Acordei confiante, esse dia tomara conta de grande parte de meus pesadelos, mas já sabia o que farei no dia da escolha.

– Robert, está pronto?- era Susan me chamando. Minha irmã, Susan, sempre rejeitou a vaidade, nunca a vira pensar em si mesma, os outros que mereciam a importância. Essas qualidades se viam nas pessoas da abnegação que por de baixo daquelas roupas cinzentas eram considerados fracos. Meus pais haviam me ensinado a ser altruísta e eliminar o egoísmo, alguns desses traços trazia comigo, mas eu me sentia sufocado, não podia abraçar minha irmã, e nem demonstrar meus sentimentos a garota que tanto amava.

–Estou indo- respondi.

Cumprimentei meus pais com apenas um gesto de cabeça e partimos. Fomos todos juntos para o local que definiria a vida de cada um de nós, jovens de 16 anos que deveríamos escolher o que seriamos para o resto da vida. Isso assombra todos nós, mas é assim que a nossa sociedade funciona, e a paz reina depois de uma longa guerra. Éramos divididos em facções: abnegação- da qual pertenço- os que culpam o egoísmo; amizade, aqueles que culpavam a agressividade; audácia aqueles que culpam a covardia; aqueles que culpam a ignorância formaram a erudição, e os que culpam a duplicidade formaram a franqueza. Enquanto toda abnegação subia as escadas do edifício em uníssono, eu procurava por ela. Beatrice era minha vizinha, nunca pude compartilhar o que sentia por ela, guardava esse segredo para mim. Buscava seus olhos para que pudesse esquecê-la apenas com essa lembrança e feliz. Sempre que precisava não buscava gestos ou palavras, mas sim seus olhares, que me traziam aconchego. A avistei falando com Jeanine, a líder da erudição, mas seus olhos que sempre foram fortes estavam duvidosos, será que escondia algo, assim como eu? Uma chama de esperança cresceu dentro do meu peito, será que ela sentia o mesmo por mim? Não, nunca daria certo. Pelo que conheço dela ela não permaneceria na abnegação, mas também não sei para onde irá, pelos seus olhos, nem ela sabe.