A Rosa Serpenteada
14 A marionete de alguém
Notas iniciais
14 se setembro
POV Scorpius
O barulho que emanava do jardim preenchia as paredes do corredor do primeiro andar, em dias este era o primeiro que não amanhecera chovendo, muitos alunos aproveitaram para passar o sábado se divertindo nos jardins e abeira do lago. Por outro lado, como sou do sétimo ano teria que passar o sábado fazendo os deveres de casa para a semana seguinte. Sigo até o corredor do terceiro andar em direção a biblioteca que estava cheia de outros alunos do último ano de Hogwarts. Fui em direção ao fim da biblioteca sorrindo amarelado para alguns conhecidos. Assim que passei na cessão de transfiguração tive a pior visão que eu poderia ter. Rose Weasley estava sentada sobre uma mesa rindo de alguma piada que Fergus Finnigan acabara de contar, senti vontade naquele momento de jogar minha mochila em cima daquele imbecil metido a besta.
Cheguei nas ultimas estantes da biblioteca batendo o pé no assoalho revelando minha profunda irritação, joguei minha mochila sobre uma mesa retangular um pouco lascada e sentei-me de qualquer maneira em uma cadeira com pernas finas. Abrir meu livro de História da Magia, mas não consegui passar do título do capítulo sete. Meu pensamento estava todo e inteiramente voltado para cena que vira a minutos atrás. Por que Rose estava fazendo aquele joguinho comigo? Ou será que a Sr. Weasley mentira em dizer que ela gostava de mim? Se gostava, como esqueceu tão rápido?
Acredite eu tentei inúmeras vezes esquecer que estava apaixonado pela minha melhor amiga. Foi uma surpresa em tanto quando senti uma queimação no peito em uma vez no quinto ano que Rose encostara sua cabeça no meu ombro para descansar, era um dia mais ensolarado que esse e tínhamos acabado de almoçar. Lembro-me como se fosse ontem, estávamos encostados em uma velha árvore, as finas ondas do Lago Negro vinham subindo em direção ao manto de pedras polidas em sua beira. Rose dissera que estava com sono, que passara a noite fazendo patrulhas no corredor e que perseguira dois sextanistas fora do horário de recolher até conseguir apanha-los. Então, sem avisar ela encostou a cabeça no meu ombro e fechou os olhos, não havia como eu ter visto, mas sentir minhas bochechas corarem instantaneamente naquele momento. Em uma segunda vez, peguei-me distraído na aula de Herbologia observando Rose que tinha os cabelos desgrenhados por conta do cipó da planta que prendera em suas madeixas.
– Malfoy! – chamou-me Persephone, ela tinha o olhar fixo em mim, segurava livros na mão e tinha os cabelos afastados para trás por uma travessa.
– Oi, Montague! – disse passando a mão no rosto tentando ficar lucido.
– Nossa, você está bem? – perguntou ela sentando-se em uma cedera a minha frente.
– Para ser sincero... não. Mas, deixa isso para lá! – digo trocando a página do livro sem importância.
– Hum... eu estava pensando se você não poderia me dar aulas de transfiguração, eu sei que você é muito bom – disse ela sorridente abrindo seu exemplar de transfiguração.
– Tá claro, do que você precisa? – perguntei tentando não parecer irritado, minha cabeça começara a doer e preferia ficar sozinho naquele momento.
– A teoria eu consigo entender, estou com problema em realizar os feitiços, você não tem nem uma dica?
– Bem, a teoria serve justamente para se aplicar os feitiços. Mas, comigo funciona na base da concentração, eu mentalizo o que vou transformar e os detalhes que eu gostaria de ter. Por exemplo!
Facit Diversas! – digo acenado com minha varinha que estava sobre a mesa em direção ao tinteiro de metal transformando em um ratinho marrom.
– Fantástico! – disse ela meio assustada ao ver o ratinho.
– Agora tenta você! – digo girando a varinha em direção anti-horária fazendo com que o rato voltasse a ser tinteiro.
– Facitt Diverrsass! – disse ela errado e o tinteiro transfigurou-se no que paresia ser uma bola de pelo roxo.
– Você não se concentrou o bastante e não disse as palavras certa. Tenta novamente! – digo concertando o erro que ela fizera.
Ela se preparou, fechou os olhos e depois abriu mirando o tinteiro com a varinha.
– Lembre-se concentração e você vai conseguir!
– Facitt Diversas! – e o tinteiro voltou a ser rato, mas com uma coloração castanha. Mas, não pude deixar de notar que faltava dois dedinho na patinha esquerda do roedor.
– Parabéns, eu disse que você ia conseguir! – digo olhando a garota sorrir de orelha a orelha e vir me abraçar, só que pra isso ela teve que se sentar no meu colo.
– Muito obrigado, nunca ninguém tinha feito eu fazer isso. Foi maravilhoso! – disse ela apertando-me.
– O.K., não é para tanto... – digo tentando tira-la do meu colo.
– Hem, hem. Silencio, isso é uma biblioteca! – disse Madame Pince de trás de uma estante.
– Perdão Madame... – digo me levantando da cadeira para tirar Persephone do meu colo.
– Onde você vai? – perguntou Persephone.
– Eu lembrei que tenho patrulha a fazer... – menti. Eu estava morrendo de medo que Rose me visse de novo com Persephone e estragasse as últimas esperanças de ficarmos juntos ou de pelo menos ter uma conversa civilizada. Apanhei meu material na mesa jogando tudo dentro da mochila de couro negro e segui pelo corredor entre as estantes.
Passei novamente pela cessão de Transfiguração e vi novamente Rose rir baixinho de uma piadinha que Fergus contara, dessa vez decidir passar bem ao lado deles para que ela me notasse. Segurei o cabo da varinha e fiz um breve aceno, pelo menos quatro livros caíram da estante e bateram de leve na cabeça de Fergus uma atrás do outro e depois fiz com que eles me seguissem em direção a ala maior da biblioteca.
– Licença! – disse tentando não olhar para Rose quando passei do seu lado. Pelas costas escutei Fergus soltar quatro “ais” sonoros. Senti os olhos da ruiva me acompanharem. Abafei uma risada.
Quando estava já na Ala Maior, depositei os quatro livros sobre uma extensa mesa e seguir para fora da Biblioteca.
POV Rose
Estava indo em direção a sala dos monitores onde haveria uma reunião rotineira que Barry gostava de fazer todos os sábados à noite. Coloquei um moletom sobre a blusa e segui até o sétimo andar onde havia uma armadura de um Trasgo e disse:
– Cão que chupa manga, não morde! – a armadura concordou com a cabeça e uma porta de pedra se abriu em seu lado. Corri para entrar antes que algum aluno passa-se. A sala vitoriana era cercada por painéis polidos de madeira, era cheia de poltronas fofas e almofadas com brasão de Hogwarts em linha de ouro. Sobre a lareira assentia os quatro brasoes das casa da escola e em outro lado da parede pinturas e fotos de ex-monitores-chefes.
– Até que fim, ainda bem que você chegou, estávamos te esperando a cinco minutos! – disse Barry irritado.
– Desculpe-me! – digo envergonhada sentando-me ao lado de Fergus em um sofá. Olhei pelo canto do olho que Scorpius estava cochichando alguma coisa no ouvido de Cath.
– Pois bem, como vocês podem ver, nossos monitores da Lufa-Lufa não poderão estar hoje na patrulha devido terem uma forte gripe que Madame Pomfrey ainda não conseguiu solucionar. Sendo assim, faremos as patrulhas seguindo estes pares: Finnigan e Demitia Stump(monitora da corvinal), eu e Cath, restando...
– Não, nem pensar, por favor Barry eu não quero ir com ele... – digo não olhando para Scorpius.
– Está decidido Weasley, você vai com ele. O vice-diretor Flitwick disse que precisamos nos relacionar melhor uns com os outros. Temos um papel a cumprir! – disse ele olhando para mim com indiferença.
Eu assenti com a cabeça e voltei a me sentar no sofá, Fergus passara a mão na minha costa e dissera algo como “boa sorte, eu preferia fazer a patrulha com você também!”. Sorri um pouco triste para ele e olhei para Demitia, era verdade que ela era uma garota bem esquisita. Ela sempre andava com uma trança mal feita e sua acne era amarelada e inchada, ela tinha também seios pouco desenvolvidos fazendo com que seu suéter parecesse imenso nela.
Saímos da sala uns três minutos depois, o toque de recolher tinha acabado de soar e tínhamos que começar a fazer nosso serviço. Eu e Scorpius seguimos em silencio em direção ao quinto andar. Estávamos andando do lado oposto do corredor iluminado somente pela luz da lua que vinha pelas janelas altas.
– Lumus! – murmurou ele acendendo sua varinha. Imitei seus gestos e deixei o condão a frente do caminho. Viramos a esquerda e déssemos um pequeno patamar de escadas e continuamos pelo corredor deserto.
– Por que você estava chorando? – perguntou ele. Pensei duas vezes antes de falar, mas queria saber do que ele estava falando.
– O que?
– Por que você estava chorando, naquele dia no banheiro das meninas? – disse ele olhando para o chão.
– Ah, estou com muito sono para ser grosseira, mas mesmo assim é só o que tenho que falar: não é da sua conta! – falei sussurrando para que os quadros na parede não questionassem o barulho.
– Por que você está assim comigo? Quantas vezes mais vou ter...
– Ah, por favor. Não comece com suas explicações e desculpas. Eu estou tão cansada disso! – fecho os olhos desejando que ele ficasse calado, eu não queria que ele ficasse a todo tempo se desculpando e se humilhando. Eu tinha um plano, de esquecer Scorpius Malfoy e possivelmente voltar a ser sua melhor amiga. Mas era muito difícil quando se estava do lado dele. Minha vontade era de abraça-lo, sentir seu cheiro e passar um bom tempo assim, sem falar nada.
Olhei para ele que tinha uma expressão séria e fria no rosto, eu sei que ele estava sofrendo – eu estava sofrendo -, mas tinha que ser assim.
– Você quer? – perguntei oferecendo-lhe uma partilha para chupar.
– Hum... – disse ele apressando os passos. Tive que correr para alcança-lo, ele era mais alto que eu e tinha as pernas maiores.
– Vai, aceita. Eu sei que são suas preferidas, morando e limão...
– Morango e Limão, ótimo! – disse Scopius. Como eu fui burra, uma vez ele me chamara de morando e ele de limão. Agora eu entendi por que ele dissera isso.
– Olha escuta, não é que eu queira ser chata, mas eu tenho que te dizer que... – ele olhou pra mim como se quisesse escutar o desconhecido. Mas em algum lugar do castelo um estrondoso barulho de explosão perpetuaram pelos corredores.
– Que foi isso? – disse ele segurando firme sua varinha. Scorpius saíra correndo pelo corredor, eu segui ele desesperada, passamos pela porta que dava para as escadarias e entramos no quarto andar. Uma figura encapuzada e sinistra passara correndo a nossa frente com um leve toc, toc de madeira no chão de pedra. Scorpius sai em sua direção perseguindo-o. Eu tentei alcança-los mas não sou nada atlética.
– Trip Jinx! – de longe pude ver um lampejo rosa que emanava da varinha de Malfoy acertar a figura encapuzada que cairá no chão.
– Há, te peguei... – disse ele apontando a varinha para o corpo no chão assim que consegui chegar ao seu lado. Eu estava ofegante.
– C-como moni-tores de Hogwar-ts, ordeno que se levante! – digo quase sem folego.
Malfoy se abaixou para apanhar o sujeito e puxou sua capa, para nossas surpresa um boneco em tamanho real de madeira fora revelado, aparentemente a magia que o animara-o cessara.
– O que o boneco do professor Price faz correndo pelo corredores? – quis saber o loiro.
– Ei, vocês! – gritou alguém atrás de nós. Scorpius virara rapidamente e iluminara a face das duas pessoas que se aproximavam.
– Fergus? Demitia? Vocês não deveriam estar no sétimo andar? – perguntei olhando os dois que tinham suor escorrendo pela testa e estavam tão ofegantes quanto eu estava.
– Nós viemos de lá... este homem... tentou entrar na sala da diretora... McGonagall... – disse Demitia em uma voz rouca e espantosa.
– Não é um home, é um boneco! – falou Scorpius.
– Boneco? Seguimos isso até aqui.... – disse Fergus que se encostara na parede.
– O que foi aquela explosão? – perguntei.
– Não sabemos...
– Mas porque um boneco tentaria entrar na sala da diretora? – quis saber Scorpius que examinara atentamente o boneco.
– Também não sabemos, mas uma voz que não conhecíamos emitia dele e dizia senhas aleatórias para tentar passar pela gárgula de pedra – falou Fergus.
– Vamos é melhor acharmos a professora McGonagall, devemos contar a ela... – falou Malfoy apanhando segurando o boneco e recomeçando a andar.
Seguimos em silencio em direção ao salão principal onde as ampulhetas que marcavam os pontos das casa estavam quebradas e tinha várias safiras espalhadas pelo chão. Percebi então que Barry e Cath estavam ao lado da diretora e do vice-diretor. Dorabela Clagg, a nova zeladora da escola, estava abismada olhando quanta sujeira tinha no chão.
– O que aconteceu aqui? – perguntou Demitia Stump.
– O que isso em sua mão, Malfoy? – quis saber Barry. Fergus e Scorpius dividiram a atenção dos presentes para relatar o que aconteceram de acordo com o que os dois disseram.
– Minha sala tentou ser invadida por esse... esse boneco? – perguntou a diretora com um olhar perplexo.
– Sim professora! – afirmou Fergus.
– Mas Malfoy, você disse que ele fugiu de vocês? – perguntou professor Flitwick com uma voz fina e assustada.
– Sim, ele fugiu, eu achei que era um aluno. Mas, se me permite dizer diretora, esse boneco pertence ao professor Price, ele usa nas aulas dele.
– Estranho, o professor Price nem mesmo está na escola e ele não deixaria esse boneco jogado por ai...
– Minerva, pelas barbas de Merlin. O que aconteceu? – perguntou professor Slughorn que aparecera de repente.
– Mas tarde Horácio, agora preciso verificar uma coisa – disse ela secamente com olhar severo e saiu em direção as escadarias.
– Minerva! – chamou professor Flitwick mas a diretora não dera atenção.
– Escutamos a explosão, viemos o mais rápido que conseguimos – disse o professor Longbottom atravessando a porta de entrada do castelo, que aparentemente ainda não tinha sido trancada, acompanhado de Hagrid.
– Aranhas saltitantes! – disse o vozeirão do guarda-caça olhando os destroços.
Os quatro diretores das casas se recolheram para conversar sobre o que havia acontecido. Eu me juntei a Fergus que estava perto de um archote e observei Scorpius de longe depositar o boneco encostado na parede. Barry e Cath conversavam seriamente em quanto Madame Clagg atiçava meia dúzia de vassouras para varrer o chão.
– Você viu como a diretora saiu em direção a sala dela? – falei para Fergus. Mas logo percebi que ele cochilara. Andei em direção a Scorpius que ainda olhava o boneco.
– Essa é o mesmo boneco que te atacou naquele dia na sala, não foi? – perguntei para ele que assentiu com a cabeça.
– Esse boneco é diferente, é mais esperto que os outros e mais forte. Eu achei que ele ia me apagar naquele dia, sorte foi que consegui me livrar dele – disse o loiro.
– Estranho, você não acha?
– Muito! – disse ele olhando para mim.
– Vamos lá monitores, retornem para seus dormitórios, a essa hora metade da escola deve estar acordada! – disse professor Flitwick.
Esperei que Scorpius e Cath seguissem em direção as masmorras para eu seguir meu caminho junto com Fergus, Demitia e Barry em direção a escadaria, quando subíamos os degraus vários quadros perguntaram o que estava acontecendo.
– Pela milésima vez, não sabemos! – disse Barry irritado. Os monitores corvinos entraram no quinto andar e foram para sua casa comunal. Eu e Barry seguimos até o sétimo onde encontramos em um patamar a Mulher Gorda que bebia vinho com sua amiga Violeta.
– Senha... glup... por favor! – disse ela.
– Salamandra de Fogo! – falei e o retrato abriu passagem. Como previsto, metade da sala comunal estava acordada vestiam pijamas e robes. Alvo me olhou da poltrona que ele estava sentado e parecia bastante curioso.
– O que fazem acordado? Todos para o dormitório! – ordenou Fergus.
– Queremos saber o que aconteceu... – perguntou um quartanista.
– Algum idiota explodiu a ampulheta das casas, todos os pontos foram espalhados pelos chão... – disse omitindo a parte do boneco.
– Deve ter sido bem obra da Sonserina? – disse Tessa Bonner.
– Não seja idiota, porque eles explodiriam a própria ampulheta? – disse fazendo com que Tessa cala-se a boca e os demais começassem a rir.
– Depois eu te conto o que aconteceu de fato... – sussurrei no ouvido de Alvo e segui em direção ao meu dormitório em uma fila de outros mais que iam pros seus também.
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