está bem? Pensei que havia me abandonado para sempre, pensei que nunca mais iria voltar, Deus, isso era completamente utópico para se pensar. E dai se eu estivesse mesmo o namorando, e dai se tivesse tido alguma relação desse tipo com alguém quando pensava que você havia me abandonado?
Ele me olhou mais uma vez com a dor ainda estampada no rosto, se virou para a porta e me deixou sozinha na sala. Fui atrás dele e o vi descendo as escadas e se dirigindo ao seu carro.
–Aonde é que você vai? – gritei.
–Te dar o tempo que você deve precisar para se decidir se sou mesmo o que você quer pra sua vida.
–Scorpius! Por Merlin, pare de bobagens!
Ele entrou no carro e simplesmente foi embora. Cobri meu rosto com as mãos e quando o descobri vi que Luke e Tris me olhavam encostados no carro dele.
–Já vou indo, boa noite mãe – e subiu as escadas da varanda para a casa.
–Perdão, perdão, perdão – falei olhando para Luke, que deu de ombros e fez sinal para que eu fosse para o seu lado.
–Você está bem? – perguntou.
–Já nem sei mais – respondi suspirando. – Escute, ele não é qualquer um, ok? Não quero que pense que não quis ficar com você, mas o primeiro que vi na minha frente quando vim para cá já me conquistou.
–Eu imagino quem ele seja – disse sem me direcionar o olhar. – Só não entendo.
–Longa história – falei.
–Eu tenho tempo – retrucou.
–É melhor entrarmos, e então eu lhe conto tudo.
Luke não me questionou nenhuma vez, não me interrompeu e quando eu terminei de lhe contar toda a história ele não me repreendeu. A única coisa que ele fez foi ficar em silêncio, olhando para o chão, sem dizer nada.
–Olhe, eu sei que você pode estar pensando que tudo isso é uma loucura, e que eu não deveria tê-lo perdoado, que as coisas não são mais como antes e que acima de tudo não podemos fingir que ainda somos adolescentes loucamente apaixonados, que nada mais importa e que nada disso teve consequências. Mas a questão é que nós ainda nos amamos desse jeito, e a vida é muito curta pra que perdêssemos tempo com frescuras, dizendo que não podemos mais agir como se tivéssemos dezesseis anos. Porque quem foi que disse que não podemos? Quem disse que é proibido?
–Tudo bem Rose – Luke disse tão calmamente que eu desconfiei. – Você o ama, eu já entendi isso.
–Luke... – comecei, mas não tive coragem de continuar, nada que eu dissesse iria fazer muita diferença. Ele estava com ciúme, triste, eu via isso em seus olhos.
Estávamos sentados os dois no mesmo sofá, lado a lado, eu toquei seu ombro e o fiz olhar para mim. Quando seus olhos encontraram os meus eu o abracei intensamente.
–Essa é a pior coisa que eu poderia te dizer agora pra você, eu sei – falei. – Mas Luke, você é o melhor amigo que eu um dia poderia ter ao meu lado. Perdoe-me se te magoei, mas eu não conseguiria te esconder a verdade, e se o fizesse sei que te magoaria mais ainda.
Toquei seu rosto com uma das mãos, limpando uma lágrima que escorria de seus olhos.
–Eu te amo Luke, não da mesma maneira que eu amo Scorpius, mas eu te amo e quero que saiba disso.
Ele tirou minha mão de seu rosto delicadamente, me olhou nos olhos e disse:
–Eu te amo Rose, mas meu sentimento é diferente do seu por mim. E tudo bem, já entendi que o amor da sua vida é Scorpius, e não vou interferir.
–Por favor – falei. – Não me abandone por causa disso.
–Eu nunca faria isso Rose.
Sorri para ele com o canto da boca.
Luke foi embora pouco tempo depois, disse ele que estava hospedado em um hotel ali por perto, nós nos despedimos e ele sorriu após me dizer boa noite, mas a dor ainda era visível em seus olhos.
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