A Rosa de Masyaf


Conexão



Forçado a dar uma pausa nas sessões no Animus por Lucy, Desmond decide caminhar pela Vila Auditore por alguns minutos, apenas o suficiente para que o simples passeio não se torne um risco. Após alguns passos pelas ruas, o assassino vislumbra a silhueta de alguém. Silenciosamente seguindo a visão, o rapaz chega até a entrada da casa principal. O fantasma vira o rosto por um momento e, não muito surpreso, Desmond reconhece Anna. Sendo sincero, o assassino já está se acostumando com a visão da ladra italiana.



A garota entra na casa e Desmond a segue, reparando no modo furtivo que a filha de Ezio se move, desviando de obstáculos invisíveis para o assassino, mas que, naquela época, deveriam ser resquícios do ataque dos Borgia. Anna segue até a antiga sala de Mario e para em frente à parede onde as páginas dos Códex eram penduradas. Não há nada para Desmond ver, a parede está vazia, mas para a ladra parece haver algo.



Anna parece afastar escombros com as mãos e então pegar pequenos fragmentos de papel da parede e do chão. Provavelmente o que havia sobrado das páginas escritas por Altaïr. A jovem Auditore se afasta um pouco e tenta ler os papéis em suas mãos. Confusão se desenha na face jovem, mas logo é substituída por uma expressão de dor. Os papéis caem no chão e Anna segura a cabeça com as mãos, como se tentasse parar a dor. Instintivamente, Desmond dá um passo à frente na intenção de ajudar a garota, mas se lembra de que aquela jovem está morta há séculos. Por alguma razão, esse lembrete faz com que o peito do assassino doa.



Desmond não tem muito tempo para pensar na dor de Anna ou no incômodo em seu peito. Dor invade a mente do moderno assassino e o faz cair ajoelhado ao lado da ladra, também caída. Quando a dor começa a desaparecer e Desmond levanta o olhar, é recompensado com o olhar surpreso de Anna. Por um segundo, o assassino se pergunta se a garota não estaria vendo Altaïr e no momento seguinte, a resposta é dada:



– Quem é você? – a ladra pergunta em um tom baixo e suave – Você não é Altaïr.



Ela está vendo a mim? A pergunta ecoa na mente do assassino como um grito. Estático, sem saber o fazer ou pensar, Desmond apenas observa quando Anna levanta a mão em sua direção, como se quisesse tocá-lo e então recuar, hesitante.



– Você é um fantasma como ele? – ela diz e há dor em sua voz – Mais uma visão para me assombrar e ameaçar roubar minha sanidade?



Para Desmond, toda a situação é completamente estranha. É estranho ver Anna tão vulnerável. Em quase todas as memórias que ele reviveu, Anna sempre pareceu ser alguém segura de si, desafiadora, forte. Ela só mostrou um pouco de vulnerabilidade com Da Vinci, após ver Altaïr. Parando para pensar, toda vez que ela via o Mestre Assassino, a filha de Ezio parecia vulnerável, assustada e perdida. Ela era filha de um assassino, mas fugia e negava qualquer coisa que a conectasse a Irmandade. Ela era assombrava por algo que não compreendia completamente e procurava desesperadamente por respostas para suas perguntas. Anna lembrava Desmond de si mesmo. Jogada em uma vida que não era aquela que ela havia desejado.



“Eu sou um bartender!”



Eu não sou uma assassina



– Eu sou... – o rapaz começa, mas uma voz alta e irritada o interrompe:



– Desmond!



Por um segundo, Desmond olha na direção da voz, reconhecendo-a como a de Shaun. Rapidamente, o assassino volta o olhar para Anna, mas a jovem Auditore não se encontra mais ali. Ela desapareceu como todas as visões o fazem.



– Pensei que você tivesse dito que iria sair por apenas alguns minutos para espairecer. – o historiador diz se aproximando do assassino, o sotaque aumentando o tom de raiva presente em sua voz – E não para explorar o lugar como uma criança pequena faz.



– Eu vi... – Desmond começa, se levantando e virando na direção do historiador – Eu vi Anna.



– E isso o surpreende? – o ceticismo na voz de Shaun transforma a confusão sentida pelo assassino em frustração.



– Ela me viu! – o ex-bartender exclama, o tom de voz se tornando mais alto e desesperado – Não Altaïr! Eu!



– O quê? – surpresa se desenha na face do jovem historiador – Ela viu você? Tem certeza? Como possível?!



– Eu não sei, Shaun, mas ela me viu. – Desmond responde e abaixa o olhar para o ponto onde Anna se encontrava.



Tudo o que o assassino teve a oportunidade de observar nos últimos minutos retorna à mente e uma questão nasce com um pouco de atraso talvez. O que Anna fazia em Monteriggioni? Se ela estava procurando por pistas de Altaïr, como ela sabia que ela deveria procurar ali? Foi Altaïr? Ele mostrou aquele lugar a Anna?



– Desmond, você está bem? – a pergunta de Shaun desperta o assassino de seus pensamentos.



– Sim, mas... Eu acho que preciso dormir. – o rapaz responde olhando para o outro, que apenas assente.



xACx



Ele consegue sentir o carvão contra a pele e a sensação é agradável, o som do mineral deslizando sobre o papel é calmante. Ele olha para além da folha e vê os ladrões indo de um lado para o outro, entrando e saindo da sede da Guilda, mas uma imagem captura sua atenção. A imagem de um homem parado sobre o telhado, agachado. O capuz esconde o rosto do homem, mas ele sabe que o olhar está focado em algum ponto abaixo, analisando e descobrindo o melhor momento para pular.



Ele volta a abaixar o olhar para a folha, onde linhas feitas por carvão montam a imagem do homem, cada detalhe feito com exatidão, de modo que a imagem fosse marcada à força no papel. E quando a mão retorna ao movimento, desenhando novos traços, a mente é invadida por um baile de lembranças, imagens e palavras desconexas.



Um homem em vestes brancas, o capuz ocultando o rosto. Um símbolo desenhado sobre o papel e observado durante as noites. Símbolo dos assassinos. Irmandade. Família. Um suspiro escapa por entre os lábios e o desenho é posto de lado de forma rude. Ele fecha os olhos e respira fundo, procurando se acalmar. Ele pode escolher o que ele é, esse pensamento se repete de novo e de novo até ecoar como um mantra na mente. Ele não precisa ser algo só porque o sangue que possui está ligado a certa Ordem. Ele não precisa. Ele não quer.



Uma ladra. Não uma assassina.



As palavras trazem Desmond de volta à realidade. O assassino desperta e logo percebe a movimentação que acontece ao redor. O assassino se levanta, os sons se tornando distantes e abafados. Desmond consegue distinguir as vozes de Lucy e Rebecca o chamando e até mesmo a voz cheia de sarcasmo de Shaun, mas nenhuma delas consegue capturar sua atenção. A mente do ex-bartender só consegue se concentrar em uma coisa: Anna.



As lembranças da ladra se repetem como flashes na mente do jovem assassino enquanto ele caminha pelos corredores do Santuário. Todas as imagens e palavras se misturam, se transformando na expressão confusa com que Anna o encarou na antiga sala do Códex. A surpresa da jovem italiana ao ver outro que não Altaïr.



Fracos raios de sol atingem a face de Desmond, que levanta o olhar e se depara com o belo pôr-do-sol de Monteriggioni. Um fraco sorriso nasce nos lábios do assassino ao sentir o peito ser invadido por uma suave sensação de nostalgia.



– Desmond? — a voz de Lucy é registrada o chamando, mas ele não responde.



O ex-bartender continua a caminhar como se estivesse preso em um sonho, em um estado hipnótico do qual não conseguisse se libertar. E então, mais uma vez diante de Desmond, está ela. Anna.



A ladra corre e o assassino a segue, tentando manter o mesmo ritmo e alcançá-la. Ele quase consegue, mas quando os dedos de Desmond se fecham sobre o pulso fino, não conseguem segurá-lo. Anna é um fantasma e fantasmas não podem ser pegos.



Esse detalhe não diminui a vontade do assassino, que continua a correr a e perseguir a ladra italiana. Mas de repente, Desmond tem os movimentos barrados por toques fortes e firmes, mãos insistentes que o seguram e o afastam de Anna. O assassino tenta protestar e continuar a seguir o fantasma, mas é impedido. Dor invade a mente fazendo os olhos se fecharem e visualizarem um quarto em ruínas, uma luta, um impossível salto de fé. Desmond abre os olhos e sente o nariz escorrer. Ao tocá-lo, sente apenas sangue.



– Desmond! — Lucy chama.



– Acorde, Desmond! — a voz de Rebecca.



– Saia logo da terra dos sonhos! — o sotaque de Shaun envolve as palavras ditas.



– Anna... — o nome toma a forma de um sussurro que deixa os lábios do assassino quando este já se encontra dominado pela escuridão.



xACx



"Posso fugir desse mundo?"



"Não quero ser una assassina"



"Perdonami por odiar sua vida"



"O que encontrarei quando encontrar você?"



"Quem é você?"



– Eu sou... — as palavras deixam a boca inconscientemente.



– Desmond! — a voz animada de Lucy o traz de volta à realidade.



– Bem vindo de volta. — Shaun comenta.



– O que... — o assassino começa sentando sobre o colchão — O que aconteceu?



– Você acordou da sua soneca como um zumbi e então ficou correndo por aí como se perseguisse um fantasma! — Shaun responde — Quando tentamos pará-lo, você lutou contra nós e então você começou a sangrar e desmaiou!



– Eu... — Desmond toca o rosto com uma mão tentando se lembrar do que aconteceu. As imagens de Anna e a vontade de alcançá-la retornam — Eu não sei o que deu em mim...



– Talvez você devesse ficar fora do Animus por um tempo. — Rebecca sugere com um tom de voz preocupado.



– Não! — Desmond responde imediata e veementemente — Quero dizer, nós não temos muito tempo e...



– Desmond, você teve um colapso! — Lucy diz com firmeza — Se voltar ao Animus, pode ter outro e pior. Você pode não voltar.



– Eu não me importo. — o ex-bartender responde surpreendendo os outros três assassinos — No Animus, eu posso me focar. Fora dele, eu temo que eu possa me perder.



Apesar da resposta dada, apenas um pensamento se faz presente na mente de Desmond. No Animus, eu posso alcançá-la.



xACx



Após ser forçado a descansar por algumas poucas horas por Lucy, Desmond retorna ao Animus. Dessa vez, sincronizando com Ezio.



O assassino italiano se encontra caminhando pelas ruas de Roma atento a qualquer informação útil que possa ouvir. Por causa disso, Ezio consegue captar a familiar voz de um aliado. Sorrindo, o assassino localiza a origem do som e se aproxima lentamente, rindo consigo mesmo ante o tom animado que domina a voz de Leonardo. Contudo, o sorriso abandona os lábios do Auditore quando os olhos escuros reconhecem com quem o artista conversa.



Sentada ao lado de Da Vinci em um banco, está Anna. Os lábios vermelhos da ladra estão esticados em um sorriso calmo e sincero, os olhos azuis brilham com um carinho que é obviamente sentido por aquele que a faz companhia. Todo o conjunto compõe uma postura muito diferente daquela, desafiadora, que Anna exibia no La Volpe Addormentata. Uma mão enluvada é levada até a face jovem, afastando alguns fios negros, e Anna desvia o olhar de Leonardo, encontrando a imagem de um homem encapuzado.



Messere.– a ladra cumprimenta, se levantando e fazendo uma curta mesura.



Diante do movimento de Anna, Leonardo fica de pé e se vira para ver a quem a garota se dirige. Sem se controlar, o pintor sorri largamente e abre os braços, pronto para abraçar o velho amigo.



– Ezio! — Da Vinci diz, abraçando e sendo abraçado pelo Auditore.



– Leonardo. — o assassino responde se afastando, o olhar ainda sobre a ladra — Anna.



O olhar claro do artista vai de um para outro, logo compreendendo que Ezio sabe quem Anna é.



– Há algo em que eu possa ajudá-lo, messere? — a ladra questiona e o tom de desafio retorna à voz dela.



– Eu esperava que pudéssemos conversar. — o assassino responde — Tua madre me contou coisas interessantes sobre você.



– Ezio... — Leonardo começa, mas um olhar firme e ameaçador do assassino o cala.



Molto bene, messere.– Anna diz — Nós podemos conversar.



A ladra dá um passo à frente e então para, levando uma mão ao rosto. O olhar azul é levantado na direção de Ezio e confusão e medo brincam nas íris claras. Leonardo se aproxima e toca ombro de Anna, que fecha os olhos como se sentisse dor. A jovem tenta dar mais um passo, se aproximando de Ezio, mas falha e cai inconsciente nos braços do assassino.



Ma Che?– Ezio pergunta para Da Vinci, que apenas respira fundo e diz:



– Vamos para o meu ateliê.



xACx



Após uma longa e cuidadosa caminhada, os velhos amigos chegam ao ateliê de Da Vinci e, com a ajuda de Salai, colocam Anna nos aposentos privados do maestro.



– Então, vocês conhecem Anna? — Ezio pergunta quando retornam ao aposento principal.



– Infelizmente. — Salai responde — Aquela ladrazinha me rouba sempre que tem uma chance.



– Salai, por favor, deixe-nos a sós. — Leonardo pede, sorrindo ao se lembrar dos 'ataques' que o aprendiz teve todas as vezes que foi roubado por Anna. Assim que Salai deixa o ateliê, com alguns florins dados pelo mestre, Leonardo se vira para Ezio — , eu conheço Anna desde que ela era um bebê.



– E você sabe de quem ela é filha?



– De Rosa. — o artista responde — E sua.



Surpresa passa pela expressão de Ezio, sendo rapidamente substituída pela raiva.



– Você sabia? — Ezio diz — Você sabia que eu tinha una figlia e nunca me disse nada?



– Entenda, Ezio... – Leonardo começa levantando as mãos em uma vã tentativa de aplacar a raiva do assassino – Rosa me fez prometer que não diria nada a você. E você sabe o quanto ela pode ser persuasiva.



– Eu ainda tinha o direito de saber! – o Auditore exclama.



– Eu concordo! – Leonardo responde apressadamente, ansiedade e nervosismo tingindo sua voz e mesclando as palavras ditas – Muitas vezes tentei convencer Rosa a te dizer algo, mas ela sempre manteve a mesma posição! E... E Anna... Ela... – o pintor para por um momento, as mãos caindo ao lado do corpo.



– O que tem Anna? – o assassino questiona com firmeza.



– Ela sempre me disse que não deseja ter alguma conexão com você ou com sua vida de assassino. – Da Vinci responde com um tom de voz próximo ao da consolação – Anna não quer se tornar uma assassina, Ezio. E Rosa não deseja ver a filha na Irmandade. – os olhos azuis de Leonardo observam a confusão de sentimentos que passam pelo rosto do assassino e Desmond pode sentir o quanto as palavras do artista causam desconforto à Ezio – Desde que nasceu, Anna tem sido o mundo para Rosa ao ponto de que ela não permitir que a filha permaneça por muito tempo fora de sua visão.



– Eu nunca transformaria Anna em uma assassina se ela não quisesse. – Ezio afirma com convicção.



– Tem certeza? – Leonardo pergunta e ante o olhar desconfiado do Mentor da Ordem, continua: — Não estou dizendo que o faria intencionalmente, mas que poderia acontecer independente da sua vontade.



– Como você pode saber?



O artista não responde de imediato, se afastando um pouco, indo até uma prateleira e pegando uma pasta, colocando-a sobre a mesa. Da Vinci abre a pasta e espalha os papéis para que Ezio possa vê-los. Para a surpresa e curiosidade do assassino, desenhos do símbolo dos Assassinos, das vestes e das armas são expostos por Leonardo, um chamando especialmente a atenção do Auditore.



– A Maçã? – a pergunta deixa os lábios de Ezio na forma de um sussurro – Leonardo, estes desenhos são seus?



– Não. – o pintor responde com um pequeno sorriso – São de Anna. Ela é muito talentosa.



– Mas quando e onde Anna viu a Maçã?



– Ela nunca viu, Ezio. – Leonardo diz voltando a mostrar uma expressão mais séria – Quando se trata da Irmandade, Anna desenha coisas com as quais nunca teve contato.



– Como...?



– Eu não sei, Ezio, mas desconfio que essa habilidade possui alguma relação com os colapsos que Anna frequentemente tem.



– Colapsos? – o assassino pergunta – Como o que ela teve na rua? O quão frequentes ele são?



– Demais para serem saudáveis. – Da Vinci responde – Pelo que Rosa me contou, esses colapsos começaram a um ano, na mesma época que Anna começou a fazer desenhos conectados à Ordem.



– O que aconteceu que desencadeou tudo isso?



– Ela caiu de um telhado em Veneza.



Ezio permanece em silêncio parecendo perdido em pensamentos, estado que Leonardo não se atreve a perturbar. O assassino segue para os aposentos pessoais do artista, parando ao lado da cama onde Anna se encontra, ainda inconsciente.



– Você não me disse como conheceu Anna ou como soube que ela é minha filha. – Ezio comenta em um tom de voz baixo e suave.



– A primeira vez que a vi foi no mercado de Veneza. – Leonardo responde – Eu vi Rosa com Ugo e, quando me aproximei, percebi que ela carregava um bebê nos braços. Em um primeiro momento, pensei que a criança fosse de Ugo, mas quando perguntei... O jeito com que Rosa me olhou me respondeu a verdade. Então, ela me fez prometer não dizer uma palavra a você sobre a criança.



– Ela só queria manter Anna segura. – o assassino diz e Desmond percebe a confusão na mente de Ezio, a frustração e raiva por não ter ouvido uma única palavra sobre Anna lutando contra a aceitação acerca da atitude de Rosa. O Auditore sabe que, se Anna tivesse sido mantida próxima a ele, talvez ela corresse risco demais. Como Claudia, que foi sequestrada para atingi-lo (1).



Lentamente, Ezio levanta a mão, aproximando-a da face de Anna, mas não chegando a tocá-la. As palavras de Rosa ecoam na mente do assassino. Você não conhece Anna, Ezio. Não tente prevê-la.



xACx



Distraidamente, Shaun dirige o olhar para Desmond, deitado no Animus. Imediatamente, a voz do historiador é ouvida chamando por Lucy, o olhar ainda no assassino inconsciente. Lucy se aproxima com Rebecca em seu encalço e na face das duas mulheres se desenha a mesma expressão de surpresa presente no rosto de Shaun.



As mãos de Desmond tremem e lágrimas escorrem dos olhos fechados do assassino.


Notas finais
(1) Isso acontece no livro Assassin's Creed: Irmandade e é o motivo pelo qual Claudia deixa a liderança do Rosa in Fiore, que é passada para Rosa.