A Rosa Serpenteada
21 Eis que estou aqui
Notas iniciais

"Deserta, vazio, nem qualquer assombração da mina.O incêndio, o esplendor, e a simetria,Eu não posso ver — mas a escuridão, a morte e as trevas." — Titan Hyperion.
15 de outubro — 7 p.m.
Duas horas e meia, pós o acontecimento.
POV Rose
Meu rosto estava impresso contra o chão de pedra gelado, um silencio minucioso pairava no local, o ataque definitivamente acabara e nós perecemos. Afinal, quem era aquele homem encapuzado que controlava os bonecos? O que ele queria?
– Rose, acorda... – disse a voz de Scorpius tirando o cabelo da frente do meu rosto, abro meus olhos olhando para cima e avisto o loiro que tinha a manga da camisa rasgada.
– O que aconteceu? – digo me erguendo com muita dificuldade, meus ossos doíam, sentei-me no chão e Scorpius acocou ao meu lado.
– Não importa, você está bem? – perguntou ele passando a mão na minha testa.
– Sim estou, onde está Alvo?
– Estou aqui Rose! – disse ele se arrastando para mais perto de nós. O moreno tinha lascas de madeira dos bonecos no cabelo e um leve corte em sua bochecha.
Escutamos um toc, toc de tamancos ao longe e nos levantamos do chão o mais de pressa o possível, mas nossas varinhas não estavam mais com a gente, olhei pela estenção do lugar em busca dos artefatos estavam grudadas no teto por algum feitiço usado pelo homem encapuzado.
– Por Merlin, Potter, Weasley e Malfoy, o que aconteceu! – perguntou a professora surgindo pela curva do corredor. Alguns professores vieram atrás dela.
– Fomos atacado, lamento professora... – contei o que havia acontecido, ela passara por nós feito uma bala, ordenou a gárgula que a deixasse passar e subiu a escadaria em direção a sua sala.
– Deixe-me ver isso Alvo! – disse o professor Longbottom examinado o corte no rosto dele. – Na sério demais, apenas um arranhado...
– Levaram, levaram... – disse a diretora McGonagall que retornara, seu rosto estava pálido como uma folha de papel.
– Minerva, o que levaram? – perguntou o professor Worme de duelos.
– O Grimório de Merlin, sim ele se encontrava em Hogwarts! – falou ela pondo a mão sobre o peito. Muitos professores se entreolharam.
– Então ele realmente existe? – perguntou Scorpius, ele afastou a manga da camisa que não estava rasgada mostrando minha marca no pulso a todos. – Por acaso, essa seria a marca de Merlin?
Todos se aproximaram para olhar melhor, até mesmo Alvo que ainda não tinha visto. A professora McGonagall segurou na mão dele e trouxe a altura dos olhos.
– Como você adquiriu isso Sr. Malfoy? – perguntou a diretora. Scorpius contara o que acontecera no ultimo passeio a Hogsmead.
– De fato é a Marca de Merlin, não o culpo por ter acreditado nesta previsão vazia, mas ela agora de fato tem muita importância! – disse a professora olhando o céu pela janela com um olhar de preocupação.
– Então, segundo a lenda, Morgana pode retornar? – perguntei.
– Pode! – a professora sacou a varinha da capa e murmurou alguma coisa emitindo um esfumaçado prateado que seguira pelas paredes. – Mas se devemos seguir a profecia, apenas uma pessoa pode impedir que isso aconteça.
– Quem Minerva? – perguntou a professora Vector.
– Devemos esperar Sibila! – não demorou muito para que a professora de adivinhação aparecesse enrolando em si muitos chalés e ajeitando o óculo na orbita de seu rosto, como também exalava um forte cheiro de adocicado.
– Me chamou diretora, hum, o que aconteceu? – perguntou ela contornando o corpo dos outros professores presentes sem toca-los.
– Depois querida, agora escute esta profecia! – disse a diretora insistindo para que Scorpius conta-se.
– Ah, sim, de fato o olho interior mandou uma mensagem para o senhor, Sr. Malfoy... o que me admira é de haver outra pessoa como eu, hum, a você não? Somos poucos com esse dom...
– Sibila, por favor! – disse a voz impaciente de McGonagall.
– Assim claro, desculpe. – ela parou para analisar algumas cartas de tarô que tirara do bolso – Bem, pelo que compreendi estamos na eminência de correr grandes perigos é o que diz em à lua frente ao sol, a carta da justiça mostra que o futuro depende do agora... – ninguém estava intendendo uma única palavra do que a mulher se referia, a diretora já estava parecendo arrependida de ter chamado a professora Trelawney. Passou-se um tempo até que ela voltara a falar.
– Pois bem, o que tudo indica é que você meu jovem, hum... –disse ela apontando para Scorpius –, é o Mago que simboliza vitória e esperança, você segundo a profecia e as cartas é que deve livrar-nos do mal!
– Sibila, você tem certeza, ele é apenas um garoto... estamos nos dando com a volta de Morgana Le Fay! – disse a diretora. – Sendo assim, ele teria de ser a descendência de Merlin!
Olhei perplexa para Scorpius que parecia pálido e incrédulo, os demais professores o olharam pensativos.
– Tenho certeza Minerva, as cartas não mentem, hum, nunca! – a professora apanhou as mãos de Scorpius e leu-as. – A linha do poder muito longa e profunda, nunca tinha visto uma dessas, de fato diretora deveremos esperar muito do Senhor Malfoy, hum, devememos...
– Pois bem, professores levem o Senhor Potter e a Senhorita Weasley para a Ala Hospitalar para receberem os cuidados de Madame Pomfrey, quanto ao senhor venha comigo! – disse ela chamando Scorpius para sua sala.
POV Scorpius
Estava sentado em uma cadeira a frente da escrivaninha da diretora, ela me olhara profundamente de sua cadeira. Os quadros nas paredes cochichavam freneticamente, apenas Alvo Dumbledore estava em silencio e pensativo.
– Minerva, verdade é uma coisa bela e terrível, por isso deve ser tratada com grande cautela! – disse o ex-diretor de seu quadro.
– Pois bem Sr. Malfoy. O Grimório de Merlin estava sobre nossa posse até então como sabe. Agora o perdemos e não poderemos repassa-lo para o senhor ou desfrutar de seus conhecimentos...
– Quem disse que é meu? – perguntei com minha típica voz calma.
– Por que é o senhor o herdeiro não só sanguíneo, mas mágico. Provavelmente deve ter pulado gerações em sua família, talvez paterna ou materna. O senhor é o primeiro Merliniano durante quatrocentos séculos desde o último. Só o senhor poderia abrir o livro e ninguém mais.
– Então para quer roubaram ele, se só eu posso abrir? – perguntei.
– Durante anos perpetuou-se o que chamamos de os Adoradores de Morgana, assim como temos fãs de Merlin que seguem seu trabalho. É provável que quem tenha roubado este livro poderoso seja um seguidor de Morgana para libertar seu espírito aprisionado e recolocar em seu corpo mumificado na tumba escondida em Avalon. – disse ela colocando as mãos trançadas sobre a mesa.
– Então a história é verdadeira?
– Sim, cada palavra. Sabe-se que Morgana deixou antes de morrer 97 apócrifos, cartas, escritas em um livro para sua posterioridade. Nelas encontram-se presságios feitos pela própria bruxa sobre o dia de sua queda e o dia de seu ressurgimento.
– E qual seria a gravidade da volta de Morgana? – perguntei temendo a resposta.
– Primeiro, ela seria dona de todo o conhecimento de Merlin através do Grimório, segundo ela dominaria o mundo bruxo e terceiro o mundo trouxa, o mundo todo. Por isso você deve destruir o livro...
– Mas eu não sei onde ele está... – falei desesperado.
– Eu lamento informar isso, mas, do que os seguidores de Morgana precisam? – perguntou ela.
– De alguém que abra o livro...
– Minerva, não faça isso! – disse Severos Snape.
– Então é de você que eles precisam, eles acham você e você acha o livro! – disse ela ignorando o quadro.
– Desculpe professora, mas eu não posso fazer isso... – digo me levantando do lugar. – Eu não quero isso!
– Senhor Malfoy, não irei obriga-lo a nada. Mas a profecia é clara. No final, o conflito é inevitável... sinto muito.
Olhei para os retratos dos antigos diretores ele me olhavam sério, Fineu parecia feliz, acho que ele gostava da ideia de ter um descendente como herdeiro de Merlin. Sai da sala sem me despedi da diretora, bati a porta com um tilintar da tranca e desci as escadas correndo. Corri mais uma vez pelos corredores. Paro subitamente frente ao inimaginável, pisco meus olhos várias vezes mas a belíssima imagem de uma corça branca não saíra de minha frente, ela estava parada entre o corredor de estudos de feitiços e o corredor principal do segundo andar. A figura equina trotou pelo corredor de feitiço, andei apressado para alcança-la. Seria uma visão? Seria uma armadilha?
Ela parou mais adiante em um corredor cercado por janelas medievais, sua pele sedosa se dissolvera em um fino tecido de linho que vestia uma bela dama de longos cabelos ondulados cor de cobre como nas pinturas clássicas, sua cabeça era decorada com uma coroa de margaridas e não-me-esqueças. A mulher sorrira para mim e saíra correndo majestosamente como se o chão fosse nuvens, ela voltara a se transforma em corça e seguira em direção a uma porta de mogno lustroso e ultrapassara como se fosse feita de fumaça. Corri e empurrei a porta pesada que me levara a um jardim, era dia naquele lugar e os pássaros cantavam seus mais belos cantos e borboletas e abelhas cintilavam sobre os raios solares. Avistei a corça a frente de um arco greco-romano gasto, mas a luz do sol fazia o parecer muito limpo. A mulher retornara e acenara, uma composição de pássaros e borboletas juntara-se a ela dando lugar a um homem vestido com uma túnica verde esmeralda, ele tinha uma longa barba e cabelos brancos.
– Non temas, maravilhado! – disse a voz rouca do homem que falara em Inglês antigo.
– Quem é você? – perguntei parando frente ao arco onde o casal se encontrara.
– Quem és tu, pergunta-me. Mas eu que devo-te perguntar, quem és tu? – disse ele passando o braço envolta da cintura de sua dama.
– Sou Scorpius Hyperion Malfoy... por que me trouxeram aqui?
– Por que viestes aqui? – perguntou a mulher docilmente.
– Eu não sei, eu estava seguindo a corça, quero dizer você! – disse semicerrando os olhos devido a claridade — como poderia ser dia aqui dentro se lá fora era noite? -, esfreguei os olhos.
– Então tu tens a resposta, então por que a faz? – disse o homem.
– Perdão – fiquei em silencio.
– Agora tu estas disposto a ouvir, Scorpius, filho de Draco, neto de Lucius! – disse a mulher.
– És tu que chamam de Primeiro Merliniano! – disse o homem dando um passo a frente da mulher e encarando-me. – Vós sois estes o qual intitulam-te?
– Se eu fosse, não poderia ser. Então não sou? – o homem sorriu.
– Nobre, como o leão. Sábio, como a águia. Humilde, como o texugo. E astuto, como a cobra! – ele deu mais um passo e estendeu a mão como se me abençoa-se. – Vós sois o Primeiro Merliniano! – um forte brilho explodiu de sua mão e tocou minha pele.
– Então estou com Merlin? – perguntei.
– Eis que me faço aqui presente... – disse ele fazendo uma breve reverencia.
– Seu Grimório, roubaram. Morgana pode ser libertada...
– Morgana é bruxa como outros, non temes e non terás que assustar-te! – concordei com a cabeça, mas acredito que ele dissera “Não temas e não terás em que ter medo”.
– Entendi, mas senhor... Merlin. Mas, e se eu falhar? – perguntei. Ele nada disse, apenas seguiu em minha direção e segurou meu braço e mostrou a marca no meu pulso, a marca dele.
– Eis que me faço aqui presente... – olhei para a marca e depois para ele. Em seguida olhei para a dama, era Viviane a Dama do Lago esposa de Merlin. Ela se transformou na velha de Hogsmead e voltou a sua beleza original. Os amantes planejaram desde o início tudo aquilo.
– O.K.! – concordei e toquei a marca de leve no meu pulso.
– Agora deves ir, e viver! – disse ele acenando. Tudo ficou escuro. Acordei deitado no piso do corredor cercado por janelas, levantei-me do chão e segui em direção ao Salão Comunal da Sonserina. Bom, se os Adoradores de Morgana não me encontrarem, então o conhecimento de Merlin está a salvo no Grimório e Morgana não pode sair. Não há o que se preocupar, não agora!
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