A Rosa e O Escorpião
23 Beatrice Malfoy
Notas iniciais
–Então quer dizer que você gosta de ler? – eu perguntei para Beatrice, estávamos sentados na grama verde do parque, Rose estava ao meu lado e eu estava tentando criar afinidade com Tris, eu mal conseguia esperar para que ela soubesse que sou seu pai.
–Ler é uma coisa mágica – ela respondeu, os olhos brilhando. – Simplesmente indescritível.
Não consegui conter o sorriso, ela era tão madura pra idade dela, e tão parecida com Rose.
Quando ela se levantou dizendo que ia passear um pouco por ai e que dali alguns minutos voltaria, eu me sentei mais perto de Rose e comecei a conversar com ela.
–Por favor, me deixe contar a ela, eu não aguento mais esperar.
–Tudo bem – ela suspirou e disse. – Eu só tenho medo de como ela possa reagir.
–E eu mais ainda – falei.
Tris voltou alguns minutos depois, como havia dito, e se jogo nos braços da mãe, a abraçando fortemente.
– O que foi meu anjo? – Rose perguntou preocupada.
–Nada, só queria te abraçar, e dizer que te amo – ela respondeu, e eu tenho que admitir que senti um pouco de inveja daquele momento.
–Tris – Rose começou. – Eu tenho uma coisa pra te contar.
–O que? – ela olhou desconfiada para a mãe.
–Lembra-se de quando me perguntava sobre seu pai? Sobre quem ele era e tudo mais? E eu nunca lhe respondia corretamente, você ficava uma fera, mas agora chegou a hora de você saber Tris. Finalmente terá sua resposta.
–Então diga mãe – os olhos dela estavam cheios de esperança, Rose tirou uma mecha de cabelo loiro da frente de seu rosto.
–Tris – disse e ela olhou para mim. – Filha... Sou eu.
No meio do instante que ela demorou para entender, eu tive tanto receio de que me odiasse por tudo o que eu não fui, por não ter me conhecido e tantas coisas mais.
Só que ela sorriu lentamente e se posicionou à minha frente, eu sorri para ela com lagrimas se formando em meus olhos. Tris me abraçou antes que eu pudesse realmente pensar em algo, e eu retribui com todo o carinho do mundo.
–Perdão minha filha, por tudo, perdão – eu a abracei ainda mais forte e beijei o topo de sua cabeça protetoramente. Não consegui mais conter as lagrimas.
–Tudo bem – ela sussurrou segurando meu rosto com suas mãos delicadas e pequenas. – Eu bem que tinha percebido que éramos parecidíssimos, não podia haver tanta coincidência assim no mundo.
Rose nos olhava, lágrimas também caiam de seus olhos verdes, e ela abraçou nós dois de uma vez só, apertando-nos conta ela, disse:
–Meus dois tesouros, as duas coisas mais preciosas de minha vida – e olhou-nos, um de cada vez. – Meus amores, minhas vidas!
–Rose – disse rindo. – Você está sufocando a gente.
–Ah, desculpe – ela riu e nos soltou, me olhou novamente e se lançou contra mim, seus lábios contra os meus, me beijando intensamente, até cair por cima de mim na grama, os dois completamente sem ar e sorrindo. – Eu te amo.
Coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e a puxei para um beijo intenso novamente, me esquecendo de que estávamos em local publico e que Tris se encontrava ao nosso lado, observando tudo aquilo.
–Ei, vocês dois, eu ainda estou aqui, sabiam? – Beatrice disse nos trazendo de volta a realidade.
–Desculpe, Tris – eu falei depois de nos levantarmos, mas depois ainda puxei Rose para mais um beijo, embora mais calmo.
Tris revirou os olhos e fez cara de nojo.
–Vocês parecem o tio Alvo e a tia Molly, são até piores.
Rose riu e respondeu:
–Isso é porque você não nos viu na época em que éramos adolescentes.
–Meu Deus! – ela jogou as mãos pra cima e fez cara de indignada.
–Você ainda vai entender e gostar de tudo isso Tris, eu prometo – falei.
–Hã... Não, obrigada – ela respondeu, mas riu depois e sua risada contagiou a nós dois.
Aquele dia foi esplêndido demais, eu, minha filha e Rose... Foi como um conto de fadas lindo. Mas nós sabíamos que aquilo era por muito pouco tempo, que o conto de fadas estava para acabar, e uma guerra para começar.
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