Notas iniciais
Oioi gente! Boa leitura :D

21/08/1953, sexta-feira, Fidélia do Oeste, 21h10min.

Os longos cabelos castanhos esvoaçavam enquanto aquela formosa silhueta, “voava” de um lado para o outro no grande quarto, com pilares detalhados com as mais lindas texturas, as joias, expostas nas melhores escrivaninhas de madeira, brilhavam com a luz do candelabro que com o ouro ficava exposto acima da grande cama com os lençóis mais brancos. O vestido branco da mais fina ceda se arrastava pelo chão, a menina estava elétrica e Dorothy tentava acalma-la.

- Alteza, por favor, se continuar agindo desta maneira insana, teus pais descobrirão que ainda estas acordada há esta hora! – Dizia Dorothy enquanto balançava seus curtos e brancos braços em direção à cama.

- Oh não Dorothy! Tem de prestar atenção – A menina de olhos grandes azuis e bochechas rosadas parou atrás de Dorothy – Ouça o som!

- Ora, alteza pare de falar asneiras! Não há som algum!

- Dorothy, não me chame de alteza, meu nome é Ada-Luna. E o som, ah o som! – Ela “rodou-se” até a janela – É o som que nenhuma vitrola pode reproduzir, é o som da rua! Pessoas rindo, musica tocando!

- Alteza está no segundo andar, você não consegue ouvir – E logo Dorothy foi interrompida.

- Mas eu sei que tem! Em todas as minhas 21 primaveras, o que aprendi foi que o som da rua é quase tão bonito quanto Mozart.

- Alteza amanhã você te uma apresentação importante, e ainda me fez mentir para teus pais dizendo que a senhorita ensaiou!

- Dorothy, continua me ignorando! Eu não quero me apresentar para um senhor barbudo de idade.

- Alteza, ele pode não ser velho muito menos barbudo, agora se não terá de ensaiar teus passos. – A bela dama enrolou-se nos lençóis da cama, preferia dormir ao invés de repetir os mesmo passos chatos.

- Dorothy, quando eu completar 25 primaveras, e tomar o cargo alto, todos vão poder sair, dançar e rir livremente.

- Tudo bem, alteza.

- E mulheres poderão usar shorts.

- Isso eu já duvido que seja possível. – Disse Dorothy apagando as luzes – Agora, tenha uma boa noite. – Dorothy saiu do quarto, mas Ada-Luna custava a dormir, planejava algo com que ninguém esperaria. Os planos de Ada-Luna não eram diabólicos, muito menos malvados, mas para seus pais seria o fim do mundo.

22/08, sábado, Fidélia do Norte, 09h30min.

As 06h00min Ada-Luna e sua família, já haviam saído da Fidélia do Oeste e ido para Fidélia do Norte, á apenas dois meses a Fidélia do Oeste e do Norte haviam assinado um tratado de paz, Ada-Luna próxima sucessora do cargo alto de Fidélia do Oeste, como de costume mundial iria se apresentar para os membros do cargo alto de determinado país onde a paz foi assumida depois de anos de guerra. Mas Ada-Luna não estava nada confortável, além de se apresentar para pessoas que nunca havia visto, ela ainda iria ter de fazer uma coreografia chata e sem-graça alguma. Mas, Ada tinha um plano infalível, que iria chocar tanto a Fidélia do Norte quanto a sul, do oeste e do leste. Toda a família já estavam aguardando a três horas, eles nunca haviam visto o membro do cargo alto, quando assinaram o tratado de paz o ministro de comunicações externas compareceu, a causa da ausência do membro do cargo alto não foi justificada. Agora, 09h35min Ada estava atrás das cortinas com Dorothy.

- Dorothy, eu estou muito nervosa, poderia pegar um copo de água para mim? — Disse a donzela, suas vestes eram perfeitas, o vestido feito do pano mais caro que o Oeste podia pagar, sapatilhas com o mais belos cristais, o cabelos castanhos soltos em cachos.

- Alteza, já está quase na hora de se apresentar.

- Ora Dorothy, eu peço que esperem. Eles vão compreender.

- Tudo bem. — Disse Dorothy com um rosto de quem suspeitava de algo, mas deu as costas e saiu.

Logo após isso Ada foi chamada: "Em representação da paz, Ada-Luna Cahadam, próxima ocupante do cargo alto de Fidélia do Oeste, se apresentara agora, nos palcos da Fidélia do Norte." As belas cortinas vermelhas se abriram, todos esperavam uma bela bailarina com as vestes mais delicadas, mas se chocaram ao bater os olhos em Ada, uma bailarina de shorts e cachos já desfeitos, apesar do choque de todos Ada continuou dançando, lindamente, como uma fada pousando em um campo de margaridas, mas logo foi interrompida pelo ministro de comunicações externas.

- Isso é um absurdo! Uma total depravação! É com esse tipo de país que concretizamos nossa parceria?! — Ele esbravejava se levantando e batendo as mão sob a mesa e indo embora com o membro do cargo alto.

- Por Favor, deixe-me explicar! — Disse a mãe de Ada, Anni-Ka, enquanto o seguia. — Eu não estava ciente, deste ato de loucura de minha filha.

- Ato de loucura mãe? — Ada descia do palco enfurecida e ia atrás dos três — Eu tenho perfeita sanidade.

- Ora Ada, a não ser loucura não a nada que justifique esse teu ato insano.

- Insano? Por que as moças não podem usar shorts, isso é um puro exemplo de que o mundo não evoluirá, homens vão sempre mandar em mulheres, sempre haverão guerras por motivos bobos, você não vê?

- Você está louca, fica dizendo asneiras não se comporta!

- Não mãe, o movimento do iluminismo diz que... — A menina foi interrompida

- Iluminismo? Você, está realmente louca, dar ouvidos a iluministas.

- Anunciem uma assembleia, com urgência. — Exclamou o ministro enquanto saia

- Assembleia? Isso não é exagero? — Anni-Ka seguiu o ministro, segurando seus vestido pelos lados.

- Temos de rever nosso tratado. Urgentemente. — Disse o ministro.

- Isso está errado! Não seria o membro do cargo alto que decide isto? — Ada gritou.

- Ada-Luna, pare com isso já! — Anni-Ka ordenou, já estava desesperada.

- Se a senhorita quer palavras do membro, eu vou deixa-lo falar. — O ministro saiu da frente do membro — Isaac-Kian Ross.

- O que acabei de presenciar, foi um sincero absurdo e falta de imoralidade, Senhora Anni-Ka, sua filha é claramente louca, e precisa de tratamentos psicológicos, eu recomendo que a senhora interne-a.

- Eu não sou louca! É você que está fora de sua sanidade normal! — Anni-Ka levou sua filha dali.

22/08, sábado, Fidélia do Norte, 20h12min.

Dorothy penteava os fios do cabelo castanho da bela dama, ela olhava para o espelho não muito satisfeita.

- Dorothy, você acha que eu sou louca?

- Claro que não alteza.

- Diz isso — Ela se virou e olhou para ruiva — só porque é minha acompanhante.

- Falo a verdade. Não se preocupe, sua mãe não te internaria. — Ada soltou um grunhido de quem não estava completamente satisfeita. — Agora vá dormir, certo? — Ada se deitou e cobriu-se com os lençóis. — Boa noite, descanse. — Dorothy apagou as luzes e saiu.

Ada fingiu dormir até 00h00min, até que finalmente se levantou, ela saiu de seu quarto olhando para os lados, "como é grandiosa", Ada pensava ao olhar do ponta a ponta a mansão na qual estava hospedada, os quadros na parede retratavam todos os membros do cargo alto desde pinturas até fotografias em preto e branco, ela olhava todos um por um, apesar da ultima moldura estar sem uma fotografia ela não se importou muito, o membro do cargo alto que havia falado com ela era novo demais para estar naquela parede, estava tudo normal até Ada ouvir uma voz atrás dela.

- Eu não acho que uma moça com esse mocotó deveria andar sozinha á essa hora da madrugada. — Ada se assustou, pensou que estivesse sozinha.

- Mas que tipo de homem anuncia a uma moça esse tipo de coisa obscena?

- Ora, depois daquele seu "concerto" ha algumas horas atrás — Ele disse, atrevendo-se a ir para frente da moça — isso não seria considerado obsceno.

- O que eu fiz não foi obsceno, senhor Isaac-Kian Ross, muito menos insano, nada o que eu fiz foi errado. Moças tem o direito de se vestir como quiserem. "A mulher possui direitos naturais idênticos aos dos homens e que, por essa razão[..]"

- "[...]Tem o direito de participar, direta ou indiretamente, da formulação das leis e da economia em geral." — Isaac disse, interrompendo Ada. — Olímpia de Gouges, 1791. Você lê bastante não?

- Você leu sobre iluminismo?

- Tanto quanto feminismo minha cara. — Isaac disse enquanto andava.

- Isso é impossível, se soubesse pelo menos o mínimo sobre feminismo não teria me tratado de maneira tão descortês. — A moça foi atrás dele.

- George, ele é um machista, que adora tirar uma chinfra.

- George, seria o ministro de comunicações externas?

- Sim, ele mesmo. — Disse o loiro enquanto parava em frente a um dos quadros.

- Quem é esse? — Ada parou atrás dele.

- Meu tio, ele cuidou de mim, é um historia complicada. — Ele fez Ada ficar mais curiosa do que geralmente é.

- Conte.

- A alguns anos atrás, seis eu presumo, meu tio já estava velho, mas não tinha filho para dar a ele o cargo alto, então ele pediu ao meu pai, que também já em uma idade não considerada muito nova, virasse membro do cargo alto, ele aceitou, porém algum meses depois um atentado da Fidélia do Sul matou meu pai, fazendo meu tio voltar ao cargo alto, eu me ofereci, mas ele disse que eu era muito novo, para ocupar um cargo tão importante. Meu tio veio a falecer a um ano atrás, e eu era o unico que poderia ficar no cargo alto, e aqui estou.

- É uma historia impressionante.

- Mas então me conte, Ada-Luna, o que te fez ter essa grandiosa ideia para incentivar o feminismo?

- Eu... Não acho que certo ficarmos conversando aqui a essa hora da madrugada. Mas, antes de ir embora, posso te pedir um favor?

- Se não for outra insanidade.

- Leve-me a cidade amanhã. Tenho certeza que você também tem curiosidade para saber como é fora dessa mansão.

- Eu não acho isso muito coerente.

- Por favor, ou eu conto a todos a frase obscena que pronunciou ao chegar aqui.

- Você é louca quem acreditaria em você?

- Feministas. Amanhã as 06h00min. — A moça foi embora e Isaac observava a renda de seu vestido se espalhando enquanto ela corria, Isaac foi em direção ao seu quarto onde esperava encontrar paz. Ao chegar lá ele encontrou George.

- George, você não é meu segurança.

- Aonde você estava?

- Eu fui ao tolete, por que esta tão preocupado, está dando uma de roxinha George?

- Estava falando com a Cahadam, fique longe daquela garota, ela é louca. Não é pessoa com quem possa se envolver.

- Com quem possa se envolver — Isaac disse dando uma leve risada — Eu troquei duas palavras.

- Isaac-Kian, você não se lembra de Tiana?

- Não envolva a Tiana nisso.

- Vivia suspirando pelo broto, bobagem! E você sabe o fim que teve.

- Calado, você não tem direito de se intrometer nos meus relacionamentos pessoais George.

- Essa garota é louca, fique longe dela. — George disse, em seguida saiu do quarto. Isaac deitou-se se afundando nos travesseiros e pensou sobre Tiana: a primeira garota por quem sentiu amor. Depois de momentos lindos de pura doçura, Isaac se sentia cada vez mais apaixonado, até que em um fatídico dia Isaac ficou encurralado e desesperado, Tiana, a doce menina por quem se apaixonou era apenas uma espiã da Fidélia do Sul, Isaac a viu ir embora no mesmo dia que viu seu pai morrer, o atentado foi tão chocante para todo continente, porém mais para ele que perdeu seu amor e seu pai no mesmo dia, Fidélia do Norte demorou semanas para se recompor, mas Isaac levou anos.

23/08, domingo, Fidélia do Norte, 06h20min.

Isaac-Kian e Ada-Luna se encontraram atrás das cortinas do salão principal, Isaac sem terno e Ada de short, os dois saíram, a cada passo que davam na cidade alguém se chocava e um homem assobiava, Ada não conseguia parar de rir e Isaac com ela. Eles pararam em uma sorveteria onde um homem arregalou os olhos e balançou a cabeça em forma de negação enquanto pronunciava: "As quantos di beras quo, das qua tre!".

- O que ele está dizendo? Eu não entendo Fideliano do Norte. — Perguntou Ada-Luna enquanto se deliciava com o sorvete.

- Ele disse: "Os absurdos deste mundo, mulheres são galinhas!" — Respondeu Isaac enquanto pagava o sorvete.

- Absurdo é como todos os homens são machistas!

- Mas, Ada-Luna, você não me respondeu, o que fez você adotar o movimento feminista? — Ada abriu a boca para responder, mas logo foi interrompida por sua mãe.

- Ada-Luna! — Ela gritou segurando seu braço — Como tem a audácia de sair assim? Uma completa obscenidade! Ontem todos os jornalistas tiraram fotos daquele seu ato insano, você está em todas as capas de jornais!

- Me solte! Isso é bom! todas as mulheres vão ver o quanto o machismo e recorrente e que elas tem controle do que ela podem ou não fazer!

- Você está claramente louca! Eu não queria mas eu vou ter que te internar.

- Não mãe não faça isso! Eu sou completamente normal! — Não adiantava fazer mais esforço, Anni-Ka já estava levando sua filha para longe, Isaac tentou interferir mas George o impediu. Isaac viu Ada sendo levada para longe como uma alma sendo presa.

30/08, sábado.

Depois de sete dias, Ada-Luna já estava internada em um manicômio, e quem cuidava do cargo alto era George ao invés de Isaac, porém, mulheres de toda Fidélia do Norte começaram a fazer protestos e vestir shorts ao invés de vestidos e saias, mais de 10 mulheres foram presas e o movimento se espalhou pela Fidélia do Sul, Oeste e Leste, depois de 2 anos de protestos e luta mulheres conseguiram o direito de usar shorts e saias curtas, além de poder interferir nas leis e economia, Ada-Luna e Isaac-Kian fugiram para Fidélia do Leste e trocaram de nomes cujo não se tem conheço. Quem tomou o cargo alto de Fidélia do Oeste foi uma pessoa de fora da linha hereditaria normal, o mesmo com a Fidélia do Norte.

Notas finais
Eai gente! Se gostaram ou se odiaram comentem ! :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!