A Rosa De Masyaf
2 Memórias
A Rosa de Masyaf
Memórias
- Desmond? – Lucy chama de maneira hesitante.
- De novo... – o assassino sussurra colocando as mãos sobre os olhos – Aquela mulher...
- Você a viu novamente? – Shaun questiona.
- Não. – Desmond responde balançando a cabeça em sinal de negação – Eu vi através dela. – uma pausa – Parecia tão real... Como uma memória... Dela.
Ao ouvirem as palavras de Desmond, Lucy e Rebecca trocam um breve olhar e a morena se levanta, caminhando para o computador ligado ao Animus.
- Quem é ela? – o assassino questiona em um tom baixo, mais para si mesmo do que para os outros.
- Nós vamos descobrir, Desmond. – Lucy diz se aproximando e tocando o ombro do rapaz.
- O que você viu? – Shaun pergunta observando Desmond atentamente.
- Eu estava em um quarto, um quarto em ruínas. – o assassino responde enquanto se coloca de pé – De repente, minha cabeça doeu e eu fiquei tonto. Quanto recuperei meu equilíbrio, havia Templários me cercando. Eu lutei, mas caí. Consegui me levantar e voltar a lutar, mas algo me parou...
- O quê? – o historiador pergunta, já de pé e curioso.
- Outro assassino. – Desmond diz e, em sua mente, revê a imagem – Ele estava na janela e então saltou. O que ele fez... Parecia que eu estava fazendo. Foi quando despertei.
- Isso é um tanto quanto interessante. – Shaun comenta.
- Nós vamos descobrir o que está acontecendo, Desmond. – Lucy diz – Não se preocupe.
- Eu só queria saber quem ela é, Lucy.
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Após a breve conversa, Desmond decide sair do Santuário por alguns minutos. Em silêncio e com passos lentos, o rapaz caminha pela Vila Auditore observando os primeiros raios do sol que tocam as construções. É quando o assassino percebe a luz destacar a silhueta de alguém. Desconfiado, Desmond segue com cautela e, com um pouco de surpresa, descobre que não há ninguém ali. Pelo menos não agora. O que ele vê é apenas outra alucinação.
Decidido a ignorá-la e voltar para junto dos outros, Desmond respira fundo e se prepara para seguir o caminho de volta, mas a alucinação vira o rosto e o rapaz reconhece os lábios finos que se esticam em um calmo sorriso. É ela, a mesma mulher que ele vislumbrara através dos olhos de Ezio, embora claramente mais jovem. Paralisado pela surpresa, o assassino apenas observa enquanto ela continua a sorrir e se aproxima, parecendo olhar diretamente nos olhos dele.
- Estou no caminho certo? – ela diz e, aumentando a surpresa e a curiosidade de Desmond, ela fala em italiano – É um pouco frustrante. Vê-lo, mas não ser capaz de conversar.
Ela consegue vê-lo? É a pergunta que invade a mente do assassino, embora ele saiba que não ela não possui o menor sentindo. Aquela mulher viveu séculos atrás, portanto não o conheceria e não seria capaz de vê-lo, certo? Uma risada baixa deixa os lábios finos e Desmond percebe o olhar atento nublar com tristeza.
— Gostaria de ser capaz de compreendê-lo. – ela sussurra – Altaïr.
Altaïr? Ela vê Altaïr? Confusão se desenha na face de Desmond enquanto, diante dos olhos do assassino, a estranha e jovem mulher se afasta, caminhando pelas ruas da Vila e, pelo modo como ela se move, Desmond deduz que, na época que ela esteve ali, o lugar ainda era marcado pela destruição.
- Desmond, Lucy quer falar com você. – o rapaz ouve a voz de Shaun, mas não a registra, a mente ainda focada na estranha alucinação – Desmond! O que está acontecendo com você?!
O assassino vira o rosto se deparando com o olhar levemente irritado de Shaun e percebendo a mão do historiador em seu ombro.
- Pare de dormir com os olhos abertos e venha. – Shaun diz começando a caminhar. Desmond o segue, não sem antes lançar um último olhar para a estranha mulher, que já havia desaparecido.
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- Rebecca acha que conseguiu descobrir o que está acontecendo. – Lucy diz assim que Shaun e Desmond aparecem.
- E então? – Desmond incentiva, a ansiedade clara em sua voz fazendo o coração bater mais rapidamente.
- O que você viu no seu sonho e o que você passou no Animus são resultados de memórias ocultas. – Rebecca diz.
- Memórias ocultas? Como assim?
- Eu analisei as informações sobre a sua última dessincronização e acontece que, revivendo as memórias do Ezio, você começou a despertar outras lembranças guardadas no seu DNA. – Rebecca diz com um pouco de animação na voz.
- Eu não estou entendendo. – Desmond diz.
- O sonho foi realmente uma lembrança. – Lucy diz – Assim como o que você viu durante a dessincronização. Só que uma pertence apenas a essa mulher e a outra, a ela e a Ezio.
- A memória dessa mulher, assim como a de Altaïr e Ezio, está guardada no seu DNA. – Rebecca explica – Meu palpite é que como há lembranças que ela compartilha com Ezio, reviver as que pertencem apenas a ele acabou por despertar as que pertencem somente a ela.
A menção do nome do assassino sírio faz com que Desmond se lembre das palavras ditas pela estranha mulher há alguns minutos, mas ele ignora pelo momento.
- Então agora eu estou revivendo as memórias de duas pessoas ao mesmo tempo? – o assassino questiona.
- Mais ou menos. Mas não se preocupe, tomaremos cuidado para que você não fique sobrecarregado e seja afetado pelas duas memórias. – Rebecca responde.
- Acho que eu já estou sendo. – Desmond comenta.
- O que quer dizer? – Lucy questiona.
- Agora a pouco, eu a vi. Na Vila. – o assassino explica – Foi estranho. Ao contrário de quando a vi com Ezio, ela falava em italiano e parecia me ver, mas... Não era a mim que ela via.
- Quem era? – Shaun pergunta.
- Altaïr. Ela o questionava, parecia buscar algo na imagem dele.
- Ela era capaz de ver Altaïr? Como? – o historiador questiona.
- Eu não sei, mas ela o via. – Desmond responde.
- Desmond, eu sei que isso é difícil, mas parece que nós temos que desvendar as lembranças dessa mulher. – Lucy diz – Seja ela quem for.
O assassino assente. Rebecca, retomando seu lugar ao computador, diz:
- Por agora, vamos continuar com as memórias do Ezio. Talvez haja mais alguma pista sobre ela nas lembranças dele. Ou elas acabem despertando mais lembranças dessa mulher. – ela faz uma pausa – Nós teremos cuidado, mas isso pode ser perigoso.
- Eu entendo. – Desmond diz caminhando até o Animus. Por mais perigoso que possa ser reviver as lembranças de Ezio e da estranha mulher juntas, ele quer arriscar. Há algo no interior do assassino que o faz seguir em frente nessa tentativa de descobrir mais sobre a mulher de seu sonho e da lembrança de Ezio. Sua mais recente alucinação. Quem é ela? Outra antepassada? Por que ela é capaz de ver Altaïr?
Desmond respira fundo e tenta relaxar enquanto sente a mente se conectar ao Animus.
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Uma vez mais como Ezio, Desmond se encontra em Roma. Mas, dessa vez, algo dera errado no plano do assassino e ele agora se encontra em combate com guardas dos Bórgia. Ezio consegue derrotar os dois que se encontram a sua frente, mas um se aproxima por trás, caindo antes que qualquer ataque seja completado. O assassino olha para além do corpo caído e encontra uma jovem mulher vestida de negro, o capuz ocultando parcialmente o rosto. Praticamente a mesma imagem que Desmond vira durante a dessincronização.
A desconhecida sorri e começa a correr, mas o assassino a persegue. Ela consegue subir em uma casa e então começa a correr pelos telhados, sendo incrivelmente rápida e precisa. Ezio consegue se manter próximo, muitas vezes chegando extremamente perto de pegá-la, mas ela sempre consegue escapar no último momento.
A noção de tempo é perdida enquanto a perseguição continua e, olhando mais a frente no caminho, Ezio reconhece o La Volpe Addormentata e percebe que é para esse local que a jovem desconhecida segue. Vendo nisso uma vantagem, o assassino permite que a jovem alcance seu objetivo e entre no estabelecimento. Ezio entra logo depois e é rapidamente recepcionado por Gilberto.
- Ezio, o que o traz até aqui? – La Volpe pergunta notando a adrenalina brilhando nos olhos do assassino.
- Estou em busca de um alvo. – o assassino responde percorrendo o local com o olhar – Um alvo que se refugiou aqui.
La Volpe imediatamente fica alerta, assumindo uma postura mais rígida e atenta. Enquanto isso, Ezio continua a procurar, encontrando a jovem desconhecida em meio a alguns ladrões, encostada em uma parede no canto. O assassino se aproxima com passos rápidos e decididos sendo seguido por La Volpe, que observa tudo com um misto de desconfiança e curiosidade. Ao notarem a aproximação do assassino, os ladrões se afastam, deixando a jovem sozinha.
- Quem é você? – Ezio questiona em um tom de voz sério e firme.
- Ezio... – La Volpe começa – Essa é Anna, um dos membros da Guilda de Antonio.
Ante as palavras de La Volpe, a jovem chamada Anna retira o capuz, revelando um rosto claro emoldurado por longos e lisos fios negros que destacam o brilho e a cor dos olhos azuis. Ezio permanece em silêncio, assimilando a informação oferecida e o sorriso desafiador nos lábios vermelhos.
Em uma profunda parte de sua mente, Desmond não consegue evitar se sentir aliviado por achá-la e descobrir seu nome.
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