A Revolta das Máquinas
5 05 - Reviver
A dor era o de menos. O pior eram as lembranças de seu irmão.
— Acalme-se! — alguém gritou.
Mas aquela palavra não surtia efeito em seu corpo contorcido.
— Acalme-se! — gritou outra vez a mesma voz. — Desse jeito você vai acabar quebrando algum membro.
Seu corpo suado se contorceu outra vez, e as suas veias saltaram em seu pescoço.
— Deixe suas lembranças irem. Assim será mais fácil. A dor irá embora. Deixe-as ir. — a voz ressoou em seu ouvido dessa vez mais leve.
Sua cabeça parecia estar em um liquidificador. Ele não queria esquecer de sua vida, não queria esquecer de seu pai, não queria esquecer de seu irmão. Ele queria continuar do mesmo jeito, queria suas lembranças intactas.
— Concentre-se rapaz. Concentre-se.
Não resistiu. Ele as deixou ir.
Suas lembranças saiam como se fosse uma folha sendo levada pelo tempo. Sua memória estava sendo apagada aos poucos. Aos poucos sua dor foi de esvaindo. Ele não pode segurar o alívio.
Seus olhos abriram e a luz entrou por eles como se fosse cegá-lo.
Ele conseguiu enxergar onde estava agora. Um quarto escuro. A única luz estava bem em cima de sua cabeça.
Ele percebeu que estava despido e suado.
— Onde estou? — ele perguntou.
— Num lugar seguro. — a voz respondeu.
Ele percebeu que se tratava da mesma voz que estava falando com ele antes enquanto estava convulsionando.
— Quem é você? — ele perguntou tentando se levantar.
Uma silhueta surgiu entre as sombras. Era uma garota.
Seus cabelos eram negros e estavam caídos sobre os ombros, sua pele lisa e seus olhos cor de laranja. Ela era linda.
— Eu te encontrei se decompondo nos destroços do pavilhão do distrito de Melas. Meu nome é Georgia. Sou como você, não lembro de nada antes de morrer. — ele jogou uma camisa e uma calça para o rapaz, depois o analisou por um momento — Você lembra de seu nome?
O garoto assentiu.
— Me chamo Daniel Strucker. — ele estende a mão enquanto colocava a camisa.
Se pôs de pé e sentiu que não estava forte o suficiente para andar, resolveu voltar e sentar onde estava.
— Que lugar é esse? — Dan observou a sala.
— Abrigo. — disse a garota jogando uma garrafa de água.
Daniel abriu e tomou todo o líquido em questão de segundos. Seu estomago fez um estrondo, agora havia percebido, estava faminto. ele levou a mão a barriga e Georgia pareceu entender.
— Venha. tem comida por aqui. — ela abriu a porta e pela frecha ele conseguiu ver que depois tratava-se de um lugar bem diferente.
— Não se preocupe você está seguro. Está com os da sua espécie. — a garota apontou para o lado de fora.
Ele não sentiu a segurança que a garota queria passar, mas, por uma razão conhecida (a fome), ele a seguiu.
O corredor era totalmente branco, do piso ao teto havia portas azuis assim como a de que Daniel havia saído. As luzes emitiam um ar confortante para aqueles que andavam pelo local. Algumas pessoas passavam com mesas de rodinha com comidas aos montes, elas vestiam roupas brancas semelhante aos trajes atuais de Dan e transmitiam um ar sereno, algumas delas sorriram ao ver a presença do garoto. Uma destas pessaoas parou e andou até o rapaz, era uma senhora. Ela parou o carrinho com comida em frente a Daniel.
— Seja Bem vindo, querido! — ela lhe dirigiu um sorriso — Tome, você deve estar faminto — ela lhe entregou uma maçã verde.
— Obrigada Ariel. — disse Georiga ao seu lado — Venha Dan. Tem alguém aqui que deseja vê-lo.
O garoto mordeu sua maçã com vontade. Era a melhor maçã que já comeu em sua vida.
Eles andavam por outro corredor branco com pessoas vestidas de branco enquanto Georgia explicava de como aquela maçã havia sido colhida. Aquela garota parecia saber o que falava. Os dois viraram e havia outro corredor que dava para outros corredores repletos de portas azuis com placas prateadas e palavras entalhadas.
Eles seguiram até uma porta quase escondida, nela havia alguns dizeres prateados no centro.
"Gabinete do Diretor. Só entre com Autorização"
Georgia bateu duas vezes antes de abrir a porta.
O homem estava sentado em cima de sua mesa, sua roupa também era branca, suas pernas estavam cruzadas e em cima delas estava um livro de capa dura aberto. Ele parecia bem atento ao que estava lendo.
Atrás dele havia uma estante repleta de livros velhos que Daniel nunca ouviu falar. Um lustre pendia logo acima de suas cabeças e deixava o lugar com um aspecto mais sereno. Fora isso, a sala não tinha mais nada chamativo.
— Senhor! — falou a garota — Eu o trouxe, como o senhor mandou.
O homem parou e fechou seu livro imediatamente. e Daniel sentiu seu queixo cair ao reconhece-lo.
— Daniel! — falou o homem, logo depois desceu de sua mesa e abriu os braços em busca que o garoto fizesse o mesmo.
Daniel sequer esboçou uma reação. Estava pensativo.
O homem foi até ele e lhe deu um simples tapa no ombro. E o analisou por algum tempo.
— Como está você, meu querido filho?!
Fale com o autor