A Resistência
10 9- Nicolas: Uma verdade que não pode ser revelada
Notas iniciais
Meia hora depois, lá estávamos nós, fazendo a patrulha ao redor da região de Aeon. Mal havíamos saído da Resistência quando Lívia já puxava conversa.
_Então, Nicolas, Alex... nervosos?_ Perguntou ela, olhando mais pra Alex do que pra mim (e tive a ligeira impressão de que corava levemente).
Alex respondeu por nós.
_Mais ou menos. Nosso pai nos contou como era.
Renne sorriu.
_Deve ser bem tranquilizante ter um pai como general da Resistência.
Foi a minha vez de responder.
_É, mas em compensação, tem um pouco de pressão a mais, sabe?
Renne assentiu, mas parecia meio melancólico, e tive a impressão de que na verdade ele não sabia.
_Aliás, sempre tem um tanto de pressão a mais._ Disse Alex, parecendo ter percebido a mesma coisa. _Quero dizer, ou se é um lecionador, ou um soldado, certo?
_Não exatamente, Alex._ Retrucou Lívia. _Tem algumas pessoas que trabalham com outras coisas. Ou você acha que a comida se cozinha sozinha?
_Sinceramente, espero não te ofender com isso, mas eu queria muito que fosse cozinhada por sua mãe._ Falou Alex, sorrindo.
_Sim, eu também gostaria._ Respondeu Lívia, também sorrindo.
_Até a algum tempo atrás, uns vinte anos, mais ou menos, havia também um grupo que procurava pessoas desaparecidas, a ajudava desabrigados.
_Como assim?_ Perguntei.
_Os procuradores._ Explicou Lívia. _Como Renne disse, eles iam atrás de pessoas desaparecidas e pessoas que não tinham condições de se locomover até a Resistência para se refugiar do ataque dos Exodus.
_Então isso foi no começo de tudo?
_O começo dos Exodus. Não de todo o caos. Veja bem, os Exodus foram resultado de uma tentativa de tornar humanos mais resistentes, imortais contra o tempo, mas não contra as batalhas. Mas dez anos antes desse experimento acontecer, lá pra 2020, algo que minha mãe chama de “aquecimento global” devastou o planeta. Ela tinha 15 anos quando isso aconteceu, e se lembra muito bem. A Terra foi engolida pelo mar, e tudo se tornou um grande caos. Foi aí que a Resistência foi criada, bem diferente do que é hoje, mais organizada e menos... como foi que ela disse mesmo... burocrática. Também tinha um nome diferente, acho que era Governo. Nessa época, a Resistência existia no mundo inteiro, e foi só depois que os Exodus apareceram que foi “exclusividade” de Aeon.
Houve um silêncio mortal depois que Lívia parou de falar. Eu esperei o assunto morrer para mudar de assunto.
_Ahn, Renne, esse não é seu nome de verdade, certo?
Ele deu um ligeiro sorriso.
_Não, não, é Peter. Nós soldados gostamos de dar apelidos uns aos outros. Por exemplo, pra Lívia demos o nome de Hansome, pra mim deram o nome de Renne.
_E como é que se faz pra ganhar um apelido?_ Perguntou Alex.
_Você não ganha um apelido Linz. Nem pode criar um pra si mesmo. Tem que ser espontâneo.
_Tá, mas com espontaneidade, diz pra mim, que apelido vocês me dariam?
Renne gargalhou muito alto.
_Bem, eu te chamaria de..._ Mas foi interrompido por um barulho que veio de algum lugar à nossa frente. Eu percebi um vulto, parado lá para o fim da rua.
_Um Exodus?_ Perguntou Lívia, pegando sua arma. O vulto fugiu para o outro lado.
_Não._ Falou Alex. _Exodus não fogem._ E começou a correr atrás do vulto.
_Alex!_ Gritamos eu e Lívia, ao mesmo tempo.
_Linz, volte agora!_ Gritou Peter, mas Alex não obedeceu.
_Ah, droga!_ Praguejei, e comecei a correr atrás de Alex, percebendo que os dois soldados atrás de mim não faziam nada pra impedir. Pareciam paralisados com o que estavam acontecendo.
“Alex, você é um idiota”, pensei. Mas soube, pouco depois, que se não fosse por aquilo que ele havia feito, nunca descobriríamos o que íamos descobrir.
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