A Rosa e O Escorpião
3 Um Amor Impossível
Notas iniciais
Acordei no outro dia com a Lily em cima de mim, me olhando fixamente e me balançando.
–Está atrasada dorminhoca – ela diz e vejo então que ela já está usando o uniforme, e por isso me pergunto o quão atrasada devo estar.
Levanto-me de um pulo da cama, o mais apressadamente possível.
–Lily, por que não me chamou? – pergunto.
–Ah, eu bem que tentei, mas não, a dorminhoca simplesmente me ignorou. Não me culpe. Aproposito, tenho que ir, é melhor se apressar.
Eu me vesti o mais rapidamente possível – ou até o mais rapidamente impossível – que pude. Fiz em meu cabelo um laço apressado que ficou largo.
Peguei meus livros de poção e de transfiguração, que eram os que eu iria usar no dia, desci as escadas do dormitório das meninas e me deparei com o Alvo me esperando impaciente.
–Até que enfim! Vamos Rose, estamos atrasados – ele disse.
–Eu não pedi pra você me esperar, agora chega de falar, vamos – respondi.
–De nada – ele falou com sarcasmo enquanto íamos em direção ao corredor da sala de aula.
Quando viramos no corredor para as masmorras, me deparei com um casal se beijando – provavelmente e certamente matando aula – perto da porta, e eles estavam se amassando para quem quisesse assistir. Quando pude ver mais claramente, distingui uma cabeleira loira que eu muito bem reconhecia.
Era Scorpius.
E uma garota morena, alta e bonita.
Os livros que eu tinha em mãos caíram repentinamente quando eu o reconheci. Não me pergunte por que, mas eu senti alguma coisa desabando a minha volta quando vi aquilo. E os meus livros. E eu.
–Rose – Alvo se abaixou e me ajudou a pegar os livros. – Você está bem?
–Desculpe – disse, a voz embargada. – Eu acho que tropecei.
Alvo arqueou as sobrancelhas para mim e eu lhe lancei um olhar que ele muito bem entendeu, “não complica, não agora”. Então ele passou o braço pelas minhas costas e me conduziu até a sala. Eu não olhei mais para o lado, mas quando cai vi que Scorpius me olhou.
Mas ele continuava a agarrar a garota.
***
No fim da tarde fui me sentar de frente para o Lago Negro, embaixo de uma árvore que me fazia sombra. O Alvo chegou logo depois, se sentando ao meu lado e passando seu braço sobre minhas costas.
–Ele é um idiota, Rose. Não se apaixone por ele.
Viro-me para ele, atônita.
–Hein?
Tá, eu não sou boba, eu sei do que ele está falando. Mas olha, não quero dar a entender de que o que ele disse é realmente o que está acontecendo, porque definitivamente não é.
–Você sabe do que eu estou falando. Eu vi o jeito com que você ficou perturbada ao ver o Scorpius beijando a Roxanne.
Roxanne? Então a garota a quem o Scorpius estava agarrando era a minha prima? E nem isso eu percebi.
Viro o rosto do lago para o Alvo, me deparando com seus olhos verdes solidários me olhando. Ele me aperta mais forte e beija minha testa em um gesto protetor.
–Eu não sabia que era ela. Mas, Al, eu realmente não estou me apaixonando pelo Malfoy. Muito obrigada, mas eu prefiro ficar longe.
–Está blefando.
Ah como eu odeio o Alvo, ele sempre sabe quando estou mentindo, e isso acaba sendo ruim às vezes, porque nunca consigo engana-lo.
Veja bem: o Scorpius tinha sido tão menos grosso comigo àqueles dias, e de certa forma ele tinha cuidado de mim. Não que isso seja motivo para cair em amores por um garoto, eu só não estava mais o odiando tanto quanto antes.
–Alvo Severo Potter, você acha mesmo que eu, Rose Weasley estaria me apaixonando por Scorpius Malfoy? Você deve estar com febre, garoto.
Ele sorriu e depois disse:
–Cara priminha, talvez você nunca tenha ouvido falar daquela expressão que diz que o amor e o ódio andam juntos. E talvez também não saiba que ela é completamente verdadeira.
–Alvo – falei em uma tentativa de voz raivosa e dei um tapa no braço dele. – Chega de falar nisso. Me diz você agora se está apaixonado, tem andado tão sonhador estes dias.
–Ah – de repente ele mudou a expressão para um tom mais triste e ficou brincando com uma folha no chão. – Acho que não.... Bem sim... Quer dizer, é um amor impossível, sabe?!
–Nada é impossível Alvinho, quem é...
Não consigo terminar a pergunta, porque Roxanne e Molly aparecem, vindo em nossa direção.
–Era só o que me... Oi, Molly! – Sim, eu falei só com a Molly, algum problema? Acho que se eu falar com a Roxanne agora ela pode não sair sem algum machucado da conversa.
–Oi – ela diz ofegante. – Por Merlin, gente! Procuramos por vocês em todos os lugares, olha aonde vieram se meter!
Vejo que Alvo, que sempre tem resposta pra tudo, permanece quieto e ainda brincando com a folha.
–Nós viemos avisar que hoje à noite vamos quebrar um pouquinho as regras – Roxanne continua. – Só um pouquinho Rose, não me olhe com essa cara de matadora profissional, se não quiser vir não venha, mas se nos dedurar a Lily também vai levar, esteja avisada.
Droga, Lily.
Não que eu fosse dedurar meus primos, mas enfim...
–Para com isso Roxanne. Rose, é só um piquenique, você não tem que se preocupar porque ninguém vai nos pegar, ok? Vamos vir aqui perto do lago mesmo, ninguém vai nos ver – Molly termina.
Pensando bem, acho que não faria mal algum – apesar de eu correr seriamente o risco de perder meu cargo de monitora chefe –, mas seria bom me divertir um pouco com meus primos.
–Bem, hoje não é meu turno da noite, então acho que tudo bem...
–Rose você é uma linda! Eu te amo amo amo – Molly me abraçou tão forte e tão de repente que eu até assustei, mas retribui o abraço e sorri. – Al?
Alvo olhou para ela e assentiu com a cabeça, Molly fez uma comemoração pulando e dançando, depois o abraçou também, mas mais rapidamente. Alvo sorriu e enrubesceu, e eu estava começando a achar que entendia.
–Nos encontramos aqui, neste mesmo local as oito, tudo bem?
Nós dois assentimos com a cabeça, Roxanne e Molly foram embora, em direção ao castelo.
Eu me levantei e estendi minha mão para o meu primo, que a pegou só por educação, mas se levantou sozinho. Ele continuava a olhar para o chão, pensativo e com um olhar melancólico.
–Al – o chamei e ele me olhou, forçando um sorriso. – É a Molly, não é? Você a ama, por Merlin, Al!
Eu o abracei antes que ele pudesse me responder, senti que ele correspondeu o abraço fortemente. Ficamos um bom tempo ali, e quando eu o soltei vi que seus olhos estavam marejados.
–Ah, Al... Se eu pudesse... – passei a mão pelo seu rosto e ele a tomou e beijou.
–Não diga nada minha rosa, eu sei as consequências que existem em amar quem eu amo. Desculpe não ter dito nada antes a você.
Mordo o lábio inferior.
–Você já disse a ela?
Ele balança a cabeça negativamente.
–Então diga.
–Não posso – Alvo começa. – Ela é minha prima Rose, sangue do meu sangue, mesmo que ela também me ame, de um jeito ou de outro é um amor impossível. E ainda há o Brian...
–Quem é Brian? – perguntou confusa.
–Ele é tipo o “ficante” dela, que agora está mais pra namorado – ele responde.
–Sério? Alvo! O Alvo que eu conheço nunca desiste tão fácil assim. Vamos, não fique assim – falo em uma tentativa de consolá-lo e ele me abraça novamente.
–Eu te amo tanto minha rosa, não fosse por você, não sei o que faria.
–Eu também te amo, Al. Mas você tem que dizer a ela – falo e ele assente. – Hoje à noite.
–O que? Não...
–Sim e pode ficar quietinho.
–Digo se você admitir que gosta do Scorpius – ele diz enquanto começamos a andar em direção ao castelo.
–Por favor, não sonhe. Nem em mil anos eu gostaria daquele idiota, como você mesmo disse.
Vejo que ele da um sorrisinho e murmura “Tá bom” bem baixinho, na intenção de que eu não ouça. Mas eu ouvi, e talvez parcialmente concorde com ele em silencio, mas só talvez.
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