A Rosa De Neve
1 Capitulo único
Nevava naquela noite, uma neve branca e fina. Snow fechou os olhos e sentiu os flocos tocarem sua face. Um gato miava ao longe na escuridão enquanto a neve apagava as pegadas deixadas para trás.
Continuaram andando pelas ruas desertas e escuras. Snow observava Zoë brincar com os flocos de neve que caiam ao seu redor. Apesar de serem muito amigos e terem gostos muito parecidos, a aparência era completamente diferente: o cabelo da menina parecia uma seda preta presa por uma tiara prateada, seu nariz era ligeiramente arrebitado e seus olhos de um negro muito forte, que lembravam o olhar de uma princesa persa; Snow parecia albino, tinha a pele muito branca e cabelo muito claro. Seus olhos eram um enigma.
Andaram por mais alguns quarteirões até chegarem em um pequeno castelo, haviam muitos deles em Nárnia, mas as crianças nunca tinham visto nenhum como aquele. Era pequeno, mas tinha varias torres feitas de tijolos marrons, nos fundos via-se um pequeno estábulo e na entrada um deslumbrante jardim coberto por um gracioso manto branco.
Olharam a incrível vista atrás dos portões de mármore durante algum tempo.
“Parece o castelo de uma rainha.” murmurou Zoë baixinho. Continuaram ali, parados. Ao lado do portão havia um canteiro de rosas que chamou a atenção de Snow. Isolado no seu canto, rodeado por folhas mortas, estava um pequeno botão entreaberto. Era a flor mais linda que jamais vira em toda a sua vida. Em uma fração de segundos, abriu o portão o bastante para que seu corpo passasse sem problemas. Não pensou nas consequências nem olhou para trás, apenas entrou no terreno. Seguiu na direção do canteiro rapidamente. Quanto menos tempo demorasse para sair de lá melhor. Chegou, segurou a rosa e ouviu um surdo 'pack' enquanto o caule era quebrado. Sentiu o inebriante aroma adocicado quando uma brisa fez com que o perfume chegasse ao seu nariz.
Sem perder tempo voltou antes que alguém o pegasse em flagrante. Fechou o portão e olhou para Zoë.
A garota o observava com um olhar intrigado. Olhou para a rosa e esboçou um sorriso.
“Ninguém pode saber o que aconteceu aqui.”
“Eu sei.” respondeu. E as duas crianças continuaram seu caminho.
Dias se passaram até que a neve parasse de cair. Pela janela tudo parecia um lindo sonho de gelo. Zoë saiu de casa e correu para o antigo galpão abandonado. Estava atrasada e tinha combinado de se encontrar com Snow depois do almoço.
Quando chegou deu três batidinhas leves na porta, que se abriu segundos depois. Entrou e caminhou em direção aos fundos.
Passaram a última semana inteira naquele lugar cuidando da rosa branca, então sabia que, com certeza, Snow estaria lá trabalhando no seu novo hobbie. Como previsto lá estava o menino ajoelhado enchendo um regador gigante em uma torneira.
“Snowby, cheguei!” Snow continuou seu trabalho, agora tirando os espinhos da rosa.
“Que bom, queria mesmo falar com você.” Terminou de tirar os espinhos da planta e começou a amassá-los até formar um líquido verde oliva.
“ Sobre o que?” perguntei curiosa.
“Zô, você não vai acreditar! Descobri que quando amassamos os espinhos de rosa eles formam um líquido, que, se misturado a um pouco de ouro e prata, é altamente nocivo ao homem.” disse, todo orgulhoso.
“Quer dizer, tipo um veneno?”
“Sim. Já pensou que legal? Poderíamos matar quem nó quiséssemos e a pessoa não perceberia.” Quando ouviu aquilo, Zoë lembrou quase que imediatamente de Héracles, um homem pelo qual ela tinha se apaixonado e ajudara a entrar no jardim das Hespérides. Tinha provado seu eterno amor, convenceu-a de que, se conseguisse pegar uma maçã, poderiam fugir dali para um lugar só deles. Conseguiu a maçã e fugiu com o amado, porém, quando entregou ao herói o pequeno pomo de ouro, foi traída e deixada, usada como um peão.
“Vamos testar?.” declarou Snow, revelando um lindo anel dourado e outro prateado. Aquelas palavras caíram como um balde de água fria, jogando o peso da realidade em suas costas.
“M-mas... eu não posso...”
“Claro que pode! Podemos tudo!”
“Não! Isso é loucura. Árthemis tinha razão, vocês, homens, são todos iguais, uns imprestáveis!” Gritou. Quando viu seus olhos loucos e pálidos não pode mais aguentar, saiu dali o mais rápido possível.
Aquilo não mudou nada. Eram apenas palavras que não tinham significado algum para Snow. Ele tinha um veneno poderoso. Logo poderia ir para qualquer lugar. Quem sabe sair de Nárnia? Panem parecia um ótimo lugar para governar. Passaria a ser conhecido como Snow: tão belo quanto uma rosa, tão frio quanto neve...
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