– Sabem? Luigi é cético demais. Extremamente egocêntrico. Causa muita dor de cabeça para os meus pais, desde pequeno. Embora seja meu irmão gêmeo, nasci primeiro e ele, como “caçula”, sempre foi muito pirralho e ciumento. Ao passar dos anos, começou a achar que eu era a filha predileta e, com isso, se revoltou com a vida. Eis um menino ignorante que está no último ano da escola por uns empurrões que dou nele. – disse Camila, reunida conosco no Parque respondendo a uma pergunta – Sempre compartilhamos nossas atividades. O que ele faz eu sei. E tudo que faço, ele também sabe. E com a sua cabeça fraca acabou se envolvendo com maconha também. Meu pai sabe que ele fuma, até porque é ele que banca meu irmão. Todo fim de semana ele sai pra fumar com seus amigos. Admirei-me pelo fato dele ter ido ao shopping com vocês semana passada.

– Que acabou furando com a Susan! – interrompeu Giulia, defendendo a amiga.

– Ué, mas ele não foi?

– Foi quando estávamos indo embora.

– Não duvido nada de que tenha ido fumar. – observou Camila, virando os olhos.

– Juro que dessa eu não sabia! – exclamei – Mas é de se esperar. E é justamente por isso que estamos aqui. Queremos conversar com você sobre seu irmão...

E explicara tudo sobre o nosso grupo, nossa meta, nossa ideologia. Naquela altura éramos sete.

– Nossa! Que iniciativa legal a de vocês. Gostei. Se precisarem de alguma coisa, podem contar comigo! – e piscou. – E em relação ao meu irmão, não tenho tanta esperança. Quase dezoito anos desse jeito... Bom, mas tentaremos mais uma vez. – disse, totalmente desacreditada.

Naquele momento, estávamos assistindo um evento promovido por um grupo de skatistas. Manobras aéreas no half, outras de freestyle na área coberta... Um dia movimentado e extremamente quente. Exalava concreto das trincas daquele chão asfaltado. Enquanto lá estávamos, pelo menos quinze foram parar no ambulatório.

Eram três horas e meia da tarde e o parque estava lotado. Pais passeando com seus filhos; namorados aproveitando a vida; amigos bebendo, outros fumando; pessoas andando de bicicleta, de patins; outras correndo; um grupo de idosos fazendo caminhada... Um dia (aparentemente) tranquilo.

– Você acha que seu irmão aceitaria a ideia de participar do nosso grupo? – perguntara Anne.

– Se ele soubesse qual a finalidade... Acho que não. De nenhuma maneira. Vou dar um conselho a vocês: não fiquem muito investindo nele. Não vai dar certo. Tenho quase certeza disso.

– Poxa, está nesse nível?

– Infelizmente. – e bufou.

Era de se esperar. Outro dia encontrei Rafaelli, uma amiga minha daquela época. Contou-me que chegou a namorar Luigi por alguns anos após terminarmos o ensino médio, mas foi complicado. Ele detinha poder sobre ela. Um horror.

Fui em um shopping com meu filho, Roberto – em homenagem ao meu professor universitário e ex-namorado da minha mãe (contarei em algum canto dessa prosa mais sobre isso) –, e acabei encontrando Rafaelli com seu marido e filho, Valentim – de cinco anos – dentro de uma loja de brinquedos. Daqui a três semanas é Dia das Crianças. Resolvemos comprar antecipadamente para evitar o tumulto dos descompromissados. Ao sairmos, fomos a uma livraria e por lá ficamos. Anne não estava comigo, pois havia ido fazer hidratação nos cabelos. Por conseguinte, fui sozinho com Roberto – também com cinco anos. Na livraria, sentamos na cafeteria e por lá ficamos. Conheci melhor seu marido, Simon; sentimos imensa nostalgia ao lembrar os momentos de escola – embora não fôssemos muito ligados –; tentamos atualizar, resumidamente, nossas vidas desde o último dia que tivemos contato (em 2008). Rafaelli trabalha atualmente como enfermeira em uma clínica infantil, e Simon também. Depois, perguntei de Luigi e soube que namoraram de 2009 à 2012.

– Foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Ele é um canalha, Alberto. Um canalha! Ficamos quase quatro anos juntos e descobri que estava namorando uma vadia ao mesmo tempo. O pior é que ela sabia, mas eu, não. Não sei onde estava com a cabeça naquela época. Sabia de seus podres, sim. E mesmo assim fiquei com ele. Fui a primeira garota, creio, que ele namorou. Lembro-me de Susan quando saiu com vocês no último ano e Luigi deu o furo. Como havia entrado naquele ano e era muito tímida, só escutava. – explicou Rafaelli, despojadamente.

– Sim! Foi nessa época que iniciamos aquele nosso grupo lembra? – e Rafaelli veio a participar apenas no final do ano, falei – Tentamos mais algumas vezes, parecia que tinha dado certo, mas... E como Luigi está hoje? Casou? Teve filhos? Fez algum curso superior? Trabalha? – bombardeei perguntas.

– Sei de coisas que você nem imagina, Beto! O buraco é bem mais embaixo. – respondeu, retorcendo os olhos e sorrindo com o canto da boca.

Revelarei o restante dessa minha conversa com Rafaelli nos próximos capítulos.

Voltando ao parque...

Ao entardecer, fomos embora. Camila morava lá por perto e, então, fomos leva-la até seu condomínio. Apenas seis quarteirões de distância.

– Mãos na cabeça! Mãos na cabeça! Perdeu, perdeu! – gritou um homem encapuzado anunciando um assalto junto com mais três comparsas que desciam de um furgão inteiramente branco e placa com final 13. – Passa o celular, carteira, tudo de valor! Rápido! – e apontou a arma para minha cabeça. – Passa tudo senão eu atiro!

Camila entrou em desespero. Entregou sua bolsa e seu colar de ouro que ganhara de sua vó já falecida.

Fiz o mesmo. Entreguei tudo. E todos que estavam conosco, também. Mas fomos submetidos a uma revista dolorosa por um dos ladrões – que nos parecia conhecido pelos trejeitos. Brian não havia entregado sua carteira. Por conseguinte, levou cinco coronhadas e apagou por alguns minutos. As meninas foram revistadas por dentro das roupas íntimas, exceto Camila.

Uma senhora que passava pela rua ligou para a polícia, que quase imediatamente chegou ao local com três viaturas. Uma, amparou-nos, servindo os primeiros socorros ao Brian e o apoio psicológico às meninas. As outras duas, iniciaram uma perseguição, que acabou não saindo do bairro. O Furgão colidiu em um poste a sete quadras.

Ao chegarmos ao Distrito Policial mais próximo, o delegado Gian Carlo Ricci responsabilizou-se pelo caso. Após uma hora, as duas viaturas retornam ao D.P. com os suspeitos algemados.

Notas finais
Comentem por favor. Justamente pela falta de criatividade, gostaria da sugestão de vocês que acompanham. :)