Notas iniciais
Aviso: A partir desse capítulo, essa fanfic começa a tomar um rumo mais ou menos programado por mim. Eu fiz algumas alterações no enredo que tinha em mente devido a uma súbita inspiração que tive ao ler a fanfic ThirtyThree escrita por devovitquesuasartes do FF.Net. Quem se interessar, conseguir ler em inglês e curtir DesmondxClay (1617), eu recomendo essa fanfic. Não se preocupem, não haverá yaoi nessa fanfic. Mas devido essa inspiração e essa ‘mudança’ de rumo, eu peço para que deixem comentários dizendo se estou gostando ou não da fanfic. Também aviso que haverá uma continuação para ‘A Rosa de Masyaf’. Essa fanfic seguirá, em termos cronológicos, até o final de AC3. A continuação, ‘Memórias de Sangue’, será pós-AC3. Agradeço todos os comentários e todos que estão lendo essa história e mais uma vez peço pelo por comentários e por apoio de agora em diante. Grazie!

A Rosa de Masyaf

Passagem

Na sessão seguinte no Animus, Desmond sincroniza com Ezio. O assassino moderno sente que se passaram dias desde a conversa entre o Mentor e a ladra, mas as questões levantadas por Anna ainda ecoam fracamente em alguma parte da mente do italiano. Só que essas questões não recebem atenção enquanto o líder da Ordem procura pelo ladrão que entrou em contato com ele.

Pessoas passam pela visão de Ezio, apenas sombras cinzentas vez ou outra eclipsadas pelo brilho azul de um ladrão ou de um mercenário. Demora um pouco, mas o Auditore consegue encontrar o dourado que marca seu alvo. Ele se aproxima, mas antes que possa alcançar seu objetivo, o barulho de uma confusão captura sua atenção. Em meio ao som, Il Mentore consegue distinguir algumas palavras, tais como Merde!’ e ‘Pequena ladra!’. Um sorriso nasce nos lábios do assassino quando este reconhece a voz de Salai.

Uma sombra azulada passa ao lado de Ezio e ele a segura. Sem a visão de águia, o Auditore reconhece facilmente a face sorridente de Anna. A ladra olha para o assassino apenas por um momento, somente para poder ver quem bloqueou seu caminho, e logo volta sua atenção para Salai, que deixa o mercado com passos rápidos e raivosos. A veneziana se aproxima do florentino, se escondendo quando o ajudante de Da Vinci passa perto de ambos.

– Suponho que tenha roubado o dinheiro de Salai. – Ezio comenta com diversão em seu tom de voz e dando um passo para o lado, podendo assim ver os olhos brilhantes de Anna, que denunciam sua culpa – Isso não é certo. Salai é um aliado. – as palavras do Mentor fazem a ladra rir.

– Com a língua solta que ele tem? – ela questiona cética – Além do mais, é sempre divertido irritar Salai. – o sorriso que nasce nos lábios finos faz com que Anna, aos olhos de Ezio, fique ainda mais parecida com Rosa.

– Você me lembra muito sua mãe. – o assassino comenta com um sorriso.

– Tomarei isso como um elogio. – a veneziana responde também sorrindo, mas logo o sorriso de Anna enfraquece e seu tom de voz se torna mais suave – Ela costumava me contar histórias sobre você, sobre como você libertou Veneza da corrupção dos Barbarigo.

A confissão da ladra surpreende o assassino, mas ainda assim o faz sorrir.

– Eu queria que ela tivesse me contado sobre você. – Ezio diz e diante das palavras do mais velho, Anna dá de ombros.

– Isso não importa agora, não é mesmo?

– Acredito que não.

Nesse momento, um ladrão se aproxima chamando por Ezio – o mesmo que havia aparecido em dourado na visão de águia do assassino. O líder da Irmandade volta sua atenção para o rapaz.

Ser Ezio, La Volpe pede para que o encontre no La Volpe Addormentata – ele se vira para a jovem Auditore – Você também Anna.

Para poderem atender ao pedido, ambos se dirigem até um estábulo e alugam dois cavalos. Cavalgando lado a lado, pai e filha permanecem em silêncio por um tempo, até Ezio comentar:

– Parece que você sabe algumas histórias sobre mim. – o assassino começa tentando não deixar transparecer o quanto seu coração bate no peito – Mas eu não sei nenhuma sobre você.

– Não há muito que contar. – Anna diz e sorri para o Mentor – Eu nasci e fui criada em Veneza, no Palazzo della Seta. – ao ouvir a ladra, Ezio sorri, relembrando as lutas para conquistar o Palazzo. – Sendo o único bebê a nascer e crescer na Guilda, eu fui sempre muito protegida, especialmente por Ugo e Antonio. E minha mãe, é claro. Desde pequena, todas as minhas brincadeiras foram para desenvolver minhas habilidades como uma ladra. Como correr, escalar e me esconder na multidão. Mas essa última, eu acredito que tenha aprendido mais com as garotas da Teodora do que com os ladrões.

– Então você conhece a irmã Teodora?

, eu passei muitas tardes andando com as cortesãs ou apenas ficando no La Rosa della Virtù.

– Teodora sabe que você é minha filha? – Ezio questiona guiando o cavalo até a ponte.

– Não sei. – Anna responde seguindo o mesmo caminho – Teodora sempre me tratou como ‘a pupila de Antonio que se ela não ficar atenta, pode acabar arrumando problemas por metade da cidade’. O que não é verdade, afinal eu raramente me metia em confusão.

Il Mentore ri: – Eu também aprendi a me misturar na multidão com as cortesãs.

– Elas me ensinaram isso. Ugo me ensinou a correr pela cidade desviando de obstáculos. Minha mãe me ensinou a escalar e a sempre ser mais rápida do que os guardas.

– Eu nunca conheci alguém que escalasse tão bem ou tão rápido quanto sua mãe, mas eu tenho que admitir que ela é uma professora um tanto quanto rígida e exigente.

– Com certeza. – a ladra concorda e faz uma pausa – Antonio me ensinou a lutar. – ela diz em um tom mais baixo – Ele consegue ser um professor tão exigente quanto minha mãe – a voz de Anna volta ao normal e ela sorri para Ezio – Antonio também me ensinou a ler e a escrever, mas foi Leonardo quem me ensinou a desenhar.

– Como você conheceu Leonardo? – Ezio pergunta lembrando como a filha e o amigo parecem ser próximos.

– Eu era pequena e estava andando pela cidade com minha mãe. Nós o encontramos no caminho. Minha mãe disse que ele era um amigo, então eu o aceitei como um. – uma pausa – Mas havia algo nele que me deixou curiosa, eu não sei o quê, e eu fui até o ateliê dele. Ele me mostrou os trabalhos que tinha feito e eu fui me interessando, voltando ao ateliê sempre que podia e adquirindo gosto por desenhar.

– E agora você desenha coisas com as quais nunca teve contato.

.

Os dois Auditore chegam à estalagem de La Volpe e desmontam. Desmond os observa enquanto seguem até a entrada pessoalmente satisfeito com todas as informações que conseguiu acerca de Anna e com a pequena proximidade que parece ter nascido entre ela e Ezio devido a breve conversa. Entretanto, o assassino moderno se sente intrigado com a tensão nascida com o comentário de Ezio acerca dos desenhos de Anna. Só resta a Desmond imaginar se, em algum momento, a ladra contou ao pai sobre as visões que tem.

xACx

Ezio e Anna entram no La Volpe Addormentata e assim que a porta fecha, o Mentor da Irmandade só é capaz de ver a sombra de Anna passando correndo por ele e indo em direção a uma pessoa.

– Antonio! – a ladra grita alegre e abraçando o citado ladrão.

Piccola! – Antonio responde retribuindo o abraço da mais nova.

Amico mio. – Ezio diz cumprimentando Antonio com um abraço.

– Ezio. – La Volpe chama em um tom de voz firme tocando o ombro do Mentor e o guiando até um canto da estalagem – Alguém avisou Rodrigo para se afastar do Castelo.

– Maquiavel? – o Auditore questiona e Gilberto não responde, mas o olhar deixa claro os pensamentos do ladrão.

Nesse momento, um ladrão entra apressado, a respiração descompassada e a postura encurvada denunciando o quanto ele correu.

– Há guardas se aproximando! – o ladrão avisa.

O aviso faz as acusações nos olhos da raposa se intensificarem.

– Maquiavel não é um traidor. – Il Mentore afirma com convicção.

– Acredito que essa conversa terá que esperar. – La Volpe diz e então se vira – Antonio! Você irá nos ajudar?

– É claro, amico. – o líder dos ladrões de Veneza responde se aproximando.

Todos, então, deixam o La Volpe Addormentata e se colocam em combate contra os guardas. Ezio é cercado por um grupo de cinco guardas e enquanto luta, matando um guarda de cada vez, mantém o olhar atento a movimentação dos aliados. O Auditore vê os ladrões se defenderem, Antonio e La Volpe lutando lado a lado, mas é Anna quem prende a maior parte da atenção do assassino.

A ladra veneziana desarma um guarda e enfia uma adaga no peito coberto pela armadura, largando o corpo no chão. Outro guarda tenta atacá-la por trás, mas Anna percebe e desvia, girando e cortando a garganta do guarda com a lâmina. O movimento faz com que um sorriso nasça nos lábios de Ezio e com que inquietação nasça no peito de Desmond. O jeito que Anna luta parece estranhamente familiar ao assassino moderno, como se ele já tivesse visto esse estilo antes, mas sem conseguir lembrar onde exatamente.

De repente, o flash de grama, céu azul e um sorriso passa pela mente de Desmond. Dura apenas um segundo, mas o suficiente para que apareça o aviso de dessincronização.

xACx

Desmond, você está bem? – a voz de Lucy é a primeira coisa que ele ouve ao abrir os olhos.

– Yeah... – o assassino responde levantando lentamente.

O rapaz dá um passo à frente e para, segurando no próprio Animus para não cair.

– Desmond? – Rebecca chama.

O assassino fecha os olhos por um momento, imagens de lutas se sobrepondo e se misturando em sua mente. Os olhos escuros voltam a se abrir e mostram surpresa ao se depararem com íris azuis parcialmente escondidas por fios negros.

– Anna? – Desmond pergunta em um sussurro.

– Você não entende, não é? – a jovem diz com a voz tremendo, mas tentando se manter firme – Você não acredita.

A voz, o olhar dela... Há algo estranho, diferente de Anna. Desmond ergue a mão tentando tocar o rosto que expressa uma profunda tristeza.

– Quem é você? – o assassino pergunta, mas a imagem se esvai.

Assim como a consciência de Desmond.

xACx

Quando ele abre os olhos, percebe que está deitado na grama, ao lado de Anna. Desmond olha nas íris azuis e percebe quando elas mudam, se tornando mais nubladas, mais escuras. Os olhos que ele observa não pertencem à Anna. O assassino abaixa o olhar, vendo um nariz pequeno, de onde uma estreita trilha de sangue escapa, pintando os lábios finos e pálidos.

– O que aconteceu com você?

Assim que termina de falar, Desmond sente que acabou de despertar de um sonho e percebe que não há ninguém ao seu lado.