A Rosa Dourada

24 Noite de Preparação


Notas iniciais
Mais um para o seguimento de capítulos com tema Noite :3

p e r t o d e b o s q u e m e l

Barth saiu da tenda de guerra com o auxílio da cadeira de rodas já que a dor em sua perna estava terrível nesses últimos dias, havia ficado por muito tempo em movimento constante, de um lado para o outro sem descansar verdadeiramente e se esforçando mais do que devia. Ele tinha noção disso, mas não poderia apenas parar, tinha um dever para com seu rei, mesmo que ele fosse um completo idiota.

Seu pai havia pedido que ele permanecesse em Jardim de Cima, mas ele não conseguiria ficar lá sozinho, sentindo-se impotente e sem utilidade, sua perna poderia impedir que ele conseguisse lutar como todos os outros, mas ainda tinha sua cabeça e ela estava tão afiada quanto uma espada, iria ajudar na estratégia. Empurrou as rodas até debaixo de um carvalho, estava no alto de uma pequena colina e dali ele conseguia ver as tendas e a cidade de pano que elas formavam. Fogueiras reuniam soldados nobres e plebeus sob os mesmos bancos improvisados e naqueles momentos não havia mais aquela distinção de classe social pois todos lutariam do mesmo lado.

Ele suspirou sentindo a dor que o incomodava incessantemente, massageou o joelho mesmo que isso não fizesse nenhum efeito. Fechou os olhos tentando pensar em outra coisa, tentando esquecer a dor. Focou-se na guerra e na batalha que se travaria por Bosquemel. A carta de Lyra dizia que o próximo passo do exército de Niklaus era tomar a sede da casa Beesbury, o que seria uma grande perda para os Gardener já que o castelo segurava as tropas do sul de seguirem para Jardim de Cima.

Mesmo que durante a reunião o assunto fosse como proteger o castelo, Barth tinha que admitir que sua mente vagueava para o resto da sua família. A carta de sua irmã não dizia como ela, Alexander ou sua mãe estavam e ele se preocupava, por mais que a senhora sua mãe o tivesse feito de bobo e traído seu pai, ele não conseguia nutrir verdadeiro ódio por nenhum deles, apenas queria que as coisas pudessem se resolver.

Abriu os olhos quando percebeu passos se aproximando, virou a cadeira para reconhecer com dificuldade Rickard Oakheart, já que a noite havia caído e não houvesse nenhuma tocha por perto.

— Como vai Lorde Tyrell? — O moreno questionou enquanto se prostava ao seu lado, sentando-se encostado na árvore. — Se importa se eu ficar aqui? Não gosto muito de ficar no meios das fogueiras com aquele povo bêbado.

Barth riu do comentário já que ele mesmo também não gostava de ficar perto de pessoas alcoolizadas.

— Penso do mesmo jeito que você, Lorde Oakheart. Se importa se te chamar de Rickard? Acho que já que estamos lutando na mesma guerra poderíamos ao menos usar nossos nomes ao invés de títulos.

— Não vejo problema algum. — Ele comentou rindo e depois se perdeu em seus pensamentos, o silêncio tomando conta do recinto, apenas o barulho das cigarras e dos soldados ao longe. — Posso perguntar algo?

— Sim — Barth esperava que não fosse algo relacionado a sua perna ou ao acidente que a deixou daquele jeito, gostava de evitar aquele assunto pois as pessoas tendiam a ficar com pena dele, o Tyrell odiava pena.

— Quem projetou sua cadeira?

Não esperava por aquela pergunta.

— Um meistre da Cidadela, meu pai encomendou já que as vezes… — Suspirou e colocou seu olhar em outro canto. — Eu não aguento permanecer de pé.

— Pois ele não fez um trabalho muito bem feito. — Mais uma vez Barth se surpreendeu com as observações dele e não pode não rir.

— O que te leva a crer isso?

— Essas rodas não são muito práticas, com certeza devem acabar ficando presas com qualquer coisa, e ela também não parece ser nada confortável, o encosto deixa você um pouco envergado, fará mal a sua coluna daqui a alguns anos. — Dizia enquanto dava uma volta ao redor dele. — Se importa se eu fazer algumas adaptações, ela com certeza ficará muito mais útil e confortável.

Barth o observou um pouco antes de responder.

— Não vejo porque não.

Axel entregou a sacola de ouro para o homem encapuzado, ambos escondidos num trecho escuro do labirinto formado pelas tendas.

— Já sabe o que fazer, mate-o no meio da batalha sem que ninguém perceba, uma morte rápida e que não chame atenção. Não se deixe ser pego, caso seja preso eu não farei nada para ajudá-lo, nem pense que poderá dizer que fui eu quem orquestrou isso, será sua fala quando a minha, já sabe quem sairá vencedor. — Falou todas as palavras com calma, mas com uma frieza presente nele, não queria ter problemas para resolver um problema tão pequeno quanto aquele.

— Não se preocupe, eu tenho experiência. — O homem tinha a barba por fazer e uma cicatriz na testa. Axel não duvidava que ele soubesse o que fazer com cautela, mas mesmo assim ele não era de confiar nas pessoas com tanta facilidade. — Esse Gwayne não sobreviverá a batalha, será trágico que o rei perdeu um soldado tão devoto. — O homem riu por pura maldade e o Lorde de Montechifre deu as costas, seguindo sorrateiramente até sua tenda.

Ah Cecily, agora não terá ninguém em nosso caminho. Riu consigo mesmo pensando no que a esposa estaria fazendo naquele momento. Esperava que aquela guerra acabasse logo para ele pudesse voltar para sua cama. A jovem lady era uma esposa dedicada, contudo não tinha um verdadeiro calor por ele, algo que ele esperava que ela começasse a nutrir assim que soubesse que seu precioso chefe da guarda havia morrido. E é claro, que soubesse que fora Axel quem descobrira quem fora o soldado duas caras que havia matado seu amado. Era um plano perfeito: mataria seu rival pelo amor de sua esposa e ainda sairia como um verdadeiro herói.

Do mesmo jeito que havia sido com Arthur, terminaria com seus objetivos cumpridos.

Colocou um pouco de vinho em seu cálice e saiu para a noite escura. Dois guardas protegiam sua tenda enquanto o resto devia estar enchendo a cara ou fornicando com alguma prostituta. Bebeu o líquido roxo e acenou para Lorde Tyrell que se aproximava.

— Boa noite Axel. — Não sabia de onde havia vindo aquela intimidade, mas resolveu responder do mesmo jeito.

— Boa noite Filip. O que te traz até mim?

— Nada, apenas te vi enquanto caminha, achei por bem te cumprimentar. Como vai Montechifre?

— Melhor do que quando estava com Arthur, a nova gerência realmente trouxe apenas o melhor para minhas terras.

— Deve ter sido difícil, vender o próprio sobrinho para o rei. — Os olhos do mais velho transmitiam desgosto, Axel sabia que seu sobrinho fugitivo era dado a andar no meio dos espinhos.

— Deve ser difícil ver sua filha casada com um traidor, sua esposa sendo filha de um e seu filho no mesmo caminho, me pergunto se está no sangue. — Alfinetou friamente.

— Está querendo insinuar algo?

— Obviamente essa não foi minha intenção. — Mas Filip devia estar ciente que todos que se colocavam em seu caminho acabavam do mesmo jeito: caídos.

A foto era antiga, de antes da guerra ou dele ficar noivo da estúpida Roslin, contudo a beleza dela permanecia intacta, um anjo caído, uma rosa desabrochada, uma verdadeira princesa. Pena que estava do lado errado da guerra, uma grande pena. Se Gerold não tivesse sido tão ranzinza aquela guerra não estaria acontecendo e Blair estaria em seus braços. Pegou sua adaga e acertou o centro da mesa, a fúria o consumindo.

Não demoraria muito e ela estaria consigo, ele esmagaria o exército de Niklaus, mas o pouparia, assim ela não iria odiá-lo, daí para manter a paz o casamento iria acontecer e ela seria dele para sempre.

Mas é claro que havia Roslin e sua irmã enxerida, teria de cuidar delas também mais cedo ou mais tarde, talvez deixasse aquilo nas mãos de Elizabeth, ela poderia ser útil e se livrar das duas de uma vez sem ele se envolver. Não teria suas mãos sujas de sangue, ao menos não nesse caso, e teria uma carta na manga contra sua progenitora caso ela continuasse achando que poderia mandar nele como uma criança.

A únicas pessoas que se salvavam naquela família além dele eram Cecily e seu sobrinho, talvez ele desse um fim em Axel também para ela se ver livre para sempre e pudesse viver seu romance com seu soldadinho, não sabia o que ela via nele.

— Meu rei?

Guardou o medalhão com a foto de sua amada entre suas mãos e virou-se para ver seu primo enfadonho Aeden.

— Sim primo! — Respondeu com um sorriso falso, mas que ninguém poderia duvidar de ser convincente.

— As tropas inimigas foram avistadas por um de nossos batedores, eles vão chegar às muralhas de Bosquemel ainda essa noite, acho que queriam atacar de surpresa no meio do breu.

— Bom, o que está esperando? Vá defender o castelo!

— Você não irá?

— Não espera que eu me rebaixe a essa guerra barbará, não é?

O rapaz semicerrou os olhos antes de se curvar e dar as costas, seguindo para a batalha.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentários são sempre apreciados! Beijos ♥