A Rosa de Masyaf

Nexus

Ele abre os olhos e se depara com um céu azul parcialmente coberto por brancas nuvens. Ele também pode sentir a areia sob seu corpo e o som das ondas se quebrando na costa. Onde ele está? O assassino se levanta e caminha um pouco, reparando nos detalhes do lugar onde se encontra. As altas colunas, os rochedos, a areia voando ao sabor do vento.

– Apenas passe por mim. – uma voz chama a atenção do rapaz fazendo-o virar bruscamente. Em um primeiro momento, Desmond não reconhece os olhos azuis que o observam, mas a voz soa familiar. Uma voz que ele já ouviu antes, em arquivos escondidos no Animus.

– Dezesseis?

– Oh. Eles não te disseram meu nome? – o rapaz loiro questiona e há um tom sarcástico em sua voz.

– Mas que droga. Ainda estou no Animus? – incredulidade colore a voz de Desmond.

– Foi um choque e tanto que você sofreu lá fora. – Dezesseis responde se levantando e dando alguns passos.

– Rebecca! – o assassino mais novo chama – Me tire daqui!

– Eles não podem te ajudar, Desmond. – o loiro começa a explicar – Você já era. Sua mente está... Arruinada.

– Arruinada? – Miles questiona – Me sinto ótimo.

– Eu também me sentia! – Dezesseis diz sumindo e reaparecendo rapidamente e extremamente próximo de Desmond, surpreendo o mais novo e o fazendo cair no chão. Uma alta risada deixa os lábios do mais velho – E olhe para mim agora. – Dezesseis oferece a mão – Vamos conversar, amigão.

Desmond aceita a ajuda oferecida e caminha com Dezesseis pela praia. Durante a caminhada, o mais velho explica que ambos se encontram nas entranhas do Animus, na parte mais básica do programa. Dezesseis afirma que Desmond teve sorte de ser conectado ao Animus, pois isso salvou a vida do rapaz e é a máquina que previne os ancestrais do Miles desmoronem sobre ele.

– Mas se você não conseguir um vínculo sincronizado... – o loiro explica – Todas essas personalidades irão se chocar. E isso não vai ser muito legal.

– Um vínculo sincronizado? – Desmond questiona confuso.

– Lá. – Dezesseis diz apontando para uma espécie de portal, alto e largo – Aquela coisa é a sua saída.

– Você está brincando comigo.

– O problema é: seu cérebro está muito bagunçado. Há muitos fantasmas na sua cabeça, muitas vozes. Então, como consertamos isso? Você dá um jeito de voltar até os dados armazenados, encontra memórias inacabadas e as abre. Termine o que começou, até que seu ancestral não tenha mais nada para te mostrar. Isso é um vínculo sincronizado. E quando você o encontrar, o Animus vai poder separar o Desmond do Ezio e da Anna e do Altaïr e te mandar de volta pra casa. De volta para o seu corpo.

– Como sabe tudo isso? – Desmond pergunta genuinamente curioso.

– É porque isso também aconteceu comigo. Mas meu corpo já virou comida pros vermes. Então, fiquei preso aqui. Um conselho. Quando você passa por aí, tudo muda. Nada parece... Normal. Mas você ainda está no controle. E encontrar a saída só depende de você. Se você se apressar, pode conseguir voltar a tempo para o funeral da Lucy.

As palavras de Dezesseis parecem destravar algum gatilho na mente de Desmond. O assassino é invadido pelas lembranças do que aconteceu no subterrâneo do Coliseu, de ser controlado por Juno e assassinar Lucy.

– Oh. Achei que lembrava. – Dezesseis comenta.

– Lucy... Meu Deus... – Desmond murmura caído no chão – Sinto muito. Não era eu. Não era eu. Era aquela voz! Juno! Ela me controlou. Me fez... – o assassino respira mundo e se levanta, o olhar escuro mirando o portal – O que estou fazendo? O que fiz?

Tomando fôlego, Desmond atravessa o portal e sincroniza com Ezio. O assassino moderno encontra o antepassado em Masyaf, buscando a biblioteca de Altaïr. Entretanto, a antiga fortaleza dos Assassinos se encontra sob o controle dos Templários e Ezio não pode evitar o confronto com o capitão deles, um homem que possuí o livro que poderá ajudar o Auditore a encontrar as chaves da biblioteca.

Uma perseguição de carroças acontece e Ezio acaba sendo arremessado através de um penhasco, felizmente caindo sobre uma superfície dura e coberta pela grama. O choque é forte e desperta uma sensação de déjà vu em Desmond. Uma baixa risada atrai a atenção do assassino, que levanta o rosto e se depara com uma face escondida por um capuz de assassino, o único traço visível sendo o sorriso vermelho.

Ezio.

Essa voz! Essa memória! É a primeira memória em que Desmond viu Anna! A assassina que fala em árabe com Ezio! Anna. Entretanto, Ezio não parece reconhecer a filha, pois apenas confusão fica na mente do italiano após a assassina de negro sumir em meio à neve. O Mentor logo se desconecta da sensação de confusão e continua a perseguição ao capitão templário, conseguindo encurralá-lo em um forte e matá-lo sem muita luta. O prêmio pela vitória é um livro escrito por Niccolò Polo e que contém pistas sobre a localização das chaves de Masyaf.

Escuridão domina a visão de Desmond e quando ele volta a abrir os olhos, está de volta à praia. O assassino ergue o troco, ficando parcialmente sentado sobre a areia, o olhar escuro procurando o rapaz sentando em uma pedra próxima.

– O que diabos acabou de acontecer? – Desmond questiona.

– Você estava xeretando. Perambulando fora da partição Desmond. – Dezesseis responde – Então, assim que o Animus te encontrou, te trouxe de volta aqui. – o rapaz se levanta – Ele só está seguindo ordens. Como um... Um programa de segurança, tentando manter sua pobre cabecinha intacta, você gostando disso ou não.

– E o que você está fazendo aqui exatamente? – Miles questiona ficando de pé.

– Jogando. Aprendendo. Esperando. Esperando muito. – o loiro responde – Eu mantenho o Animus distraído da melhor maneira possível. Por você, para que possa andar por aí. Caso contrário, ele iria caçá-lo como caçaria um vírus e... Ah... Apagaria você.

– Bem... Meu anjo da guarda. – Desmond comenta.

– Isso não existe. – Dezesseis responde e então desvia o olhar. Quando o rapaz volta a falar, a voz está mais baixa e instável – Você pode... Você pode me dizer se ela escapou?

– Ela? – Desmond pergunta – De quem você está falando?

– Sua irmã. Sophie. – Dezesseis responde se virando, o olhar claro desfocado, distante – Eu me pergunto se ela conseguiu escapar.

Antes que Desmond possa questionar mais, Dezesseis some.

xACx

Quando Desmond volta a passar o portal, ele, estranhamente, se encontra de volta a Roma. Ao olhar ao redor, o assassino reconhece a decoração da Isola Tiberina. Ao olhar para o próprio colo, ele vê apenas um pergaminho aberto, apoiado em um pedaço de madeira. Entre os dedos, Desmond pode sentir o toque do carvão. No papel, há o desenho de um castelo. Um castelo antigo, mas reconhecível para o assassino moderno. Masyaf.

Barulho capta sua atenção e, ao levantar o rosto, a primeira coisa que vê é o contorno de uma mesa, seguido pelo perfil de Ezio. O Auditore está mais velho, provavelmente com a mesma idade de quando foi para Masyaf. Vozes de crianças (1) ecoam e logo Desmond se encontra sendo abraçado por um sorridente menino.

– Anna! – o pequeno diz.

O assassino, então, compreende que está sincronizado com Anna agora, o que explica o desenho. Tal desenho é colocado atrás de um vaso e a ladra retribui o abraço da criança, sorrindo para uma mulher parada a apenas alguns passos.

– Tia Claudia.

– Anna. – a Auditore responde também sorrindo.

A outra criança se encontra no colo de Ezio e ambas estão sob o atento olhar de Claudia.

– Você me chamou, irmão?

Sí. – Ezio responde colocando o sobrinho no chão. O pequeno imediatamente corre para onde o irmão e a prima estão – Há alguns documentos que eu quero mostrar a você.

Enquanto os dois irmãos conversam, Anna brinca com os primos. Embora mais velha, a ladra gosta da companhia dos filhos de Claudia, encontrando nos primos companhia e amizade. Entretanto, a ladra mantém uma parte da atenção voltada para a conversa do pai com a tia. Ela ouve os planos de Ezio de ir para Masyaf encontrar a biblioteca de Altaïr.

As palavras evocam as lembranças de sonhos tidos. Uma vasta biblioteca em um imponente castelo e um mestre assassino a lacrando. Um gemido de dor deixa os lábios da veneziana ao mesmo tempo em que ela leva uma das mãos até a cabeça, o som e o movimento preocupando um dos meninos e chamando a atenção de Ezio. O Mentor questiona se a filha está bem, ao que ela afirma que está.

Internamente, Anna se questiona se também deve seguir para Masyaf.

Notas finais
(1) É dito no livro 'Revelações' que Claudia se casou e teve filhos. Por favor, deixem comentários. Críticas e sugestões são sempre bem vindas. Obrigada.