A Reviravolta -Amity Chicago Virtual
11 A Surpresa
Notas iniciais
Hoje é sexta, mas Johanna disse que até segundas ordens nós não temos que trabalhar nas plantações hoje. A Erudição veio aqui fazer um teste. Não sabemos o que é, mas somente as pessoas que eles estão chamando estão fazendo o teste. Eu não fui chamado. Pelo menos ainda. Vi Leonardo, um conhecido que ás vezes eu converso durante as pausas nos pomares, ser chamado, mas ele voltou rápido da sala em que a Jeanine está. Pâmela não. Avistei-a entrando na sala, mas até agora não voltou.
–Você viu a Pâmela? –Thalyta falou a se aproximar. Ela está evidentemente preocupada.
–Eu a vi entrando na sala do teste que a Erudição está fazendo. –Não faço ideia o que está acontecendo lá, porque será que ela não voltou ainda. –Não a vi voltando. –Thalyta suspira, não sei o que fazer. Ela parece que está escondendo algo. –Você está bem? Digo, você sabe o que estão fazendo exatamente lá dentro?
–Não. –Tenho certeza que ela está mentindo, está evitando meus olhos. –Não sei.
A Laísa se aproxima de nós. Ela esta de braços dados com o Carlo. Faz uns dias já que eles estão assim, mas não assumem.
–Nossa que tensão. –Laísa diz. –Está tudo bem?
–Sim, claro, porque não estaria? –Thalyta fala, mas sua voz é preocupada de mais para parecer verdade.
Alguns eruditos inspecionam ao nosso redor. Olhando para todos nós, cochichando ás vezes. Isso me irrita, eles querem fazer testes em nós e não querem que saibam o que há neste teste? Isso não parece justo. Então ignorei o falatório de Laísa e me direcionei até um erudito perto de nós.
–Com licença, posso saber o que vocês querem com estes testes? –Perguntei com um tom um pouco alto do que eu queria.
–Você até que é bem esquentadinho para alguém da amizade. –O garoto da erudição fala levantando uma sobrancelha. Ele espera a minha resposta. Não dou. –Qual seu nome?
–Robert! –Olho bem dentro de seus olhos. –Você vai ou não responder minha pergunta?
Os dois da erudição trocam olhares e um agarra meu braço.
–Ai! –Exclamei. –O que estão fazendo?
–Ah! Cale a boca!-Falou me arrastando para uma sala.
–Até que você é bem fortinho para alguém da erudição. –Falei imitando seu tom de voz. O garoto ao seu lado ri da cara dele.
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A sala que eu estou é úmida e tem uma janela. Mandaram-me sentar na cadeira que está no centro da sala. Sentei hesitante. Uma mulher se aproxima de mim em quanto os dois garotos da erudição saem da sala.
–Não vai doer nada. –Ela fala segurando uma seringa.
– O que você vai fazer comigo?
–Apenas um teste. A erudição precisa dele, não se preocupe. –Ela força um sorriso. Aproxima a seringa do meu pescoço e então fica tudo escuro.
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Acordo atordoado. Levanto e tento me lembrar de onde estou. Nada. Não me lembro de nada. Como vim parar aqui? Onde estou?
Estou somente eu sozinho e nada mais, isso me assusta. Isso me apavora. Eu estou sozinho. Todos me deixaram. Corro. Tento correr o mais rápido que posso, mas não sou muito veloz, e meus pés logo não aguentam mais. Caio no chão desesperado. Meu coração dispara. Eu grito. Chamo pela minha família, nada acontece. Meu corpo treme como um bebê. Estou fora do controle. Fecho os olhos e tento pensar em alguma coisa boa.
Não sei quanto tempo passa, mas nada mudou. Continuo com medo. Continuo tremendo. Mas me levanto, olho em volta e continua tudo igual. Nada além do chão e do céu. Nada além de mim. Nada além das minhas fortes batidas cardíacas. Batidas cardíacas é isso. Eu estou em um teste da Erudição. Eu não posso deixa-los saber mais sobre mim. Preciso sair daqui. Aspiro, expiro. Mais uma vez, aspiro, expiro. Controlo meus batimentos e então tudo desaparece.
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Solto um grito que logo se acalma e para. Olho em minha volta e vejo a mulher que aplicou a injeção em mim. Ele me olha pensativa.
–Eu apliquei um teste de você que simula seus medos. –Ela fala. –Você sabe quantos medos você tem?
–Não. Nunca pare para pensar... –Falei.
–Você tem apenas um medo. –Ela tirou seus óculos. –Eu nunca vi ninguém com somente um medo. É extraordinário. Você ficou durante uma hora no seu teste. E mesmo assim não há indícios de divergência. –Ela fala com uma expressão sonhadora. Dou de ombros. Então quer dizer que eles estão caçando divergentes. A Pâmela é divergente?
–Com licença, eu preciso ir. –Nem escutei ela falar. Abri a porta e sai.
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Quando saio da sala, vou em direção dos pomares, lá está Thalyta. Chago perto dela e a cumprimento.
–Oi, tudo bem? –Falo. Ela envolve seus braços em minha cintura e me abraça.
–Não! Não vi a Pâmela em lugar nenhum. Você a viu? –Pergunta ela.
–Não, mas ela deve estar bem... –Minto, eu sei que não está. Se ela é uma divergente e a erudição a achou, não sei o que farão com ela.
–Ah! Vocês estão aí, estava procurando vocês. –Johanna, a representante da amizade fala. –Eu sinto muito, foi muito rápido.
–Sente o quê? –Thalyta fala já com os olhos lacrimejando, como se estivesse prevendo algo.
–Sinto muito mesmo, a Pâmela foi encontrada morta agora.
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