Notas iniciais
Resolvi fazer uma fic de CDZ e o que mais me motivou foi o fato de terem poucas fics com o Albáfica como protagonista. Nesse primeiro capitulo, Albáfica vai narrar um pouco sobre sua vida e relatar detalhes de certos personagens envolvidos com ele. Não faço ideia de quanto a história vai render, mas...vamos lá!!

2 da manhã. O tempo, sem cessar, avança impiedosamente. Sinto como se cada segundo fosse uma agulha atravessando o meu peito. De uma maneira que não sou capaz de explicar, ele se tornou necessário para mim. Não diria que é amor, pelo contrário, bem longe disso! É uma amizade, mas uma amizade forte demais. A questão é: como nós dois, que somos tão diferentes, criamos laços afetivos tão fortes um com o outro? Eu não consigo compreender e tenho a mais absoluta certeza que ele também não. Mas creio que há certas coisas que não devem ser compreendidas, apenas vividas.

Deitado na minha cama, aprecio a luz da lua cheia transpassando a janela aberta, invadindo o meu quarto e iluminando meu rosto aflito. Meus olhos observam cada movimento dos ponteiros do relógio de parede que, por sinal, foi aderido ao local por um certo alguém um tanto quanto...inconveniente.

Tento segurar o sorriso bobo. Entretanto, falho. É a primeira vez que tenho uma ligação como essa com alguém. Sempre vivi sozinho, isolado. Como uma rosa solitária abandonada em um jardim sem vida, passei anos e anos nutrindo somente relações objetivas e superficiais. Não que eu não tivesse o desejo de descobrir o valor de uma verdadeira amizade ou desfrutar de um grande amor. Somente decidi desde cedo que viver sozinho seria o melhor para o meu futuro, isso pelo menos naquele momento. Perder meus pais daquela maneira tão trágica fechou meu coração. Eu sofri e temi sofrer ainda mais. Pensei que jamais o abriria novamente. Estava enganado...redondamente enganado.

E então...continuo sereno em minha cama. Reflito sobre mim mesmo enquanto o meu esperado amigo não chega. Quem eu sou? O que eu sou? Quais meus planos para o futuro? Qual meu grande objetivo de vida? Minha mente, confusa e inquieta, se pergunta repetidas vezes essas mesmas questões.

Sou Albáfica Anagnos, natural da Holanda. Olhos azuis-celeste e cabelos longos e lisos da mesma cor. 1,83 de altura, 72 kg, um corpo conceituado por alguns como "escultural" e...isso é mesmo relevante? Creio eu que não. Tenho 20 anos e curso Medicina há dois. No início, de fato, estava decidido a trilhar uma grande carreira na área. Porém, hoje, não sei se é isso o que desejo para minha vida. Foram tantas coisas que mudaram desde que reencontrei aqueles velhos conhecidos. Na mesma universidade que estudo atualmente, encontrei alguns ex-colegas de sala com quais convivi durante os últimos anos do Ensino Fundamental e os primeiros do Ensino Médio. Jamais imaginei reencontrar o Shion, Dohko, Asmita, Kardia, Dégel e principalmente ele...Manigold. Confesso que, quando o vi depois de tanto tempo, senti uma certa insegurança, instabilidade. Simplesmente por que ele foi uma espécie de paixão platônica durante o colegial. O certo é que revê-lo me afetou. Eu estava confiante de que o sentimento que tive por ele havia desaparecido. No mínimo, se reduzido a uma simples e mera atração física. Talvez menos, talvez mais. Era isso o que eu esperava e o que ainda espero.

Uma surpresa ainda maior foi quando eu o convidei para dividir o meu apartamento comigo. Sim...Quando nos revemos na universidade, passamos uma tarde inteira colocando o papo em dia. Apesar da falta de contato ter durado somente pouco mais de um ano e meio, nos falamos como se não nos vessemos há décadas. Logo, ele disse que estava a procura de um lugar para morar enquanto estivesse cursando Administração. E me surpreendi foi justamente com a minha alegria, disfarçada obviamente, em cogitar a possibilidade de estar perto dele, mais perto do que nunca estive. Com a minha proposta feita, ele de prontidão aceitou. E desde então, vivemos como grandes amigos nesse apê no centro da cidade.

Apesar disso, a minha intenção era mesmo me tornar um amigo. Não tinha malícia em meus pensamentos, nem segundos propósitos. O Mani despertou em mim a vontade que eu reprimira de criar laços afetivos com alguém. O jeito descolado e seguro de si que ele tem acabou por me fazer depositar nele a confiança e credibilidade que nunca tive por ninguém.

A maçaneta da porta da sala se mexe, interrompendo minhas agradáveis reflexões . Cuidadosamente, alguém entra no apartamento, com cautela, temendo me acordar. Sabendo eu que, caso demonstre que ainda estou acordado, ele poderia pensar que a culpa era dele. Quem sabe acharia que sua chegada me despertou do sono, ou pior, suspeitaria que eu o esperei até o presente momento. Não, permitir que ele sequer imaginasse que minha preocupação com ele é acima do "normal" é algo inaceitável. Portanto, viro meu corpo em direção a porta entreaberta do meu quarto, puxo minha coberta para cobrir meu corpo até a cintura e fecho meus olhos.

Instantes depois, Mani passa em frente ao meu quarto para comprovar se estou ou não dormindo. Aparentemente, minha estratégia funciona. Com um sorriso infantil no rosto, ele se afasta e vai andando pelo apartamento. Permaneço atento ao som dos seus passos. Assim que o julgo suficientemente distante, reabro os olhos e consulto o relógio na parede. 4:30.

–Albáfica, Albáfica...seus devaneios duraram tempo demais esta noite...- sussurro para mim mesmo.

Fechando mais uma vez os meus olhos, agora me comprometo a dormir de verdade. Mas ainda sim, alguns pensamentos insistem em povoar minha mente.

Talvez, reviver tantos sentimentos passados que, por minha própria suposição, estavam mortos seja um desafio bem maior do que eu possa imaginar...Mas seja como for. Afinal, até mesmo as rosas têm o direito de abandonar a solidão.

Notas finais
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